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Por Elmano Madail
e Sérgio Almeida
 

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Fevereiro 2012 - Posts

Herdeiros de Eugénio avançam para tribunal

24

Fevereiro

2012

Publicado por Sergio_Almeida às 13:04
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Sérgio Almeida 

 

Os herdeiros de Eugénio de Andrade vão mesmo contestar nos tribunais a ordem de despejo da Câmara do Porto, ignorando o prazo para abandonar o edifício que albergou a Fundação. Entretanto, a Câmara do Fundão mostrou-se disponível para albergar o espólio do poeta.

“Não abandonamos a casa até que haja uma decisão do tribunal nesse sentido”, reiterou ao JN Ana Maria Moura, mãe do afilhado de Eugénio de Andrade, Miguel Moura, que cuidou do poeta durante os seus últimos 30 anos de vida.

Pouco mais de uma semana depois de ter terminado o prazo de dois meses dado pelos serviços camarários para que abandonasse o edifício, na Rua do Passeio Alegre, no Porto, onde vive há quase duas décadas com o marido, Gervásio, Ana Maria Moura continua convencida de que “tudo não passa uma represália por nos termos recusado a colaborar com a extinção da Fundação Eugénio de Andrade (FEA)”.

No desemprego desde o pedido de extinção da FEA, em 2009, Ana Moura afirma que a Câmara “não está interessada no diálogo, desrespeitando a memória de Eugénio de Andrade”, ao mesmo tempo que rejeita a acusação camarária de ser proprietária de outras duas casas na cidade. “Não temos nada a temer. Todos sabem que o Eugénio só aceitou que a fundação fosse criada com o pressuposto de que nos fosse facultada habitação”, reforçou.

A incerteza em redor da preservação do espólio do autor de Os sulcos da sede já levou a Câmara do Fundão – Eugénio nasceu no município, na freguesia da Póvoa da Atalaia – a mostrar disponibilidade para acolher esse valioso acervo, composto por uma biblioteca de milhares de títulos e dezenas de obras de artistas como Júlio Resende, Fernando Lanhas ou José Rodrigues.

Confessando acompanhar o caso “com preocupação”, o presidente da Câmara afirmou à agência Lusa que o espólio poderia estar exposto “em permanência, quer na casa interpretativa, dedicada a Eugénio de Andrade na sua aldeia natal, quer nos espaços da biblioteca municipal”.

“A obra e o espólio do poeta não podem ficar ocultados do público, por forma a salvaguardar o trabalho de um poeta universal, para que possa ser um embaixador ainda maior da cultura portuguesa”, explicou Paulo Fernandes, que revelou aguardar pela marcação de uma reunião por parte da Câmara do Porto.

O final do impasse não desagrada a Arnaldo Saraiva, presidente da direcção da FEA quando esta foi extinta, há menos de cinco meses. O professor universitário e ensaísta, sublinha, porém que “o desejo expresso no testamento de Eugénio e no protocolo assinado com a Câmara do Porto era outro”. “Se não fosse isso, veria com bons olhos a possibilidade, porque o Fundão já fez muito pelo Eugénio”, reconhece Arnaldo Saraiva.

Sem avanços significativos nos últimos meses encontra-se a desejada intenção de transformar a FEA numa casa da poesia aberta à cidade. O antigo dirigente reconhece que “não tem havido diálogo, porque a prioridade actual da Câmara do Porto passa por resolver o problema dos inquilinos”.

Contactada pelo JN, a Câmara Municipal do Porto (CMP) não esclareceu se vai aguardar por uma decisão judicial para desalojar os herdeiros do poeta ou se vai optar por uma medida de força. Num comunicado lacónico enviado à redacção, o gabinete de comunicação limitou-se a adiantar que “neste momento, a CMP não tem nada a acrescentar à sobre este assunto. Se as pessoas em causa entendem ser do seu interesse tratar da questão desta forma, é porque acham que ganharão alguma coisa com isso”.

A autarquia portuense remeteu-se ainda ao silêncio quanto ao anunciado interesse da Câmara do Fundão em albergar o espólio de Eugénio de Andrade.

O festival que colocou a Póvoa no mapa literário

22

Fevereiro

2012

Publicado por Sergio_Almeida às 16:15
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Sérgio Almeida 

 

Os cortes orçamentais ditaram a redução para três dias, mas não há sinais de ambições menores nas Correntes D’Escritas. Rubem Fonseca é figura de proa do festival, que decorre de amanhã até sábado.

