Para miúdos e graúdos,

porque crescer também é difícil para os pais.

" sono "

“Problemas do sono podem dar cabo da harmonia familiar”

sexta-feira, 5 de Novembro de 2010 19:13

 

 

Mário Cordeiro é pediatra e uma referência para os pais portugueses da última década, habituados a procurar nos livros do médico respostas a questões práticas da vida dos filhos. O “Em Letra Miúda” entrevistou-o a propósito do livro “Dormir Tranquilo” e sobre essa parte da vida dos filhos tão importante para a qualidade de vida dos pais: o sono.

Por que é o sono dos bebés e dos filhos um assunto tão sensível para os pais?
As perturbações do sono, nas crianças, têm um impacte muito grande na vida dos pais, para lá da preocupação que causam por evidenciarem mal-estar nos filhos. Não dormir adequadamente, se a situação se prolongar, causa alterações profundas físicas, psicológicas, emocionais e sociais. A capacidade cognitiva e o desempenho (por exemplo profissional) ficam comprometidos, a agressividade aumenta e as pessoas ficam infelizes, frustradas e deprimidas. Para mais, o filho é visto como “o inimigo”, o que faz os pais ralharem, perderem as estribeiras, culpabilizarem a criança (o que vai ainda mais aumentar a sua sensação de insegurança) para depois eles próprios caírem em si, durante o dia, e encherem-se de culpas, exagerando depois para o outro lado.

O tema que tem suscitado um crescente interesse. Os bebés de hoje dormem pior do que os bebés de há 20/30 anos?
É difícil estabelecer comparações sem ter dados fiáveis… e comparáveis. No entanto, se tivermos em linha de conta que a sensação de insegurança da criança, por um lado, e o stresse parental, por outro, são dois elementos determinantes deste problema, então poderemos quase afirmar que sim, que os problemas de sono são mais frequentes agora.

Quais os erros mais comuns cometidos pelos pais?
Não serão propriamente erros, mas talvez falhas, o que é um pouco diferente: os pais não entenderem o que é o sono, ou seja, para que serve, como se processa, as suas várias fases, as suas perturbações e, principalmente, a relação entre os medos naturais da criança e os seus sentimentos de insegurança e de necessidade de protecção com o mau dormir.

O que é essencial para um bom sono dos bebés?
Sentir-se seguro, não ter factores que perturbem o bem-estar (fome, frio, ruído, etc), sentir-se amado e saber que os pais apoiam as suas inseguranças naturais. E não estar demasiado cansado ou excitado – ou seja, os factores ambientais são muito importantes, não apenas no “durante” mas no “antes”.

Quais os principais conselhos que gostava de deixar aos pais?
No meu livro tento resumir um pouco esses conselhos. Considero essencial entenderem-se os mecanismos do sono: porque dormimos, como dormimos, o que pode perturbar o sono, o que são os sonhos, os pesadelos, as chamadas parassómnias (falar durante o sono, sonambulismo, ranger os dentes, etc) e o ambiente adequado a um melhor dormir (como o mobiliário ou as cores do quarto). É fundamental que os pais parem para pensar, em conjunto com o médico-assistente do bebé, com a família, que vejam, depois de se tornarem mais informados acerca do assunto, quais os factores que perturbam o sono do filho para os tentar resolver. Com ajuda, claro, não regateando apoio, mas tentando um plano que, a prazo, devolva o bem-estar à criança e à família. Os problemas do sono podem dar cabo da harmonia familiar e causar graves consequências no dia-a-dia e na vida profissional das pessoas, e não se pode levar esta questão com ligeireza ou com “paninhos quentes”.

