Isaltino de Morais

Embora completamente alheios aos perversos interesses de Caifás e ao lavar de mãos de Pilatos, cujo tácito imbróglio continua cada vez mais impante dois mil e dez anos depois, quanto à crucificação judicial do mestre Isaltino e ainda por cima de Morais, vamos decerto ter de ressarci-lo dos graves e ímpios transtornos que causamos à sua impoluta mas tão martirizada carreira política.

Enquanto lado a lado os Presidentes da República e da Câmara Municipal de Oeiras, à beira de explosiva e insustentável situação, visitavam uma exemplar instituíção de apoio social e acariciavam a cabeça de ridentes criancinhas que se presumem em pleno paraíso, o Tribunal da Relação anulava a perda de mandato e retirava cinco anos de prisão efectiva ao autarca que já foi ministro demitido do governo de Durão Barroso e candidato impedido de usar a bandeira do Partido Social Democrata. Admirável!...

Afinal e ao cabo de sete anos de imputada sujeira malabarista, o decorrente presidente da Câmara Municipal de Oeiras, lutando estóica e pacientemente do alto da sua cruz, aureleado por divina inocência populista, sequer, em próximo e óbvio recurso diluidor, terá necessidade de ressuscitar da morte política perante seus discípulos e acólitos, entregando-se aos celestes domínios do Pai, pessoa assaz má segundo o nobilitado Saramago, o tal que levou consigo as palavras todas.

Também e a par deste excelente trabalho da justiça portuguesa, um renomado perito judicial considera o Primeiro-Ministro definitivamente desligado do caso «Freeport», o que indicia o mais que provável desfecho dos casos que ainda aguardam pronunciamento.

Em suma: polícias, investigadores, jornalistas e juízes de baixíssima qualidade profissional demonstram-se tão-só numa cambada de sucessivos ineptos e imbecis. Pois, onde D.Quixote imaginou adversos gigantes, Sancho Pança - e pança com toda a propriedade - vai vendo apenas singelos moínhos de vento.

Bom, o melhor?!... O melhor é esquecermos tudo-tudo e prá nossa vidinha pedirmos o auxílio da divina "má pessoa" que nos tutela a existência.

sobre o abismo

Que cidadão aceitaria, em face de urgentíssima e patriótica (!) poupança, reduzir a sua normal alimentação para metade sem que do sacrificado efeito viesse a obter algum benefício futuro?...

Coloque-se esta mesma questão ao parasitário pulhedo político que decorrentemente se ufana de governar (!) o país e não cessa de atacar o que nos resta de digna sustentabilidade política como nação?

O que será preferível em termos de contenção de despesa pública? Portajar as irónicas SCUTs ou reduzir a Assembleia da República para metade?

Que heróico voto poderá fazer parar as alegres e nobres manobras que se projectam no ano-corno que aí vem?!...

Buraco

Para mim, consoante estou vendo, ouvindo e sentindo, José Sócrates e seus dilectos mastins tornaram-se absoletos. Causam-me náusea. Quanto a Passos Coelho, o tal para quem a «mudança» - está já demonstrado - é a «mesma» do Pinóquio que habita o primeiro-ministro, nunca mais escreverei ou referirei o seu nome.

Leio no DN de hoje que António José Seguro, enfim, está na disposição de demonstrar que o PS não é só um acoite de nefandas e corruptas conveniências. Resta-me pois, decepcionado de alto abaixo, aguardar que o tempo trabalhe o mais depressa possível o horizonte onde os vocábulos «Partido Socialista» retomem minimamente o significado. Praza que não seja necessário empurrar o actual Governo à mão para as brumas do esquecimento, e mesmo assim com oportunas luvas para não sujar os dedos em semelhante diarreia.

Portugal está de cócoras e muito em breve estará de gatinhas à espera do zás-final.

A esperança é uma fada
de manguito sempre feito
que promete tudo em nada
e só serve de almofada
a cada sonho desfeito.

Primavera Negra. aAbBcC001122-TdG
Mais blogues TdG/JN

Letras de Fado - Em Construção Usina de Letras = Mais de 11.000 textos

Mais palavras?!...

Tourada na AR

    Ontem no Parlamento o debate perpassou por discussão assaz acesa, tombando mesmo a nível baixíssimo e inadmissível entre José Sócrates e Francisco Louçã.

    A dado momento o líder do Bloco de Esquerda tomou a palavra e, dirigindo-se ao primeiro-ministro, disse-lhe que ía ficando mais manso à medida que respondia às várias questões sobre remunerações e prémios de gestores públicos. José Sócrates, embora com o microfone desligado, mas de maneira bem audível, retorquiu: «manso é a tua tia, pá!».

