Dezembro 2008 - Posts

Lágrimas ocultas

“Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida…

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago…
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim…

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!”

Florbela Espanca

 

O Mestre e o Aprendiz

 

O velho Mestre pediu ao seu jovem Aprendiz que andava sempre triste, que colocasse num copo de água uma grande porção de sal e, de seguida, provasse essa água.

 - Qual é o gosto? - perguntou o Mestre.

 - Mau! - respondeu o Aprendiz.

 O Mestre sorriu e pediu ao jovem que o acompanhasse a um lago, os dois caminharam em silêncio até lá chegarem. O velho pediu-lhe que ele atirasse para o lago, a mesma quantidade de sal que tinha posto no copo.

- Bebe um pouco dessa água. - solicitou, depois o Mestre.

Enquanto a água escorria pelo queixo do jovem, perguntou-lhe:

- Qual é o gosto?

- Bom! - exclamou o rapaz.

- Sentes o gosto do sal? - inquiriu o Mestre.

- Não! - disse o jovem.

O Mestre então, sentou-se ao lado do Aprendiz, pegou nas suas mãos e sentenciou:

 - A Dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da Dor depende de onde colocamos essa Dor. Quando sentires Dor, a única coisa que deves fazer é aumentar o sentido de tudo o que está à tua volta.

É dar mais valor ao que tens, do que ao que perdeste.

É deixares de ser um copo, para seres um lago!

Alguém disse de sua justiça...

 

ACORDA Portugal!ANTES QUE SEJA TARDE…

Quando este governo tomou posse, deram-lhe um estado de graça, que ele aproveitou para: - aumentar o IVA, mesmo depois de ter prometido que não aumentaria impostos; - aumentar a idade da reforma, apesar de ter prometido que o não faria; -congelar as carreiras de alguns sectores da Função Pública. O povo continuou adormecido.
 
Depois, provou-se que o Primeiro-Ministro falsificou documentos da Assembleia da República para que o tratassem por Engenheiro, que tirou um curso de Engenharia sem ir às aulas, enviando trabalhos por fax e que, enquanto recebia um subsídio de exclusividade, assinava projectos.
 
O povo mostrou-se indiferente, achando que, se ele queria que o tratassem por Engenheiro, era lá com ele. De seguida, decidiu fechar escolas e urgências; a população começou a despertar e o ministro da saúde foi demitido, mas a política continuou.
Posteriormente, vieram as aulas de substituição gratuitas e a responsabilização dos professores pelo insucesso dos alunos.Os professores acordaram e os tribunais deram-lhes razão na ilegalidade das aulas de substituição não remuneradas.
Depois veio o Estatuto da Carreira Docente, que dividia os professores em duas categorias, sem qualquer análise de mérito e, impedia que dois terços dos professores atingissem o topo da carreira.

Os professores ficaram atordoados e a Ministra aproveitou para esticar a corda ainda mais, tratando os docentes por "professorzecos" e criando um modelo de avaliação que ela própria considerou "burocrático, injusto e inexequível" e que prejudica os professores que faltassem por nojo, licença de paternidade, greve ou doença.
Aí os professores indignaram-se e vieram para a rua. O Governo e os sindicatos admiraram-se com a revolta dos professores e apressaram-se a firmar um entendimento que adiava a avaliação.


No ano lectivo seguinte, os professores foram torturados com o suplício de pôr a andar um monstro, cavando a sua própria sepultura. Em todas as escolas, começou a verificar-se que esse monstro não tinha pernas para andar. Os professores começaram a pedir a suspensão do processo e marcaram uma manifestação para o dia 15 de Novembro. Os sindicatos viram o descontentamento geral e marcaram outra manifestação para o dia 8 de Novembro.
 
Os professores mobilizaram-se e a Ministra tremeu… Os alunos aprenderam com os professores o direito à indignação e aperceberam-se de que o seu estatuto também era injusto, porque penalizava as faltas por doença, e começaram a manifestar-se.
A Ministra percebeu que tinha de aliar-se aos alunos e cedeu nas faltas, culpando os professores pela interpretação da lei. Conseguiu mesmo alterar sozinha uma lei aprovada pela Assembleia da República perante os mudos parlamentares.O ambiente na Escola tornou-se tão insustentável que a Ministra deixou de ter coragem de visitar escolas. Então, decidiu alterar novamente o seu modelo, sem o acordo de ninguém, pois só ela não entende que está a mais no Governo, defendendo um modelo que sabe que é errado, só para não dar o braço a torcer (lembrando a teimosia de Paulo Bento que, para afirmar o seu poder, prefere perder). Se fizesse uma auto-avaliação, percebia que está tão isolada que até o representante das associações de pais, aliado de outras batalhas, tomou consciência do que estava em causa.
 
Agora, o Secretário de Estado Adjunto vem dizer que
a Lei é para cumprir. Mas qual Lei? A da Ministra que não respeita os tribunais,que altera as leis da Assembleia da República a seu belo prazer, que manda repetir exames, mesmo sabendo que é inconstitucional, quepenaliza os professores pelo direito à greve e às faltas por nojo, pordoença ou por licença de paternidade?
Quem deixou de cumprir a Lei foi a Ministra e o Governo. Lembram-se de alguém que fumou ilegalmente num avião, afirmando que desconhecia uma Lei imposta por si? É o mesmo que vem dizer que nem ele está acima da Lei.Já que a Comunicação Social está instrumentalizada e não há oposição firme, o povo devia seguir a lição dos professores e manifestar-se: - contra o elevado preço dos combustíveis, uma vez que o preço do petróleo desceu para um terço do que custava há meses e em Portugal os combustíveis ainda só desceram cerca de 20%; - contra os elevados salários de gestores de empresas públicas que dão prejuízo; - contra a entrega de computadores "Magalhães" que depois têm de ser devolvidos, como quem tira doces a crianças;
- contra o financiamento público de bancos que exploram os clientes com elevados juros;
- contra as listas de espera na saúde; - contra as portagens nas SCUT;- contra a criminalidade e a insegurança que se vive em Portugal; - contra as elevadas taxas de desemprego; - contra o desvio do dinheiro de impostos para o TGV;- contra as mentiras.
Se os Portugueses acordarem e seguirem o exemplo dos professores, os governantes deixarão de se "governar" e passarão a defender o interesse das pessoas.
"Ao emendar aquilo que precisa de correcção, o bom professor não está a ser rude."

