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Os livros proibidos são os mais apetecidos

30

Janeiro

2016

Publicado por Sergio_Almeida às 15:49
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Sérgio Almeida

 

Mais de dois mil portugueses compraram, nas últimas semanas, um exemplar do sempre polémico Mein kampf, numa nova edição com a chancela da E-primatur.  A popularidade do livro maldito de Adolf Hitler – que, a partir do início deste ano, pertence ao domínio público – é apenas um sinal mais do interesse de que se podem revestir para os leitores obras consideradas infames ou potencialmente perniciosas.

Hugo Xavier, editor da E-primatur, afirmou ao JN que, aquando da publicação, previram vários cenários em relação ao acolhimento da obra. “Está a acontecer o melhor deles”, sublinhou o responsável, que diz ter 2500 cópias no mercado.

A lista de obras malditas disponíveis nas livrarias portuguesas vai subir em flecha nos próximos meses. Para assinalar o 10º aniversário, a Guerra & Paz resolveu avançar com um projeto, no mínimo, ambicioso:publicar, à razão de um por mês, os três livros mais representativos dos regimes totalitários do século XX, o nazismo, o comunismo e o maoísmo.

Há poucos dias, chegou ao mercado o Manifesto comunista, a obra de Marx e Engels que tanta celeuma tem causado através dos tempos. Seguem-se Mein kampf e O livro vermelho, de Mao Tsé-Tung.

A trilogia está longe de cingir-se à publicação do texto original, já que vem acompanhada de uma contextualização e enquadramento históricos exaustivos. A Bíblia do comunismo, por exemplo, contém testemunhos de figuras como Vassili Grossman, Alexander Soljenitsin, Raymond Aron ou Nikita Krushchov, “assumindo uma posição crítica inequívoca”, explica Manuel S. Fonseca, editor da Guerra & Paz.

“Se não conhecermos o passado de onde vimos, não sabemos o que fazer do nosso presente e não teremos de certeza futuro. Não se pode é publicar assepticamente esses textos que estão ligados às maiores tragédias do século XX. É preciso enquadrá-los”, reforça o responsável editorial, que frisa ainda que “não me passaria pela cabeça publicar sem intervenção livros cujo conteúdo é tão fortemente interventivo”.


Posição idêntica assume o editor da E-primatur. A edição que se encontra à venda contém um prefácio do politólogo António Costa Pinto, que analisa a utopia convertida em pesadelo à luz dos ensinamentos fornecidos pela História.

Mas não só. “Não publicaríamos também o livro sem umas dezenas de notas de contexto, todas nossas que polvilham o texto”, explica.

 

 

 

Saber quem é o público-alvo deste género de edições não é tarefa simples. Se os compradores habituais dos livros de História aparecem no topo da lista, não custa perceber, pelo número de exemplares vendidos, que estes livros conseguem atrair um naipe de interessados mais alargado. São os chamados “curiosos”, como refere Hugo Xavier, ou seja, leitores ocasionais atraídos pela polémica em redor destas obras.

Controvérsia é o que poderá gerar também, para os militantes comunistas pelo menos, a colocação, lado a lado, dos livros de Hitler e Marx.

Manuel S. Fonseca desvaloriza a questão, ao defender que se trata de duas obras “que se confrontaram durante um século”. “Não os vejo como iguais. São bem diferentes e originam tragédias diferentes. Mas originam tragédias, em todo o caso”, sublinha.

A “trilogia maldita” da Guerra & Paz é mais do que um auxiliar histórico. Com capa dura e cuidada atenção gráfica, cada livro é também um pequeno objeto de arte em cuja execução esteve envolvida uma equipa numerosa. “Foi um trabalho de militância”, desabafou Manuel S. Fonseca.

João Pedro Marques à conversa no Porto

25

Janeiro

2016

Publicado por Sergio_Almeida às 15:57
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O romancista e historiador João Pedro Marques é o protagonista da primeira edição do ano do Porto de Encontro, que se realiza a 31 de Janeiro, domingo, às 17 horas, no auditório da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto.

Do outro lado do mar, o mais recente romance do autor, vai estar em destaque na conversa mantida com os leitores.

Júlio Magalhães, diretor-geral do Porto Canal, vai ser o convidado especial de uma sessão em que as leituras estarão a cargo de Manuela Leitão.

Doutorado em História pela Universidade Nova de Lisboa, João Pedro Marques é autor dos romances Os dias da febre, Uma fazenda em África e O estranho caso de Sebastião Moncada.

Em entrevista concedida ao Jornal de Notícias no final do ano passado, o escritor afirmou que, embora os seus romances não sejam livros de História, "mantêm uma ligação estreita com a época em que decorrem". "Quando se escreve um livro de História (e eu escrevi vários, antes de ser romancista) é absolutamente imprescindível ser rigoroso. Os historiadores avaliam-se pela solidez e rigor das suas provas e afirmações", completou.