O que explica que haja crianças que dormem uma boa noite de sono desde os três meses e outras que não o conseguem fazer, apesar de muito mais velhas?
Tem a ver com o que referi acima: temperamento (designadamente a sensação de insegurança, humana e natural, mas que em algumas pessoas está muito aguda), experiência pessoal, ambiente e feed-back de segurança que os pais dão. Por exemplo, logo nos primeiros dias, se os pais vão deitar o bebé cheios de stresse, porque se sentem inseguros, irritados com as visitas que não saem de casa, preocupados porque acham que não vão conseguir levar o barco a bom porto, perplexos porque ninguém – nem sequer os profissionais – lhes deram algumas “dicas” sobre o que é uma criança (não esquecer que mais de metade das crianças que nascem em cada ano, em Portugal, são primeiros filhos, o que se traduz por inexperiência dos pais), ao depositar a criança no berço fazem-no com sinais físicos de stresse (tom de voz, timbre, olhar, tónus dos músculos dos dedos, suor da pele, frequência cardíaca e respiratória, etc), e a criança lê esses sinais, emitidos pelas únicas pessoas em quem confia, como perigo. Assim, chora, não quer ir para o local do perigo e, pelo contrário, quer regressar à barriga da mãe, só adormecendo ao colo, ao peito ou na cama dos pais. Pelo contrário, se os pais estiverem calmos, tranquilos, felizes, a sua postura é oposta e o bebé sente-se seguro.

Acha que o excesso de informação e de literatura poderão funcionar como ruído e como pressão junto dos pais?
Eu diria a informação de qualidade ou utilidade duvidosa, o excesso de “eu se fosse a ti fazia assim”, o dizer-se muita coisa mas sem conhecimento de causa. Mas sobretudo a falta de esclarecimento, de boa informação (rigorosa e científica, mas eminentemente prática) e os factores de pressão sociais e familiares.

O livro "Dormir tranquilo" pretende ser um guia… De leitura aconselhável para pais à espera do primeiro filho ou útil para pais de crianças em todas as fases de crescimento?
A minha intenção, ao escreve-lo, foi construir um livro que seja útil a todos os pais e a outras pessoas, como os profissionais que lidam com a criança, para que lhes pudesse transmitir, não apenas informação, mas também conhecimento e até sabedoria. Esta exige os anteriores e experiência: daí este livro ser pontuado por muitos casos que funcionam, afinal, como vivências. O livro cobre todos os grupos etários, mas é evidente que a maioria dos problemas se localiza nos três primeiros anos de vida.

Quantas horas é que as crianças devem dormir por noite?
É muito variável e depende da idade. Na adolescência, por exemplo, o número de horas é mais “por semana” do que “por dia”. Se pensarmos, grosso modo, numa criança de 2 ou 3 anos, diria que onze horas. No primeiro ciclo, talvez cerca de dez, mas sempre dependendo da qualidade do sono e também da informação recebida e da actividade tida nesse dia.

Qual a importância do sono no sucesso escolar?
Muito grande. É durante o sono que o cérebro processa uma elevada percentagem da informação recebida durante o dia, formando conhecimento e sabedoria. Sono em pouca quantidade ou de má qualidade acaba por interferir no processo de gestão da informação e nas competências cognitivas da criança.

Que conselhos deixa aos pais para melhorarem o sono dos filhos no início do ano escolar?
Tentar que os momentos a seguir ao jantar sejam calmos, sem televisões, conflitos (as mochilas devem estar prontas e os trabalhos de casa terminados antes), com afecto, mimo, segurança e algum apoio (histórias, conversas calmas); depois, que haja uma rotina e que, salvo excepções, a hora de dormir seja mais ou menos a mesma em todos os dias de aulas; finalmente, cuidar para que os factores ambientais não sejam negativos e não perturbem o sono.

Quer acrescentar alguma coisa que ache importante transmitir aos pais?
Não deixem os problemas avolumar-se, não vejam no vosso filho um adversário nem o culpabilizem por estar a “tramar” o vosso trabalho (ele nem sabe o que é um trabalho), e tentem pedir ajuda. Sem receio de estarem a ser piores pais, pelo contrário.

