Fevereiro 2010 - Posts

Maria Elisa: - Senhor doutor, que opinião tem sobre a Internet?
Eduardo Lourenço: - Oh, Maria Elisa, a Internet é pior do que o mar profundo.

Assaz ainda muito longe da Internet existir, na voz do povo andava a célebre quadrazinha: Ó mar alto, ó mar alto, / ó mar alto sem ter fundo; / mais vale andar no mar alto / do que nas bocas do mundo.

Quem d´esperança anda por cá
se duvidar do aperto,
pela Internet verá
que o mundo não tem conserto.

Porque o mundo de facto não tem conserto, sucede que um elemento tão repugnante tem uma procura apaixonante..

António Torre da Guia
1ª. Intervenção = 2007-01-14 / 01:26:19


FICÇÃO EM BUSCA DA MEMÓRIA PERDIDA...

ooooA RTP, para concretizar com fidedigna seriedade a votação que permitiria designar o mais marcante dos grandes portugueses, dispôs de um Boegin de 300 lugares que dispunha de um dispositivo que injectava individualmente para o espaço qualquer um dos passageiros interessados na histórica eleição.

oooo Assim, num grande ecrã posicionado logo a seguir à cabine de pilotagem, passavam as diversas sugestões sobre as mais vincadas personalidades da História de Portugal, enquanto sonoramente se recomendava que cada passageiro era livre de escolher quem muito bem entendesse.

oooo Em cada um dos trezentos lugares ia acendendo sucessivamente uma luzinha que solicitava a resposta electrónica dos respectivos ocupantes.

oooo Nas cerca de 33 mil ascensões realizadas, a nave, partindo com 300 votantes, chegava em média ao solo apenas com 30. Normalmente 270 deles eram injectados. Entre os que regressavam contavam-se em maioria aqueles que tinham votado na mãe, no pai e no Zé-Povinho.

oooo Foi surpreendente verificar que os notáveis Júlio Isidro e Gabriel Alves, pela forma como biografaram, respectivamente, Herman José e Cristiano Ronaldo, tinham sido injectados.

oooo No fim da histórica brincadeira-a-sério, a RTP tinha prestado o mais relevante dos serviços de todos os tempos à Pátria Lusitana: o Mestre de Avis, Dom João I, "o-da-Boa-Memória", tinha ganho destacadíssimo o auspicioso concurso. Inclusive, no último voo, libertara-se também do constante vai-e-vem da apresentadora(*).

PS = Como se verifica, voltou mais uma vez, e desta feita para tratar da nossa saúde...

      Qual é a sua relação com o primeiro--ministro? Quando o conheceu? Com que regularidade lhe fala? Tem acesso directo e fala ao telemóvel com José Sócrates?

       Não somos amigos íntimos. Conheci-o em 2004. Fomos apresentados pelo Sérgio Sousa Pinto. Há alturas que falamos com muita frequência. Olhe, só para exemplo, pode acontecer que durante um jogo de futebol falemos cinco ou seis vezes. Mas há períodos em que passamos meses sem nos falarmos. Não tenho acesso político ao primeiro-ministro e não faço parte de nenhum círculo político do eng. José Sócrates, se é que esse círculo existe.

PS = Questão colocada pelo jornal «i».


   Responsável pela campanha eleitoral que logrou a vitória na primeir-volta das eleições presidenciais que tão providencialmente colocaram o professor Cavaco Silva em Belém, Alexandre Relvas, quiçá ainda providente, apelou a Paulo Rangel um acordo de candidatura unificada com Aguiar Branco, mas o deputado europeu já veio a público recusar essa hipótese, uma vez que pugna por tomar isoladamente uma posição de ruptura no partido. Presumirá então Paulo Rangel que a vitória do PSD nas eleições europeias a si se deverá? O paraquedista laranja não terá vislumbrado pois que os portugueses apenas pretenderam enviar um patriótico recado a Durão Barroso.