O Porto de Encontro é um ciclo de conversas com escritores promovido pela Porto Editora desde novembro de 2011 em que já participaram, entre muitos outros, Luis Sepúlveda, Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares e Lídia Jorge.

Tudo o que vamos poder ler durante este ano

03

Janeiro

2016

Publicado por Sergio_Almeida às 22:38
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Sérgio Almeida


A publicação de Vozes de Chernobyl, obra maior da Nobel da Literatura de 2015 Svetlana Alexievich, é um dos grandes destaques editoriais de 2016. O livro, que descreve o impacto devastador do acidente nuclear naquela cidade ucraniana, chega às livrarias já a 29 de fevereiro. Da mesma autora, a Elsinore (chancela do grupo 20120) publica em Setembro A guerra não tem rosto de mulher.

Os novos romances de Jo Nesbo (Baratas),  Nicholas Sparks (Uma escolha por amor), Jussi Adler-Olsen (Desejo de vingança), Emma Wildes (Um encontro muito ousado) Susanna Tamaro (O coração também pensa) ou M J Arlidge (Liar, liar) prometem ainda captar a atenção de muitos leitores.

Romances inéditos em Portugal de autores como Haruki Murakami (com o título em inglês de Hear the wind sing & pinball), Ken Follett (Uma terra chamada liberdade) ou Philip Roth (When se was good) têm chegada prevista para, respetivamente, junho, março e maio.

Na ficção em língua portuguesa, há muito por onde escolher: Regresso ao paraíso, de Germano de Almeida, A vida de Ramos, de Luísa Costa Gomes, Sebastião e o vidente, de Deana Barroqueiro, Rio do esquecimento, de Isabel Rio Novo, O segredo de João das Regras, de Frederico Duarte Carvalho, O rapaz e a rola, de Cristina Norton, “A gramática do medo”, de Patrícia Reis e Maria Manuel Viana, Desnorte, de Inês Pedrosa, As mulheres de Camões, de Maria João Lopo de Carvalho, e Os dez livros de Santiago Boccanegra, de Pedro Marta Santos.

Depois de ter conquistado o Prémio APE Romance, Ana Margarida de Carvalho regressa à ficção com Não se pode morar nos olhos de um gato.

Em abril, a Dom Quixote assinala o centenário da morte com Mário Sá-Carneiro com a edição completa da sua prosa.

Cada vez mais populares entre os leitores portugueses, os géneros ligados ao suspense ou mistério vão conhecer neste ano um invulgar dinamismo. Entre os livros previstos encontram-se os novos de Guillaume Musso (O apelo do anjo) e Dolores Redondo, autora espanhola que vendeu 400 mil exemplares com O guardião invisível e O legado dos ossos, que chegam a Portugal em junho.

Fenómenos editoriais noutros países vão também ser publicados por cá ao longo do ano. São os casos de Nynfis, romance de Sari Luhtanen e Mikko Oikkinen que se situa entre a mitologia, suspense e erotismo, e um thriller erótico de Monica James, Addicted to sin no original.

É no domínio da não-ficção que se situam porventura as maiores apostas. A começar pela biografia de Diego Maradona, a primeira autorizada pelo genial futebolista argentino. Touched my god é o título em inglês de um livro que chega em outubro com promessa de polémica.

Heinrich Himmler e Norton de Matos são os protagonistas de duas biografias que a Dom Quixote se prepara para publicar nos próximos meses.

Ainda nas biografias: é em março que chega o livro de Oprah Winfrey, intitulado As coisas que a vida me ensinou, o nome da rubrica que assina mensalmente na sua revista “O”.

Rita Ferro, por seu turno, publica em maio Um homem por amar, em que recorda o seu avô, António Ferro.

O perfil de dois dos youtubers portugueses mais populares da atualidade é o enfoque de dois livros publicados em maio pela Casa das Letras: “Diário da rapariga dos saltos, de Glória Dias, e Wuant, de Paulo Borges.

A Planeta continua a explorar eficazmente o filão Star Wars. Depois dos três livros saídos no último trimestre do ano, incluindo um ambicioso guia ilustrado, há outros tantos a caminho: O ataque de Skywalker, de Jason Aaron e John Cassiday, e os livros dirigidos para o público juvenil O regresso de Han e Chewie e Finn e a primeira ordem.

Um livro póstumo de Luís Miguel Rocha que se debruça sobre uma série de factos históricos pouco conhecidos acerca da Santa Sé vai chegar ao mercado editorial nos próximos meses.

Nos ensaios, destaque para os novos livros de dois autores incontornáveis do género: O curso do amor, de Alain de Botton, e To hell and back (ainda sem título para português), do britânico Ian Kershaw.