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Mudança da hora afecta mais as brincadeiras do que o sono

sábado, 30 de Outubro de 2010 0:00


O atraso dos ponteiros do relógio, que esta madrugada recuam quando forem duas horas, obriga a que milhares de crianças comecem o dia ainda de noite. A mudança mais do que consequências a nível fisiológico, tem implicações sociais na vida dos mais pequenos.

As crianças fazem um ajustamento, em termos físiocos, normal à mudança da hora, que esta madrugada acerta ponteiros com a invernia ao atrasar das duas para a uma hora. “Em termos de horário de sono, esta mudança não é muito prejudicial”, explicou Maria do Carmo Vale, pediatra do desenvolvimento, que considera a alteração para a hora de Verão mais difícil de processar pelos mais novos.


A questão centra-se nas alterações sociais associadas à nova hora. “Há menos luz e os dias são mais pequenos”, esclarece Maria do Carmo Vale. A noite impõe-se ao dia, atirando o tempo de brincadeira quase exclusivamente para o período em que estão na escola. As crianças brincam menos e passam mais tempo em modo nocturno. Todas as outras consequências serão solucionadas “pelo natural bom senso dos pais” no reajuste dos horários de ir dormir.


“Os hábitos de sono das crianças dependem da capacidade de organização das famílias”, explica a especialista. A habituação está mais facilitada nas famílias em que a hora de ir para a cama está claramente instituída na rotina da casa do que nos casos em que as crianças e os jovens tem permissão para ficar acordados até tarde.


“Ir para a cama uma hora mais cedo e dormir a sesta” são estratégias que as famílias podem adoptar para minimizar as consequências da adaptação, lembra Teresa Paiva, neurologista especialista em doenças do sono e uma das responsáveis do projecto “Sono Escolar”, que lamenta o facto de as escolas começarem as aulas cada vez mais cedo. A falta de horas de sono quadruplica o risco de obesidade e aumenta a probabilidade de hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca e depressão na idade adulta, recorda Teresa Paiva.


“É durante o sono que o cérebro processa uma elevada percentagem da informação recebida durante o dia, formando conhecimento e sabedoria. Sono em pouca quantidade ou de má qualidade acaba por interferir no processo de gestão da informação e nas competências cognitivas da criança”, explicou ao JN o pediatra Mário Cordeiro, lembrando que “os momentos a seguir ao jantar devem ser calmos, sem televisão ou conflitos, com afecto, mimo e segurança.


“É importante que haja uma rotina e que, salvo excepções, a hora de dormir seja mais ou menos a mesma em todos os dias de aulas”, conclui o pediatra.

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Crianças devem poder dormir a sesta

segunda-feira, 20 de Setembro de 2010 0:30
Especialistas defendem que privar as crianças pequenas de dormirem a sesta no jardim-de-infância representa uma "tortura" e é indicador de má qualidade de uma instituição. Há crianças de três anos que deixam de cumprir o tempo de descanso após o almoço por decisão das instituições.

"Um bom jardim-de-infância tem a obrigação de ter duas salas: uma para as crianças de qualquer idade que precisem de dormir a sesta e outra onde ficarão a brincar as restantes", defende o pediatra Mário Cordeiro
O especialista lembra que dormir a sesta é uma necessidade fisiológica e que "não deixar dormir uma criança que precisa é quase tortura".


A notícia completa
aqui.

 

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Deitar tarde e tarde acordar - o sono típico dos adolescentes

sexta-feira, 17 de Setembro de 2010 9:37

 

Com o início das aulas surgem pontos de atrito entre pais e filhos relativamente aos horários de dormir e de acordar. Desta vez, vamos debruçar-nos sobre o sono típico dos adolescentes – deitar tarde e acordar tarde - e sobre os conflitos que estes ritmos originam.


Existe a ideia de que à medida que vamos crescendo necessitamos de menos horas de sono. No caso dos adolescentes, isto não se verifica. É exactamente nesta fase da vida que necessitam de, pelo menos, nove horas de sono para poder dizer-se que descansaram o suficiente. Daí que a vontade dos adolescentes de dormirem muito não seja uma birra. É sim uma necessidade.


