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<?xml-stylesheet type="text/xsl" href="http://www.jn.pt/utility/FeedStylesheets/rss.xsl" media="screen"?><rss version="2.0" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/" xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"><channel><title>Farpas</title><link>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/default.aspx</link><description /><dc:language /><generator>CommunityServer 2007.1 (Debug Build: 20917.1142)</generator><item><title>Guida Maria: "Estou farta da democracia"</title><link>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/07/26/guida-maria-quot-estou-farta-da-democracia-quot.aspx</link><pubDate>Sun, 26 Jul 2009 13:53:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">fb4e9426-7c22-44e5-bf7d-a1c82e742f8a:293423</guid><dc:creator>jnonlineadmin</dc:creator><slash:comments>67</slash:comments><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.jn.pt/blogs/jnverao/rsscomments.aspx?PostID=293423</wfw:commentRss><comments>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/07/26/guida-maria-quot-estou-farta-da-democracia-quot.aspx#comments</comments><description>&lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Guida Maria é uma montanha russa de emoções: apaixonada, frontal, destemida, viciante. Uma&amp;nbsp;lição de vida, da vida que acaba de contar em livro. Sem pudor. Pisou o palco pela primeira vez aos sete anos. Aos 59, continua a ser das melhores actrizes do país.&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Há quantos anos não vê um um político na plateia de teatro?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nos meus espectáculos, com excepção do dr. Amaral Paes, nunca vi nenhum. Eles têm que ir ao futebol, não podem ir a todas, não é?&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Num ano particular, com duas eleições, as suas expectativas centram-se nas legislativas ou nas autárquicas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;[Risos] Não me faça rir! Expectativas?! Mas os políticos são sempre os mesmos! Só as moscas é que mudam  mas só mudam de uns para os outros!&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Não vai votar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu?! Nem sei há quantos anos já deixei de votar! Sou uma mulher empreendedora, que se entusiasma com as coisas, mas não é possível entusiasmar-me durante 30 anos seguidos e não ver nada! Não acredito em nenhum político! Já nem os ouço e quando ouço começo a rir. É tudo uma vigarice!&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;A cultura não dá votos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não dá é dinheiro! E dá muitas chatices, muita dores de cabeça. E, claro, também não dá votos. Porque não se pode roubar muito na cultura. Roubar o quê?&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Atingiu a maioridade em plena ditadura. A democracia com que terá sonhado é aquela que tem hoje?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Para ser totalmente honesta, estou farta da democracia! Farta que comandem a minha vida! Pensava que íamos ser todos mais felizes, viver melhor. A verdade é que vivia melhor na altura do outro senhor, esse chamado Salazar. Chamem-me lá o que quiserem, não me importo.&#x10;Ganhava rios de dinheiro, com 18 anos ganhava 14 contos  em 1968 era uma fortuna.Tinha mais trabalho, os meus filhos levavam açoites quando precisavam e não ficavam traumatizados, fumava em todo o lado... &lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A liberdade que Portugal ganhou em Abril&amp;nbsp; de 1974 sufoca-a?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mas qual liberdade?! Só sou livre dentro de minha casa, e só se não estiver a incomodar os vizinhos. &lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Na biografia que lançou recentemente  Guida Maria: Uma vida  diz que é do tempo do beija-mão. Com tanta benção, sempre achei que a minha vida seria um mar de rosas. O país também mudou por aí?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim, sim, completamente! Portugal está um país de gente mal educada, sem berço, selvagem. As pessoas hoje não dizem bom dia, quanto mais ir ao beija-mão. Talvez seja isto progresso, não sei.&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Nesse livro, fala sem pudor das suas quedas amorosas: eram casados ou bichas e ou andavam na droga. Depois da experiência de Maria Filomena Mónica, criticada pelas revelações do foro íntimo, não pensou duas vezes antes de fazer as suas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Então, se comecei a ser criticada aos 15 anos e não me importei, acha que é agora, aos 59, que me vou preocupar? Que falem, é sinal de que estou viva. Só disse o que queria dizer. &lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Quando descobriu que essa frontalidade lhe dava genuíno prazer?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ah, sempre fui assim. Quando não devemos nada a ninguém nem temos telhados de vidro, somos assim. Estou tesa que nem um barrote, mas sou respeitada. Vou ao banco e tenho crédito, também pessoal. Quem trabalha comigo recebe sempre, nem que tenha que vender o carro. Se eu fosse de outra maneira talvez tivesse mais dinheiro, mas não seria tão feliz.&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Termina hoje a temporada de Monólogos da vagina. Há nove anos, quando disse o texto pela primeira vez, pareceu-lhe excessivo para Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nunca achei que estava a dar pérolas a porcos. Diziam-me que era maluca e que acabaria insultada. Não aconteceu nada disso. As pessoas não são todas burras nem todas idiotas. Ganhei essa batalha.&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Se amanhã fosse o seu último dia, o que gostava de não deixar por dizer?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;[Silêncio] Imensas coisas, e outras tantas que gostaria de não ter dito: não resolveram nada e só me cheteei. Mas para dizer era preciso que ouvissem e já ninguém ouve ninguém. As pessoas estão no teatro de telemóvel aberto no colo. Não estão interessadas em ouvir porra nenhuma, nem sequer quando pagam!&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;Helena Teixeira da Silva&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://www.jn.pt/aggbug.aspx?PostID=293423" width="1" height="1"&gt;</description></item><item><title>Miguel Guedes: "Não estenderia uma ficha do FCP a Rui Rio"</title><link>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/07/19/miguel-guedes-quot-n-227-o-estenderia-uma-ficha-do-fcp-a-rui-rio-quot.aspx</link><pubDate>Sun, 19 Jul 2009 17:35:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">fb4e9426-7c22-44e5-bf7d-a1c82e742f8a:285783</guid><dc:creator>jnonlineadmin</dc:creator><slash:comments>2</slash:comments><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.jn.pt/blogs/jnverao/rsscomments.aspx?PostID=285783</wfw:commentRss><comments>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/07/19/miguel-guedes-quot-n-227-o-estenderia-uma-ficha-do-fcp-a-rui-rio-quot.aspx#comments</comments><description>&lt;p align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Não usa heterónimos, mas tem várias vidas. E asas. Miguel Guedes, 37 anos, é a voz nos Blind Zero há 15; a voz do Bloco de Esquerda em Gaia, até Outubro; a voz do FCP, sempre; e a voz dos direitos dos artistas intérpretes. Nesta entrevista, a voz oscila entre o sentido de humor e a militância pela arte e pela liberdade.&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Está mesmo na moda convidar músicos para serem mandatários de campanhas políticas. É o mandatário do Bloco de Esquerda em Gaia. Porquê?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não visto qualquer trapinho. Quando me convidaram, tive que perceber de que cor pintavam a roupa. Pintam de vermelho, cor de que até gosto bastante - exceptuando a cor clubística. Pareceu-me que a roupinha que me assentaria bem. Também é preciso saber quem cria a roupa. Mas tendo em conta as pessoas que estavam envolvidas, pessoas que gostava de convidar para minha casa, senti-me muito à vontade. &lt;/p&gt;&lt;/font&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Artista que é artista é bloquista?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não, não. Eu, antes de ser artista, não era bloquista, mas cheguei a estar no PSR. A actividade política sempre esteve comigo, até porque não podemos fugir dela. Em qualquer acção ou decisão ou opinião que tomamos, estamos sempre a ser animais políticos. Os artistas devem ter consciência social. E não querendo fazer da consciência social um património exclusivo da esquerda, parece-me que quando falamos de liberdades, de garantias e de arte, estamos muito mais de braço dado com a esquerda do que com a direita.