quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008 7:56 Gilfer

Quem foi Herodes (Revisto!)

 


O famigerado rei Herodes, que segundo a Bíblia, mandou matar todas as criancinhas de Israel, com o intuito de, assim, incluír o Menino Jesus, como se sabe, não conseguiu os seus intentos. Porém, pouco se conhece desta detestada figura, não só do mundo cristão como do judáico. Um dos arqueologistas que mais se tem dedicado a descobrir - e revelar – Herodes, é o israelita Ehud Netzer, que a ele dedicou praticamente meio século da sua actividade científica, ao ponto de, recentemente, ter sido bem sucedido em descobrir o túmulo de tão detestado rei, situado a apenas oito kms sul de Jerusalém.

Conhecido por Herodes, o Grande, o que veio a ser Rei da Judéia, nasceu em 73AC, precisamente na Judéia, então um pequeno reinado situado no centro da antiga Palestina conhecido por lutas fratricidas em que a dinastia Hasmoneana, que dominou durante 70 anos, foi derrubada pelos irmãos Hircanus II e Aristóbolus II. Entretanto, o enfraquecido reino era apanhado por uma vasta luta geopolítica: a norte e a oeste pelas legiões romanas e pelos históricos inimigos de Roma, os Pártios, a leste. O pai de Herodes, então assessor de Hircanus, em conluio com os romanos, desfez-se de Aristóbulus oferecendo o reino da Judéia a Hircanus II. Bom observador, Herodes, embora ainda rapaz, cedo se apercebeu das vantagens em ser amigo dos romanos, amizade que lhe deu fruto, uma vez que eles ficou a dever o Trono. E, mais ainda, hábil como uma raposa, explorou a sua amizade com os dois generais máximos do Império Romano – Marco António e Octaviano. Com a morte do primeiro, fez-se amigo do segundo, que, chocado com semelhante vassalagem por ter ido ao encontro do vencedor e total Imperador, confirmou o seu reinado, ampliando-o.

Embora judeu, mas filho de mãe árabe e pai sodomita (natural de Sodoma), cedo se apercebeu da sua falta de linhagem que lhe daria a necessária influência, especialmente junto das aristocráticas e influentes famílias judias, e também o direito ao título de sumo-sacerdote como a linhagem hasmoneana demonstrara, e, também, como foi considerado pela maioria dos judeus como “estranho” procurou manter o direito à tão ambicionada linhagem real. Tarefa difícil, particularmente depois de ver o seu pai envenenado por um agente hasmoniano e as tropas partianas subitamente a invadir a Judéia e tentar visar Herodes, que foi obrigado a fugir. Porém, recuperando com a ajuda romana, bateu os partianos e os seus acólitos judeus numa heroica batalha no local onde iria erguer a sua monumental Herodium e onde foi encontrado o seu sepulcro ao fim de dois milenios.

Esta batalha seria o prelúdio de outras bem ferozes a fim de conquistar tanto Jerusalem como a Judeia, que a partir de 37AC, poderia chamar verdadeiramente suas. Ansioso em manter a sua autoridade, tanto social como religiosa, separa-se da primeira mulher, Doris, para contraír matrimónio com a princesa da dinastia Hasmoneana, Mariamne. Porém, ao ver o irmão desta, o jovem sumo-sacerdote do segundo Templo, aclamado pela multidão, receoso de um possível rival ao trono, manda afogá-lo no seu palácio de Jericõ. Livre de ameaças, observa-se um período de paz em que se dedica às artes helénicas e actos de benfeitoria para o seu povo, que, reconhecido lhe prova tão ambiciosa vassalagem. Este, também o período magno da construção de imponentes monumentos, em que se destaca a invulgar e monumental Massada acocorada num elevado e praticamente inacessível rochedo e que, mais tarde, seria trágico cenário de resistência, assédio e total morte do povo judeu que ingloriamente a defendeu até ao último pingo de sangue das mãos dos seus maiores inimigos – os romanos.

Acossado por ataques de paranóia, particularmene engendrados pela cunhada Salomé manda matar a mulher que amava, Mariamne, por cujo nome clamava noites inteiras. Dominado pela doença que o levaria aos mais crueis actos, Herodes apressou o seu fim, sucumbindo em Jericó no ano 4AD. Sucedido pelo filho, que devido à sua ineptitude para governar, desiludiu os ocupantes romanos que o viriam a substituír pelo procurador Pôncio Pilatos, nos anos 30AD.

Agradecimento a National Geographic (Dezembro de 2008)

Embora não fosse intenção inicial, por razões de espaço, ampliar o artigo, mas graças à amável adição do caro companheiro Carlos Braga da Cruz, aqui fica a sua  preciosa participação, o que mais enriquece a peça. A ele, o nosso habitual MUITO OBRIGADO!

 Carlos_Braga_da_Cruz // quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008 23:57

Há quatro Herodes que sobressaem na história do Médio Oriente entre 73 a.C. e 93 d.C..

O referido no post original é o primeiro e, de facto, é-lhe atribuida a "matança dos inocentes" (Mateus, 2, 16 e ss.), que, de facto, teve como principais vítimas seus próprios filhos, já que receava, por via da amizade destes com os romanos, lhe tomassem o poder.

Já o responsável pela morte de João Baptista foi Herodes Antipas, (22 a.C. a 39 d.C.), filho mais novo do anteriormente descrito. É ele que intervém no processo que levou à condenação de Jesus. Posteriormente, é exilado para Lyon e depois para a actual Espanha.

Herodes Agripa I, neto de H. o Grande, reinou em toda a Palestina entre 41 e 44 d.C.. Mandou executar o apóstolo S. Tiago Maior e encarcerar Pedro.

Herodes Agripa II (27 a 93 d.C.), filho do anterior, sucedeulhe no trono. No seu reinado concluiu-se o templo de Jerusalém (62-64) e deu-se a revolta dos judeus contra Roma(67-70), em que ele tomou o partido dos romanos. Foi perante ele que S. Paulo, perseguido pelos judeus, apresentos a sua defesa.

Fonte: Verbo - Enciclopédia Luso-Brasileira da Cultura

 

 





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