O ano será ainda fértil em reedições, sinal de que as editoras continuam a privilegiar apostas seguras. Crash, de J. G. Ballard, “A brincadeira”/”Testamentos traídos”, de Milan Kundera, A trilogia da mão, de Mário Cláudio, País do Carnaval, de Jorge Amado, O barão trepador, de Italo Calvino, A mulher de Porto Pim”, de Antonio Tabucchi, Ulisses, de Maria Alberta Menéres, e O rapaz e o robô, de Luísa Ducla Soares, são apenas alguns dos numerosos exemplos previstos.

Com um público fiel e numeroso, a literatura infantil e juvenil em 2016 vai ser marcada pelos regressos. Novos livros de personagens familiares como Ulysses Moore, Kung Fu Panda e Tea Stilton estão assegurados, bem como o novo livro de Neil Gaiman, Por sorte, o leite.

Já no próximo mês de março vai ser publicado A extraordinária aventura de Mandela, livro dirigido aos mais novos em que Maria Inês Almeida passa em revista a vida de uma das personalidades mais fascinantes do século XX.

 

Bruno Vieira Amaral em foco no Porto

09

Dezembro

2015

Publicado por Sergio_Almeida às 16:47
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A última sessão de 2015 do Porto de Encontro vai ser protagonizada por Bruno Vieira Amaral já no próximo domingo, dia 13, às 17 horas, na Casa das Artes, no Porto.

Com o romance de estreia, As primeiras coisas, o convidado da 41ª edição deste ciclo de conversas com escritores promovido pela Porto Editora conquistou um total de cinco distinções, incluindo os prémios Saramago, Fernando Namora e PEN Clube.

Sobre As primeiras coisas, romance publicado pela Quetzal, Rentes de Carvalho afirmou que se trata de "Um livro de rara e comovente beleza".

Guia para 50 personagens da ficção portuguesa e Aleluia são os outros livros da autoria deste crítico literário, tradutor e assessor de comunicação.

Desde Novembro de 2011, o Porto de Encontro já promoveu sessões com autores como Gonçalo M. Tavares, Luis Sepúlveda, Richard Zimler ou José Tolentino Mendonça que, no seu conjunto, atraíram mais de 12 mil espectadores.
 

Valter Hugo Mãe estreia-se nos livros de contos

27

Novembro

2015

Publicado por Sergio_Almeida às 18:13
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Intitula-se Contos de cães e maus lobos e assinala a estreia de Valter Hugo Mãe (VHM) no género contístico. O livro, que chegou este mês às livrarias, conta com um prefácio de Mia Couto.

São 11 contos, alguns dos quais já publicados anteriormente na imprensa, em que o reconhecido universo literário do autor de O remorso de Baltazar Serapião se alia a ilustrações de artistas como Graça Morais, José Rodrigues, Joana Vasconcelos, Paulo Damião, Nino Cais ou Cadão Volpato.

Destinados, segundo o autor, a “um público de todas as idades”, os contos evidenciam o tom encantatório característico da escrita de VHM, com uma forte presença de elementos como a esperança, a ansiedade e o receio.

Um dos contos incluídos nesta reunião de histórias, intitulado A menina que carregava bocadinhos, já tinha sido lançado em formato eBook, através da Coolbooks, no final do mês passado.

Mas Contos de cães e maus lobos não é a única novidade deste autor. Na mesma altura em que este livro de contos chegava às livrarias, a Porto Editora prosseguia a reedição da sua obra, com o lançamento de O apocalipse dos trabalhadores, enriquecido com um prefácio do poeta sírio Adónis.

Entretanto, já este mês, o escritor foi incluído na lista dos 14 finalistas do Prémio Oceanos, um prémio de literatura em língua portuguesa que já venceu em 2010.

 

Ana Luísa Amaral conversa com leitores no Porto

16

Novembro

2015

Publicado por Sergio_Almeida às 15:33
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A poetisa Ana Luísa Amaral é a autora em foco na 40ª edição do Porto de Encontro, marcada para a Casa das Artes (Porto), no próximo dia 22, domingo, às 17 horas.

Professora associada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Ana Luísa Amaral é autora de uma obra numerosa, publicada em dez países, incluindo França, Colômbia, Itália, México e Suécia.

Apesar da predominância da poesia, com duas dezenas de títulos, já publicou ainda para teatro, literatura infanto-juvenil e ficção.

Das distinções já recebidas destacam-se o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores e o Prémio Correntes d’Escritas.

Participam ainda na sessão a professora universitária Isabel Pires de Lima e a actriz Emília Silvestre.

Criado em novembro de 2011, o Porto de Encontro é um ciclo de conversas com escritores promovido pela Porto Editora em que já participaram escritores como Luis Sepúlveda,Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares, Lidia Jorge ou Luísa Ducla Soares.

Novas edições de Saramago chegam às livrarias

08

Novembro

2015

Publicado por Sergio_Almeida às 19:45
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Todos os nomes A jangada de pedra, Terra do pecado e Objeto quase são as novas edições de José Saramago publicadas pela Porto Editora (PE).

A chegada destes livros aos postos de venda coincide com o mês em que o único Nobel da Literatura de língua portuguesa completaria 93 anos.

