“Crimes contra idosos e crianças prioritários na investigação” Gostaria de deixar aqui uma questão de índole geral e um alerta para a população... (respeitando a nova lei que já deveria ser prioritária à mais tempo). Não será crime o abandono, desprezo e falta de dignidade que alguns familiares praticam com os seus progenitores? Eu dirijo-me especialmente a este drama, porque cada vez mais me deparo com situações destas e as estatísticas falam por si. Idosos doentes, cheios de carências afectivas e financeiras deixadas à sua própria sorte. Desculpem-me a expressão “levem os empecilhos que já não fazem cá falta nenhuma”, mas a sensação que o meu ser sente é esta, sei do que falo. Para quem conhece as leis e porque neste momento vivo este dilema, deixo aqui um apelo: Não desistam de lutar...embora a luta seja uma eternidade nos tribunais! Um filho que decida tomar conta dos pais acamados ou debilitados sem capacidades financeiras para o fazer, tendo irmãos com possibilidades financeiras é abandonado por completo pelo Estado. As soluções que nos são apresentadas são: colocá-los num lar social ou entrar com um processo em tribunal de pedido de pensão de alimentos aos outros filhos. Mas se o progenitor(a) estiver incapacitado(a) psicologicamente para o fazer, então aí não basta um processo mas dois: 1º- acção de interdição e o 2º- acção de pedido de pensão de alimentos. O 1º processo consiste em provar que o seu pai ou mãe não está nas suas faculdades mentais, e consequentemente, necessitará de um tutor que a represente no 2º processo. Mas como os processos não seguem em conjunto para o mesmo sector jurídico, por vezes confundem-nos, como se o nosso intuito fosse, apoderar-nos das fortunas dos nossos pais. O 2º processo só pode iniciar depois de ser dada a tutela ao filho que tenha feito o pedido de interdição e que esteja a cuidar do seu progenitor. Neste momento vivo esta situação só porque me recuso a meter a minha mãe num lar social e porque infelizmente tenho uns irmãos que não me ajudam a nível financeiro nem sequer psicológico, para que eu possa refazer a minha vida, em termos profissionais. A minha mãe foi vítima de AVC há cinco anos e a dor que senti ao vê-la assim não tem explicação possível nem dinheiro nenhum paga tanto sofrimento... Como a ajuda dos meus irmãos foi nula, pedi ajuda à assistente social, para que me arranjassem alguém que pudesse tomar conta dela para eu poder trabalhar e proporcionar-lhe melhores condições para a sua doença, mas tudo isto me foi negado, porque tenho irmãos. Com todo este sufoco, dei-lhe tudo o que tinha: o meu amor! Hoje passados cinco anos tenho tido a recompensa, ela continua dependente de mim para tudo mas deixou de ser um vegetal. O 1º processo ainda continua no tribunal desde de 2004, à espera de um novo juiz. Já estava em fase final mas como transferiram o juiz que estava a tratar do caso, o processo ficou parado. Não sei por mais quanto tempo, irei ter que esperar por uma nova resposta para poder dar andamento ao 2º processo. Será que estão à espera que ela morra para arquivarem o processo? Deixo esta mensagem a todos que padecem com este tipo de problema, mas não desistam! Embora tenha momentos de desespero agarro-me ao amor que recebo todos os dias de uma mãe que já consegue sorrir e dizer adoro-te minha filha. Abandonar a minha mãe num lar social é que não! Apesar de ela ter passado muitas dificuldades para nos criar, nunca meteu nenhum filho num orfanato. Conceição Bernardino
Morte assistida Falar da morte é um tema que me transcende, não pelo facto de a temer mas sim por a desconhecer. Não somos preparados para assumir que é a única certeza que a vida nos concede é o fim. Chamemos-lhe o que quisermos, partida, saída, transmudação, mas os sinónimos não vão substituir a porta que nos espera quando o relógio da vida pára. Ninguém está preparado par lidar com ela, é uma incógnita, mesmo coabitando com a crença que a eternidade nos espera. Não sou a favor que se prolongue o sofrimento, quando a doença percorre os limites terminais da vida. Não será egoísmo manter alguém vivo artificialmente só para podermos ver com olhar a presença que a saudade não aguenta? Não estaremos nós, já a sofrer uma morte assistida ao ver um ente querido a definhar-se até que a luz se apague? Pessoalmente, respeito a dor de cada um e as suas convicções. Mas devemos olhar primeiro para o sofrimento atroz do doente e esquecermo-nos um pouco a nossa, para mim este é o primeiro paço. Quanto às leis elas só serão úteis se as mentalidades mudarem, mas para isso há que educar os cidadãos a trabalhar mais a mente. Contudo, não posso deixar de salientar que o apoio psicológico especializado, também é muito importante. Conceição Bernardino