    Pelos vistos o ex-ministro da Economia de José Sócrates deixou o estigma do par-deles na bancada do Governo. Que lástima. E pois, José Sócrates, exemplar que é, vai naturalmente demitir-se após profunda reflexão.

oooo O êxito de reunificação partidária que o doutor Pedro Passos Coelho soube concitar em torno de si, acaba de concretizar-se com efectivo destaque no Congreso de Carcavelos, quer amoldando e aproximando diferenças entre as mais lídimas personalidades, quer pacificando a anterior ambiência sem haver necessidade de se falar mais nisso.

 oooo Entretanto, perante a óbvia evidência, falta tão-só que João Jardim dê o braço a torcer devagarinho no que à impertinência pessoal concerne, uma vez que em substância de política geral o governador da Madeira por nada deste mundo e do outro é capaz de ceder o ouro ao bandido.

oooo Outrossim, o advir político do presidente Cavaco Silva, sob a impulsionante expectativa que doravante começará a aspergir efeitos, reforça o seu posicionamento, que é de resto de aceitação tácita entre as hostes laranja e o entendimento generalizado de quantos apreciam a sensatez e a paciente capacidade de moderação que o Presidente da República tem demonstrado. oooo

            Em suma, a Cavaco Silva e a Passos Coelho não há por onde se lhes pegue adentro da política de corda-bamba que o PS instalou. Inclusive, até os submarinos atribuídos a Paulo Portas estão a dividir a carga com o governo de António Guterres e, muito embora a esponja do nada passe quando passar, o desiderato tranformou-os em naves de superfície..

ooooMeus caros Leitores, uso a Internet há uma boa década e logo que a minha tendência se tornou regular e comecou a dar nas vistas, na roda de quem me conhece, comecei também a ser assediado por comentários censores de todo o tamanho.

ooooNo JN de hoje, na penúltima página, um tipóide chamado Sérgio de Sousa, que posa de cabelo rapado, caixa de óculos à cagarola e ar snob de meter imediato nojo, assina uma coluna que designa por «Mau da Fita», cujo texto, a bater quanto pode e não sabe no «Facebook», titula de «Agarrados ao rato». Este pedaço de asno, presumivelmente oriundo de um chiqueiro de mexericos, fornece o endereço de e-mail para quem quiser contactá-lo - viva@jn.pt, - e trata assim, em gozativa deprimência os usuários do Facebook, tal e qual transcrevo:

----------

oooo«Está sempre com vontade de ir ao Facebook? Então provavelmente tem uma doença, que ainda só tem nome em inglês: Facebook Addiction Disorder (FAD). Aparentemente ser viciado na rede social Facebook tem os mesmos sintomas de ser alcoólico ou toxicodependente. Se estiverem longe de um computador começam a ressacar.

ooooHá até um questionário, que pode fazer para descobrir se já ultrapassou o limite saudável. Estive a ler no jornal «i» e percebi que o questionário serve de pouco a quem está em fase de negação do problema,que me parece ser a maior parte das pessoas que anda sempre por lá.

ooooQuando digo a alguém que está demadiado tempo enfiado no Facebook, tenho como resposta um olhar de «não percebes, aquilo não é nada disso» ou «tens é inveja de eu ter 532 amigos e uma quinta de ananases-cor-de-roa em no Farmville». É como os alcoólicos que dizem que só bebem de vez em quando, tentando fechar o armário cheio de garrafas vazias.

ooooHá já clínicas privadas espalhadas pelo mundo que tratam os alegados viciados em internet e também há grupos de ajuda. Curiosamente, há um no próprio local do crime. «Se suspeitas que tens FAD, junta-te a este grupo do Facebook».Isto é ainda mais estranho que ter uma quinta virtual . Trtar o vício no próprio Facebook é como fazer uma reunião dos Alcoólicos Anónimos num tasco. Boa sorte em clicar em «Sair».

----------

ooooTerminada a transcrição do texto deste *** espertozóide-maníaco-professoral, tão-só aconselho os usuários do Facebook a insultá-lo como eu: *** = Facebook Dispensa Pulhas. Ah, ah, ah... ***... Apre, os cavadores da crise atacam de todas as maneiras.

oooo As notícias sobre a lástima da extrema necessidade que vai absorvendo milhares de pessoas, jovens, homens, mulheres, veteranos que nunca mais arranjarão outro ofício e que perderam de um momento para o outro os seus postos de trabalho, vão surgindo todos os dias e cada vez mais dando conta de situações assaz aflitivas que passaram a viver da caridade de algumas estóicas piedades que nas diversas localidades afectadas, por todo o país, oferecem imediato socorro aos mais carenciados, disponibilizando o que sobra dos seus próprios recursos.