(Autor desconhecido mas esclarecido)

Hoje, Eu faço anos...

Muitos como Eu, hoje, fazem anos!

Muitos como Eu, hoje, trabalharam!

Muitos como Eu, hoje sorriram...ou choraram!

Muitos como Eu, hoje renovámos esperanças em mais um ano de vida!

E, talvez, muitos como Eu, hoje desejassem fazer 60 anos e não 48!

Se, hoje ,Eu fizesse 60 anos... APOSENTAVA-ME!

 

 A COMUNICAÇÃO SOCIAL QUE TEMOS!

Ontem, Fernanda Câncio escrevia o texto OLHEM QUE NÃO, STÔRES.

Hoje, João Marcelino escreve O "DIÁLOGO" IMPOSSÍVEL.

Para os dois, registo neste espaço, o meu Direito de Resposta  

 

OLHE QUE NÃO, "JORNALECA"
Está equivocada pois nem toda a gente com um e-mail público, recebe e-mails assinados por professores. Não duvido que tenha recebido muitos, a demonstrar-lhe a repugnância que nutrem por alguém tão pobre de espírito.
Folgo em constatar que sabe o que é uma elegia (composição lírica que expressa sentimentos tristes ou lutuosos), contudo, não foi apropriada neste contexto. Sabe porquê? Porque revela a sua má-formação, como pessoa, ao mencionar: "A mistura entre situações tão diversas e desconexas como um martírio relacionado com uma doença (que, a existir,(...)". Além de se considerar jornalista, também almeja o estatuto de pertencer a uma junta médica?
Pensava que a Universidade Independente estava encerrada! Ah! Já me esquecia de que podia conseguir o diploma em três meses, através das CNOs! São ocorrências normalíssimas (que terá de especial andar de alcova em alcova para ter um emprego? Ou não fazer um curso, quanto mais um mestrado no seu tempo livre?)
Do alto da sua altivez, para os STÔRES (setores, s'tores) continua a (desculpe o termo) "enterrar-se": "(...) a obrigação de não prejudicar os alunos devido à exasperação com o ministério ou a decisão de escolher um sábado para uma manifestação é muito eloquente quanto à visão que muitos professores terão de si e do que a sociedade lhes deve. A pontuação fugiu? Deve ter tido professores muito maus ou é muito pouco dotada cerebralmente (o que não duvido!).
Como quer demonstrar aos professorzecos que importância têm os jornalecos, não se coíbe de continuar "(...)Lêem-se estas frases e fica-se com a sensação de que os que as escreveram e os que nelas se revêem se acham incrivelmente sacrificados e maltratados, e se encaram como missionários sem par no mundo do trabalho. Tenha vergonha e faça um favor a si própria e ao jornalismo (o verdadeiro), deixando de escrever num jornal que tem perdido o prestígio, a cada dia que passa e, em grande parte, a si e outros que tais o deve. Estou convicta de que ainda não deve ter sido avaliada nesta área, pois não estaria a assinar um texto de opinião, a menos que não encontrem ninguém com capacidade para o efeito.
Finalmente, escreve algo com rigor "Esta trapalhada, que não chega a ser um argumento, é o caldo de cultura do conflito que opõe a classe ao ministério." No entanto, a trapalhada que não chega a ser argumento, partiu dos Trapalhões que tanto a jornaleca defende, quando à revelia dos interessados, assumem posições anti-democráticas.
No que concerne ao parágrafo iniciado em "Um caldo (...) Por fim, o tempo total de trabalho exigido aos professores portugueses (1440 horas/ano) está mais de 250 horas abaixo da média da OCDE." É informação desnecessária, pois basta consultar os sites existentes para o efeito. Quando terminei de ler o parágrafo acima referido, lembrei-me dos trabalhos realizados por alguns alunos que fazem copy/paste só para "encher", neste caso o seu "artigozeco".
Por último, o que escreve denuncia um péssimo brio jornalístico, desde o título até à sua incompetência para a função dessa actividade. Lá terá outras competências... e poderá encontrar uma "revista de cordel" que lhe faculte uma página diária para treinar a arte de bem-escrever.
Se um aluno escrevesse, na conclusão de um texto estas frases soltas: "Dificilmente o retrato de uma classe mártir e explorada. Antes pelo contrário.", seria, indubitavelmente, alvo de uma crítica severa, não pelo conteúdo, mas pela forma! Entendeu? Se precisar de explicações pode sempre solicitá-las a um professor de Língua Portuguesa.

 

O DIÁLOGO POSSÍVEL 

A Comunicação Social tem vindo, gradualmente, a perder o objectivo primordial da sua existência, ou seja, a imparcialidade. Cada vez mais, o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias, têm declinado a prioridade da imprensa, isto é, informar com isenção sem apegos a partidos políticos, sejam eles quais forem. Todavia alguns dos jornalistas são tão facciosos que, não medem a distância que dista entre o que é, de facto, real do que é virtual. Talvez o Estado também, a certa altura, devesse guiar os passos na introdução da avaliação dos jornalistas, dos deputados, etc.