&lt;/p&gt;&lt;/font&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Aceitaria ser mandatário de algum candidato para as legislativas?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Se pudesse vestir a cor do fato da pessoa, com certeza. Mas eu tenho alguma dificuldade em lidar com a questão do mandatário, porque me parece uma figuração sempre algo alegórica à procissão. Mas também é uma forma de dar visibilidade à candidatura. &lt;/p&gt;&lt;/font&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Está a dizer que é mais conhecido do que o BE em Gaia?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não! Eu disse isso?! Não disse isso. Mas convidam os mandatários por serem pessoas conhecidas nas suas áreas de trabalho. Eu posso dar algum contributo pela visibilidade que tenho. Evidentemente, as pessoas não vão votar no mandatário e muito menos em mim.As pessoas votam no que acreditam. E eu acredito que o BE vai ter uma belíssima votação em Gaia, porque estamos fartos das mesmas políticas e das mesmas pessoas.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Alberto João Jardim defendeu esta semana uma revisão constitucional para proibir o comunismo. Se isto tivesse sugerido por um político do Continente, teria acontecido o quê, sabe? &lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;Não sei, mas aconteceria certamente alguma coisa. Já percebemos há muito tempo que, seja o que for que saia da boca de Alberto João Jardim, não terá consequências práticas na forma como encaramos a política e na forma como a devíamos encarar, ou seja, enquanto acto saudável de democracia. É evidente que ele sabe do que fala, porque comunicou muito com a ditadura antes 1974. Certamente, saberá muito bem o que são proibições. Estou convencido de que ele seria um óptimo censor - e, à sua maneira, já é.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;No Porto, Pinto da Costa, presidente do seu FCP, acaba de declarar apoio a Elisa Ferreira. Seguí-lo-ia, se votasse do lado de cá do rio?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não, não poderia, embora tenha simpatia e estima pessoal por Elisa Ferreira. O meu voto iria para o João Teixeira Lopes, claramente. Mas isso tem a ver com o facto de eu acreditar na pessoa. O senhor Pinto da Costa é o presidente do meu clube, já me deu muitíssimas alegrias, tenho imenso respeito por ele, e considero que politicamente nem estou assim tão longe de algumas coisas que ele defende, porque ele é um democrata. Mas nunca poderia apoiar Elisa Ferreira, porque não compreendo como é possível candidatar-se simultaneamente a Bruxelas e ao Porto. Não gostaria de dizer que é uma falta de respeito pelos portuenses, porque acho que não é disso que se trata. Acho que estamos apenas a falar de uma enorme convicção que ela tem de que não vai ser eleita presidente da Câmara do Porto. Parte para esta prova de aferição já com uma enorme fraqueza, que é a falta de convicção na sua própria candidatura.&lt;/p&gt;&lt;/font&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Lamenta ou sabe-lhe bem que Rui Rio não seja adepto do FCP?&lt;/strong&gt; &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;[Risos] Sabe-me bem, sim. Encaro o Porto Clube como uma extensão do Porto cidade - cidade que sempre vi como sendo aberta, nada monolítica, de liberdade, de gente com o coração na boca, mas exigente, gente que cria e quer criar. Durante os consulados de&amp;nbsp;Rui Rio&amp;nbsp;temos assistido a uma cidade mais cinzenta e mais monolítica. Portanto, não estenderia a Rui Rio uma ficha de associado do FCP. Tenho pena que confunda o facto de não ser portista&amp;nbsp;com a sua enorme animosidade contra o futebol enquanto espectáculo. E tenho pena que não perceba que é inevitável que a cidade esteja umbilicalmente ligada ao Porto Clube. Isso não significa nenhum beneplácito&amp;nbsp;ou regalia especial, mas respeito. E nos últimos anos, ele não o tem feito. Logo, não tem respeitado a cidade.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Sendo advogado, defenderia Pinto da Costa no caso Apito Dourado?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não estou a exercer [Risos]. Ele tem pessoas muito mais competentes para o defender. Até ao momento, não há qualquer prova das coisas pelas quais está acusado. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;font size="2"&gt;Portanto, não seria por falta de convicção na sua presunção de inocência...&lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font size="2"&gt;[Risos] Com certeza que não. A presunção de inocência é um dos princípios elementares do Estado de Direito.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;font size="2"&gt;O FCP é um partido ou uma religião?&lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;Claramente, não é uma religião, porque sou um agnóstico progressista, estou em vias de me tornar ateu, não professo qualquer religião. Tenho muita fé, mas é nas pessoas - não mais do que isso. O Porto&amp;nbsp;é uma amor, uma paixão.&amp;nbsp;É um dos meus casos de família, uma herança que me&amp;nbsp;foi transmitida pelo meu avô, pelo meu pai e que eu abracei com imensa emoção desde que me conheço. E&amp;nbsp;é um enorme espaço de prazer. E&amp;nbsp;também de alguma irracionalidade, acho que é preciso&amp;nbsp;alguma irracionalidade&amp;nbsp;na vida.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;font size="2"&gt;Há concertos dos Blind Zero em dias de jogo do FCP?&lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;Há. Houve um concerto, no Centro Cultural de Belém,&amp;nbsp;em Lisboa, estava o&amp;nbsp;Porto a jogar com o Sporting em Alvalade. Quando&amp;nbsp;há jogo,&amp;nbsp;temos sempre alguém dos bastidores que nos vai dando sempre informação up to date do que está a acontecer. E o Porto marcou um golo, que lhe deu o campeonato. Ganhou quando estávamos a cantar o Shine on. Foi um momento de grande euforia. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Um portista interroga-se sobre o destino que o FCP dá ao dinheiro auferido com as transferências de jogadores?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Interroga, claro. E procura respostas nos relatórios de contas. Até agora, não me tenho sentido mal esclarecido. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Dá-lhe particular prazer quando o FCP rouba jogadores ao Benfica?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;[Risos] Tem alguma piada. Mas eles não são roubados, porque o Benfica não os adquiriu.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;O Falcão foi roubado?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Ninguém rouba uma ave de rapina. Elas são selvagens e livres e assinam por quem bem entenderem. O problema é que normalmente o Benfica anuncia os seus jogadores antes de os contratar e depois isso presta-se a algumas teorias da conspiração. Evidentemente, o FCP só contrata jogadores livres. mas não posso deixar de reconhecer na situação alguma dose de comédia, que já me fez soltar algumas gargalhadas.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;É com esta reformulação de plantel que o FCP vai chegar ao Penta?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;O FCP vai chegar ao Penta independentemente da reformulação do&amp;nbsp;plantel. Tem uma estrutura sólida, uma base programática escrita e sobretudo tem muita competência e gente que trabalha a sério. Gente que trabalha mais e fala menos.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Sente maior responsabilidade a cantar ou a bitaitar sobre futebol?&lt;/strong&gt; &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;A cantar. Quando falamos de futebol, falamos de afeição, e de alguma irracionalidade que podemos incorporar no nosso discurso. O que eu faço enquanto artista é muito mais a representação de mim p´róprio num palco. Apesar de haver uma certa teatralização da existência - que há sempre -, há também a consciência daquilo que porventura é o espelho mais fiel dos vários personagens que me habitam a mim e às pessoas que fazem música comigo.&amp;nbsp;Portanto, acho que a&amp;nbsp;arte é mais responsável e menos irracional do que o futebol.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Quinze anos depois do início dos Blind Zero, ainda o acusam de imitar a voz de Eddie Vedder, dos Pearl Jam?