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Novembro 2011 - Posts

Na 'Casa dos Sonhos' partilham-se “ideias sobre o autismo”

sexta-feira, 25 de Novembro de 2011 11:43

"Há muitas ideias sobre o autismo, mas com graus de correcção muito diferentes", explica  o pedopsiquiatra Emílio Salgueiro, para evidenciar a importância do colóquio que junta, hoje e amanhã, técnicos, especialistas e pais de crianças autistas, no Centro Cultural Casapiano, em Lisboa.


"Não há qualquer panaceia" para o autismo, nem "um método que dê para tudo", explicou Emílio Salgueiro, coordenador do colóquio, defendendo que a criança deve ser observada por uma equipa de profissionais que decidirá o método mais adequado a cada caso.
 

"É uma conferência muito a partir da prática, mostrando maneiras de funcionar e apresentando resultados", explicou o pedopsiquiatra Emílio Salgueiro, salientando que "tudo o que se possa fazer para conhecer melhor o autismo e intervir melhor é benéfico".



"A finalidade do tratamento é chegar ao autista e trazê-lo para o contacto com as pessoas", disse o pedopsiquiatra, sublinhando que, seja qual for o método, tem que "respeitar as crianças autistas na sua humanidade".


A psicóloga clínica e psicanalista de origem canadiana Anne Alvarez, reconhecida a nível internacional pelo trabalho que desenvolve com crianças autistas, o especialista Olivier Bonnot, do Serviço de Psiquiatria da Criança e do Adolescente e do Grupo Hospitalar Pitié Salpétiêre, em Paris, e Álvaro de Carvalho, coordenador nacional para a saúde mental, são alguns dos oradores do encontro.


Estão igualmente previstas intervenções da pedopsiquiatra e ex-chefe de serviço do departamento de pedopsiquiatria do Hospital Dona Estefânia Maria José Vidal e do psicólogo e psicanalista Manuel Matos, assim como alguns depoimentos de pais de crianças autistas.


Esta reunião "é o primeiro passo público" dado pela 'Casa dos Sonhos', um projecto para intervir junto das famílias de crianças com problemas da área do autismo, uma perturbação global do desenvolvimento que se prolonga por toda a vida e se manifesta através de dificuldades ao nível da interacção social e da comunicação, por alterações do comportamento e pela restrita variedade de interesses.


"Temos ainda muito para aprender" e o colóquio servirá para os pais falarem de métodos que resultaram ou não com os seus filhos e os técnicos divulgarem os graus de satisfação obtidos e os apoios conseguidos para desenvolverem diversos métodos com estas crianças, explicou Emílio Salgueiro.

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Direitos das crianças ainda não são respeitados em Portugal

sexta-feira, 18 de Novembro de 2011 16:36

A negligência é o primeiro factor de risco das crianças portuguesas, diz a Amnistia Internacional, sublinhando que  “os dados são muito preocupantes”.

"O direito a ser acompanhado, pela família e pela sociedade, é aquele que está mais em risco de não ser respeitado", admite Manuel Almeida dos Santos, da Amnistia Internacional-Portugal.


"Em Portugal, como em muitas partes do mundo, as crianças continuam a não ver respeitados os seus direitos constantes na Convenção dos Direitos das Crianças, de que Portugal é Estado-parte e está obrigado a cumprir", explica Manuel Almeida dos Santos, coordenador do Cogrupo sobre os Direitos das Crianças da Amnistia Internacional-Portugal, que organiza sábado, no Porto, o seminário internacional "Os Direitos das Crianças na Actualidade".mo num "quadro negro".


Segue-se a "exposição a modelos de comportamento desviante", acrescenta o activista, recordando que "muitos dos jogos de computador, muitos dos desenhos animados" representam "situações de violência, de ódio, de agressão, de morte".


Em terceiro lugar surgem os "maus tratos psicológicos e físicos e o abandono escolar", acrescenta.


Apesar de todos os documentos internacionais e leis nacionais proibirem os castigos físicos, "continuamos a assistir na sociedade a uma certa permissividade", presente na ideia de que "uma palmada na altura certa não faz mal nenhum", critica.


"O castigo físico não tem qualquer valor pedagógico, bem pelo contrário, induz a existência de traumas e afectará a criança no seu desenvolvimento", contrapõe adiantando que "todos estes factores são da responsabilidade da comunidade".


Segundo o coordenador, a escola, os professores, os funcionários e os pais são responsáveis pelas crianças, mas não são donos delas.


"A criança em si é um sujeito de direitos, tem direitos próprios. Ninguém é dono de uma criança", sustenta.


O seminário internacional, organizado pelo Cogrupo sobre os Direitos das Crianças da Amnistia Internacional-Portugal, decorre na véspera do 22.º aniversário da Convenção dos Direitos da Criança e reunirá, no auditório da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, especialistas nacionais e internacionais, entre os quais um representante do Comité dos Direitos das Crianças das Nações Unidas.


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Atraso no corte do cordão umbilical previne problemas na infância

quarta-feira, 16 de Novembro de 2011 16:51

Um estudo sueco, publicado pelo “British Medical Journal”, revelou que, atrasar o corte do cordão umbilical no parto, reduz o risco de carência de ferro na infância.


São cada vez mais as mães que, no parto, pedem para atrasar o corte do cordão de forma a permitir que uma maior quantidade de sangue da placenta seja transferida para o bebé. Vários estudos, conduzidos anteriormente, garantiram que o procedimento é seguro e os investigadores  salientam que passará a ser integrado na rotina dos partos.

A falta de ferro no organismo, prevenida com o atraso do corte do cordão umbilical, pode originar algumas deficiências motoras e um fraco desenvolvimento cognitivo, segundo conclusões dos especialistas suecos.