Penso que o mais gravoso desta situação, é serem os directores destes jornais a darem o mote, a transformarem todas as questões da sociedade em casos de ataques políticos, para colherem frutos nas eleições que se aproximam.

Desta vez, são os professores que estão na ordem do dia para servir os intentos dos políticos das várias ideologias.

Há um limite para tudo!

Ao ler as suas palavras "Uma escola não se faz para os professores, como um tribunal não existe para os juízes e advogados ou um jornal para os jornalistas." Deste discurso transparecem palavras sábias, mas o significado que elas encerram, denota a forma camuflada de "puxar a brasa à sua sardinha": Um governo democrático, legítimo, ainda para mais com maioria absoluta, deve lutar pelas suas convicções, ver para além das dificuldades do presente."

Sabe o que falha no seu texto? Falha a percepção que os jornalistas têm do seu papel na sociedade. A Comunicação Social funciona para servir uma comunidade e, sobretudo, para informar melhor e com qualidade os seus leitores. É neste âmbito que os jornalistas devem ver a sua acção e perceber a missão da Educação.

No fundo, claramente, assiste-se a um regresso ao passado de uma Comunicação Social, onde os jornalistas e o estado conviviam como frutos da mesma árvore.

Quem está de fora e de boa-fé entende que as soluções encontradas para a crise que se vai atravessando, ano após ano, só fere a face dos que se sentem injustiçados e atingidos. Enquanto isso o Estado tem sempre por garantido o seu bem-estar.

No dia em que os jornalistas, de uma maneira geral, deixarem de assumir este objectivo perderão a simpatia que, a determinada altura, ganharam com a sua informação isenta.

Vamos a ver se o compreendem a tempo!

"As armas e os barões assinalados

Que, da Ocidental praia Lusitana,

(...) Em perigos e guerras esforçados

Mais do que prometia a força humana

E ente gente remota edificaram

Novo Reino, que tanto sublimaram;"

Luís de Camões (séc.XVI)

"Um povo imbecilizado e resignado,

(...) sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,

 aguentando pauladas, sacos de vergonhas,

 feixes de misérias, sem uma rebelião,

 (...) pois que nem já com as orelhas

é capaz de sacudir as moscas."

Guerra Junqueiro (séc.XIX)

"Toda a poesia é luminosa, até a mais obscura.

O leitor é que tem às vezes,

em lugar do sol, o nevoeiro dentro de si.

E o nevoeiro nunca deixa ver claro.

E se regressar outra vez e outra vez

e outra vez a essas sílabas acesas

ficará cego de tanta claridade.

Abençoado seja se lá chegar." 

 Eugénio de Andrade (séc. XX)

 

"Sê PACIENTE, Espera (...)" Eugénio de Andrade

 O TESTEMUNHO DE UMA PROFESSORA... 

 

Carta Aberta à Ministra da Educação

Excelentíssima Senhora Ministra da Educação

Ao fim de três décadas e meia de docência, as políticas educativas do Governo do meu país levaram-me a pedir a aposentação antecipada e com penalização. Fugi da escola pública de hoje. A escola do facilitismo, da mediocridade, da desautorização dos professores, da desumanização, da irresponsabilidade, das estatísticas, da entrega dos deveres aos professores e dos direitos aos alunos,... Não foi para esta escola que dei tantos anos da minha vida. Nem foi assim que pensei terminar uma longa carreira de que gostei muito.

De Amarante a Matosinhos passando por Lisboa, Figueira da Foz, Porto, Espinho, Bragança, Marco de Canavezes, Vila Real, Barcelinhos, Penafiel, Famalicão e S. Pedro da Cova, ajudei a formar milhares de jovens. Foram muitos quilómetros percorridos quando não havia uma única auto-estrada. Mais do que uma vez tive que me sujeitar a ver as minhas três filhas pequeninas apenas aos fins-de-semana para ir, para longe, ensinar os filhos dos outros. Sem nada que me ajudasse a suportar as despesas. Tudo isto fiz com muito sacrifício mas muito gosto. Durante anos e anos amei o que fiz.

Para minha actualização frequentei mais de 50 acções de formação/seminários quer na área de informática, quer na minha área específica.

Fui Directora de Instalações, Representante de Disciplina, Delegada de Grupo, Directora de Turma, Vice-presidente do Conselho Executivo, Presidente do Conselho Administrativo, Representante de Área Disciplinar, Coordenadora de Departamento, Responsável pela Sala de Estudo, Presidente da Assembleia de Escola.

Leccionei todos os níveis de ensino desde o 5º ao 12º ano.

Orgulho-me do trabalho que sempre desenvolvi apesar do desânimo aumentar ano após ano. Nunca aspirei aos prémios que o Ministério atribui anualmente. Os meus prémios são as mensagens que recebo dos meus ex-alunos.

"Boa tarde professora,
Não sei se ainda tem esta conta de email activa, mas espero que sim. Eu sou o seu antigo aluno Eduardo ..., fui seu aluno de química no ano lectivo de 2004/2005, não sei se ainda se lembra de mim. Eu estou a acabar o meu curso na faculdade, estou já no ultimo ano e sou finalista, como tal, temos a tradição de assinar as fitas e eu gostava que a professora me assinasse a fita, uma vez que a considero a melhor professora que tive ate hoje, pois sempre acreditou em mim e fez todos os possíveis para me ensinar, não só a matéria correspondente a sua disciplina, mas também a ser um homem decente. Para alem de excelente professora, foi também uma grande amiga, que e algo que muitos professores não são e por isso gostava que me desse a honra de me assinar a fita. A minha queima das fitas é já esta semana e tenho de ter as fitas no dia 27, por isso peço resposta a este email o mais rápido possível, caso a professora não possa assinar-me as fitas antes dessa data, não há problema, assina depois pois o que conta para mim é que a fita seja assinada, independentemente da data. Gostava também de lhe pedir um favor...

