Tinha 13 anos quando aderiu à JSD. Ocupou vários lugares dentro do partido, mas nunca no Governo. Aos 44 anos, será Pedro Passos Coelho o homem que veio do futuro para salvar o PSD?
Que idade terá em 2013?
Daqui a qualquer coisa como quatro anos terei 48.
É a idade com que José Sócrates se tornou Primeiro-ministro. Seria uma boa idade para fazer o mesmo?
É uma idade como qualquer outra. Não me sinto com falta de idade para ser Primeiro-ministro.
Quer dizer que 2013 fica muito longe da meta que estabeleceu para si?
Não estabeleci uma meta para nenhum lugar. A única meta que estabeleci foi para deixar de fumar. E deixei, aos 35 anos. Achei que depois desse limite seria mais difícil arranjar força de vontade. Deixei de fumar e deixei o parlamento. Na mesma data.
Ao contrário do que acontece nos outros partidos, no PSD não ter passado é uma vantagem?
Ter passado é uma vantagem; não é uma desvantagem. Não ter passado governativo quando a maior parte das pessoas exibe um desgaste maior desse mesmo passado governativo é que pode ser uma vantagem.
Já disse várias vezes que não tem nada a ver com o passado do PSD. Porquê, tem vergonha?
Não, não, nunca fiz tal afirmação. De resto, sou militante do PSD há muitos anos. A primeira vez que tive contacto com órgãos nacionais do PSD foi em 1980. F conselheiro nacional. Portanto, nunca poderia ter feito uma afirmação dessas. Sou militante de longa data, nesta altura até com mais tempo de filiação do que a doutora Manuela Ferreira Leite. Assisti a um período muito rico do PSD e do país, que foi todo o período que mediou entre a morte do Dr. Francisco Sá Carneiro e a chegada ao poder do engenheiro Guterres. Os primeiros quatro anos de Guterres ainda os acompanhei na bancada do PSD, no Parlamento. E na oposição, pela primeira vez em muitos anos. Significa que estou muito próximo do que foi a história do PSD dos últimos 25, 28 anos. O que nunca exerci foi lugares de governo. Mas isso não significa que não tenha orgulho naquilo que é o PSD.
No Conselho Nacional [CN] do PSD [terça, 16] afirmou que quando o partido estiver suficientemente mal reabrirá a discussão interna. Se não é agora, é quando?
O PSD precisa de transmitir uma imagem de confiança e de esperança ao país que não tem sabido transmitir. Precisa também de oferecer às pessoas um modelo de construção política distinta da do PS, que possibilite às pessoas ver bem as diferenças e perceber o que significa ter um governo do PS ou do PSD. Essa diferença, hoje, ainda não é nítida. Portanto, o PSD precisa de melhorar a sua comunicação. E o seu conteúdo. Mas também precisa de estabilidade interna. Tenho recusado as visões de defesa de congressos antecipados ou de outras iniciativas, que no fundo podem reabrir condições não de discussão política interna, mas de crise política interna. E o PSD não precisa de mais crise.
Neste momento, o PSD presta um bom serviço à democracia?
[Silêncio] Pode prestar um serviço melhor ainda. O PSD é um partido com muita história. Muito do que se passou no país, para o bem e para o mal, está ligado à história do PSD. O balanço é positivo no sentido em que os períodos em que o país teve um desenvolvimento mais acentuado e um sentido de modernização e progresso mais fortes foi em momentos em que o PSD liderou o governo. E espero que volte a ser um balanço muito positivo quando o PSD regressar ao governo para completar um programa de reformas no país, que estão prometidas há mais de 10 anos e não estão feitas.
Prefere um PS a governar mais à Direita, deixando, como se vê, menos margem de manobra para a Oposição, ou preferia um PS a governar à Esquerda, permitindo à Direita discordar mais?
