
Sérgio Almeida
Regressos, muitos regressos, fazem dos próximos meses um período especial para os leitores mais devotos (e um pesadelo para as respectivas bolsas).
Durante as próximas semanas, largas centenas de novos títulos vão chegar as livrarias, num corrupio de novidades que obrigam a uma atenção constante, dado o reduzido tempo de permanência dos livros nos escaparates.
Particularmente dinâmica, a literatura portuguesa preenche um espaço significativo das apostas. O ‘obrigatório’ romance anual de António Lobo Antunes (Comissão das lágrimas; D. Quixote) e o inédito de José Saramago Clarabóia (Caminho) – escrito em 1953 – são dois dos livros que vão disputar a atenção dos leitores.
De José Luís Peixoto a Quetzal vai publicar três livros. Um ano depois de Livro, Abraço reúne textos escritos ao longo da última década. Chega no final de Outubro. A reedição do livro de poesia Gaveta de papéis – Prémio Daniel Faria, em 2008 – e o título infanto-juvenil A mãe que chovia completam o rol.
No dia 23, outro consagrado, Valter Hugo Mãe, vê chegar às livrarias o seu novo livro. Em O filho de mil homens (Objectiva), o escritor conta a história, no primeiro capítulo, de Crisóstomo, um quarentão frustrado por ainda não ter sido pai.
Depois de, no início do ano, ter publicado o livro de contos O homem do turbante verde, Mário de Carvalho regressa aos romances com Quando o diabo reza, o primeiro que edita na Tinta da China.
Na mesma editora, Dulce Maria Cardoso narra o drama dos retornados através do percurso de um jovem de 15 anos chamado Rui. O retorno tem publicação prevista para o próximo mês.
Os adeptos de ficção estrangeira terão também ao seu dispor uma ampla possibilidade de escolha: Philip Roth (Némesis; D. Quixote), Michel Houellebecq (O mapa e o território; Objectiva), Joyce Carol Oates (A filha do coveiro; Sextante); Haruki Murakami (1Q84; Casa das Letras), Patrick Modiano (O horizonte; Porto Editora); Eduardo Mendoza (Rixa de gatos”; Sextante) são disso exemplo.
Autores associados a best-sellers como a chilena Isabel Allende (El cuaderno de Maya; Porto Editora), a italiana Susanna Tamaro (Para sempre; Presença) ou o norte-americano George R. Martin (A dança dos dragões; Saída de Emergência) estão confirmados ao longo do próximo trimestre.
No domínio das reedições, a oferta não será menos variada. A Quetzal começa a publicar este mês a obra de Saul Bellow, com Ravelstein. Outro Nobel cujos livros vão ser alvo de novas edições é V. S. Naipaul. A curva do rio inaugura a colecção.
O terceiro e derradeiro volume de contos de John Cheever chega às livrarias já no próximo mês e dá a conhecer os escritos da juventude do autor norte-americano.
Também na Sextante, uma nova tradução, a cargo de Paulo Faria, de A harpa de ervas, um dos títulos essenciais de Truman Capote, está prevista para Novembro.
Dois clássicos da literatura norte-americana, À espera no centeio, de J.D. Salinger, e A balada do café triste, de Carson McCullers, chegam às livrarias em Outubro com novas edições.
Há também inéditos que se aguardam com expectativa, como Contos de fadas para pessoas comuns, de Boris Vian, uma das apostas da Guerra & Paz para o próximo mês.
Mas a rentrée não é apenas sinónimo de autores renomados. Do plano de publicações figuram várias obras que arrebataram prémio significativos em mercados. É o caso de Apocalypse baby (Sextante), da francesa Virginie Despentes, um romance policial com elevadas doses de humor e ironia que venceu o Renaudot no ano passado.
Presença frequente na lista dos mais vendidos do “New York Times”, Emma Donoghue é um dos destaques da Porto Editora, que deverá lançar No quarto de Jack no próximo mês.
Já a Ahab aposta forte no sueco Per Olov Enquist, que, com A visita do médico real”, conquistou vários prémios internacionais.