Peço desculpa pelo incómodo e espero atentamente uma resposta.

Beijos e abraços, do seu antigo aluno e amigo,

Eduardo ..."

Ou como esta recebida há dias quando chegou a minha aposentação.

"Soube ontem ao último tempo que a professora tinha recebido a carta da reforma. Vou ser sincero, fiquei muito triste por perder uma das melhores professoras de sempre.
Paciente, simpática, honesta, humilde....  são muitas das características  que a professora tem.
A escola perdeu uma das melhores professoras ao serviço.
Pessoalmente n estou triste por perder uma professora mas sim estou triste por ter perdido uma grande amiga que me ajudou sempre.
Toda a turma ficou um bocado triste (embora querendo disfarçar através de sorrisos e risos), pois tem a consciência que vai ser difícil substituir uma professora como a s'tora.
Diz-se que ninguém é insubstituível, mas a professora é das poucas pessoas que não podem substituídas por nada deste mundo.
Aqui está á minha despedida muito humilde, não é que desejaria dar á professora pois o que lhe queria dar está para além dos meus alcances.
Só deixo votos de felicidade e desejos que um dia nos voltemos a encontrar.
Muitos beijos e abraços:
Bruno ..."

Pelos Eduardos, pelos Brunos e por todos os alunos que já me passaram pelas mãos, e que me atribuíram "medalhas" aguentei enquanto pude. Agora, acabou.

Numa quinta-feira de Novembro fui chamada para uma substituição. Não havia plano de aula. A professora em causa tinha acabado de receber a sua aposentação antecipada e com penalização. Uma professora que já estava na escola quando para lá fui e eu estive lá 20 anos. Dirigi-me à sala de aula. Estavam os (talvez) 28 alunos de uma turma do 7º ano que não conhecia. Muitos choravam e diziam "A Professora M. era nossa amiga. Ensinava bem e ajudava-nos muito".
Estes alunos só conheciam esta professora desde meados de Setembro.
Em contraste com isto, a professora estava num sino. Irradiava felicidade e até as lágrimas lhe vieram aos olhos de tanta alegria. Finalmente estava livre do inferno que se vive hoje nas escolas.
Analisando esta situação, só se pode concluir que algo está errado. Uma pessoa que dedicou uma vida ao ensino, uma professora de quem os alunos gostam ao ponto de chorar a sua saída, abandona a profissão de uma vida sem tristeza e com penalização na sua reforma. A debandada é geral e os que estão a sair são os mais experientes.

Vi e ouvi, com tristeza e uma revolta imensa, as posições inqualificáveis de membros do Governo perante a manifestação de 85% dos docentes do meu país. Não consigo aceitar que me apelidem de chantagista com uma leviandade sem nome. Não sou sindicalizada nem filiada em nenhum partido. Sempre pensei pela minha cabeça, disse o que penso, escrevi o que disse e assumi o que escrevo. Durante anos escrevi uma crónica mensal num semanário e insurgi-me contra a avaliação em vigor na altura. Realmente tinha que ser substituída. Mas por uma melhor, o que não é o caso. A mobilização que se conseguiu em Março a em Novembro não foi conseguida pelos sindicatos. Eles não têm capacidade para tal. A internet e o telemóvel são hoje os melhores meios de mobilização. A Senhora Ministra consegui, pela primeira vez, unir os professores e pô-los em contacto permanente uns com os outros.

O dia a dia de um professor é inimaginável por quem não o vive, como é o caso da Senhora Ministra. Pede-se aos professores que sejam, para além de transmissores de conhecimentos, mães, pais, psicólogos, assistentes sociais, amigos, ...

"Os professores têm, cada vez mais, à sua frente um conjunto de órfãos de pais vivos." - uma verdade que li aqui há tempos.

Mas pede-se mais. Pede-se aos professores que apliquem um ensino individualizado a turmas com 28 alunos num número de aulas que não chega para leccionar os conteúdos programáticos estupidamente extensos. Pede-se o impossível. "Dar aulas, de facto, é tão simples como falar trinta e cinco línguas ao mesmo tempo ou cantar sozinho uma partitura para trinta e cinco vozes". (Bernard Houot)

Para esta super-escola eram precisos super-homens e super-mulheres e isso só existe na banda desenhada.

"Nós somos como somos, com altos e baixos. Com momentos de entusiasmo e momentos de quebra. Com rasgos de génio e sombras travessias do deserto. E ninguém poderá nunca tornar-nos perfeitos. Se nos pedem para sermos perfeitos é, pois, abusivamente porque o sistema que se encontra acima de nós não o é." (Bernard Houot)

Que posso eu exigir de um aluno que vive com uma mãe com problemas mentais que lhe diz que o odeia e que o quer matar? E de uma jovem que chega às aulas da tarde sem ter comido absolutamente nada? E de uma jovem que vive, a meias com a mãe, com outro homem que não o pai? E de uma criança que dorme na sala e só pode descansar quando os pais resolvem deitar-se? E da jovem que fica a trabalhar no café dos pais até às tantas da madrugada? E poderia ficar aqui um tempo infindo a pôr a nu as situações com que os professores se debatem. Esta é a escola real. Uma escola cheia de problemas cuja resolução compete ao Estado mas com os quais os professores vivem diariamente. Estes jovens não podem ter o rendimento desejável mas, pressionar o professor a passá-los, não lhes resolve os seus problemas. Como não lhes resolve os seus problemas um computador oferecido pelo Governo. Ou o TGV. Ou um novo aeroporto na capital. Mas quem pode manda e define as prioridades que entende. Não são as minhas e não as entendo.