oooo Há cerca de dois anos atrás, avaliando, quer o estranhíssimo comportamento do Governo chefiado por José Sócrates, que insiste e persiste numa política que descaradamente só favorece aqueles que esplendidamente vão estando na vida, quer o degradante estado de desentretecimento comercial que está em ponto de liquidar definitivamente todos os pequenos negócios, escrevi, e está escrito, que aos portugueses comuns só restava irmanarem-se em tácita solidariedade, dado presentir que o galope da nossa famigerada e «submarina» crise tenderia a acelerar empoladamente e que, quanto a mim, irá despoletar muito em breve uma gravíssima tragédia social.

oooo Entretanto, mais do que evidente e instante é mudar de política e acabar de uma vez por todas com a inépcia das cambalhotas do Governo que - é de pasmar - um dia atrás afirma estar bem o que de facto está mal no dia seguinte. O optimismo político e social de José Sócrates é uma autêntica farsa lesante de tudo e todos que visa tão-só a sustentação do poder, o que aliás só não vê quem se abriga no interesse pessoal de fechar propositadamente os olhos ou é mesmo ceguinho de todo...

oooo Ora, melhor do que ninguém, do apodrecido estado em que deveras está a situação, sabem-no o conjunto de deputados da AR, os lídimos responsáveis pelas pricipais instituíções públicas e o Presidente da República. É de admirar e impressiona, em face da insustentável bandalheira que decorre, que não apareça alguém com um peremptório BASTA que coloque um efectivo fim sobre tão cavernoso decurso. Em suma e em resultado, que não poderá ser outro, o desemprego, o roubo, a semi-burla legalmente instituída com todas as nefastas e criminosas consequências adjacentes, vão subir de som e de tom, o que até é bom para quem está a ver o filme com o saco aberto por baixo.

PS = A verdade tem cornos. Por isso fazem com ela uma tourada e a seguir abatem-na.

oooo Grande parte das considerações que adiante teço têm por exclusiva base diversos conteúdos publicados no JN de Domingo, 28 de Março de 2010.

oooo Depois daquele bailinho que se viu através da televisão no Congresso do PSD em Mafra, quando Alberto João Jardim, todo impregnado de ar maroto se desarranjou com o candidato favorito e se deslocou do seu lugar para ir sentar-se ao lado de Paulo Rangel, deu como resultado a única excepção que se verificou no acto eleitoral que atribuiu a liderança a Pedro Passos Coelho: a Madeira foi a única distrital em que o deputado europeu logrou votação vitoriosa.

oooo Entretanto, estive a ler que José Seguro preconiza uma organização nos partidos que privilegie as ideias e não as pessoas, porque, tal como as coisas estão e vão, corre-se o risco de implementar «exércitos eleitorais». Este notável deputado do PS defende eleições directas para a escolha dos líderes e critica o Parlamento por estar demasiado «metido no Palácio de São Bento».

oooo Li também que João Cravinho aponta «a falta de vontade política, determinação e coragem» para combater a corrupção». Este considerado socialista constata que «há uma grande tolerância relativamente à corrupção». Diz que «dá a impressão que é uma inevitabilidade; governo atràs de governo, parlamento atrás de parlamento, o julgamento que muitas vezes se faz é que são todos assim».

oooo Na mesma coluna, curiosamente a seguir a curta notícia em que José Sócrates exorta estudantes a terem confiança no futuro do país, leio ainda que Francisco Louçã afirma que Armando Vara ganhou, em 2009 e apesar do tempo que perdeu nas peripécias judiciais em que tem estado envolvido, duas vezes mais do que Barak Obama, garantindo também que o ex-administrador da PT, Rui Pedro Soares, passou oito vezes o salário do presidente americano.

oooo Ao alto da página 8, observo a reação de José Sócrates ao êxito político de Passos Coelho: «Este é o momento para cumprimentar e felicitar o dr. Pedro Passos Coelho, que teve uma vitória importante no seu partido, e para lhe desejar boa sorte. É a isto que se chama fair-play na política».

oooo Ah, senhor primeiro-ministro, a isso pode-se chamar fair-play político, pode, mas não é. Isso é tão-só descarada e repugnante hipocrisia. Mais, na circunstância, é uma falta de polimento e elegância social, dito gabarola assaz grave vindo dum primeiro-ministro.

oooo Fair-play político a sério, digno e vertical, teve-o, por exemplo, o doutor António Capucho, apoiante de Paulo Rangel, que colocou prontamente o seu cargo de Conselheiiro de Estado ao dispor do novo líder, o qual, de imediato correspondeu também com fair-play de alto nível, declarando que a situação se manterá tal e qual estava.

oooo Por favor, senhor engº. Sócrates, para desanuviar o intenso clima de suspeições e confusões que decorre e o país possa tomar tino e rumo concretos em relação ao presente e ao futuro, demita-se. Independentemente do estendal de suspeições que o contornam, o senhor não tem nas actuais e próximas circunstâncias a credibilidade mínima para chefiar a governação. Seja licitamente impante e entregue ao julgamento eleitoral do povo a decisão de continuar ou não como primeiro-ministro. É de resto a única atitude que lhe pode restaurar esclarecidammente a dignidade pública de uma vez por todas. Não queira sobretudo ser mais um entre a embrulhada dos óbvios inocentes de consciência tranquíla...

