segunda-feira, 29 de Março de 2010 5:59
elisazul
Admirável = Lição nº. 1 de fair-play por José Sócrates
oooo Grande parte das considerações que adiante teço têm por exclusiva base diversos conteúdos publicados no JN de Domingo, 28 de Março de 2010.
oooo Depois daquele bailinho que se viu através da televisão no Congresso do PSD em Mafra, quando Alberto João Jardim, todo impregnado de ar maroto se desarranjou com o candidato favorito e se deslocou do seu lugar para ir sentar-se ao lado de Paulo Rangel, deu como resultado a única excepção que se verificou no acto eleitoral que atribuiu a liderança a Pedro Passos Coelho: a Madeira foi a única distrital em que o deputado europeu logrou votação vitoriosa.
oooo Entretanto, estive a ler que José Seguro preconiza uma organização nos partidos que privilegie as ideias e não as pessoas, porque, tal como as coisas estão e vão, corre-se o risco de implementar «exércitos eleitorais». Este notável deputado do PS defende eleições directas para a escolha dos líderes e critica o Parlamento por estar demasiado «metido no Palácio de São Bento».
oooo Li também que João Cravinho aponta «a falta de vontade política, determinação e coragem» para combater a corrupção». Este considerado socialista constata que «há uma grande tolerância relativamente à corrupção». Diz que «dá a impressão que é uma inevitabilidade; governo atràs de governo, parlamento atrás de parlamento, o julgamento que muitas vezes se faz é que são todos assim».
oooo Na mesma coluna, curiosamente a seguir a curta notícia em que José Sócrates exorta estudantes a terem confiança no futuro do país, leio ainda que Francisco Louçã afirma que Armando Vara ganhou, em 2009 e apesar do tempo que perdeu nas peripécias judiciais em que tem estado envolvido, duas vezes mais do que Barak Obama, garantindo também que o ex-administrador da PT, Rui Pedro Soares, passou oito vezes o salário do presidente americano.
oooo Ao alto da página 8, observo a reação de José Sócrates ao êxito político de Passos Coelho: «Este é o momento para cumprimentar e felicitar o dr. Pedro Passos Coelho, que teve uma vitória importante no seu partido, e para lhe desejar boa sorte. É a isto que se chama fair-play na política».
oooo Ah, senhor primeiro-ministro, a isso pode-se chamar fair-play político, pode, mas não é. Isso é tão-só descarada e repugnante hipocrisia. Mais, na circunstância, é uma falta de polimento e elegância social, dito gabarola assaz grave vindo dum primeiro-ministro.
oooo Fair-play político a sério, digno e vertical, teve-o, por exemplo, o doutor António Capucho, apoiante de Paulo Rangel, que colocou prontamente o seu cargo de Conselheiiro de Estado ao dispor do novo líder, o qual, de imediato correspondeu também com fair-play de alto nível, declarando que a situação se manterá tal e qual estava.
oooo Por favor, senhor engº. Sócrates, para desanuviar o intenso clima de suspeições e confusões que decorre e o país possa tomar tino e rumo concretos em relação ao presente e ao futuro, demita-se. Independentemente do estendal de suspeições que o contornam, o senhor não tem nas actuais e próximas circunstâncias a credibilidade mínima para chefiar a governação. Seja licitamente impante e entregue ao julgamento eleitoral do povo a decisão de continuar ou não como primeiro-ministro. É de resto a única atitude que lhe pode restaurar esclarecidammente a dignidade pública de uma vez por todas. Não queira sobretudo ser mais um entre a embrulhada dos óbvios inocentes de consciência tranquíla...