Para juntar a tudo isto, a Senhora Ministra elaborou um modelo de avaliação perfeitamente inaceitável. Diz a Senhora Ministra que os professores devem confiar nos seus colegas mais competentes (refere-se aos professores titulares) mas quem lhes atribuiu essa competência foi a Senhora Ministra ao pôr em prática o mais escandaloso dos concursos - o primeiro concurso para professor titular. "Há coisa mais injusta do que uma avaliação que não premeia o mérito?" - perguntou um dia destes a Senhora Ministra. Claro que não. Mas, pergunto eu, há maior injustiça do que o primeiro concurso para professor titular? E foi com base neste concurso, eivado de injustiças e arbitrariedades, que foi construído este modelo de avaliação. Sobre alicerces podres. Por mais voltas que lhe dêem, será sempre um modelo de avaliação em que a competência estará ausente.

Para o acesso ao cargo de professor titular não era preciso ser competente em nada. Bastava ter tido muitos cargos entre 1999 e 2006. Por que razão foram escolhidos estes anos e não todo o percurso dos docentes? Só a Senhora Ministra sabe. No meu caso, professora do topo de carreira, a Senhora Ministra deitou-me, pura e simplesmente, ao lixo mais de 25 anos da minha carreira. Consegui, apesar disso, ser provida como professora titular. Por acaso, como todos, e não por mérito, como gostaria. É a isto que a Senhora Ministra chama justiça? É a isto que a Senhora Ministra chama competência? Este concurso criou nas escolas situações inaceitáveis.

Um professor com 100 pontos, numa Área Disciplinar, ascende a professor titular e, na mesma escola, outro professor com 140 pontos, numa outra Área Disciplinar, não o consegue.

Um professor do 10º escalão que tenha exercido todos os cargos possíveis numa escola antes de 1999 mas que entre 1999 e 2006 foi apenas professor, por melhor que tenha sido, não ascende a professor titular.

Um professor do oitavo escalão que, por exemplo, por não ter horário na sua Área Disciplinar, integrou um cargo no Conselho Executivo mesmo que o tenho exercido sem competência, foi provido como professor titular.

Neste momento, este último professor pode ser avaliador do anterior.

Um professor que foi orientador de estágio pode vir a ser avaliado pelo seu avaliando de estágio, desde que o segundo tenha conseguido ascender a professor titular e o primeiro não.

Mas o descalabro a que a educação chegou não se limita a estes problemas.

A Lei 3/2008 de 18 de Janeiro é uma perfeita aberração. Trata da mesma maneira um aluno que falta por doença e outro que falta porque lhe apetece. No Despacho do domingo, dia 16 de Novembro de 2008, a Senhora Ministra, mais uma vez remete as culpas para os professores quando diz "que a adaptação dos regulamentos internos das escolas ao disposto no Estatuto do Aluno nem sempre respeitou o espírito da Lei, permitindo dúvidas nos alunos e nos pais acerca das consequências das faltas justificadas designadamente por doença ou outros motivos similares." A lei é clara pelo que não é aceitável estar no despacho "Tendo em vista clarificar os termos de aplicação do disposto no Estatuto do Aluno...". Sejamos honestos, o Despacho altera a Lei, se é que juridicamente isso é possível.

O Programa Novas Oportunidades é outro embuste. Por aquilo que vejo, e pelas pressões das DREs para aprovar todos os alunos dos Cursos de Educação e Formação, dos Cursos Profissionais e Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, estão a qualificar-se milhares de analfabetos. Será isto que o país precisa, Senhora Ministra?

Segundo a Senhora Ministra, a implementação das aulas de substituição, que tanta polémica gerou, hoje faz-se confortavelmente. Engano, Senhora Ministra. Os professores que conheço, e são muitos, fazem-no porque a tal são obrigados mas fazem-no sem o mínimo de conforto e com o máximo descontentamento dos alunos.

O ambiente que se vive nas escolas é de uma tensão imensa. O desalento e a desmotivação são gerais e o clima de medo está instalado. E ainda vai piorar quando aparecer a figura do director prevista na lei.

O que se fez da escola pública? Como se pode ter toda uma classe profissional desmotivada? Eu saio sem conseguir perdoar a este Governo o ter-me roubado o prazer que eu tinha em exercer a profissão que escolhi. Nestes últimos anos foi muito penoso ir trabalhar. Muito penoso, mesmo.

Maria da Graça Pimentel

9 de Dezembro de 2008

 

"Porque os outros se mascaram mas tu (EU) não

Porque os outros usam a virtude

Para comprar o que não tem perdão.

Porque os outros têm medo mas tu (EU) não.

 

Porque os outros são os túmulos caiados

Onde germina calada a podridão.

Porque os outros se calam mas tu (EU) não.

 

Porque os outros se compram e se vendem

E os seus gestos dão sempre dividendo.

Porque os outros são hábeis mas tu (EU) não.

 

Porque os outros vão à sombra dos abrigos

E tu (EU) vais de mãos dadas com os perigos.

Porque os outros calculam mas tu (EU) não."

 

 Sophia de Mello Breyner (1991)

 

 

As duas e, mais uma, professoras deputadas socialistas…

 

Caras deputadas, tenham um pouco de dignidade e não insultem o Ensino, afirmando que são professoras de carreira e que se congratulam com a decisão tomada pela ministra.