O PS não tem governado nem à Esquerda nem à Direita. De resto, não tem sido carne nem peixe. E essa é a razão pela qual o programa de reformas no país foi prometido, mas não foi realizado. E essa é a razão pela qual estamos a assistir à recomposição e à redefinição do espaço político à Esquerda do Partido Socialista, à custa da insatisfação que o PS tem gerado. O que eu gostaria é que o PSD não fosse um destinatário passivo do que se está a fazer à Esquerda, mas que fizesse o contraponto a esse regresso de uma certa Esquerda mais radical que está a aparecer no país. E isso exige não ter receio de fazer uma proposta política mais ousada que nos distinga do PS. Espero que o PSD não venha a ocupar um espaço político no país em resultado do posicionamento que o PS pode vir a ter de ocupar em função deste regresso da Esquerda mais radical, mas que ocupe um espaço por direito próprio, com ideias próprias sobre aquilo que quer para o país.
Preocupa-o que a nova Esquerda - a ser cozinhada - possa beliscar mais a putativa maioria absoluta do PS que o próprio PSD?
As circunstâncias de hoje apontam para que a probabilidade da perda de Maioria Absoluta do PS se faça mais à Esquerda do que à Direita. Se o PSD se mantiver no lugar que tem ocupado e o PS vier a perder a maioria absoluta, vai perdê-la para a sua Esquerda e não para a sua Direita. Isso não é um bom sinal. Coloca o PS mais na posição de ser o campeão do reformismo moderado no país. Ora, esse é o papel histórico que o PSD vem desempenhando na sociedade portuguesa e para o qual tem uma constituição genética mais adequada de que o PS. O PS, de facto, foi mantendo muitos compromissos com uma Esquerda bolorenta que o impediu de fazer uma reforma séria no país. E o PSD não tem razões para ter esse complexo. Eu gostava que o PS não só perdesse a maioria absoluta como perdesse as eleições para uma proposta de mudança do PSD.
Conhece algum político com mais vidas do que Pedro Santana Lopes?
[Sorriso] O doutor Pedro Santana Lopes tem reaparecido em vários momentos da vida do PSD e do país, mostrando de facto um grande fôlego. Não sei se há na curta história da nossa democracia um político que tenha reentrado no palco tantas vezes como ele. Mas não vejo que isso seja um defeito.
O CN serviu para confirmar a candidatura dele a Lisboa. Também acha que foi um anúncio envergonhado?
Espero que não. A decisão do CN foi o culminar de um processo que talvez até se tenha arrastado tempo demais. O PSD finalmente clarificou a posição da sua candidatura a Lisboa. Eu disse logo no início desse processo que achava que o doutor Pedro Santana Lopes é um candidato forte, não apenas por que já foi presidente do PSD e Primeiro-ministro, mas também porque foi presidente da Câmara de Lisboa e deixou uma boa imagem lá enquanto autarca. Porventura até melhor do que a que deixou como Primeiro-ministro. Isso faz dele um bom candidato. Se alguém tinha vergonha da candidatura, não a devia ter caucionado. Espero que o PSD não esteja a fazer uma candidatura de meio gás, mas de corpo inteiro.
"Candidato forte" que também pode ser derrotado pela nova Esquerda, no caso, por Helena Roseta...
Ainda não é claro qual vai ser o comportamento dos partidos à Esquerda na corrida para Lisboa. E ainda não é claro o que grupos independentes como o de Helena Roseta vão fazer. Mas só alguém muito desatento poderia menosprezar a importância que esses movimentos tiveram em Lisboa e a importância que poderão vir a ter para a governabilidade da Câmara no dia a seguir. Mas concordo com a sugestão da sua pergunta: é uma equação que tem que ser mais abrangente do lado do PS do que do PSD.
Usou uma gravata laranja no CN. Vai dizer-me que foi por acaso?
[Risos] Vou. Mas por acaso não era laranja; era cor de tijolo.
Saber esperar é um dom ou coisa que se aprende?
As duas coisas. Aprende-se a não ser precipitado, a não ser angustiado com os resultados. A angústia é má
conselheira, turva-nos a vista. Isso, às vezes, faz alguns políticos sejam arrogantes e intransigentes, o que não ajuda verdadeiramente a alcançar os objectivos que se pretendem. Mas também é uma coisa que nasce com as pessoas. Ser tolerante, humilde, na abordagem dos problemas resulta tanto da aprendizagem como da natureza, do carácter das pessoas.
