As crianças dizem cada vez mais palavrões e cada vez mais cedo, alertam os especialistas que não estranham a tendência, já que os miúdos mais não fazem do que imitar os pais. Insultar é, queiramos ou não, um fenómeno recorrente no dia-a-dia dos adultos. Quem não soltou palavrões e insultos ao volante, ainda que baixinho só mesmo para os botões ouvirem, que atire a primeira pedra. Entre 0,3 e 0,7% do que dizemos todos os dias são asneiras, dizem os entendidos que estudam estas matérias.
Se é assim com os adultos, também assim é com as crianças, que crescem observando e imitando os grandes. Daí que os miúdos de hoje digam mais palavrões do que há umas décadas e começam a verbaliza-los mais cedo, descobriram investigadores norte-americanos, reunidos no Simpósio de Sociolinguística, no Reino Unido.
As “palavras feias” que os miúdos dizem não são piores do que os do passado. São os palavrões mais comuns que as crianças dizem com mais frequência. Nos EUA, os dez palavrões mais frequentes representam mais de 80% dos insultos.
Dizem os especialistas que as crianças iniciam-se nestas lides de mau falar entre os três e quatro anos e pode ser o resultado do tempo que passam a ver televisão. “Quando as crianças entram para a escola, dizem já todas as palavras das quais as tentamos proteger”, explica Timothy Jay, professor de psicologia na Massachusetts College of Liberal Arts (MCLA).
As crianças aprendem a maior parte das asneiras na televisão, em frente à qual passam também cada vez mais tempo sem a vigilância e vendo programas pouco adequados à sua idade, refere a pesquisa.
Os pais, dizem os cientistas americanos, não ajudam, por levarem demasiadas vezes à letra o “olha para o que eu digo, não olhes para o que faço”. Quase dois terços dos adultos estudados impunham aos filhos regras de não dizer asneiras dentro em casa, mas transgrediam eles próprios as regras da família. E isso envia uma mensagem confusa às crianças.
Dizem os cientistas, que as pessoas dizem asneiras não só como reacção a algo que é doloroso ou desagradável, mas também como forma de reduzir o sentimento de dor.
A frequência com que se diz palavrões atinge, normalmente, o pico na adolescência. No entanto, como as crianças estão a usa-los cada vez mais cedo, o pico pode também passar para as crianças mais novas.
Desvalorize tanto quanto possível quando ouvir o seu filho a dizer um palavrão. Uma reacção exagerada pode levar a criança a repetir a “graça” sempre que quiser provocar uma resposta do género no adulto. Desvalorizando acabará por deixar cair a prática no esquecimento.