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ooooEssa dos que propalam o futuro favorável aos netos, ao mesmo tempo que me faz subir a náusea ao raciocínio, dá-me também uma enorme vontade rir, e isto apenas quando me ocorre observar a decorrente realidade com o olhar aberto até à testa. Um quarto-de-hora parado junto de um semáforo chega e sobra para aquilatar quem é deveras o genérico humano que persistentemente não cessa de se destruir ávido de sucesso. Então, do semáforo para o televisor o confronto é surpreendente, sempre que atento no lengalengante estendal das soluções propostas. Apre, para que servem afinal os espelhos?!...

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      Por muito meditar sobre os dois triângulos vocabulares em título, acabei por colar-lhes as bases e obtive um losango ou rombo que me dá enorme vontade de rir e fará rir também quem porventura se aperceba da minha linguística concepção geométrica.

      Ora, por causa das fugas num e o óbice constitucional noutro, a justiça e a corrupcção andam por aí de braço-dado em todas as ruas e só lhes falta, claro, que se lhes oficialize casamento para que adquiram os inerentes direitos de ser como são.

       É, não duvide, é isso: segredo de ***@ e @*** da prova!...

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ooooo Aos provérbios e à evidência das vítimas mortais na estrada quem é que passa cartão?... Oh, isso é só para os outros, ladrões e automobilistas, claro, e no caso destes últimos, injusta e infelizmente, muito pior quando não há solução, já que no caso dos ladrões compensa-os ainda o privilégio de passarem a usufruir de alojamento, alimentação e recreio de borla.

ooooo Em Outubro de 2007 sofri uma tentativa de assalto na via pública, cercado por três energúmenos contra os quais me bati até ao extremo do corpo e da alma. Evitei de ser roubado, mas não pude evitar um covarde pontapé nas costas que me obrigou a ir ao hospital e a andar empenado cerca de dois meses. Todas as diligências que na altura efectuei junto da polícia foram vãs e ao cabo de voltas e mais voltas o processo de investigação foi arquivado.

ooooo Ontem, 10/2/2010, ao fundo da 12ª. página do JN, a notícia proporcionou-me natural regosijo: «Detido terceiro elemento de gangue que espancava idosos». Já há tempos havia feito reconhecimento positivo de dois deles: do que me deu o pontapé nas costas - na altura disse-me «ora deixa lá ver o que tens aí nos bolsinhos, ó velhote» - e do que estava à ilharga a fazer cobertura. Finalmente, o terceiro, aquele com quem andei envolvido ao sopapo e que decerto também serei chamado a reconhecer, foi agora capturado e desta feita vai ficar uns tempos de férias. Tenho em posse uma camisa minha com o sangue dele e um brinquinho que lhe arranquei de uma orelha durante a refrega.

ooooo Em conclusão: nem só os cântaros que vão muitas vezes à fonte se escacam; também acontece o mesmo aos que em degradante covardia virtual andam e persistem muito em redor dela.

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oooooNa última conversa de António Vitorino com Judite de Sousa, na rúbrica semanal «Notas Soltas» - RTP1, considero que uma nota se soltou leviana, desnecessária e quiçá, para ouvidos etarras, assaz grave. Referindo-se às manobras da ETA em Portugal, quanto a mim, o doutor Vitorino deveria ficar-se pelo início da abordagem, quando disse que desde há muito se sabe que os militantes daquela organização escolhem o nosso território para descansar, e praza que assim seja pelos tempos adiante.

        Todos os assuntos que envolvem conteúdo iminentemente perigoso devem ser tratados com delicadeza situacional e de preferência com reserva extrema.


oooo A voz-off, após anunciar os nomes dos concorrentes, estica em empolgado vozeirão, entre sons de ambiência triunfal, o nome do maior dos apresentadores da televisão portuguesa: Carlos Malato.

oooo Malato, com sintomas de ter arrotado há dois minutos, ridente a toda a cara e após alguns preliminares, começa o jogo e surge a primeira-pergunta: qual foi o primeiro páis da Europa, ainda antes da respectiva lei vigorar, a ser governado por um casal gay? Seguem-se as três opções de escolha: França, Espanha, Portugal.

oooo Perplexos, os concorrentes detêm-se em suspenso, o tempo esgotou-se e nenhum deu resposta.