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Já não, o que é bom. O relógio marca a hora - acho que era o Tony de Matos que dizia isto - e cada coisa tem o seu tempo. Nós surgimos integrados num espectro em que a comparação era a grande motivação da vida das pessoas, nomeadamente da crítica musical, que nos amava ou nos odiava. Evidentemente, houve coisas que doeram um bocadinho na altura, coisas de que hoje já ninguém fala. Há bandas a copiar bandas, artistas a copiar artistas, apropriações a torto e a direito e não me parece que isso seja visto como um crime de lesa-Pátria. Na altura, foi, mas isso fez-nos ser mais resistentes. E o que não mata cura, não é?&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Ainda tem paciência para os arrufos da pianista Maria João Pires?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="Arial, sans-serif"&gt;&lt;font size="3"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Normalmente, tenho paciência para arrufos. Gosto de conter situações de ebulição e depois ver saltar a tampa da panela. No caso dela, desconheço que tipo de fogo ateou a panela, mas tendo em consideração outros casos, ela é bem capaz de ter alguma razão.&lt;/font&gt; &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Helena Teixeira da Silva&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://www.jn.pt/aggbug.aspx?PostID=285783" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/tags/MIGUEL+GUEDES+_2F00_/default.aspx">MIGUEL GUEDES /</category></item><item><title>Francisco Assis: "Manuel Alegre tem um estatuto especial"</title><link>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/07/12/francisco-assis-quot-manuel-alegre-tem-um-estatuto-especial-quot.aspx</link><pubDate>Sun, 12 Jul 2009 00:41:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">fb4e9426-7c22-44e5-bf7d-a1c82e742f8a:287898</guid><dc:creator>jnonlineadmin</dc:creator><slash:comments>0</slash:comments><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.jn.pt/blogs/jnverao/rsscomments.aspx?PostID=287898</wfw:commentRss><comments>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/07/12/francisco-assis-quot-manuel-alegre-tem-um-estatuto-especial-quot.aspx#comments</comments><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Foi o mais jovem autarca do país, em Amarante de 1989. Em 2005, o eurodeputado, 44 anos, disputou o Porto com Rui Rio  e perdeu. Ficaremos sempre sem saber que cidade teria construído.&lt;/strong&gt; &lt;/font&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;O que mais o chocou: o gesto de Manuel Pinho, ex-ministro da economia, ou a morte de Michael Jackson?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A morte é sempre mais chocante, porque é definitiva. O gesto, mesmo quando é obsceno, é sempre uma manifestação de vida. &lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O deputado comunista Bernardino Soares passará a ser visto como o Demerol, a droga que terá ditado o fim da carreira de Michael Jackson?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;[Risos] Não, acho que não. Isso foi apenas um momento que suscitou uma reacção inusitada por parte de um membro do Governo.&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As sondagens são demolidoras para Elisa Ferreira, candidata à Câmara do Porto pelo PS. A cidade não está preparada para ter uma mulher autarca?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O desafio dela é precisamente o de superar as sondagens. No dia das eleições, o Porto mostrará que está preparado para a eleger.&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A sua experiência diz-lhe que o melhor que lhe poderia acontecer seria&amp;nbsp; o aparelho do PS-Porto deixá-la sozinha a fazer a campanha à sua maneira?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O criminoso não deve voltar ao local do crime [risos]. Não tenho o distanciamento necessário para avaliar objectivamente a situação. &lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas fará campanha com Elisa Ferreira nas rua do Porto, se ela lho pedir?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não tenho dúvidas de que ela mo irá pedir e eu responderei afirmativamente. E com&amp;nbsp; todo o gosto.&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não teme que quem votou em si em 2005 lhe atire algumas coisas à cara?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A mim?! Não vejo nenhuma razão para isso. Desde a última eleição, as pessoas são de uma simpatia absoluta e exprimem-na. &lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O PS proibiu candidaturas duplas e nem todos gostaram. Os seus últimos quatro anos entre Porto e Bruxelas não serão a prova evidente de que essa sobreposição de cargos é muito difícil?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É difícil, mas não é impossível. Assumi esse compromisso antes da noite eleitoral e cumpri. O estilo da oposição que fizemos foi definido desde o início: séria, construtiva e positiva. Só lamento não ter encontrado um presidente da Câmara à altura dessa uma oposição.&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sobra algum elogio para Rui Rio?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É um homem frontal, que habitualmente diz o que faz. E mostra preocupações de rigor na gestão financeira, mas não coloca esse rigor ao serviço de um projecto de desenvolvimento para a cidade.&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ser político, para si, é uma profissão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, embora algumas pessoas - como eu, e assumo-o -, por terem sido eleitas e sucessivamente reeleitas para determinadas funções políticas, tenham a vida profissional afectada. Mas há duas questões fundamentais: saber se na política fazemos coisas bem ou mal feitas; e saber se, estando na política, estamos disponíveis para sair dela, independentemente do que iremos fazer. É por aí que se mede a liberdade de uma pessoa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Deixou o Parlamento Europeu (PE) sobre o qual disse não ser refúgio dourado ou cemitério de elefantes, onde se vai acabar a carreira política. Mas não é bem isso que a História mostra...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho expectativa de que a minha não acabe! Falaremos daqui a alguns anos para avaliarmos se essa tese é verdadeira ou falsa. O PE é cada vez mais uma instância de maior relevo na União Europeia e o tipo de experiência que ali se adquire será cada vez mais importante para a política nacional.&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Manuel Alegre escreveu ontem no Expresso que&amp;nbsp; o PS precisa de acordar. O PS parece ficar sempre assustado quando ele fala. O seu valor está inflacionado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É uma referência histórica, simbólica do PS. É natural que tenha um tratamento especial. Numa manifestação, em Maio de 68, o ministro do interior terá proposto ao General De Gaulle que mandasse prender o Sartre como um dos instigadores da rebelião popular. Ele disse: não, porque não se manda prender Voltaire. O PS tem um estatuto especial para quem tem um estatuto especial. &lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Manuel Alegre é o Sartre do PS?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, até porque não é filósofo. Mas&amp;nbsp; há figuras que, tocando nelas, é um pouco em nós próprios que tocamos, mesmo quando não temos consciência disso.&lt;/font&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Helena Teixeira da Silva&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://www.jn.pt/aggbug.aspx?PostID=287898" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/tags/FRANCISCO+ASSIS+_2F00_/default.aspx">FRANCISCO ASSIS /</category></item><item><title>José Lello, Secretário Geral do PS para as Relações Internacionais: "Gesto de Pinho teve o seu picante"</title><link>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/07/05/jos-233-lello-secret-225-rio-geral-do-ps-para-as-rela-231-245-es-internacionais-quot-gesto-de-pinho-teve-o-seu-picante-quot.aspx</link><pubDate>Sun, 05 Jul 2009 12:56:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">fb4e9426-7c22-44e5-bf7d-a1c82e742f8a:269602</guid><dc:creator>jnonlineadmin</dc:creator><slash:comments>4</slash:comments><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.jn.pt/blogs/jnverao/rsscomments.aspx?PostID=269602</wfw:commentRss><comments>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/07/05/jos-233-lello-secret-225-rio-geral-do-ps-para-as-rela-231-245-es-internacionais-quot-gesto-de-pinho-teve-o-seu-picante-quot.aspx#comments</comments><description>&lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;&lt;img height="350" alt="" hspace="0" src="http://fotos.sapo.pt/nveUoJIOZPWATUgFzkY6/" width="242" align="left" border="0" /&gt;Manuel Pinho caiu do Governo e ficará para a História devido a um gesto infeliz. Mas o socialista José Lello, 65 anos, não se deixa alarmar.