Com estas edições, aumenta para 21 o número de títulos da obra de Saramago publicado pela PE.

Miguel Gonçalves Mendes, Mário Cláudio, José Luís Peixoto e João Tordo são os autores que colaboraram nesta edição, apodando a sua assinatura a cada um dos livros.

Os quatro títulos agora reditados ocupam um lugar importante na obra saramaguiana, mas cada qual possui uma dimensão própria. A Terra do pecado, por exemplo, foi o primeiro romance publicado por José Saramago. Depois da sua saida, em 1947, esperaria 30 anos até escrever Levantado do Chão, "o livro que abriu para o autor o coração dos leitores".

 

 

A poção mágica de José Rodrigues dos Santos

02

Novembro

2015

Publicado por Sergio_Almeida às 16:24
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Sérgio Almeida


É, de longe, o escritor português mais popular. Cada novo livro que José Rodrigues dos Santos (JRS) escreve é sinónimo de vendas em série.

 

O novo, As flores de lótus, foi publicado há pouco mais de uma semana e já se alcandorou, como é hábito, aos primeiros postos das tabelas de vendas: nos tops da Bertrand e da Fnac encontra-se no segundo lugar, logo atrás do novo Astérix.

 

No total, os s 13 romances já publicados terão vendido perto de três milhões de exemplares. Números faraónicos num país onde os hábitos de leitura continuam a ser dos mais baixos da Europa, justificando o desafio lançado pelo JN a um punhado de especialistas do meio literário, editorial e livreiro: quais, afinal, as razões pelas quais os seus livros vendem tanto?

 

 

 

 “O grande erro e a grande virtude”


Miguel Real *



1 - O grande erro


"JRS encontra-se para o actual panorama do romance português como Pinheiro Chagas relativamente a Eça de Queirós no final do século XIX. Pinheiro Chagas, devido aos seus êxitos comerciais, presumia-se um dos melhores escritores de Portugal. A História não lhe deu razão.

JRS critica os autores consagrados por terem enredado o romance em estruturas experimentalistas destinadas a um público universitário e justifica o sucesso de vendas dos seus livros por estes serem animados de uma mensagem explícita, uma legibilidade simples, um enredo imediatamente inteligível e um vocabulário acessível.

JRS não tem razão. Todas estas características - se distinguiam a prática do romance até ao final da primeira metade do século XX - deixaram de ter validade estética na segunda metade do mesmo século. É como se, no século do quark e do bosão, ainda se andasse à procura do fotão e a inventar a lâmpada.

JRS privilegia as categorias clássicas do romance e os critérios economicista (vendas) e sociológico (número de leitores) Os autores consagrados privilegiam as categorias modernistas do romance. São duas tradições culturais, duas correntes literárias e duas visões estéticas. Mas só uma dá acesso, hoje, à História da Literatura – a do carácter inovador e experimentalista da narrativa como modo de conhecimento e fruição de prazer estético.

Eis porque a obra de JRS é academicamente mal vista: nada de novo traz à categoria de personagem, nada de novo traz à categoria de acção, de enredo, de tempo, de forma estética. Não possui um estilo singular.


2. – a grande virtude


Porém, JRS possui uma grande virtude, uma dificílima virtude: a mestria com que utiliza a categoria clássica de suspense, impondo um ritmo concatenado, coerente e acelerado aos seus romances, segundo o modelo televisivo e fílmico, desdobrando de um modo imageticamente consistente uma história com princípio, meio e fim".

* crítico literário, escritor e professor

 

 

 

 
“A literatura é outra coisa”


José Mário Silva*


“O sucesso editorial de José Rodrigues dos Santos não tem segredo nem mistério. É, pura e simplesmente, a concretização de várias fórmulas conhecidas da ficção comercial, aplicadas no contexto português por uma estrela mediática de primeira grandeza.

JRS não inventou a pólvora, limitou-se a seguir as regras básicas da novelística best-seller, com a sua linearidade reconfortante para a grande maioria dos leitores.

Com um enorme sentido de oportunidade, JRS limitou-se a explorar um espaço vago no mercado português. Entre dezenas de escritores estrangeiros, que enveredam pelos mesmos caminhos do thriller histórico ou científico, e um autor nacional, que ainda por cima apresenta o noticiário das 20 horas e nos pisca o olho no fim, o público prefere o que lhe é mais próximo e familiar.

Sem quaisquer preocupações estilísticas, o que JRS faz é pegar em grandes temas (a I Guerra Mundial, o terrorismo, a crise energética, a existência da alma), ou figuras da História (Cristóvão Colombo, Calouste Gulbenkian), e construir em torno dessas ideias centrais uma trama eficaz, mesmo se absolutamente mecânica e previsível.

A escrita é plana, funcional, descritiva, sem rasgo, aqui e ali pomposa, muitas vezes ridícula. Existe para cumprir o desígnio de contar uma história e nada mais. Para os objectivos a que Rodrigues dos Santos se propõe, chega e sobra. Os seus muitos leitores não se queixam. Mas a literatura, escusado será dizer, é outra coisa”.