Aspiração dos organizadores do festival poveiro desde a primeira edição, já lá vão 12 anos, a vinda do escritor brasileiro – autor de obras exemplares como Feliz ano novo ou A confraria das espadas – vai finalmente concretizar-se agora, depois de, em 2011, problemas de saúde terem ditado o cancelamento da viagem já perto do dia.

A presença de Rubem Fonseca ganha particular relevância pelo facto de ser há muito conhecida a sua aversão a eventos literários. A persistência da organização e o prestígio das Correntes ajudam a explicar o ‘milagre’ da presença do escritor, de 86 anos, que participa, logo no primeiro dia, numa mesa-redonda subordinada ao tema “A escrita é um risco total”, ao lado de Almeida Faria, Ana Paula Tavares, Eduardo Lourenço, Hélia Correia e José Carlos de Vasconcelos.

Até sábado, há mais meia dúzia de debates previstos. O ponto de partida volta a ser variado – “Toda a literatura é pura especulação e Da crise da escrita não se pode fugir são disso exemplo –, mas o objetivo é idêntico: proporcionar momentos de diálogo e partilha com o público que, por norma, esgota a lotação do auditório municipal.

Por muito estimulantes que sejam os debates, o programa não se cinge a eles. A oferta literária inclui numerosos lançamentos de livros, performances-poéticas (pelo Varazim Teatro e Walter Lemos), sessões de poesia e exposições de fotografia (da autoria de Jorge Barros).

Embora a abertura oficial seja amanhã, hoje à noite, no Hotel Axis Vermar, há um prelúdio, com o lançamento dos livros Balada dos homens que sonham” e Palavras, versos, textos e contextos. Na próxima semana, em Lisboa, o Instituto Cervantes acolhe uma extensão do festival.

Luis Sepúlveda no Porto já no próximo domingo, dia 26

17

Fevereiro

2012

Publicado por Sergio_Almeida às 16:32
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Autor de obras marcantes como O velho que lia romances de amor, As rosas de Atacama ou A sombra do que fomos, Luis Sepúlveda é o convidado deste mês do Porto de Encontro, ciclo literário que destaca todos os meses um autor literário de renome.

No próximo dia 26, domingo, às 17 horas, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, o público vai poder ouvir as múltiplas histórias do combatente de letras que é o celebrado autor chileno.

Em evidência vai estar Últimas notícias do Sul, o mais recente livro  publicado pela Porto Editora, que narra uma viagem do escritor e do fotógrafo Daniel Mordzinski pelos confins do continente sul-americano.  

Disponível em Portugal na totalidade, a obra de Sepúlveda inclui perto de duas dezenas de títulos, abarcando o romance, a novela, conto, ensaio e crónicas de viagem.

O cinema é outra das suas paixões: além de ter dirigido cinco películas, foi argumentista, produtor e director de fotografia em várias obras.

O ciclo Porto de Encontro regressa a  31 de Março, às 17 horas, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, com a presença do poeta Manuel António Pina, Prémio Camões 2011.

Quando a crise ajuda a vender livros

09

Fevereiro

2012

Publicado por Sergio_Almeida às 15:06
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Sérgio Almeida

 

Pela terceira vez em cinco anos, a Lua de Papel publicou o livro mais vendido em Portugal. O céu existe mesmo, com 150 mil exemplares vendidos, é apenas o mais recente exemplo da estratégia eficaz de uma editora que teve em O segredo o expoente máximo.

 

A esatística e a matemática não constam entre as áreas ou ciências a que a Lua de Papel se dedica, mas um domínio dos números é aconselhável para se ter noção da ordem de grandeza movimentada pelas edições de uma das chancelas de não-ficção do Grupo Leya.

Todos somados, os principais best-sellers da Lua de Papel venderam perto de um milhão de exemplares, número assombroso num mercado em que a tiragem média é inferior a um milhar. Só O segredo, o livro de auto-ajuda que iniciou uma verdadeira febre do género, é responsável por metade dessa fasquia (480 mil).

A larga distância surge O céu existe mesmo, publicado em meados do ano passado e já próximo da fasquia dos 150 mil. Também as séries de livros da autoria do médico Mehmet Oz ou do terapeuta Paul McKenna alcançaram cifras elevadas, vendendo para cima de 170 mil exemplares.