&amp;nbsp; Qualquer português indignado responderia da mesma forma.&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Também já foi ministro.Lembra-se de alguma vez ter tido um gesto no parlamento do qual se tenha arrependido?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não.Não sou muito de gesticular; de usar o verbo sim, já sou. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Usando o verbo, disse uma vez que desconfiava da sanidade mental de João Soares. Não foi no parlamento, mas não descredibiliza a política?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O João é um grande amigo e, felizmente, estava com total sanidade. Mas os políticos têm que ser idênticos àqueles que os elegem. É preciso contenção, mas não vamos querer que sejam de plástico.&amp;nbsp; &lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A imagem de Manuel Pinho no Parlamento, no último debate da Nação, vale mesmo mais do que mil palavras?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Reagiu a quente às provocações do Partido Comunista e demonstrou que não tem a estaleca nem a capacidade de encaixe de outros políticos. Mas os portugueses não o culpabilizaram como algumas virgens feridas da política queriam. Ele até podia ter feito como Zé Povinho, que também ficou célebre por um gesto especial. Não o fez porque é mais sofisticado. Mas respondeu como todos os portugueses, para quem o gesto é tudo, responderiam quando ficam feridos na sua dignidade.&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que viu naqueles dois dedos indicadores esticados? Eram chifres?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Aquilo surgiu na sequência de&amp;nbsp; um diálogo muito vivo com Bernardino Soares sobre quem tinha influência sobre o povo de Aljustrel. Os comunistas estavam enciumados pelo facto de o dr. Manuel Pinho ter tido sucesso numa freguesia eminentemente comunista. Manuel Pinho quis dizer que os comunistas de Aljustrel tinham trocado o PC. Uma traição.&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O gesto custou-lhe a demissão.&amp;nbsp; Mas Joe Berardo veio logo oferecer-lhe emprego na administração da sua Fundação. Caso para dizer que haverá menos um desempregado em Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um homem com o curriculum de Manuel Pinho terá tudo menos dificuldade em encontrar alternativa ao trabalho que desenvolveu no Governo. Não obstante, achei interessante que Joe Berardo tivesse feito o que fez. É conhecido pela sua acutilância e teve graça. Mas com certeza Manuel Pinho não está aflito à espera do emprego do comendador. &lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Surpreendeu-o a velocidade a que o episódio Pinho voou lá para fora?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, na medida em que esse acontecimento teve o seu picante. E teve graça pela sua forma tão peculiar e tão inusitada. Uma imagem com graça é muito apetecível para jornais e televisões.&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para os estrangeiros, Manuel Pinho teve ali o seu momento-Berlusconi?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;[Risos] Não, não! Berlusconi é ordinário; não é de todo o caso do dr. Manuel Pinho. Os momentos Berlusconi são para ser projectados com bolinha vermelha por cima. O gesto do dr. Manuel Pinho teve graça e nada de ofensivo. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Disse recentemente que a &amp;quot;TVI teria sucesso na república das bananas, porque falha na objectividade e no respeito pelos valores mínimos da isenção&amp;quot;. Não será essa uma definição perfeita para o Parlamento português?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. E não me referi à TVI no seu todo, mas ao Jornal Nacional de sexta-feira, que é um programa humorístico travestido de programa informativo. No parlamento, salvo um ou outro arremesso  como aconteceu com o deputado do PSD Eduardo Martins, que não usou um gesto inofensivo mas um vernáculo para agredir o colega de outra bancada , 99% das circunstâncias são relações de elegância e fairplay assinaláveis. &lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fora da política, canta fado...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;[Risos]...Não só, também canto outras coisas. Sou capaz de cantar Frank Sinatra. Sobretudo nos casamentos, desafiam-me sempre. &lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É sempre a estrela convidada?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como não sou uma pessoa inibida, aceito o desafio e tenho tido o meu sucesso. Um dia,&amp;nbsp; desistindo da política, talvez possa enveredar pela vida artística [risos].&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antes disso, o seu maior fado é o Boavista Futebol Clube?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Pode ser. E, infelizmente, não é um fado só meu.&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Helena Teixeira da Silva&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://www.jn.pt/aggbug.aspx?PostID=269602" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/tags/JOS_26002300_201_3B00_+LELLO_2F00_/default.aspx">JOS&amp;#201; LELLO/</category></item><item><title>Emídio Rangel: "Comunicação Social faz oposição a José Sócrates"</title><link>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/06/28/em-237-dio-rangel-quot-media-s-227-o-oposi-231-227-o-a-jos-233-s-243-crates-quot.aspx</link><pubDate>Sat, 27 Jun 2009 23:02:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">fb4e9426-7c22-44e5-bf7d-a1c82e742f8a:262086</guid><dc:creator>jnonlineadmin</dc:creator><slash:comments>0</slash:comments><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.jn.pt/blogs/jnverao/rsscomments.aspx?PostID=262086</wfw:commentRss><comments>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/06/28/em-237-dio-rangel-quot-media-s-227-o-oposi-231-227-o-a-jos-233-s-243-crates-quot.aspx#comments</comments><description>&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" color="#000000" size="2"&gt;&lt;img height="350" alt="" hspace="0" src="http://fotos.sapo.pt/BbU75QDW6GDDs2GZnooo/" width="242" align="left" border="0" /&gt;Amado por muitos, odiado talvez por mais, que a liberdade tem preço  e é elevado. Emídio Rangel, 62 anos, diz ser uma espécie de homem maldito. Como os poetas: desobedece para vingar a moral. Desengane-se quem pensa que perdeu: &amp;quot;Nunca falhou e&amp;nbsp;é feliz. &lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/font&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Esta semana estourou mais uma polémica nas mãos de José Sócrates: ter-se tornado pública a intenção da Portugal Telecom (PT) adquirir 30% do grupo espanhol Prisa, que detém a TVI. O governo tentou nacionalizar aquela estação?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não, claro que não. Tanto quanto se sabe - e ainda não se sabe tudo -, foi há já muito tempo encarada a hipótese de a PT poder comprar uma participação de 30% à Prisa. A questão foi colocada pela Prisa às autoridades nacionais, tal como quando esse grupo espanhol veio para Portugal também colocou a questão da sua vinda aos governantes portugueses. Mas são os órgãos decisores da PT quem tem travado essa discussão com os responsáveis da TVI. Agora, estão a pretender misturar uma coisa com a outra, uma conversa tida em Janeiro com uma discussão tida este mês, como se porventura uma e outra fossem a mesma coisa. Isto é manipulação de informação, querem intoxicar a opinião pública.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/font&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Refere-se à manchete do Expresso desta semana, que diz que o Governo já conhecia o negócio PT/TVI desde o início do ano? &lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Exactamente. É manipulação de informação. De resto, isso é uma coisa em que o Expresso é useiro e vezeiro. O assunto foi falado em Janeiro por iniciativa da própria Prisa, mas de Janeiro até aqui já passou algum tempo. Agora, aconteceu uma discussão secreta, uma avaliação da situação por parte da PT e da Prisa, mas da qual não resultou qualquer conclusão, não foram tomadas decisões, não chegaram sequer a acordo sobre um valor, um preço. Mas quando se pretende ser manipulador e sensacionalista, e jogar a favor de outros objectivos, evidentemente que não custa nada fazer esta manchete.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Portanto, acredita que José Sócrates não estava mesmo a par da recta final do negócio?