O PSD perdeu as eleições mais por demérito da sua líder do que por uma falta de vontade de mudança dos eleitores.
O autoritarismo, a prepotência, os laivos de corrupção e a apetência para tudo controlar de que Sócrates vinha acusado eram motivos para que o PS sofresse uma pesada derrota. E isso ficara bem claro com o resultado das eleições europeias.
Então porque é que tal não se verificou?
1-º Rangel não é Ferreira Leite. Aquele mostrou-se um líder dinâmico, de verbe fácil, objectivo, com ideias, acutilante e convincente.
2-º O programa que apresentou para governar não era entendível. Não havia uma mensagem clara das políticas de mudança que chegasse ao grande público. A que melhor passou foi o cancelamento da construção do TGV.
3-º A contradição entre o que se propagandeia e o que se fez, isto é, a falta de credibilidade.
O caso de governos anteriores do PSD terem assumido com Espanha a construção do TGV, até com mais linhas...
A defesa das portagens nas SCUT quando na oposição e que agora deixou caír...
Dar como exemplo de um bom funcionamento democrático a Madeira de Jardim em contraposição à asfixia democrática continental de Sócrates...
4-º O comportamento que teve na escolha para as listas de candidatos a deputados do seu partido. Pessoas de mérito reconhecido e que foram excluidas das listas apenas por pensarem de maneira diferente da líder. Relvas, Passos Coelho, etc.
Deveria ter congregado à sua volta todas as sensibilidades do PSD e promovido uma renovação dos quadros chamando gente mais nova para assumir cargos políticos numa grande frente de oposição! Enquistou-se com os seus apoiantes...
5-º Colocar nas listas para deputados candidatos que não preenchiam as condições que defendia de seriedade, honestidade e transparência como António Preto e Helena Lopes da Costa, a braços com a Justiça por acusações de corrupção.
6-º O carisma de líder que manifestamente mostrou não ter. Não soube aproveitar em benefício próprio aquilo que tinha jogado contra Sócrates. E era muito. Tanto que os portugueses haviam-no derrotado recentemente, de modo humilhante, nas eleições europeias.
7-º Não soube, ou não quis, aproveitar a máquina partidária para fazer uma campanha empolgante, plena de dinamismo, imbuida de um espírito de vitória tal como a que foi bem visivel com o PS.
A derrota do PSD deveu-se, pois, à sua lider. Os erros que cometeu aliados à sua falta de carisma não permitiram ao PSD aproveitar o descontentamento reinante na sociedade civil nacional para uma mudança de governação.