Editor da Lua de Papel, José Prata atribui a popularidade dos livros a factores como “ a sorte e o engenho de os agarrar antes dos outros editores”, mas destaca um motivo, em particular: “É preciso escolher os livros que as pessoas querem ler”.

Estar atento às tendências da sociedade pode também ser vantajoso, mas Prata não dispensa “a intuição sociológica”, uma espécie de ‘feeling’ que o levou a apostar em O segredo, adquirindo os seus direitos para Portugal por uma ninharia. “Temos de sentir o pulso dos leitores, e ver o que querem”, enfatiza.

Apesar de a Lua de Papel também publicar títulos de saúde, sexo, relações amorosas, filosofia, psicologia ou religião, são os livros de auto-ajuda os principais responsáveis pelas vendas astronómicas, ao deterem um peso que ronda os 70%.

A teoria de que em tempos de crise os livros que propõem soluções milagrosas são mais procurados pode ter muitos seguidores, mas José Prata não é um deles. “Também podemos pensar que se estamos em crise se procura mais o escapismo, cuja forma clássica é o romance”, contrapõe, apontando como exemplo a lista dos livros mais vendidos no ano passado, na qual figura apenas um livro de auto-ajuda.


Estar inserida num grupo de grandes dimensões é uma vantagem de peso para a editora, admite José Prata, que desse modo consegue “mais vendedores nas ruas, mais poder negocial junto dos livreiros, preços mais baixos junto das gráficas e mais orçamento para marketing”.

Com a propriedade de quem  conhece os gostos do público português, José Prata defende uma curiosa coincidência de mentalidade com os norte-americanos, bem evidente na forma como os best-sellers resultam dos dois lados do Atlântico, ao contrário do que sucede nos outros países, mas também “na desigualdade da distribuição da riqueza”.

Se o catálogo dos autores é, na   larga maioria, de origem estrangeira, há um português que se destaca. Os livros de Daniel Sá Nogueira têm já um público fiel e apenas um deles, Trata a vida por tu, já vendeu 20 mil exemplares.

Uma vida tecida de livros

05

Fevereiro

2012

Publicado por Sergio_Almeida às 13:40
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Sérgio Almeida 


Na Portugália, na Inova ou, agora, na Modo de Ler, criou livros que lograram resistir à passagem do tempo. A celebrar meio século de actividade literária, o editor portuense José da Cruz Santos ainda tem na poesia a paixão maior de uma vida intensa como poucas.

É para o futuro que Cruz Santos continua a olhar, apesar do percurso profissional ímpar. São vários os projectos que ainda hoje faz questão de abraçar, como a reedição integral da obra de Eugénio de Andrade, actualmente em curso, que lhe dão o alento necessário para continuar.

Não é dado a acessos de nostalgia, mas critica "os editores-gestores" da actualidade, que privilegiam os números à qualidade intrínseca das obras.

"Houve uma alteração qualitativa para pior", reconhece aquele que é apontado como um dos últimos editores-bibliófilos portugueses, evocando a importância que figuras como Augusto Costa Dias, Jorge de Sena ou João Gaspar Simões desempenharam na direcção das respectivas editoras. Acredita mesmo que "está por fazer um estudo sobre o contributo dos editores para o desenvolvimento do país", mormente durante a ditadura, quando os livros publicados, muitos dos quais interditos pelos regime, "ajudaram a transformar o pensamento de muitos milhares."

Por "não conceber um editor avesso à leitura", afirma que a edição representa um "prolongamento da paixão que nutro pela literatura desde muito novo" .

No ano passado, sofreu um dos principais desgostos da vida, ao tomar conhecimento da decisão do Grupo Leya de guilhotinar largos milhares de exemplares de edições históricas que se encontravam em armazém.

"O que o fascismo nunca fez - embora apreendessem os livros, não me consta que os guilhotinassem - fizeram-no eles", lamenta. A tristeza foi apenas atenuada pela imediata onda de solidariedade em seu redor, com o testemunho abonatório de largas dezenas de personalidades da vida pública nacional, como Ramalho Eanes, Francisco Pinto Balsemão, Artur Santos Silva, Eduardo Souto de Moura ou Eunice Muñoz.