     Deve-se consaber, considerando a sua factual e longa estada aderente na descambante situação que acabou por dar no que deu, que Manuel Alegre é tão-só um vocífero agitador que exclusivamente ambiciona a consagração máxima a qualquer preço, como se verificou quando se atreveu até a «matar» Mário Soares por causa das soberbas maçãzinhas de ouro belenense. O poeta está-se marimbado de todo para os pobrezinhos e inclusive para os ventos que passam. Que importa pois que Alegre «pec» ou não «pec» contra o PEC?!...

     Por sua vez, José Sócrates, independentemente do currículo de suspeição que foi acumulando desde que assumiu a governação, não tem feito outra coisa senão mentir à grande maioria desgovernada em continuados e sucessivos lances. Ora proclama o ilusório sim e é o inequívoco não palpável, ora se faz de bonzinho e afinal é um mais que demonstrado mauzinho, vaidoso, sobranceiro e impositivo, acolitado por quatro mastins que não valem um chavo político e cujo aberrante descaro roça as raias do ridículo.

     Assim, uma democracia que minimamente se preze de o ser não pode submeter-se a tão insustentável liderança. É pois em ponto final que se deve considerar a urgente substituíção do actual primeiro-ministro, ainda que só seja para desanuviar o intenssíssimo e insustentável clima de confusão que se implantou e decorre a cavar profundamente o pleno descrédito das classes dirigentes.

     Como se vai pois receber agora na corrupta e declinante ribalta política o recém-designado líder do PSD, doutor Pedro Passos Coelho? Olhe-se só para a sua peugada: 45 anos de idade, casado à moda antiga, pai de três filhas, vida social impecável, considerado gestor administrativo que desde muito jovem, embrenhado na diversidade do exercício político, tem forçosamente de saber como se faz e desfaz a honra e a credibilidade dos indivíduos. Vão ensinar-lhe o quê?!... Vão, como é uso, abuso e reabuso em moda, encomendar-lhe a sistemática conspurcação?!... Oh, não, não percam tempo. Pedro Passos Coelho é da envergadura moral e social de Aníbal Cavaco Silva. Podem atirar-lhe lama à vontade que não pega.

.

Qual deles será o D'Artagnan? Os militantes do PSD irão designá-lo hoje ao cair da noite.

Quando o descaro é persistente o respeito é indiferente!

oooo Se a doutora Manuela Ferreira Leite e o doutor Aguiar Branco, como seus opositores internos entendem e consideram, estiveram deficientes a conduzir a oposição ao Partido Socialista e ao Governo, não se percebe que género de nova política oponente virá a fazer de facto o doutor Paulo Rangel se entretanto vier a ser eleito presidente da tribo laranja, cargo que, francamente, na embaraçante circunstância decorrente e sobretudo por enquanto, tal como fatiota assaz larga, não lhe ficará nada-nada bem. Quanto a mim, a verificar-se a sua eleição, será uma insensata perda de oportunidade e de tempo para as aspirações do partido.

oooo Como já se ouviu e agora se constata, a lengalenga fácil não corresponde em pragmático efeito ao que se está mesmo a ver. O recém-deputado europeu, ao contrário do que afirmou com aparente convicção, mudou de linha e deixa a sua missão em Bruxelas no princípio do caminho e, num inopinado volta-face, atira-se abruptamente à liderança, suscitando desde já algo idêntico ao enviesado percurso de José Sócrates no Governo. Quem afirma e coloca em projecto uma causa política e se volta para outra em inopinada e completa deriva, não merece logo à partida que se lhe outorgue confiança alguma.

oooo Como soer é dizer-se, «de paleio está o mundo cheio», mas que a conversa tem seduzido o trampolim do costado do povo para saltos de alto gabarito, lá isso tem, muito em especial para aqueles que num ápice ganham aquilo que um digno e competente trabalhador não consegue ganhar durante uma longa vida inteira. São assim e têm sido desde sempre as práticas de partidos que se designam, em Portugal, socialistas, sociais-democratas, comunistas e a estranhíssima luta que os pariu.

oooo Se o leitor porventura quiser ouvir as declarações de mais um aprendiz de mentiroso, faça o favor de clicar aqui para apreciar as habilidades do paradigma pinoquiano...

A fechar, até me apetece fazer uma alusiva quadrazinha:

Quando de cima a exibir
a mentira é o exemplo,
em baixo, logo a seguir,
a mentira é o templo.

Mais posts Próxima página »