Sem pressa, tem assistido à queda de vários líderes do PSD, ícones de quase todas as facções. Espera que todos caiam para aparecer como o homem do futuro que vem salvar o partido?
Não é essa a imagem que tenho de mim. Nem o meu passado sugere esse jogo de paciência chinesa, desesperado para que todos saiam da frente, para que eu seja qualquer coisa. A minha intervenção política é caracterizada, em primeiro lugar, por uma grande liberdade e um grande desapego aos lugares. Desempenhei funções na JSD e depois no grupo parlamentar do PSD, até na sua Comissão Política Nacional, enquanto achei que tinha condições para o fazer, enquanto achei que estava a construir alguma coisa. Quando achei que o projecto se tinha alterado, ou que eu estava equivocado, saí pelo meu pé. Dizendo aquilo que pensava. Portanto, não tenho de mim próprio - e espero que ninguém tenha - essa visão de político calculista que definiu o lugar que quer atingir e que pacientemente o vai construindo.
Dizem que é novo de mais para quase tudo. É por isso que usa essa pose hirta, quase de Estado, de homem mais velho?
Não tenho nada uma pose de Estado. Cada um é como é, e eu não forço a minha maneira de ser por estar hoje na posição de ter disputado a liderança do PSD. Ninguém pode dizer que passei a adoptar um postura diferente daquela que tinha antes. O mais importante é não estar muito preso a um objectivo de lugar, mas não perder de vista a ideia que defendemos para as coisas. Tenho procurado defender sobretudo ideias, trazer um projecto que possa acrescentar alguma coisa ao PSD e ao país. E enquanto acreditar que posso fazer a diferença, a idade não é a questão mais relevante. Há pessoas que têm uma idade avançada e que representaram avanços enormes no xadrez político em que se movimentaram (não menciono nomes para não parecer ridícula qualquer comparação que eu pudesse fazer), mas também há pessoas extremamente jovens que jogaram em lugares muito importantes. Não é uma questão de idade, é uma questão de perspectiva e de momento da história. Tirando isso - já o mencionei mais do que uma vez - há cerca de 21 anos fui candidato da JSD, já sendo pai, e disseram que eu era velho demais para ser novo; 21 anos depois há quem ache que sou novo demais para ser velho. Não é importante.
Tenta demarcar-se desse passado na JSD ou essa aura de juventude dá-lhe jeito?
Não quero parecer mais velho para que isso me possa favorecer, nem mais velho do que sou. Normalmente, nem sequer me lembro da idade que tenho, o que não é mau sinal. Nem procuro afastar o passado que tive de líder de juventude do PSD. Pelo contrário, foi um período muito intenso, com o qual aprendi muito, ao qual me entreguei, e que valoriza muito a perspectiva que hoje tenho da vida e do mundo.
Quando sugerem que é o Sócrates do PSD soa-lhe a elogio?
Parece-me muito despropositado, não me soa particularmente a elogio. O engenheiro Sócrates é um homem que fez um percurso dentro do PS - e dentro do PS também pelo governo - sucedeu a um momento mais difícil do PS, que coincidiu com a saída do doutor Ferro Rodrigues. Por uma questão etária representou uma geração diferente da do PS, que era não a dos ex-combatentes do fascismo e dos fundadores do PS, mas de alguém que nasceu politicamente depois do 25 de Abril. Nesse sentido, fazemos parte da mesma geração política. Mas isso não significa que representemos a mesma coisa. Não sinto definitivamente como elogio que eu possa representar para o PSD o mesmo que José Sócrates representa para o PS.
Como é que um licenciado em Economia, candidato a candidato a Primeiro-ministro, explica aos portugueses a ajuda do governo aos bancos?
O governo está a ajudar a economia; não está a ajudar os bancos. Os bancos são instituições que fazem parte do sistema financeiro. Nas sociedades em que nos vivemos, bancos e sistema financeiro são assim uma espécie de rede capilar de todo o sistema económico. Se porventura estivéssemos a viver na iminência de um colapso do sistema financeiro dos bancos, teríamos uma crise económica e social sem qualquer precedente de há muitas décadas a esta parte. Portanto, o governo dá, e bem, - de resto, de uma forma concertada com a maior parte dos governos europeus - uma resposta de emergência a uma situação de emergência, que era a de podermos estar perante o colapso do sistema financeiro. A intervenção garantida a nível europeu evitou essa ameaça.