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Esta recta final não é final. O assunto foi abordado sem nenhuma consequência. Não se chegou a acordo, não houve uma plataforma, um esboço de negócio, nada. Agora, os assuntos podem ser discutidos, todos os negócios podem ser postos em cima da mesa e debatidos entre duas entidades para avaliar o seu interesse.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Mas muitos consideram que seria mais um assunto político do que um negócio. Para si, ele fazia sentido do ponto de vista estritamente económico?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;É indiscutível que para a PT tem toda a importância aquela participação minoritária. Não sei como pode haver tanta especulação, porque é óbvio que uma participação minoritária não dará nunca, em lugar nenhum do mundo, direito a que esse parceiro tenha capacidade de inverter a vontade da maioria. Do outro lado estão 70%; deste lado, eventualmente, estariam 30%. Portanto, a Prisa, que é um dos maiores grupos europeus a nível da comunicação, ia deixar-se enganar por quem tem 30%? E eram esses 30% a subsituiur o director geral, a alterar a linha editorial? Não faz sentido. De resto, o Henrique Granadeiro e o próprio Zeinal Bava vieram a público explicar isso.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Não acha que ambos traíram a confiança política do Governo?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Acho que não. No fundo, o Governo tem capacidade de decisão, mas é só em última instância. Se de cada vez que a PT tem que produzir uma negociação ou inicar uma discussão com quem quer que seja, em Portugal, nos EUA, ou em África, onde está bastante implantada, se de cada vez que tivesse de tomar uma decisão fosse a correr para o Governo perguntar o que ele acha, evidentemente que a PT seria uma empresa minguada, sem nenhuma capacidade de acção, ou de fazer o que quer que fosse. A PT tem os seus órgãos próprios, além da comissão executiva presidida por Zeinal Bava, e do conselho de administração presidido pelo Henrique Granadeiro. São eles que, em primeira instância, tomam as decisões da PT.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Mas o Estado tem sempre a golden share, que lhe confere poderes acrescidos...&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Mas é em última instância, em questões extraordinariamente marcadas por um vínculo estratégico. Aí, o Estado pode eventualmente usar a sua golden share para travar um negócio. Mas só na parte final, depois de tudo estar decidido. Ninguém vai imaginar que uma empresa como a PT, que está cotada em bolsa em Portugal e em Nova Iorque, que é a mais exigente praça mundial a esse nível, que uma empresa desse género funcione desse modo. Ninguém vai acreditar que a PT, que é uma empresa internacional, que exerce a sua actividade em muitos países, possa estar manietada ou ficar à espera dos recados do Governo para poder agir. É um absurdo completo! Querem atirar areia para os olhos das pessoas. É evidente que a PT faz os seus negócios, as suas acções, e só se porventura for uma questão eminentemente estratégica, que conflitue com interesses primoridiais do país, é que o Governo pode travar isso. Tirando isso, o Governo não tem participação em nenhuma estrutura activa da PT. É manipulação, manipulação, manipulação!&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Mas não é, aparentemente, isso que está em causa: um conflito de interesses? De resto, foi o Emídio Rangel quem escreveu que a inaptidão do PS para gerir a comunicação social é conhecida desde Abril de 1974....&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Sim, mas isto não tem nada que ver com Comunicação Social; isto é um negócio. A PT sabe qual é a importância deste negócio para a sua plataforma, está em concorrência directa com a proprietária da ZON TV Cabo, que é a maior plataforma que temos no país, e sabe que só se desenvolverá se tiver do seu lado uma estação de televisão e sobretudo uma estação com capacidade de produção de conteúdos, como é o caso da TVI. Não é o caso da SIC, que está num estado lastimável, feita em bocados, no chão, de rastos. Isto não tem nada que ver com a Comunicação Social. Quando critico - e mantenho todas as minhas críticas ao PS em relação à gestão da Comunicação Social -, tem que ver com aquilo que se passa com as entidades reguladoras, tem que ver com aquilo que, de certa forma, faz o ministro da tutela [Augusto Santos Silva], que é absolutamente inapto para decidir estas matérias, tem que ver com um conjunto planeado de leis e de normas, que são inaceitáveis. As minhas críticas mantêm-se todas de pé e nada disso tem que ver com este negócio de conteúdos da PT.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Mas depois de tudo o que José Sócrates disse sobre a TVI, repetidas vezes, não seria de facto, como tem sido dito, muita ingenuidade política não prever um terrível impacto na opinião pública?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não sei o que as pessoas pensam; sei que as pessoas são induzidas a pensar determinadas coisas. Hoje, claramente, José Sócrates não tem a Comunicação Social do seu lado. É vergastado pela generalidade da Comunicação Social todos os dias. Mas também não misturo uma coisa com a outra. Estou totalmente de acordo com as críticas que José Sócrates fez ao Jornal Nacional de sexta-feira, conduzido por Manuela Moura Guedes. Totalmente de acordo! E qualquer jornalista que tenha dois centímetros de massa cinzenta, olha para aquilo e para o seu código deontológico, e vê como aquilo é um atropelo permanente ao que é o jornalismo. Só que agora, nos tempos que passam, vale tudo no jornalismo. Mas para mim não vale tudo. Ali, à sexta-feira, fazem-se as maiores barbaridades. E não foi só com Sócrates. O bastonário da ordem dos advogados [Marinho Pinto] teve que explodir depois de ser mal tratado. E isso é frequente. Qualquer jornal daqueles à sexta-feira é assim: fazem-se processos de intenções, ouve-se só uma das partes, há opinião misturada com notícias... Enfim, aquilo é tudo o que se não deve fazer em jornalismo. Sou professor da Universidade Nova e digo sempre aos meus alunos que uma boa forma de saberem o que não é jornalismo é verem o Jornal Nacional da TVI à sexta-feira.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Isso faz de José Eduardo Moniz o verdadeiro líder da Oposição?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Evidentemente, não vou comparar coisas que não são comparáveis. Ele dirige uma estação de televisão, que é líder de mercado, e tem necessariamente o peso e o resultado dessa realidade. Ele até pode interferir na solução A ou B, mas, independentemente disso, não vou misturar a acção política dos líderes dos partidos com a acção de um director geral de uma estação de televisão ou com a acção do director do Expresso...&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Ou do Público...&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Sim, ou do Público. Mas que é sistemático, é. Há, de facto, hoje, oposição da Comunicação Social em geral a José Sócrates.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Em que momento é que José Sócrates perdeu a Comunicação Social?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Quando perdeu o seu estado de graça como governante e quando hostilizou, de certo modo, uma parte dessa Comunicação Social. É indiscutível. Ele fê-lo - e fê-lo mal, não o devia ter feito. Mas no caso da TVI, percebo inteiramente aquela explosão, aquela manifestação explícita de alguém que sabe e que sente  e quem não se sente não é filho de boa gente. Aquele serviço é uma vergonha e não tem respeito nenhum pelas regras éticas e deontológicas que os jornalistas deveriam respeitar em qualquer circunstância. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Esta sucessão de casos polémicos  Independente, Freeport, etc - poderá custra a vitória ao PS nas próximas eleições legislativas?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não sei. De facto, não vou minimizar a importância dos órgãos de Comunicação Social, que têm importância na formação de uma certa opinião pública. O drama não são aqueles que lêem jornais; aqueles que os lêem, e ouvem rádio e vêem televisão, e se interessam realmente pelos assuntos, em pouco tempo acabam por fazer um ponto da situação: distinguem as verdades das mentiras, verificam quem manipula e quem não manipula, etc. O drama é que, em Portugal, a Comunicação Social não chega a muita gente. E a maior parte do eleitorado não lê, infelizmente, jornais. Portanto, o que funciona é esta onda dos títulos especulativos e manipuladores. Aquele título [do Expresso] fica a ribombar e tem claramente influência na opinião pública. Até que ponto isto pode alterar o resultado das eleições, não sei. Até porque lembro-me perfeitamente de Cavaco Silva ter ganho as eleições numa altura em que, tal como Sócrates, estava com a Comunicação Social toda contra ele, todos os dias. E não foi a Comuncação Social que o impediu de ganhar. Não sei o que acontecerá agora, não tenho jeito para adivinhar o futuro nem tenho uma bola de cristal.