* jornalista; coordenador da secção de livros do “Expresso”

 

 

 


“Relação muito direta com o real”


Tito Couto *



São vários os elementos que concorrem para o sucesso do José Rodrigues dos Santos.


JRS publica, de forma consistente, um romance por ano. Uma cadência que permite uma relação com os leitores mais constante e que impede que o autor possa ser esquecido.


Os romances de JRS tem uma relação muito directa com o real. Ora nos leva pelos principais episódios da história portuguesa, ora nos confronta com a história contemporânea. Neste capítulo, sobressai o capital de confiança e credibilidade que adquiriu junto dos espectadores de televisão que acompanham o seu trabalho como pivot de informação.


Neste particular, há que juntar o clima de familiaridade que o jornalista sempre incutiu ao seu estilo de edição.
Os seus romances são sempre muito bem documentados, elemento que é valorizado pelos leitores já que a fonte é reputada de muito credível. Além disso soube ler o ler o momento em que devia lançar-se nos thrillers com lastro histórico, que ficaram em voga nos primeiros anos do século, e nos quais ele se sente à-vontade, aproveitando as personagens para ancorar o esse real.


Sintetizando. As pessoas tendem a escolher o que reconhecem. Se reconhecem os temas tratados nos livros, se reconhecem o autor e a sua credibilidade e se ele responde anualmente com um novo trabalho, estabelece-se uma relação de confiança.


Outro elemento fundamental, e esse ninguém consegue produzir em laboratório editorial, é o nível de satisfação dos leitores com os romances. O autor pode ser muito conhecido, ser uma estrela de televisão adorada por milhões, se o romance não satisfizer os leitores não irá vender. Correcção. Venderá muito bem o primeiro romance, mas a partir daí entrará numa espiral descendente. Isso não acontece com JRS.


Publicar no final de outubro é também uma óptima decisão de marketing. As novidades que agora chegam às livrarias são as que vão ficar até ao Natal, altura em que a compra de livros por impulso dispara.

* consultor editorial

Luísa Ducla Soares em tertúlia no Porto

20

Outubro

2015

Publicado por Sergio_Almeida às 16:08
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O ciclo de conversas com escritores Porto de Encontro” prossegue já no dia 24, sábado, às 17 horas, na Biblioteca Almeida Garrett, com a obra de Luísa Ducla Soares em destaque.

Autora de mais de uma centena de títulos para a infância, Luísa Ducla Soares conquistou alguns dos mais importantes prémios literários para juventude, granjeando muitos milhares de leitores ao longo dos anos.

A sessão vai contar ainda com a participação do escritor António Torrado e uma participação musical do Bando dos Gambozinos.

Ao longo dos últimos quatro anos, o Porto de Encontro colocou em evidência a obra de quatro dezenas de escritores portugueses e internacionais, entre os quais José Saramago, Manuel António Pina, Mia Couto, Valter Hugo Mãe, Luis Sepúlveda e Lídia Jorge.

Promovida pela Porto Editora, esta iniciativa conta com o apoio do Jornal de Notícias, Porto Canal, Livrarias Bertrand e Arcádia. A sessão de sábado é apoiada pela Câmara Municipal do Porto.


Penafiel e Óbidos dominam atenções literárias

15

Outubro

2015

Publicado por Sergio_Almeida às 16:10
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Sérgio Almeida

 

Das páginas dos livros para as ruas, praças, auditórios e montras das lojas. Assim se faz há oito anos o Escritaria, um projeto original do escritor e editor Manuel Andrade que Penafiel abraçou. Primeiro “com alguma desconfiança”, como reconhece o presidente da Câmara, Antonino de Sousa, mas de ano para ano “o entusiasmo tem-se intensificado”.


“O êxito veio provar que é possível realizar iniciativas literárias fora de Lisboa e Porto, atraindo pessoas que por norma não frequentam iniciativas do género“, sublinha o autarca, “muito satisfeito” com a aposta.

As singularidades do festival são várias: ao contrário da ancestral tendência lusitana, celebra unicamente autores vivos, recusando as loas fúnebres, tão fora do prazo quanto inúteis.

Urbano Tavares Rodrigues, José Saramago, Agustina Bessa-Luís, Mia Couto, António Lobo Antunes, Mário de Carvalho e Lídia Jorge foram os escritores em destaque desde o arranque da festival. À lista acaba de ser somado Mário Cláudio, ficcionista, cronista e poeta que há um par de meses voltou a ser distinguido com o Grande Prémio do Romance e Novela da APE, desta feita pelo livro Retrato de rapaz.

Entre hoje e domingo, há abundantes motivos que justificam uma ida a Penafiel, até porque a organização urdiu um programa em que as diferentes facetas do escritor natural do Porto são revisitadas.