Em 2006, nutricionistas da Universidade de Davis, na Califórnia, tinham chegado à mesma conclusão, após um estudo que atrasava o corte do cordão em dois minutos.

Na altura, a investigadora responsável, Kathryn Dewey, salientou que, apesar de ser uma das grandes preocupações nos países menos desenvolvidos, a carência de ferro era, também, preocupante nos países industrializados, como os Estados Unidos, em especial para bebés com menos peso ou nascidos de mães com a mesma carência.

O estudo sueco foi aplicado em 400 bebés cujos cordões foram cortados com diferenças temporais entre os dez segundos e os três minutos após o nascimento. Quatro meses depois, os investigadores mediram os níveis de ferro e concluíram que os bebés cujo corte do cordão foi atrasado, registavam níveis de ferro mais elevados.

Em termos proporcionais, isto significa que em cada 20 bebés com atraso de três ou mais minutos no corte do cordão, regista-se apenas um caso de carência de ferro. Além disso, não se verificou nenhum aumento de outras possíveis complicações que os especialistas julgavam estar relacionadas com o procedimento, como a icterícia.
Ola Andersson, do serviço de Neonatologia do Hospital de Halland, na Suécia, referiu, citado pelo jornal “The Telegraph”, que “a carência de ferro, mesmo sem anemia, tem sido associada com alguns problemas de desenvolvimento nas crianças”.

Patrick van Rheenen, consultor de Pediatria na Universidade de Groningen, na Holanda, explica que existem provas suficientes para aplicar este procedimento na rotina dos partos sem complicações.

O especialista referiu que “o equilíbrio entre os riscos maternos e os benefícios infantis do atraso do corte do cordão, claramente beneficiam a criança” e questionou: “Quantas mais provas são necessárias para convencer obstetras e parteiros que é bom esperar três minutos pela transferência de sangue da placenta?”. Catarina Navio

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Há mais de 500 crianças à espera de uma família

segunda-feira, 14 de Novembro de 2011 10:23

 

Há mais de 500 crianças à espera de ser adoptadas em Portugal, mas o número de candidatos é quatro vezes maior ao de crianças e jovens que aguardam por uma família. A maior parte dos candidatos em lista de espera, prefere adoptar apenas uma criança até aos três anos. Sem problemas de saúde ou deficiências.


Os dados do Instituto de Segurança Social mostram que, em Junho, eram 567 as crianças em situação de adoptabilidade jurídica. Destas, seis tinham sido adoptadas, em Agosto, e 64 tinham já proposta de família. 500 estavam em fase de pré-adopção.


Também no sistema, mas do lado dos pais em lista de espera há 2316 candidatos.


Há mais rapazes (60%) do que raparigas para adoptar e a maioria tem entre os sete e os 15 anos. 186 têm entre 11 e 15 anos, 159 têm idades entre os sete e os 10. Entre os mais novos, 114 têm entre os zero e os três anos e 108 têm entre os quatro e os seis.


A adopção é o tema do congresso internacional na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, que reunirá vários especialistas em torno do tema "Família e adopção -- construção da identidade".


O congresso organizado, pelo Instituto de Segurança Social (ISS), pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e pela CrescerSer, pretende pôr em comum um tema central na adopção: "a questão da identidade dos indivíduos e famílias na promoção e construção deste projecto de vida e na sua vivência socialmente integrada".


Diz o ISS, que a maior parte dos candidatos em lista de espera (2154) prefere as crianças com idade até aos três anos. Apenas 23 não se importa de acolher jovens entre os 11 e os 15 anos.


"Até aos seis anos, o número de pretensões é cerca de 15 vezes superior ao número de crianças disponíveis", enquanto que "acima dos sete anos o número de pretensões corresponde a 4/5 das crianças disponíveis", escreve a Lusa, que teve acesso aos dados.


Entre as crianças que estão para adoptar, 217 têm irmãos, referem os dados, especificando que existe um grupo com cinco irmãos, cinco grupos de quatro irmãos, 18 de três e 69 com dois irmãos.


"Só cerca de 1/5 dos candidatos em lista de espera aceitam adoptar irmãos", observa o Instituto de Segurança Social.


Perto de metade das 567 crianças em situação de adopção tem problemas de saúde: 111 ligeiros, 84 graves e 80 são portadores de deficiência.


O ISS salienta que o número de crianças com problema e/ou deficiência é superior ao número de candidatos que as aceitam e, por outro lado, o número de candidatos (2111) que pretendem crianças sem problemas de saúde é cinco vezes superior ao de crianças disponíveis (375).


Segundo o Instituto, para as 84 crianças com graves problemas de saúde há apenas um candidato, o mesmo se passa com os 80 meninos com deficiência que apenas têm o interesse de dois candidatos.


Em 2010, os serviços de adopção dos Centros Distritais do ISS propuseram e integraram em famílias adoptantes 384 crianças, sendo que destas 297 foram decretadas pelos tribunais. Estes dados não contemplam as adopções concretizadas pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e pela Segurança Social da Madeira e dos Açores.


Nesse ano, 12 crianças regressaram à alçada do Instituto de Segurança Social, vendo assim "interrompido o seu processo de pré-adopção" por ter-se constatado "não existir viabilidade de concretização daquele projecto".


"Apesar de se tratar de um número residual, equivalente a 3%, e o menor dos últimos cinco anos, merece a nossa preocupação, pelo que temos vindo a trabalhar no sentido de minorar a sua existência. Uma das apostas feitas tem sido na formação para a adopção", sublinhou o ISS.

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Maria Cláudia Monteiro: claudia@jn.pt

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