Neste aspecto está, portanto, com Sócrates?
Com certeza, isso é indispensável. Um governo que, em Portugal, não tivesse, de forma articulada com o sistema europeu, contribuído para evitar o colapso do sistema financeiro, seria absolutamente irresponsável.
Disse recentemente que o país não pode ficar eternamente à espera do PSD. Há quantos anos é que o país - pelo menos, o que se revê no PSD - está à espera dele?
Desde 1995 que o PSD perdeu um bocadinho o seu norte. Já lá vão 13 anos. Há mais de uma década que o PSD tem passado momentos de crise cíclica. Está tudo muito relacionado com o fim do período longo de estabilidade que o professor Cavaco Silva representou, quer para o país quer para o PSD. Fechou-se na altura um ciclo de transformação na sociedade portuguesa que deixou o PSD aparentemente sem projecto. Já passámos pelo governo episodicamente durante quase três anos nestes 13. Mas isso é um espelho claro da desorientação em que o PSD caiu. Tanto que, quer o seu eleitorado quer o país, há muito tempo que precisavam de um PSD mais esclarecido, mais reencontrado consigo próprio. Por isso, eu disse no ano passado, quando o doutor Luís Filipe Menezes foi eleito, e em Maio último, quando a doutora Manuela Ferreira Leite também foi eleita, que o problema do PSD não é apenas de liderança - também é, mas não é só -; é um problema de projecto. É um problema que tem a ver com a forma como o PSD se relaciona com a sociedade. Temos que reconstruir muita coisa no PSD e isso não tem só a ver com o seu líder, depende de toda uma geração de gente no PSD.
Não acha que a sua actual relação com Manuela Ferreira Leite é um decalque do que aconteceu há 13 anos, era ela ministra da Educação e vivia-se a polémica das propinas. Nessa altura de conflito, conseguiu estar com ela e contra ela ao mesmo tempo...
Não me parece que seja realidade. Em primeiro lugar, porque não houve conflito nenhum. Ela era ministra da Educação e eu ajudei-a a ultrapassar um problema que resultava do facto de haver uma má lei, que nem sequer se podia cumprir, e que foi revista com a vinda dela para ministra da educação. Ultrapassou-se esse problema, ficaram outros em aberto. Problemas de qualidade da educação, quer ao nível do ensino superior quer nos outros. Têm sido problemas dramaticamente insistentes ao longo desta década e meia. Mas não houve nenhum outro conflito em particular, como de resto não há hoje. Anunciei a minha candidatura ao PSD este ano muito antes da doutora Manuela Ferreira Leite, ela disputou essa eleição comigo e com o doutor Pedro Santana Lopes. Ela ganhou, eu perdi. Ela é presidente do PSD, eu sou um militante responsável e activo dentro do PSD.
Permita-me recuperar o episódio da semana passada no Parlamento: Se estivesse na pele de Paulo Rangel, o que teria dito para justificar a falta dos 30 deputados?
Não estou na pele dele. Como tal, não posso responder.
Mas gostava de ver regressar as regras de Duarte Lima, que impunha uma multa aos faltosos?
Os deputados, como todas as pessoas, têm que ter responsabilidade. Não têm de ser policiados, mas têm que assumir a sua responsabilidade. E uma das responsabilidades dos deputados é estarem presentes nas votações; não é estarem sentados no hemiciclo quando há debates. Os deputados têm trabalho parlamentar para realizar, seja nas comissões, seja no contacto com os eleitores. R esse trabalho tanto pode ser desenvolvido dentro como fora do hemiciclo. Agora, têm que ter responsabilidade e estar presentes nas votações. E a direcção do grupo parlamentar tem obrigação de garantir condições para que os deputados estejam de facto presentes nas votações. Porque eles até podem estar em trabalho político, ausentes do Parlamento, e não poderem estar nas votações em momentos especiais, mas isso tem que ser acompanhado pela direcção. Portanto, não quero fazer nenhum julgamento sobre a forma como a direcção parlamentar tem conduzido o problema e não quero fazer nenhum julgamento sobre o que permitiu que 30 deputados tivessem faltado aquela votação. Mas, sem demagogia, deve dizer-se que a obrigação é estarem presentes nas votações e isso exige uma assunção de responsabilidade que tem que ter consequências.