 

Talvez fosse boa ideia a secretária da mesa da Assembleia da República, Celeste Correia, voltar às secretárias das salas de aula, porque como já não lecciona há 12 anos, sabe tanto sobre o assunto como qualquer outra pessoa, ou seja, NADA. Muito gostaríamos Nós (Professores) que tudo estivesse, pelo menos, como há 10 anos atrás no ensino. Nessa altura os arruaceiros, os mal-educados, as más condições e tudo o que está inerente à função educativa, era uma minoria e, hoje, a situação encontra-se na situação inversa! Deste modo, a sua opinião nunca poderá ser “reconhecida” como válida!

 Quanto a Jovita Ladeira, que tanta questão faz de salientar que é professora do 1ºciclo, ainda bem que não está a leccionar, pois professoras como a senhora ainda iriam piorar mais o ensino. Começaríamos a ter turmas de CEFs, logo no 1ºciclo, pois tem o desplante de sugerir que se adopte a “fórmula simplificada de avaliação”, em definitivo: "Este modelo é muito simples e talvez possa vigorar em 2009 se os professores virem que não é nenhum bicho de sete cabeças".

Nós não somos os seus “pseudo alunos” do 1ºano para precisar de simplificação como sinónimo de facilitação! Nós queremos ser avaliados com Rigor, Isenção e não queremos fazer “ponto de cruz” em grelhas simplificadas. Nós queremos uma Avaliação do Desempenho e, essa refere-se, exclusivamente, às componentes Científica e Pedagógica. Além disso, três aulas “agendadas previamente” não demonstram o “verdadeiro” desempenho de um professor. Se o afirmo é porque fiz o estágio do Ramo Educacional e, durante um ano lectivo, tive as aulas quase todas assistidas, tanto pelos colegas como pela Orientadora. Posteriormente, estive do outro lado da sala de aula, como Orientadora de Estágio em que avaliei, não aulas “soltas”, mas unidades didácticas!

 

Por último, Teresa Portugal revela ser a Voz do Bom senso, que só é privilégio de alguns e apanágio de quem sabe Ser, Estar e Fazer. Não há dúvida de que é uma Professora, mesmo que esteja reformada e, a crítica que tece à ministra dizendo:” que Maria de Lurdes Rodrigues deveria ter recuado mais cedo.”- demonstra que sabe, o que é “estar no terreno”.

 

NOTA:Proponho aos leitores que apresentem sugestões, para elaborar um Modelo de Avaliação do Desempenho dos Deputados na AR. O parâmetro da Assiduidade é o mais importante, porque antecipar um fim-de-semana que já é prolongado é um ULTRAJE !   

 

 No Diário de Notícias de 5 Dezembro (hoje), Fernanda Câncio, supostamente jornalista, escreve assim:

a)"Parece que os professores que ontem se concentraram para a vigília à porta do ministério da Educação cantarolavam "um, dois, três, já cá estamos outra vez". O intuito irónico da cantilena não contou decerto com o ricochete. Sim, lá estão eles outra vez, pensa uma parte não negligenciável das gentes, saturada de protestos professorais (e agora também, nos últimos tempos, de alunos a clamar por coisas como "fim dos exames nacionais"- e chocolates grátis, já agora, não?)."

"Senhora" jornalista e respectivos "colegas", em primeiro lugar deviam opinar sobre o que realmente conhecem (que deve ser pouco), porque parece que o(a) jornalista que ontem escreveu o editorial do seu jornal não sabe assinar (ou será medo?). O intuito do anonimato dos vossos editoriais, não contou decerto com a capacidade de discernimento dos professores para saber o que isso significa. Sim, lá estão eles outra vez, pensa uma parte não negligenciável das gentes, que estão saturados de artigos jornalisticos, redigidos por qualquer um que, apesar de "saber ler e escrever" (pelo menos não é analfabeto!), não sabe nada de retórica ou da arte de bem escrever.  Contudo, "os conhecimentos" facilitaram-lhe um emprego, como parece ser o seu caso!

b)"Não me entendam mal: não estou, de modo nenhum, contra o protesto. Simplesmente, estou farta deste e não vejo o ponto da sua continuação. Já percebi, como toda a gente já percebeu, que os professores estão zangados com o ministério, com o estatuto da carreira docente, com o aumento do tempo de permanência nas escolas, com as aulas de substituição e, claro, com o modelo de avaliação. Anotámos todos. Anotámos todos também que o ministério efectuou alterações ao dito modelo, tendo em conta uma série de críticas. E esperámos que os professores, em troca, aceitassem uma evidência simples: é preciso parar com esta história. Porque é preciso que as escolas funcionem e porque não chega encher a avenida da Liberdade nem fazer greves muito participadas para mandar."

Não me entendam mal: não estou, de modo nenhum, contra a imprensa. Até porque alguns dos Media ainda conseguem ser imparciais (começam a rarear...). No entanto, estou farta desta e não vejo o "ponto da sua continuação" (isto não faz sentido!)  Já percebi, como toda a gente já percebeu, que os jornalistas estão "feitos" com o Governo. Anotámos todos também que o vosso jornalismo efectuou alterações  à forma de informar e transmitir a realidade dos factos, tendo em conta uma série de críticas. E esperámos que os jornalistas, em troca, aceitassem uma evidência simples:é preciso parar com esta história. Porque é preciso que os ministros percebam que não chega ganhar as eleições nem fazer intimidações e muita propaganda enganosa  para mandar."

c)"É disso que se trata: mandar. Para o caso de ainda não se ter percebido. E para decidir quem, durante um dado espaço de tempo, manda, costuma haver eleições. Chama-se ao processo eleitoral processo de legitimação democrática por alguma razão. E a última vez que olhei para as eleições os professores não se tinham candidatado a governar - mesmo se entre os mails que recebi nas últimas semanas havia um, enviado por professores (guardei-o, já agora) em que se lia "começou a campanha eleitoral dos professores contra o PS"."