O lançamento do romance Astronomia, a antevisão de um documentário sobre o escritor (Tocata para dois clarins”, de Jorge Campos) ou a conferência Mário Cláudio, vida e obra” são alguns dos pontos altos do festival, em que vão estar presentes figuras próximas do escritor, como Graça Morais, João Botelho, Maria João Reynaud, Francisco Laranjo, Lídia Jorge ou Tito Couto.

O Escritaria não fica completo sem a dimensão de rua. Todos os anos, o evento faz questão de extravasar as paredes dos auditórios e museus, ao difundir iniciativas a céu aberto. Exemplos? Das montras das lojas decoradas com elementos alusivos à obra de Mário Cláudio - este ano, os trabalhos apresentados são da autoria de 300 alunos de escolas da região – às frases do autor dispersas pelo espaço público, são inescapáveis as referências ao festival em todo o centro histórico, já para não falar nas adaptações teatrais ao ar livre, a cargo de O Andaime. 


Se, como reza a máxima, não há uma segunda oportunidade para causarmos uma boa impressão inicial, os organizadores do Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos tudo fizeram para eliminar o espaço à dúvida.
Inspirado no internacionalmente aclamado Festival de Paraty, no Brasil, o Folio apresenta, entre hoje e o dia 25, um impressionante programa dividido em cinco segmentos (Autores, Folia, Educa, Ilustra e Paralelo) em que os livros e a literatura são o eixo principal mas não o único.


Entre o quase meio milhar de convidados, os escritores até podem estar em maioria (Eduardo Lourenço, Hélia Correia, Gonçalo M. Tavares, Javier Cercas, Luís Fernando Veríssimo ou Reinaldo Moraes são apenas alguns), mas estão longe de serem os únicos, já que o programa contempla ainda a presença de outros criadores, como Gisela João, António Zambujo, João Afonso, Manuel Freire ou Oquestrada.


Todo o programa gira em tornos de feixes e cruzamentos, muitos dos quais improváveis. Como o concerto em que Cristina Branco e o Mário Laginha Trio cantam temas de Chico Buarque ou a mesa-redonda entre Pedro Rosa Mendes e José Luís Peixoto.


Há mais para ver e ouvir além de debates e espetáculos musicais. O cinema (vai ser exibido o filme José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes), as exposições de ilustração ou ‘cartoons’ e a performance teatral Elefante Salomão” são disso exemplo.


A curadoria do Folio Autores pertence a José Eduardo Agualusa. O escritor angolano resume a filosofia do festival a um verbo, por sinal (até agora) inexistente: literar. “Queremos que Óbidos seja um local de encontro, não apenas em outubro, mas durante todo o ano, de escritores, de alunos, de professores, de editores, de estudiosos, de livreiros, de todos aqueles para quem a palavra e a literatura são a sua inspiração e vida”, reforça.

Livros sobre políticos à margem dos leitores

30

Setembro

2015

Publicado por Sergio_Almeida às 16:35
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Sérgio Almeida

 

Nas  semanas que antecedem as eleições, as montras das livrarias britânicas tornam-se subitamente todas iguais. Em vez dos best sellers do costume, os lugares de exposição máxima ficam entregues a livros de teor político, sejam biografias, discursos ou programas partidários.


Um cenário antagónico do português, em que as obras de ou sobre políticos são alvo de “fraca procura”, como confirmou ao JN o gerente da Livraria Leitura, no Porto, Joaquim Santos. O protagonismo só acontece quando a figura em causa é associada a algum escândalo. Foi este o caso dos dois livros mais vendidos até ao momento: Cercado: os dias fatais de José Sócrates”, de Fernando Esteves, e A minha prisão, relato dos dias de cárcere do antigo presidente da Câmara de Oeiras Isaltino Morais.


“Em Inglaterra é impossível alguém candidatar-se a um cargo político sem ter de antemão publicados livros que enunciem o seu pensamento”, sentencia Zita Seabra, editora da Alêtheia, que publicou a primeira biografia de Pedro Passos Coelho.


Francisco Camacho, editor da Esfera dos Livros, afirma que “não faz sentido” fazerem-se comparações com a realidade anglossaxónica: “A democracia portuguesa é demasiado recente, precisa de amadurecer. Teve a mesma figura no poder durante quatro décadas. Não admira que Salazar ainda seja a grande pop star em matéria de livros sobre políticos”.


Num segmento onde imperam os livros que resultam de encomendas partidárias – ou não fossem os militantes os principais destinatários –, as biografias não autorizadas podem contar-se pelos dedos de uma mão. O editor Rui Costa Pinto, autor de José Sócrates, o homem e o líder”, considera que a pequenez do meio não é suficiente para explicar. “Só é pressionado quem quer. Os que se sentem pressionados para escrever livros políticos devem dedicar-se a outra atividade”, defende.


Apesar do panorama pouco risonho, a oferta editorial neste segmento tem crescido: com exceção de Jerónimo de Sousa e Paulo Portas, os principais líderes políticos publicaram livros nos últimos meses.