------Quando Nelson Mandela se finar enfim, perder-se-à fisicamente, e perder-se-à deveras como nunca se perdeu, na minha modesta opinião, o mais ínsigne dos seres humanos que viveu na terra, algo de exemplar irrepetível, supremo estado de estar vivo ao longo de toda a sua existência. Quando me perguntam, segundo meu ponto de vista apreciativo, qual é o maior vulto da História Universal, respondo sem hesitar: Nelson Mandela, modelo ideal da Humanidade.


Do nada descendo a tudo
subiu ao cume supremo
onde cego, surdo e mudo
só Deus suplanta o Demo.

------Júlio Isidro, amigo, companheiro profissional e profundo conhecedor da vida artística de Rosa Lobato de Faria, hoje, instado na televisão sobre o que porventura a falecida gostaria que fizessem após a sua morte, respondeu tão-só: « - Sem lágrimas...». E de imediato comoveu-se.

------Com efeito, ontem 2/2/2010 e após curto período acamada, aos quase 78 anos de idade, Rosa Lobato de Faria, Rosinha para os amigos, fechou definitivamente o raciocínio para a vida, deixando atrás de si um esplendoroso rasto de luminosidade. Esposa, mãe, avó, escritora, poetisa, declamadora e actriz, por ser dona de carácter com um agudo piquinho irónico-revolucionário, teve de impor-se na ribalta do espectáculo e da cultura em Portugal pela pertinaz e indómita vontade que a dotava. Sua vastíssima obra estende-se nos vários domínios da arte da palavra.

------Mulher assaz bonita, conservou até ao ápice derradeiro o viço de ser permanentemente jovem de corpo e alma. O resto, pormenor a pormenor, é assaz evidente e consabido para que sua memória perdure entre as estrelas da cultura portuguesa, sobretudo aquelas que dão luz para baixo.


Adeus Rosa, até já,
e aí do teu cantinho
enquanto eu andar por cá
ilumina meu caminho.

Ninguém espere que Manuel Alegre ou o aparelho dominante, reposta a «ideal» cereja no topo do bolo, tomem efectiva espada para cortar o dito de alto-abaixo. Assim como nada foi feito para exorcisar o anterior fraticídio, de esperar é que cena idêntica não se repita e até à hora de poder «estar lá» a engrenagem se apresente coesa para destronar o óbvio. Quem diz que o assunto belenense ainda não se põe, apenas pretende não dizer que o candidato do PS é só um: Alegre e mais nenhum! Aos contrários restará sentarem-se à mesa ou baterem a porta.

Cavaco Silva ou Manuel Alegre------Embora nunca ganhasse pessoalmente campeonato algum e tão-só deva em exclusiva dependência os aprazíveis lazeres da ribalta política às habilidades listantes e ao quentinho aconchego dum amigo fixe, que afinal não hesitou trair sob a ávida tentação-atracção pelas belenenses-maçãzinhas que levaram a República ao criminoso regicídio, Manuel Alegre está a revelar-se paradigmático parceiro de Jorge Jesus no que a tácticas de «forno» vermelho concerne.

------Em brevíssima súmula, passando a acusar Cavaco da «tentação de governar» como acusou Soares de «só querer estar lá» e em estafermo paradoxo atrever-se insinuar que o actual PR ensaia fazer com Sócrates o mesmo que Jorge Sampaio fez com Santana Lopes, pretende Alegre que a malta passe por um túnel assim e lhe ofereça o voto presidencial à luz de tão péssima escuridão. E em nome de quê? Em nome duma inepta e versejada arenga que no decurso da actual conjuntura sequer os imbecis seduzirá, uma vez que os parasitários oportunistas-seguidistas, os das almoçaradas-jantaradas, já se seduziram a si próprios.

------As contas estão desde já feitas: pela melhor das perspectivas, os votos todos do PCP/PEV, do BE e metade do PS não chegam. A Cavaco Silva, para reeleger-se e cumprir o tradicional decenato, bastará apenas dizer uma dúzia de palavras: recandidato-me para manter a singular-regular estabilidade da Presidência da República.

------Equiparando os por enquanto eventuais candidatos, entre a loucura e o juízo, Alegre está poeticamente perto da lua, mas a inalcançável distância do sol, onde em sensato pragmatismo e efectiva dignidade está Cavaco sob tranquílo e elucidativo silêncio.