É disso que se trata: mandar. Para o caso de ainda não se ter percebido. Já percebemos há muito tempo, que o problema deste Governo é mesmo esse - MANDAR -. Os Professores, ao contrário de alguns, até têm Licenciaturas, Mestrados e Doutoramentos e, têm  ainda o mais importante, que é Inteligência  e Dignidade para perceber o que é o processo eleitoral, processo de legitimação democrática, que os Eleitos do Momento parecem desconhecer, quando tentam impor um "regime ditatorial escondido". E a última vez que olhei para os concursos os governantes não se tinham candidatado a leccionar, o que lhes daria uma grande experiência para uma possível futura governação!

d)"Haverá quem considere o meu raciocínio anti-democrático. Não é grave - ou melhor, é, porque é esse o problema, saber o que é democracia e como funciona. É o poder da rua? Não, não é. Claro que há governos que caem na rua, por protestos massivos. Claro que é isso que os professores pretendem representar - um protesto massivo. Mas se calhar é altura de pararem para contar quem têm do lado deles. A oposição? Sim, têm a oposição. Mas se contarem com o que vale em votos a oposição têm de contar com o que vale em votos o governo. E há esse pequeno pormenor: é o governo legítimo em funções. Claro que uma pessoa se pode estar nas tintas para isso, mas é estar-se nas tintas para a democracia. A democracia não é só eleições? Não, não é. Governar não é só mandar? Não, não é. Também é ouvir e negociar. Tudo isso sucedeu, e os professores averbaram várias vitórias. Querem "ir até ao fim"? Bom, é com eles. Mas se a ideia for derrubar o governo, talvez seja boa ideia dar uma olhadela às sondagens e tentar perceber quem ganhará se houver novas eleições. É capaz de não ser o PCP."

Haverá quem considere o meu raciocínio anti-avaliação.Não é grave - ou melhor, é, porque é esse o problema, saber o que é a avaliação e como funciona. (...) Claro que há governos que caem na rua, por protestos massivos. (...) é isso que os professores pretendem representar (...). Sim, um protesto massivo em prol da sua Missão de Educador e não pactuar com o exibicionismo de um ministério desacreditado e condenado, que persiste, mesmo no "corredor da morte", em  se aclamar de inocente e suplicar aos Professores que  aceitem a Simplificação da Avaliação.

Os Professores querem "ir até ao fim"!  Bom, é connosco. Mas se a solução for derrubar o governo, então SEJA!...

Mas se calhar é altura de pararem para contar quem têm do Vosso Lado:

A Dignidade - O Profissionalismo - A Razão - A NOSSA MISSÃO...

 

NOTA: A última parte do artigo nem merece ser comentado, pois é  muito faccioso! Até a compreendo, porque é preciso agradar aos que nos "dão o pão", mas às vezes é "o pão que o diabo amassou" . Um último conselho: reveja as regras da pontuação!

 Senhor director:

Como vê estou de volta! 

 E Hoje, volta a dura realidade, refere o senhor no artigo de opinião e muito bem!--

Pelos vistos até o senhor parece perceber que tão cedo, não vai haver paz no Ensino em Portugal.

Eu já tinha (numa das minhas cartas) referido que o senhor vivia no inferno, pois até usa palavras derivadas do arrais, mas como neologismo ( diabolizada), claro! 

Contudo, está enganado quando menciona que A situação está diabolizada o suficiente para se perceber a quem está destinado o papel de má (não devia ser mau?) da fita, bem  o quiseram atribuir aos professores, mas ESTES (Os Professores) cansaram-se de ser os bombos da festa.

Para terminar e, plagiando, mais uma vez as suas palavras, pois tenho uma greve que se prevê grandiosa para fazer, Agora é a sério também do lado professoral: cumpra-se a lei. Não custa adivinhar quem sairá prejudicado: os ministros e o Governo. Aprenda-se ao menos que as leis são para cumprir. Esse é o combate que nenhum PROFESSOR pode perder.

Senhor director, como vê é muito fácil alterar "certas palavras" para o nosso discurso ser Infalível! E NÓS PROFESSORES até temos Formação Académica, devidamente certificada para as funções que desempenhamos. Como tal, não temos por hábito não cumprir a lei.

Puxe um "bocadinho pela cabeça" (não é preciso muito), e leia a publicação anterior deste blogue, para  talvez perceber que o seu Sócrates e Governo é que estão Desesperados!

E Olhe que não sou eu que o DIGO.

Tenha um bom dia a ouvir as notícias, para depois redigir um artigo de opinião baseado nos factos reais! 

ATENCIOSAMENTE

 

 A SÚPLICA de UM MINISTÉRIO a CAIR DO PEDESTAL...

1 Dezembro 2008

O FADO PORTUGUÊS... ATÉ UM DIA!

Caros colegas,

Sou militante do PS desde 1989 e estive ontem na sede do PS, Largo do Rato. Não tive a oportunidade de intervenção porque houve bastante participação. Inscrevi-me, mas confesso que abdiquei da minha intervenção pois iria repetir-me. Em resumo: insistência e muita propaganda para validar o modelo a qualquer custo. A divisão da carreira é para continuar, sendo que foi demonstrado cabalmente que não corresponde ao mérito mas sim a redução de custos e que mais de 2/3 dos professores jamais a atingem. Quero deixar a mensagem que só muito poucos é que tiveram a coragem de dizer as verdades. Enfim, a pressão é muita e o satus presente não permitiu que todos nos sentissemos "livres".