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" color="#000000" size="2"&gt;&lt;b&gt;Pela primeira vez, desde as europeias, uma sondagem (da Marktest para o Semanário Económico), dá ligeira vantagem ao PSD (35,8% contra 34,5%), partido cuja líder, escreveu, não gosta de comícos nem de debates nem de política. Mas os portugueses, se calhar, começam a gostar dela, ou não?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Acho francamente que até hoje a dra. Manuela Ferreira Leite ainda não disse  e vamos saber hoje quando são as eleições legislativas [entrevista realizada de manhã, antes de Cavaco Silva ter anunciado eleições legislativas para 27 de Setembro]  o que quer fazer no país. Sabemos que ela tem umas ideias muito liberais, que lhe interessa privatizar quase todo o ensino e quase toda a saúde, o que seria, nas condições em que o país se encontra, do ponto de vista económico, uma verdadeira tragédia, mas enfim. Como é que os portugueses podem confiar a governação do país a uma líder política que não diz o que quer fazer, qual o rumo que vai seguir, o que pretende fazer em relação às coisas mais importantes e mais decisivas. Fala sempre do TGV e do aeroporto, mas há muitas mais coisas, a vida do país não se esgota no TGV nem no aeroporto. E mesmo isso é importantíssimo para desenvolver um país periférico como é Portugal. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" color="#000000" size="2"&gt;&lt;b&gt;O que distingue os dois líderes dos partidos que poderão formar governo?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Os portugueses têm que olhar para um e para outro líder, para as características de um e de outro, Sócrates e Ferreira Leite, e verificar, não a onda de simpatia, que Manuela Ferreira Leite agora é exaltada na Comunicação Social como se tivesse qualidades extraordinárias, mas o que cada um já fez e quer fazer. Ela já esteve no Governo, nunca resolveu questão nenhuma, esteve na educação e não propôs uma única reforma, e no fim deixou o país com um défice elevadíssimo. As pessoas sabem o que ela já fez; não sabem o que ela quer fazer com o país, porque ela não anunciou rigorosamente nada. As pessoas, quando chegar a hora exacta, vão ter que decidir entre Sócrates, com as suas qualidades e defeitos, e uma pessoa que não apresenta propostas, nem anuncia o dia em que irá fazê-lo.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;É naturalmente um defensor de Sócrates, tanto mais que são amigos. Porque razão decidiu deixar de lhe falar?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não foi bem deixar de lhe falar; não tenho relações nenhumas com ele desde que ele assumiu funções no governo como primeiro-ministro. Encontrámo-nos só uma ou duas vezes.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Mas porquê? Porque é que não pode continuar a relacionar-se com José Sócrates enquanto ele for primeiro-ministro do país?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Quem não pertence a nenhum partido, nem pretende tirar partido de nenhuma natureza, quem tem a posição que eu tenho, é muito livre. É sempre a minha posição que vinga, quer quando defendo José Sócrates, quer quando ataco o Governo. Não tenho telhados de vidro, francamente! Não recebo recados do primeiro-ministro ou de quem quer que seja para defender A, B ou C. Escrevo o que quero e o que me apetece. Portanto, sinto-me muito confortável nesta posição distanciada. Dou-lhe [a Sócrates] também uma abertura total para que faça o que quiser como entender. E percebo-o, porque ele é, no momento actual, e apesar de algumas coisas mal feitas e de algumas trapalhadas, uma pessoa com enorme coragem, que realizou reformas, que trabalhou incansavelmente em situações extremamente difíceis e com ele o país efectivamente avançou alguma coisa. É por isso que o defendo. Se não fosse assim, não o defenderia. Quando lá esteve o engenheiro António Guterres, que é uma pessoa que considero, por quem tenho o maior respeito e a maior consideração, mas a minha posição era contra a forma como governava o país. Pois bem, escrevo com liberdade: quer quando critico, quer quando elogio. Não ando ao serviço de ninguém, sou um ser isolado que escreve o que pensa e como entende.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;É por causa dessa sua liberdade que foi banido da SIC e saneado na RTP?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Sabe, esta liberdade tem mesmo um preço  e é elevado. Sou uma espécie de homem maldito neste contexto, porque não sou ligado a nenhum partido político. Sou um homem da esquerda democrática, mas não hipoteco o meu voto nem a minha sensibilidade a coisa nenhuma. Costumo agir de acordo com a análise que faço, de acordo com a maneira como vejo as coisas, e sempre com frontalidade. Não ando a dizer as coisas com rodriguinhos com aqueles Sim, mas..., não tenho posições dúbias. Quando gosto gosto; quando não gosto não gosto - e digo-o explicitamente. Esta maneira de ser tem um preço elevado e eu pago-o.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Esse preço é terem-no privado de fazer aquilo que porventura melhor sabe [a TSF e a SIC são produtos seus] e mais gosta de fazer?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Provavelmente, sim. Não me apresentei a ninguém para realizar nenhuma dessas tarefas, sempre soube encontrar os meus caminhos. Hoje, sou professor universitário, dou aulas a alunos de mestrado, escrevo nos jornais, participo num debate na televisão [Discurso Directo, na RTP N], realizo projectos, até mais para fora do país, onde por incrível que pareça os méritos do meu conhecimento e da minha actuação são mais reconhecidos do que dentro do país. Tenho feito projectos de Televisão e de Rádio para vários países do mundo.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Se Francisco Balsemão, apesar das relações cortadas, lhe pedisse para voltar à Sic, pensava duas vezes?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Há um contencioso. Quando me despedi do dr. Balsemão, ele estava muito emocionado e disse-me: Ó Emídio, não se esqueça que não fui eu que o pus fora da Sic; foi você que se demitiu e quis sair. É completamente verdade. Mas falta um pequeno detalhe: ele julgou que poderia levar por diante uma estratégia em que eu ainda seria mais promovido dentro da Sic, mas que permitiria que se fizesse uma coisa com a qual não estive de acordo, e que foi o despedimento anunciado por ele próprio de 200 pessoas. E mais umas tropelias que foram feitas por alguns seres menores da estação. Essa é que é a questão importante. Por dinheiro nenhum do mundo faria qualquer coisa sem que isso estivesse completamente ultrapassado. Depois, também não sou o santo milagreiro, a Sic só se recupera com uma valorização de competências, com a reorganização da equipa, e com dinheiro. E a Sic não está nessa situação. O dr. Balsemão tem uma prática, que não foi exercitada enquanto eu lá estive, porque me opus a ela. E que é isto: se ele tiver um bom jornalista a ganhar 1500 contos, não se importa que ele saia para o substituir por um que ganha 500, porque poupará mil contos. É esta contabilidade que está em uso desde que saí na Sic. Para mim, esta estratégia não é válida. A Televisão e os meios de Comunicação Social em geral valem pelas pessoas, elas são mais importante do que as máquinas, são decisivas. Por isso, é nas pessoas que têm competência e validade que se deve investir; não nas máquinas.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Hoje, quando olha para trás, o que sente quando encara o desvirtuamento dos projectos que criou, como a TSF e a Sic?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Sinto, em primeiro lugar, que cumpri bem a minha missão. A TSF é praticamente a única rádio de informação que sobreviveu. E era uma rádio que, ainda há bem pouco tempo, dava lucro. Era um projecto viável e importantíssimo para o país. Apesar da dispersão, às vezes, de uma linha que é fundamental no formato da TSF e que não poderia ser tocada. Mas isso é outra questão. A Sic mostrou  e foram 10 anos  que era um case-study a nível mundial. Eu recebia todas as semanas pessoas que vinham de todos os países do mundo para perceber qual era a nossa fórmula, como é que nós conseguíamos ter tanto êxito e tanto êxito comercial, o que significava muito dinheiro. A Sic ganhou muito dinheiro enquanto lá estive - agora só perde. Mesmo a Sic Notícias, que é um projecto meu - fui eu que o propus à administração do dr. Balsemão e o pus de pé - mesmo esse foi sempre um projecto bem sucedido. Sinto orgulho por isso. E sinto mágoa quando os vejo a desfazerem-se por decisões pequeninas, por visões muito atabalhoadas, pouco profissionais, e que tem causado muitos danos à Sic.