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Por Elmano Madail
e Sérgio Almeida
 

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Março 2012 - Posts

Editora de Gaia aposta na publicidade em capítulos

27

Março

2012

Publicado por Sergio_Almeida às 15:14
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Sérgio Almeida 

 

O nome chapter sponsorship diz (quase) tudo: por  uma verba singela, qualquer empresa pode patrocinar o capítulo de um livro. A promotora do projeto é a Eucleia, uma jovem editora sediada em Gaia.

Já existia publicidade na capa, contracapa ou badana. Agora, a Eucleia leva a ideia mais longe e propõe-se criar o chapter sponsorship, uma estratégia de marketing que assenta na colocação de uma menção publicitária no início de cada capítulo.

Se o projeto vingar, os livros da editora passarão a ostentar com frequência uma mesma frase: “Este capítulo foi publicado com o patrocínio da empresa X”.

Embora o meio empresarial seja a prioridade deste novo nicho publicitário, os mentores não excluem a adesão de particulares. Do mesmo modo, os interessados poderão patrocinar não só um capítulo mas a obra inteira.  

João Reis, um dos dois editores da Eucleia, admite que a ideia pode chocar os mais puristas, mas em nada irá interferir com o conteúdo da obra. Aliás, completa Natália Reis, “as inscrições serão discretas e adequadas ao grafismo da obra”.

As vantagens desta fórmula, asseguram, são inúmeras: “Além de ser um investimento reduzido, permite uma publicidade duradoura, ao contrário de outros suportes, em que o tempo de exposição é limitado”.

Da banca aos seguros ou retalho, a editora gaiense acredita que uma empresa de qualquer ramo comercial poderá associar-se à ideia, que “é só mais uma forma de conseguirmos uma ajuda para os elevados custos de edição”, considera Natália Reis.

Antes de partir para o patrocínio de capítulos, a dupla tentou o apoio mecenático junto de empresas, mas todos os esforços revelaram-se infrutíferos, o que leva João Reis a afirmar que “o mecenato não funciona em Portugal”. “Está vocacionado apenas para grandes empresas”, completa.

"Porto de Encontro" recebe Manuel António Pina

20

Março

2012

Publicado por Sergio_Almeida às 20:20

O escritor Manuel António Pina é o convidado da quinta edição do ciclo literário Porto de Encontro, marcada para o próximo dia 31, às 17 horas, na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto.

Com uma obra literária que atravessa a poesia, literatura infanto-juvenil, crónica e teatro, Manuel António Pina  foi distinguido com o Prémio Camões no ano passado, o mais importante prémio literário de língua portuguesa. 

Ao longo dos anos foi ainda contemplado com vários outros galardões, entre os quais os da Associação Portuguesa de Escritores, Associação Internacional de Críticos Literários ou Casa da Imprensa.

No final do ano passado, regressou à publicação de poesia após um longo hiato com a obra Como se desenha uma casa, editado pela Assírio & Alvim.

Como jornalista, o autor de O pássaro da cabeça trabalhou durante 30 anos no Jornal de Notícias, periódico em que assina diariamente a crónica Por outras palavras, seguida por milhares de leitores.

Durante a sessão vai ser apresentada uma performance multimedia de poesia da autoria do coletivo Sindicato do Credo. Em Regresso devagar ao teu sorriso, os declamadores Paulo Moreira e Pedro Piaf vão ler textos emblemáticos da obra poética de Manuel António Pina, enquadrados pela projeção de imagens.

O ciclo literário regressa em Abril, com António Mega Ferreira, no dia 15, às 17 horas, no mesmo local.

"A morte é uma aberração"

14

Março

2012

Publicado por Sergio_Almeida às 19:25

 

Sérgio Almeida

 

Madrid, 2109. A Humanidade atravessa dias incertos. A tensão entre humanos e replicantes, uma casta de andróides, atinge um ponto de ruptura. Por todo o lado, sucedem-se confrontos violentos que deixam vir ao de cima o pior que cada uma das espécies possui.

Novo romance de Rosa Montero, Lágrimas na chuva não esconde que se trata de uma homenagem ao lendário Blade runner, de Philip K. Dick. Mas a segunda incursão da autora de A louca da casa pelo género de ficção científica, mais de duas décadas decorridas sobre a primeira, está longe de cingir-se aos contornos futuristas.

Montero, uma das escritoras espanholas mais estimadas pelo público português, acredita mesmo que escreveu a obra mais realista da sua carreira, já que, ao contrário do que é hábito, situou lugares e acontecimentos com uma grande precisão.

“A ficção científica não está divorciada da realidade. Pelo contrário. Ajuda-nos a conhecê-la melhor, mesmo que através de metáforas. Infelizmente, em Espanha confunde-se este género literário com maus telefilmes, repletos de esoterismo e marcianos de orelhas bicudas”, lamenta.

A trama futurista não foi impedimento para que a romancista dissertasse no livro sobre os seus temas de eleição, como a identidade, a memória, a luta pela sobrevivência e a morte, a qual considera “uma aberração, algo antinatural e inconcebível”. E concretiza, defendendo que “todas as ações humanas, sejam literárias, históricas ou religiosas, são uma tentativa de lutarmos contra a morte”.

O desenvolvimento tecnológico ao longo da História não convence por inteiro a escritora, para quem a condição humana, pese embora todas as transformações que desencadeou, não mudou assim tanto ao longo dos anos: “É por isso que ainda hoje nos emocionamos tanto com histórias escritas há dois mil anos”.