José Saramago, por exemplo, considerou-o "o melhor editor português", acrescentando que "outros usufruirão de maior atenção, mas, em amor pelos livros, em gosto gráfico, em capacidade interventiva, não vejo ninguém capaz de pôr o pé diante de Cruz Santos".

Confessando que "nunca mandou destruir um livro", o actual editor da Modo de Ler não se mostra preocupado com a concorrência digital, até porque "os livros que publico, como poesia e álbuns, não serão tão afectados pelos e-books como os restantes".

A par da poesia, as edições especiais são a maior predilecção. "Criar a partir do nada como se tudo houvesse" é um princípio que procura seguir com fervor ainda hoje e, graças a esse carácter inventivo, foi mentor de edições emblemáticas, de que Daqui houve nome Portugal", antologia de poesia e verso sobre o Porto coordenada por Eugénio de Andrade, é o maior exemplo. 

Eugénio, de quem publicou 60 títulos, é nome cimeiro das suas afinidades electivas, a par de "Camilo Castelo Branco, Cesário Verde, Luís de Camões, Mário de Sá-Carneiro e Vasco Graça Moura".

Ao longo dos próximos meses, o infatigável editor prepara-se para levar por diante vários projectos de envergadura, sinal de que "o livro mais importante é sempre o seguinte". "As coisas não estão fáceis, mas, valha a verdade, também nunca estiveram", desabafa Cruz Santos. O primeiro destes livros, 7 artistas, 7 poetas, já está concluído e consiste num diálogo artístico entre figuras cimeiras da arte e cultura portuguesas, como Columbano, Amadeo de Souza-Cardoso, Almada Negreiros, Cesário Verde, Fernando Pessoa, Teixeira de Pascoaes ou Sophia de Mello Breyner Andresen.

Nos primeiros meses de 2012, chega às livrarias Os mais belos poemas portugueses escolhidos por 25 poetas, "que, muito possivelmente, irá ser a mais importante antologia de poesia portuguesa, graças à qualidade dos autores que participaram na escolha e selecção", resume. Outra obra potencialmente marcante que o editor portuense tenciona publicar intitula-se 21 personalidades do século XX/XXI escolhem as 21 personalidades portuguesas do milénio. "É um livro com uma intenção patriótica", assume o editor, "cada vez mais atento às nossas coisas". O quarto e derradeiro livro, Alameda das glicínias, reúne quase uma centena de textos e poemas de vários autores sobre a flor predilecta de José da Cruz Santos, que no Japão é símbolo da amizade.

"Ainda hoje continuo à descoberta do Porto"

02

Fevereiro

2012

Publicado por Sergio_Almeida às 15:45
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Sérgio Almeida

 

O Porto de hoje e o de outras eras estiveram em evidência na mais recente edição do ciclo literário Porto de Encontro, decorrido no sábado passado numa Biblioteca Almeida Garrett quase lotada.

Autor em foco este mês, o jornalista e historiador Germano Silva protagonizou uma verdadeira lição de história aos presentes, que não só se deleitaram com a infinidade de episódios e factos revelados pelo cronista, como tiveram ainda ocasião de participar, endossando questões ao convidado.

Mesmo com o saber acumulado de mais de meio século dedicado à investigação histórica, Germano Silva recusou o epíteto de especialista do Porto e afirmou continuar ainda hoje “à descoberta” da cidade que aprendeu a amar. “Interessa-me o Porto desconhecido”, enfatizou, defendendo em seguida que “embora não tenhamos grandes monumentos, temos, em alternativa, um património inestimável: as pessoas”.

O “carácter” dos portuenses foi bastas vezes elogiado pelo autor de Porto – nos lugares da História, que lamentou, porém, a perda de importância da cidade nas últimas décadas, em contraponto com o que sucedia no passado: “Quando o Porto mexia e havia grandes ajuntamentos populares, o rei estremecia”.

Sobre o estado actual da Invicta, não deixou de lado o espírito crítico, lamentando a lentidão da reabilitação urbana ou a reduzida aposta cultural. “ Não sei se as pessoas que hoje governam o Porto gostam da cidade, mas acho que fazem pouco por ela”.

Ao Jornal de Notícias, periódico em que trabalhou durante 40 anos e onde ainda hoje escreve, dedicou o mérito da visibilidade de que hoje desfruta, ao fazer chegar os seus textos e histórias a um número alargado de leitores. “O jornalismo foi uma grande escola”, confessou.

(http://www.facebook.com/portodeencontro)


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