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;A Sic é irrecuperável?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;É cada vez mais difícil, mas para mim não existem praticamente impossíveis. A Sic, se reunisse as condições que há pouco referenciei  e podia detalhar  é evidente que seria recuperável. A Sic deixou-se ir caindo, foi caindo sucessivamente, desde que saí não parou de cair. Agora está no chão.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Fez mais amigos ou inimigos na televisão?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não sou uma pessoa neutra, provoco rejeições e adesões. Mas não há semana nenhuma em que não receba telefonemas das pessoas que iniciram o seu trabalho na Sic comigo. Telefonam-me frequentemente. Mesmo as pessoas da RTP - e só lá estive dez meses -, telefonam. São pessoas a quem ensinei a dar os primeiros passos, e que estão hoje a dirigir a própria RTP. Tenho muitos amigos, pessoas que se eu dissesse: Vamos iniciar um projecto A ou B, estariam ao meu lado imediatamente, não tenho dúvidas. Mas esta minha atitude, este meu carácter (que não posso alterar), e que me leva a dizer as coisas na cara das pessoas, com coragem e com frontalidade, mas depois também a ser profundo amigo das pessoas que trabalham comigo, dando o corpo às balas sempre que necessário pelas minhas equipas, gera inimizades fortes, mas também gera muitos amigos. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Esses telefonemas atenuam ou inflamam as saudades que possa eventualmente sentir desses tempos?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Com franqueza, não vivo angustiado por causa dessas matérias. Não vivo infeliz. Vivo completamente realizado desse ponto de vista. No dia a seguir a ter conseguido um sucesso, já não penso nele. E um mês depois, já nem me lembro dele. Porque já estou a trabalhar no seguinte. Se a minha vida não foi pela via A, foi pela B. Houve um momento, depois de ter saído da Sic, em que todas as portas ficaram fechadas para mim. Muito bem, aceitei. Fui dar aulas, que é uma coisa que gosto muito de fazer, já o tinha feito antes. Hoje, dou aulas na universidade, o que me dá muito gozo, e estou a escrever alguma coisa que há-de sair por aí um dia destes. Faço coisas que me dão enorme satisfação intelectual e muito prazer. Sou um optimista, sabe? Encontro sempre um caminho para a realização profissional. Porque há sempre mais do que um caminho. Mas tenho muito apreço pelas pessoas que me telefonam. Almoçamos frequentamente, jantamos, vamos mantendo a ligação e a amizade. Aliás, é incrível, porque todas as semanas me dizem que corre o boato de que vou para aqui ou para ali. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Ainda nenhum desse boatos se concretizou. É por ser um homem caro?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;O dinheiro nunca ditou os caminhos da minha vida, com franqueza. Os projectos, sim, A exigência que ponho nas condições de que preciso para realizar um projecto, nisso sim, sou absolutamente exigente. Mas também, até hoje, nunca falhei nenhum projecto. Nunca! Isto é uma coisa que se faz de detalhes, é preciso reunir as condições todas. Depois, evidentemente, também gosto de ser devidamente considerado e remunerado em função do que faço. Mas fui para Sic sem dicutir sequer o meu salário. Depois, deixei claro ao dr. Balsemão que no dia em que a Sic vencesse, ele teria que me pagar devidamente. Evidentemente, pagou-me de acordo com os resultados lhe dei.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;b&gt;Há uma série de frases a que estará sempre inevitavelmente associado.&lt;/b&gt; &lt;b&gt;Uma delas...&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;...É a do presidente... [risos]&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Tal e qual: É tão fácil vender um presidente como um sabonete...&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Já estou conformado com a ideia de que isso acompanhar-me-á até à morte, muito embora essa farse não seja rigorosa, não foi bem isso que eu disse. O que eu disse é que havia uma estação que tinha 50 pontos de share tinha uma enorme probabilidade de expor até ao âmago qualquer coisa e que, nesse contexto, a coisa venderia, interessaria, atrairia a atenção das pessoas. Usei o verbo usar neste sentido que expliquei, sentido que é muitas vezes usado pelos jornalistas. Depois, a frase foi retirada do contexto e ficou para sempre como um negócio de venda.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;De qualquer forma, o que lhe queria perguntar, mesmo substituindo o verbo vender, é se prescindiria, se trocaria, o actual Presidente da República, Cavaco Silva?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não. O Presidente da República é uma pessoa que está legitimamente a cumprir a sua função, eleito com o voto maioritário dos portugueses, voto directo e expresso. Tem não só toda a legitimidade como sempre teve a minha atenção, o meu empenho e o meu total respeito. Sempre foi assim, sempre disse, de forma explicita, o que pensava dele e sempre o elogiei pela sua acção, pela forma como faz o seu trabalho.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Isso vale também para as mais recentes intervenções dele?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Pois, confesso que ultimamente não tenho gostado de ver o Presidente da República. Em vez de ter um exercício de magistratura de influência nas coisas do dia-a.dia, está a ser muito interveniente. Não faz sentido que seja um protagonista político do dia-a-dia, como o são os líderes partidários. Francamente, é uma coisa que me desagrada bastante.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;No caso concreto do negócio PT/TVI, acha que ele esteve bem?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não, esteve bastante mal. Mesmo antes, quando falou da data para as eleições legislativas, citando uma sondagem que não conheço, e que ainda não ouvi ninguém dizer que conhece, esteve mal. Devia ser mais cuidadoso a esse respeito e sobre essa matéria concreta, devia fazer o que já fez noutros casos. Dizer: Esse assunto não é para ser discutido agora. Informarei os senhores jornalistas na altura própria e com os fundamentos que presidem à minha actuação. Do meu ponto de vista, era assim. Também não vejo com bons olhos a intervenção nesta questão do negócio de empresas privadas, parece-me extemporâneo, precipitado. Não consigo entender. Há qualquer coisa que ainda não entendi, mas que mudou na atitude e no comportamento do Presidente da República.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Ter-se-á Cavaco Silva deixado entusiasmar com a ideia de Manuela Ferreira Leite, uma amiga, poder ser primeira-ministra?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Manuela Ferreira Leite é um produto de Cavaco Silva, foi ele que a exultou e que implorou para que ela assumisse a liderança do PSD, quando isso estava longe dos seus mais recônditos propósitos. Não sei se, por isso mesmo, vejo o Presidente da República tão interessado em intervir, quando o papel dele deve ser de neutralidade em matérias politico-partidárias. E não gostaria que assim continuasse, porque ele sempre actuou com enorme rigor, com enorme isenção, e não vejo porque há-de alterar isso, esse comportamento que o dignifica aos olhos dos portugueses. Ele até pode teorizar, ajudar, dar opinião sobre o caminho económico que as empresas devem presseguir, a isso chama-se magistratura de influência. Mas tenho a certeza de que se Cavaco Silva continuar no estilo de imiscuir-se em coisas da governação, ou da vida das empresas  como agora, a meter-se num negócio cujos detalhes não se conhecem ainda na totalidade, e ele decide intervir sem sequer ter pedido uma explicação ao primeiro-ministro -, se ele continuar a fazer isso como rotina, vai ver de que maneira o povo português o qualifica.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Fora de tudo o que falámos até aqui. Morreu Michael Jackson, rei da Pop. É sensível ao desaparecimento dos ícones que marcaram uma geração?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Sou, completamente. Ele era um génio, por mais boatos que tenham aparecido, também esses sem nunca terem sido confirmados. Ele é um ícone, um valor indestrutível da musica pop e que nunca se apagará no tempo.