Com Bruna Husky, a detetive que protagoniza o livro, criou uma relação de proximidade, a mais forte que desenvolveu até hoje com uma personagem. Rosa Montero revê-se na fúria de viver de Husky, mas afasta a hipótese de ter criado uma réplica à sua imagem. “Ela é uma pantera, como gosto de me ver, mas muito ampliada”, admite, esperançosa de que Lágrimas na chuva possa contribuir para esbater os estereótipos que ainda rodeiam a ficção científica, género em que tem como mestres, além de Philip K. Dick, Brian Aldiss ou Ursula K. Le Guin, "uma das maiores escritoras do século XX”.

A par da literatura, o jornalismo é outro dos eixos da vida da autora de Instruções para salvar o Mundo. A jornalista do El Pais, periódico onde colabora desde 1976, vê com preocupação a crise que assola a comunicação social mas rejeita cenários catastrofistas, porque “o jornalismo não vai morrer”. “O que estamos a assistir é a uma mudança de suportes e ferramentas, porque os jornalistas vão continuar a ser necessários. O jornalismo dos cidadãos não existe sem a mediação dos profissionais da comunicação social”, diz.

 

 

TÍTULO: Lágrimas na chuva

AUTORA: Rosa Montero

EDITORA: Porto Editora

PREÇO: 16.60 euros

Vasco Graça Moura é o próximo convidado das "Quintas de Leitura"

13

Março

2012

Publicado por Sergio_Almeida às 16:01
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A obra do poeta Vasco Graça Moura vai estar em evidência na próxima sessão do ciclo Quintas de Leitura, marcada para o Teatro do Campo Alegre, no Porto, no dia 22 (quinta-feira), às 22 horas.

Em A furiosa paixão pelo tangível, a conhecida maratona poética propõe-se revisitar a escrita do autor de O caderno da casa das nuvens, cuja extensa bibliografia inclui, além da poesia, o romance, novela, crónica, ensaio ou tradução.

Acompanham Graça Moura na sessão os atores Teresa Coutinho e Rui Spranger e ainda Carla Marques, que assim fará a sua estreia nas Quintas.

Os momentos musicais estão a cargo da violinista eslava Ianina Khmelik e da fadista Mísia, outra estreia no ciclo.

O poema Tango do poeta convidado servirá de mote e inspiração à atuação da dupla argentina Óscar y Gladys, acompanhada por Fernando y Helena.

Presença reedita obra de Florbela Espanca

07

Março

2012

Publicado por Sergio_Almeida às 19:10
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Sérgio Almeida


A adaptação cinematográfica da vida de Florbela Espanca não é a única novidade relacionada com a poetisa nascida em Vila Viçosa.

Iniciada em Setembro de 2009, a publicação integral está a cargo da Editorial Presença e pretende  dar a conhecer de forma pormenorizada o universo poético, ficcional e epistolar da autora de Charneca em flor.

Os dois primeiros livros já publicados debruçaram-se sobre a obra poética de Florbela Espanca, enquanto o terceiro volume, lançado no final do ano passado, reuniu os contos de sua autoria. Ainda sem data de saída, o quarto e último volume reúne a correspondência da escritora.

A introdução e organização da série é da responsabilidade de José Carlos Seabra Pereira, que também assina o prefácio sobre a obra e o seu mito literário.

Em nota enviada à imprensa, a Presença adianta que “os três volumes publicados são uma versão corrida e o resultado de um trabalho rigoroso e especializado que garantiu a fixação do texto e a sua interpretação”.

Professor da Faculdade de Letras de Coimbra e da Universidade Católica, Seabra Pereira dirige o Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos e a Casa da Escrita (Coimbra), além de ser  ensaísta autores e temas do Decadentismo e do Simbolismo, do Neo-Romantismo e do Modernismo.

Com estreia prevista para amanhã, quinta-feira, o filme conta com realização e argumento de Vicente Alves do Ó e explora o mundo interior da poetisa num período em que parou de escrever.

"Presença da troika em Portugal ofende-me"

02

Março

2012

Publicado por Sergio_Almeida às 21:41
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Sérgio Almeida

 

Incisivo mas sereno, com um sentido de humor sibilino, Luis Sepúlveda não desiludiu a vasta plateia que acorreu à Biblioteca Almeida Garrett em mais uma sessão do ciclo literário Porto de Encontro.

De viagens, livros e política, de tudo se falou um pouco na conversa que o escritor protagonizou durante perto de duas horas.

Últimas notícias do sul, o mais recente livro do escritor, foi o ponto de partida da entrevista. Sepúlveda partilhou com o quase meio milhar de espectadores as viagens feitas pela Patagónia na companhia do fotógrafo e amigo Daniel Mordzinski, transmitindo o fascínio pela imensidão das estepes e generosidades das suas gentes.

Viajante incansável desde a adolescência, o escritor chileno recordou as várias peripécias que rodearam o percurso pelos confins do continente sul-americano. Os 2500 quilómetros que a dupla de viajantes tencionava trilhar no primeiro mês foram reduzidos a 100 quilómetros, quando ambos se aperceberam da riqueza paisagística e humana que a cercava. “O pior que se pode fazer numa viagem é planear”, defendeu.

A política foi um dos temas em foco da conversa. Contundente, o autor de A sombra do que fomos foi impiedoso na análise da crise que varre a Europa, responsabilizando políticos e banqueiros de serem os principais responsáveis pela actual situação. “Nós, cidadãos, estamos a pagar por uma crise que não gerámos. Foram os banqueiros e os mercados que a provocaram”.

Considerando “ofensiva” a presença da troika em Portugal - “significa que, no entender deles, não existe um só político ou economista português capaz” -, teceu críticas incisivas à receita da austeridade, a qual, garante, só vai trazer mais pobreza e desemprego. E lamentou que “a economia tenha corrompido os políticos”.


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