 

Os livros dos líderes

 

Pedro Passos Coelho

Da autoria de Sofia Aureliano, a única biografia sobre o atual primeiro-ministro foi publicada só este ano. O livro apresenta Pedro Passos Coelho como “uma das grandes personalidades políticas portuguesas”, que “nos poucos anos em que esteve à frente do Governo, mudou o país e pôs fim a uma década perdida da vida nacional”.

António Costa

Os meios e os fins do líder socialista é uma biografia não autorizada em que Miguel Marujo e Octávio Lourada abordam temas delicados para António Costa, como a difícil relação com José Sócrates. Também este ano foi lançado Quem disse que era fácil?, livro em que Bernardo Ferrão e Cristina Figueiredo elencam os maiores desafios de Costa. Em 2012, no consulado de António José Seguro, o líder do PS marcou terreno, ao reunir textos de intervenção política no volume Caminho aberto.

Jerónimo de Sousa

Sem obra publicada, o líder comunista apenas tem o seu nome inscrito no livro para crianças Contos poucos políticos, volume para o qual contribuiu com a escrita de um conto.

Catarina Martins

Publicado há poucos dias, Mitos urbanos” é uma espécie de manifesto eleitoral do Bloco de Esquerda através da sua líder.

Paulo Portas

Não se conhece qualquer livro biográfico do ministro da Defesa nem sequer um livro sobre o seu pensamento político. No entanto, o líder centrista é uma das figuras centrais do livro Submarinos.pt, publicado recentemente pelo deputado socialista José Magalhães.

Óbidos vai receber “maior festival de sempre”

18

Setembro

2015

Publicado por Sergio_Almeida às 19:12
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Luís Fernando Veríssimo é um dos participantes do festival Folio

 

Sérgio Almeida

 

Duas centenas de autores de vários países vão estar em Óbidos entre os dias 15 e 25 de outubro para a primeira edição do Folio, evento que se propõe ser o maior festival de literatura já realizado em Portugal.

O programa, vasto, vai ser apresentado no sábado à noite, à margem da Feira do Livro do Porto, abrangendo tertúlias, aulas abertas, exposições, seminários, maratonas de leitura e concertos.

Hélia Correia, Eduardo Lourenço, Gonçalo M. Tavares, João Tordo, os brasileiros Luís Fernando Veríssimo e Reinaldo Moraes ou o espanhol Javier Cercas estão entre os participantes de um festival que elege como mote o verbo “literar”.

A organização apresenta o Folio como “uma grande festa da literatura”, frisando que, embora muito focado na literatura portuguesa e na lusofonia, em particular no Brasil, o evento não descarta “o resto do mundo”.

Com curadoria do escritor José Eduardo Agualusa, o segmento Autores quer dar a palavra a escritores, mas também a alunos, professores, editores, estudiosos e livreiros. “A intenção é surpreender os leitores, juntando autores muito conhecidos, e outros ainda não tão divulgados em Portugal, mas de reconhecida qualidade, discutindo temas atuais”, adiantam os promotores.

Se os escritores estão em natural maioria no cartaz, também haverá outros convidados. É o caso dos editores Manuel Alberto Valente, Zeferino Coelho e João Paulo Cotrim, da artista plástica Graça Morais, do crítico de cinema João Lopes ou da fadista Maria João, entre muitos outros.

A vertente performativa é um dos eixos do programa. Entre os espetáculos previstos constam os de António Zambujo a cantar Caetano Veloso, Cristina Branco e o Trio de Mário Laginha a fazerem uma abordagem ao universo criativo de Chico Buarque ou Diogo Infante a interpretar a Ode marítima, de Fernando Pessoa.

Na secção Aula aberta, vários especialistas reconhecidos vão falar sobre a obra de grandes autores. É o que acontece logo no primeiro dia, a 15 de outubro, quando o crítico literário Pedro Mexia proferir uma conferência sobre Agustina Bessa-Luís.

A ilustração também não foi esquecida. Durante o evento está prevista a realização de uma mostra internacional em que vai estar em destaque o trabalho de Maria Keil e Manuela Bacelar., além de visitas guiadas, projeções de documentários e lançamentos de livros.

Afonso Cruz lança novos livros no Porto

16

Setembro

2015

Publicado por Sergio_Almeida às 15:18
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O ciclo de conversas com escritores Porto de Encontro regressa já no próximo dia 20, domingo, às 18.30 horas,  na Biblioteca Almeida Garett, integrado na programação da Feira do Livro do Porto.

Afonso Cruz é o autor em foco na abertura da quinta temporada deste evento promovido pela Porto Editora, que desde novembro de 2011 já atraiu perto de 12 mil espectadores.

Flores, novo romance do autor, vai estar em destaque na conversa que vai ser mantida com os espectadores..