Porque sou socialista, porque acredito num verdadeiro PS e não neste, porque quero e luto por um PS mais justo, mais digno, mais fraterno... irei fazer greve assim como muito dos colegas presentes. Quero ainda dizer-vos: Este PS está aflito. Vai recorrer a tudo o que puder para levar por diante toda esta maquinação. Dizem que não podem perder a face.

Nós professores também não! Se ganharmos agora, ganhamos todos! Se perdermos neste momento, jamais nos levantaremos! O PS de Sócrates e não dos socialistas tudo irá fazer para nos vergar. Isto é uma certeza. Cabe-nos a nós resistir, porque resistir é vencer! Aguardo melhores dias para o meu verdadeiro PS.

PS: Foi dito por um colega que neste momento o PS já tinha perdido a maioria e que se arriscava mesmo a perder as eleições com esta luta contra os professores. Este PS não está mesmo preocupado... e todos nós julgamos saber porquê. Quem vier a seguir que feche a porta, pois estes já têm lugar de estadia e vôo marcado para destinos definidos e bem remunerados. Professor socialista que não vota neste PS.

Este comentário encontra-se no blogue Profavaliação.

São testemunhos destes que nos fazem Acreditar que temos RAZÃO!

E agora senhores jornalistas? Não me digam que não estavam lá?

Como dizem os alunos" Temos Pena!!!" Está na hora de irem embora!

O dia de amanhã será lembrado como:

 " O Histórico Movimento dos Professores - Os Dezembristas de 2008"

Desculpe a "ignorância", se o texto foi escrito em 24 Novembro porque só é publicado hoje, 1 Dezembro?

Quero felicitá-lo pelo texto "o povo não gosta de guerras civis", pois denota que, ao contrário, de alguns colegas seus sabe fazer uso das palavras, deve ter sido um aluno avaliado com "Satisfaz Bem" (devia ser a nomenclatura da sua altura). A analogia está "perfeita", mas o senhor tinha de "manchar" um bom discurso com um PS! Deve ser moda no jornalismo actual! Ou nesse jornal convém utilizar a sigla com dois sentidos?

Bem, continuemos com o seu:P.S. Há uma escola em Beiriz, na Póvoa de Varzim, (...).Conclui-se que a alguns professores faria bem regressar à condição de aluno. Para frequentarem a cadeira de "Formação Cívica"…

E se alguns jornalistas também voltassem à condição de alunos e "aprendessem" a ser bons jornalistas? Quem vos avalia? São os leitores?

Esta sua última afirmação, remete-me para o artigo que escreveu no dia 17 Novembro "Será retórica? É perigosa!, do qual transcrevo alguns excertos:

a) "Desta vez, e ao contrário de Março passado, os professores foram bem instruídos pelos sindicatos. Usam uma linguagem que os pais dos alunos percebem. E nenhum pai fica tranquilo quando o percurso escolar do filho é assim tão cruamente posto em causa." Quem lhe disse semelhante disparate? Ou o senhor está a referir-se ao jornal que o emprega? Os professores são muitos e não andam (até podem andar alguns, mas não é uma andorinha que faz a primavera) a mando de ninguém!

b)"Os professores também estiveram e continuam a estar contra as aulas de substituição. Como estiveram e estão contra a Escola a Tempo Inteiro. Como estarão, sempre que funcionarem de forma corporativa, contra qualquer reforma que ponha em causa direitos adquiridos. Por mais absurdos que sejam. Nos últimos anos, os professores foram obrigados a passar mais tempo na sala de aula, mais tempo dentro da escola. Para uns foi um choque, porque perderam tempo livre; para outros uma injustiça, porque o tempo que usavam para serem melhores professores foi tomado por tarefas aparentemente menores." O senhor é uma anedota! Por acaso alguma vez leccionou? Escreve disparate atrás de disparate, como se soubesse o que se passa "in loco" nas escolas. Antes de utilizar certos vocábulos, devia consultar o dicionário!

c)"A ministra da Educação pode orgulhar-se das transformações que introduziu na Escola Pública. A seu tempo darão os devidos frutos. Teve de ser, demasiadas vezes, inflexível. Mas terá agora de demonstrar flexibilidade. Os professores têm de ser avaliados, mas não o podem ser à custa dos alunos. Ainda que esta ameaça seja apenas retórica, é demasiado perigosa." Os devidos frutos, a que se refere, já existem e são os CEFs, EFAS e CNO que povoam a nossa escola. Devia ser engraçado estes alunos avaliarem os professores... Eles não sabem nem ler, muito menos escrever, têm 16 e 17 anos (às vezes mais) e são todos uns sobredotados.

d) "P.S. "Contra o estatuto do aluno; pelo vosso entretenimento", dizia o cartaz que um aluno empunhava numa das "manifestações" de estudantes. São contra o novo estatuto, porque não querem fazer provas de recuperação; são contra as aulas de substituição, porque querem mais umas horas de ócio. E gostam de atirar ovos e tomates. Não vale a pena ser demasiado duro. São adolescentes. As alterações hormonais próprias da idade tendem, para além da prevalência do acne, a revelar comportamentos menos ortodoxos. Tal como as borbulhas, a indignação passará em poucos dias."

Para terminar, tomo a liberdade de plagiar algumas palavras do seu PS, para lhe transmitir que: Não vale a pena ser demasiado dura. São incautos e parciais. As alterações hormonais próprias da idade tendem, para além da prevalência da acomodação, a revelar comportamentos menos ortodoxos. Tal como as ideias feitas, esta "ditadura escondida" passará em poucos dias.

 Atenciosamente