Já em Maio aconteceu o mesmo. Na discussão sobre seis diplomas sobre a protecção da família, propostos pelo próprio PSD, apenas 20 dos 75 deputados estiveram presentes. Não lhe peço um julgamento, mas pergunto-lhe que imagem passa este PSD para o país?
Preferia que fosse uma imagem diferente.
Manuela Ferreira Leite disse esta semana estar disponível para dispensar quem quiser ser dispensado do PSD. Há gente que não faz falta no partido?
Não faz falta e deve ficar para trás quem não tenha ética na política, quem não seja competente, quem não tenha da política uma visão de entrega e de projecto. Tudo o mais faz falta ao PSD e à política. Não interpretei essa menção da doutora Manuela Ferreira Leite como uma menção de exclusão dentro do PSD – se era isso é errado e não bem vinda – eu interpretei-a no sentido literal em que não se pode exigir do presidente de um partido a resposta por tudo o que é feito. Os militantes têm, eles próprios, responsabilidade, iniciativa, não podem ficar à sombra apenas daquilo que faz a direcção. E nessa medida precisam eles também de pedalar, de dizer o que pensam, de apresentar os seus projectos, e de ajudar à afirmação do PSD. Nesse sentido todos fazem falta.
Pedro Passos Coelho é o melhor trunfo que o PSD tem cartola ou na sua cartola estão coisas diferentes?
Saber se o PSD olha para mim como quem olha para um activo importante com quem pode jogar é uma avaliação que só o PSD poderá fazer, não me cabe a mim. Eu posso responder se estou disponível ou não para ajudar o PSD a fazer uma mudança no país. E estou. Se não estivesse, não me teria candidatado a presidente do partido.
2008 foi um ano de derrotas com sabor a vitória ou o contrário?
As duas coisas. Do ponto de vista político, foi um ano em que a minha candidatura ao PSD foi derrotada, mas o facto de ter tido uma derrota não significa que me tivesse sentido derrotado politicamente. Uma eleição não é uma vida, não fiquei complexado com o resultado dessa disputa. Foi um ano de pequenos fracassos que aconteceram na vida profissional, mas também foi um ano de muitos sucessos profissionais e de muitos pequenos sucessos políticos. Portanto, é um um ano, do ponto de vista pessoal, profissional e político, do qual faço um balanço positivo. Foi um ano de total empenhamento pessoal, mesmo do ponto de vista físico. Um ano esgotante, mas no final não tem um sabor de cansaço e desalento. Pelo contrário.
Politicamente, 2009 é um ano muito apetecível...
É um ano importante, sim...
Acredita que é possível ao PSD vencer as legislativas ou basta-lhe ganhar a maioria das autarquias?
O PSD precisa de começar o ciclo eleitoral moralizado e portanto precisa de uma vitória nas europeias. Depois, o PSD precisa de ganhar as legislativas e as autárquicas.
Ainda encara a vitória nas legislativas como uma possibilidade real?
Claro que é uma possibilidade. Como se costuma dizer, até ao lavar dos cestos é vindima. Tudo depende da disposição com que se encaram estes desafios. Se olharmos para as eleições e pensarmos que estamos derrotados e que não temos nada de novo para oferecer, para fazer a diferença, aí será até um sacrifício muito grande fazer o tempo todo que demora daqui até às eleições, à espera do resultado e da derrota pesada. Se acharmos que neste ano decisivo podemos fazer a diferença, quer na maneira como atacamos a crise, quer na maneira como preparamos o país para sair dela, e para se modernizar e mudar, então acho que não há nenhuma razão para não estarmos moralmente preparados para fazer um bom desempenho eleitoral.
Helena Teixeira da Silva