Saber como funciona o relógio biológico interno nesta fase pode ajudar, pais e filhos, a evitar tantos conflitos na hora de dormir ou acordar.


O nosso relógio biológico tem uma forma específica de funcionar. Na adolescência é como se tivesse sido adiantado. Por isso, os jovens não têm sono à hora dita “normal”, mas sim muito mais tarde. Por outro lado, acordar cedo também não é coisa que agrade a um cérebro jovem.


Não haveria problema se as exigências do dia-a-dia não obrigassem a ritmos que implicam ir cedo para as aulas e estar atento desde o início da manhã, algo que não condiz com este ritmo de adolescente.

A falta das tais nove horas de sono pode também constituir um problema, reflectindo-se no cansaço, apatia, irritabilidade e, no que diz respeito às capacidades cognitivas, na falta de atenção e concentração, dificuldades a nível de memória, instrumentos essenciais para quem enfrenta um novo ano lectivo.


Então que fazer para os ajudar?

Bem, podiam ficar a dormir umas horitas a mais no fim-de-semana. Isso de certeza que lhes ia agradar, tanto mais que os adolescentes quando podem dormir à vontade conseguem ultrapassar, facilmente, as nove horas de sono. Mas além de não resolver a questão da falta de horas de sono durante a semana, esta medida só servirá para confundir o relógio interno.


Que que pode então fazer? Ajudar o seu filho a criar alguns hábitos de sono e a tentar mantê-los.

Claro que, uma vez que está a lutar contra um cérebro que não quer mesmo dormir cedo, e não contra o seu filho. Terá de ser muito persistente para o ajudar a ajudar-se.


Comece por interiorizar que, de facto, nesta fase da adolescência há coisas que nem o seu filho adolescente consegue compreender e controlar, ainda que gostasse. Isso vai ajudá-lo a si a diminuir aquela irritabilidade que surja na altura de começar a impor os horários de dormir, pois se não conseguir manter a regra pode ter a certeza que ele também não.


Para reajustar esse relógio interno, siga alguns destes conselhos:


  • É importante acalmar antes de dormir. Exercício físico intenso, música demasiado alta, jogos de vídeo, e tudo o que estiver relacionado com o uso do computador devem ser evitados.

  • A televisão também deve ser desligada a partir de determinada hora;

  • A cafeína deve ser evitada. Tenha atenção não só ao café, mas a bebidas que contenham cafeína.

  • As luzes também desempenham um papel importante no sono. Deve utilizar luzes menos intensas, nomeadamente uma de cabeceira para manter o resto do quarto numa semi-escuridão.


Estas são algumas das regras que pode aplicar para ajudar o seu filho adolescente, mas é importante que antes de começar a aplicá-las fale com ele e o faça entender que entende que é difícil para ele adormecer cedo, mas que é importante. Estabeleça com ele um horário razoável que deverá ser mantido, mesmo aos fins-de-semana.

 

Zélia Parijs, psicóloga
info@zeliaparijs.com

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Televisão rouba horas de sono às crianças

quarta-feira, 15 de Setembro de 2010 23:15





É aos programas de televisão apelativos e exibidos tardiamente que é imputada a responsabilidade pelo desequilíbrio do sono dos mais novos.
Vítor Teixeira concluiu, na sua tese de doutoramento na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, que mais de metade das crianças com idade entre os oito e os dez anos ficam acordadas até tarde, independentemente da necessidade de se levantarem cedo na manhã seguinte.


Ao JN, Vítor Teixeira explicou
que irregularidade do sono não é favorável ao desenvolvimento infantil. Segundo concluiu o i nvestigador, ao longo da semana as crianças dormem, em média, 9 horas e 21 minutos por noite e ao fim de semana 11 horas e 14 minutos. A média aconselhada é de dez horas por noite, regularmente. Leia o artigo completo aqui.

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Maria Cláudia Monteiro: claudia@jn.pt

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