Nascido na Figueira da Foz em 1971, Afonso Cruz é autor de livros como Para onde vão os guarda chuvas, O pintor debaixo do lava-loiças ou Jesus Cristo bebia cerveja. Além de escritor, é ainda cineasta, ilustrador e músico.

Entre as distinções já recebidas constam o Grande de Conto Camilo Castelo Branco/Associação Portuguesa de Escritores, Prémio da União Europeia para a Literatura e o Prémio Sociedade Portuguesa de Autores.

A sessão conta ainda com a participação de Rita Redshoes e Marta Bernardes. A cantora e compositora intervirá na parte final da sessão, dialogando com o autor em foco e os espectadores, enquanto a co-autora de Barafunda - livro escrito a meias com Afonso Cruz e recentemente publicado pela Caminho - irá ler excertos de obras do autor de A boneca de Kokoschka.

Mais detalhes sobre a sessão podem encontrados em www.facebook.com/portodeencontro 
 

Novo romance de Jonathan Franzen já chegou às livrarias

12

Setembro

2015

Publicado por Sergio_Almeida às 17:42
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O quinto e mais recente romance de Jonathan Franzen, visto por muitos como o "grande escritor americano" da atualidade, já está disponível nas livrarias portuguesas.

Purity é publicado cinco anos depois de Liberdade”, o romance que consagrou em definitivo o escritor como uma das vozes mais significativas da literatura dos nossos dias.

Novamente publicado pela Dom Quixote, tal como os anteriores publicados no nosso país, o romance pode ser descrito como um épico familiar centrado na figura de Purity Tyler. Decidida a identificar o pai, a jovem vai encetar uma busca através da qual encontra reminiscências um pouco por todo o lado, seja a Alemanha de Leste antes da queda do Muro de Berlim ou a América do Sul mais profunda.

Esse mergulho esporádico no passado não entra em colisão com o facto de o romance ser também uma súmula do mundo globalizado e disperso dos nossos dias. Das dezenas de personagens que atravessam o livro encontram-se sem dificuldade émulos de Edward Snowden e Julian Assange, figuras centrais do poder associado ao mundo virtual e das artes manipulatórias.


Mesmo sem ter reagido de um modo tão entusiástico como em relação aos anteriores romances, a crítica apontou qualidades várias aos livro. O britânico The Guardian afirmava que Purity é o romance “mais dickensiano (ou não fosse o diminutivo da protagonista ser Pip, homenónimo da personagem de “Grandes esperanças) da obra de Franzen.

Camilo Castelo Branco evocado nos 125 anos da morte

21

Junho

2015

Publicado por Sergio_Almeida às 12:32
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Sérgio Almeida


A Associação Portuguesa de Escritores (APE) vai evocar Camilo Castelo Branco por ocasião do 125º aniversário da sua morte, ocorrida a 1 de junho de 1890.


A homenagem desdobra-se por duas sessões. Amanhã, segunda-feira, às 18 horas, na Livraria Férin, em Lisboa, acontece um debate intitulado O homem e o escritor, com entrada livre.

Coordenador do programa e moderador da sessão, o escritor Luís Machado sublinha a importância da homenagem “a uma das mais destacadas figuras da nossa literatura, além de um ser complexo e alma atormentada”. Por isso, a sessão procura prestar idêntica atenção a ambas as valências, “decisivas para uma compreensão plena da sua figura”.

A conversa reúne quatro especialistas na obra camiliana, cada qual com a incumbência de destacar uma faceta em particular. Ernesto Rodrigues irá falar sobre Camilo enquanto poeta, José Manuel Mendes vai partilhar leituras camilianas, João Bigotte Chorão falará do homem e da obra, ao passo que Margarida  Braga Neves se propõe falar acerca da relação do escritor com os jovens.

A evocação de Camilo prossegue a 29, com um jantar-tertúlia, no Café Martinho da Arcada, de que o autor de Queda dum anjo” era frequentador sempre que, por deveres de ofício, tinha que ir a Lisboa.

A ementa contempla pratos típicos da gastronomia oitocentista, adaptados à obra do escritor, como são os casos do caldo à Eusébio Macário ou da papa à Maria Moisés.

Além de degustarem vários pratos, os comensais poderão ainda ouvir várias intervenções. O crítico de cinema João Lopes vai analisar as adaptações televisivas e cinematográficas de que a obra de Camilo foi alvo ao longo dos anos. Em destaque vão estar as quatro versões do romance mais célebre do escritor, Amor de perdição.

A sexóloga Marta Crawford, por seu turno, vai subordinar a sua intervenção à dimensão amorosa do homenageado. Autor que relatava as paixões de forma arrebatada nos seus livros, Camilo também exibia fora deles o mesmo ardor, o que, frequentemente, o colocava em apuros.

Luís Machado também intervirá, para falar sobre a gastronomia nos livros de Camilo Castelo Branco. Uma relação de tal forma que, no entender do coordenador do programa, “não há um único livro de Camilo onde não haja, pelo menos, uma referência à comida”.


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