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Alguma vez dançou o Moonwalk?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;[Risos] Muitas vezes, gosto muito de dançar. Nasci em África e quem nasce em África gosta de dançar. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;strong&gt;Helena Teixeira da Silva&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://www.jn.pt/aggbug.aspx?PostID=262086" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/tags/EM_26002300_205_3B00_DIO+RANGEL+_2F00_/default.aspx">EM&amp;#205;DIO RANGEL /</category></item><item><title>Nuno Melo: "Não sou agressivo, sou incisivo"</title><link>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/06/21/nuno-melo-quot-n-227-o-sou-agressivo-sou-incisivo-quot.aspx</link><pubDate>Sun, 21 Jun 2009 13:06:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">fb4e9426-7c22-44e5-bf7d-a1c82e742f8a:255090</guid><dc:creator>jnonlineadmin</dc:creator><slash:comments>1</slash:comments><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.jn.pt/blogs/jnverao/rsscomments.aspx?PostID=255090</wfw:commentRss><comments>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/06/21/nuno-melo-quot-n-227-o-sou-agressivo-sou-incisivo-quot.aspx#comments</comments><description>&lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;&lt;img height="323" alt="" hspace="0" src="http://fotos.sapo.pt/3UhW8zbWZg07hRrIFZBZ/" width="361" align="top" border="0" /&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Um arranque turbulento acabou por condicionar o rumo da conversa. Nuno Melo, 43 anos, terá apurado sentido de humor  saberá rir de si. Mas recusa-o quando o tema é o país, a política ou o CDS-PP. &amp;quot;Não posso estar numa semana a questionar o caso BPN e na semana seguinte a dizer piadas numa entrevista&amp;quot;, justificou.&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ouviu muitos piropos durante a campanha às europeias. Foi escolhido para piscar o olho ao eleitorado feminino?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Agradecendo-lhe a boutade da pergunta, não acredito na substância do que ela encerra. A esse nível, não justificaria nenhum voto. Fui escolhido pelo combate político que travei durante toda a legislatura com os resultados que as pessoas reconhecem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas ganhou uns cabelos brancos. Não receia voltar de Bruxelas mais parecido com Vital Moreira?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;[Risos] Não, porque não tenciono nada optar pelo bigode. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é que um deputado com ar tão betinho gosta tanto de agricultura?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nasci no campo. Mas como percebi que a agricultura se pode fazer sem que seja opção de vida, optei por cursar Direito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fá-la nas horas livres. Vai levar a sua plantação de melões para Bruxelas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como é que sabe que tenho uma plantação de melões?! Não vou levá-la, mas tenciono degustar aqueles melões de casca de carvalho quando cá estiver. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José Sócrates, diz-se, é um homem novo. É o seu caso também, depois do trampolim das eleições e do BPN?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Sou o mesmo antes e depois. Estou na política como na vida pública: não a teatralizo. A única diferença tem a ver com o resultado eleitoral que eu consegui para o CDS-PP quando as sondagens davam o partido como extinto. Quando as coisas assim sucedem, não há razão para mudar. Acredito mais no conteúdo do que na forma. O engenheiro Sócrates achará que o resultado do PS nas europeias teve que ver com o estilo. Pois eu, pelo contrário, tenho a certeza de que se deveu à substância das sua políticas. 
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diria que , a três meses das legislativas, não há humildade que lhe valha?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, a mutação dele soa a falso. Uma mudança tão radical em tão pouco tempo não é natural, é conjuntural. E quem age a pensar em eleições não dá nenhuma garantia de constância durante o mandato. É por isso que acho que o PS vai perder as legislativas. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Acredita que será o PSD a formar Governo?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;Não acredito que a nova composição parlamentar dê uma nova maioria ao PS, mas não arrisco uma vitória do PSD. As eleições europeias mostraram que os partidos à esquerda e à direita cresceram em simultâneo. Logo, não há porque não acreditar que esta tendência não vá manter-se nas próximas legislativas.&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;/span&gt; 
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Falando de estilo, que diferença há entre o seu estilo na comissão parlamentar de inquérito sobre o BPN e o estilo que é habitualmente atribuído o a José Sócrates?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;Eu sou advogado de barra, vejo muita similitude na lógica de audição desta comissão de inquérito com muito do que acontece em tribunal, no sentido em que se trata de tentar fazer prova de determinados factos. E, nesa medida, aquilo que sou ali é aquilo que sou enquanto pessoa. Parece-me que quem me avalia não avaliou mal, a considerar aquilo que saiu a meu respeito.&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;/span&gt; 
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qualquer semelhança é, portanto, pura coincidência?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;Eu não agressivo, sou afirmativo, incisivo, que é uma coisa diferente. Sou afirmativo em função daquilo que quero demonstrar ou daquilo em que acredito. Isso é diferente da arrogância que Sócrates demonstrou em todo o mandato enquanto primeiro-ministro, governando contra todos e apesar de todos. É a arrogância de quem confunde maioria absoluta com poder absoluto. Eu sou muito diferente, às vezes até mais ou menos contundente na minha argumentação, mas pelo menos dialogo, pelo menos confronto, e se tiver que ceder, cedo sem dificuldade&lt;/span&gt; 
&lt;p&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;Quem são os culpados do caso BPN: os ladrões ou o polícia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ambos: todos os que cometeram as fraudes, e todos os que tendo todos os indícios desses elementos desde de 2002, não os viram. No caso, o Banco de Portugal.&lt;span style="COLOR:black;"&gt; Tudo o que Portugal sabe hoje sobre o caso BPN é conhecido desde 2002, consta de sucessivos relatórios e inspecções em 2005 e em 2007, sem que alguma vez tenham sido usados meios de supervisão para proceder a auditorias externas ou nomear administradores provisórios. Por isso, culpados são uns e outros: quem cometeu as fraudes e quem permitiu que continuassem até se chegar a esta situação. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vitor Contâncio e Oliveira e Costa são a personificação nacional do Dr. Jeckyll e do Mr. Hyde? &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Nunca os colocaria no mesmo plano. O dr. Oliveira e Costa era responsável por um banco, e chegou ao ponto que hoje se conhece. O dr. Vitor Constâncio não cometeu actos ilícitos, é uma pessoa muito respeitável, um quadro superior, assumiu funções de Estado. Mas na supervisão falhou. Apesar de eu lhe reconhecer essas falhas, percebo que o plano não é equivalente. &lt;span style="COLOR:black;"&gt;Agora, esta Comissão parlamentar de inquérito não trata apenas as questões do BPN; está também obrigada a perceber porque é que a supervisão não funcionou. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Teve conta no BPN ou no BPP?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, nunca tive.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;&lt;strong&gt;O que faria se amanhã perdesse todo o dinheiro que tem no banco devido à falência da instituição?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;Conheço várias pessoas que, tendo depositado todo o seu dinheiro no BPP, hoje não o podem utilizar porque confiaram que a opção que fizeram pelo BPP havia sido a opção por um bem que, sendo supervisionado, salvaguardia pelo menos o depósito. Hoje, sabe-se que assim não foi. Hoje, essas pessoas percebem as fraudes e irregularidades cometidas pelo BPP, mas também levam em conta uma supervisão que não agiu como devia. Se tivesse dinheiro num desses bancos sentiria exactamente a mesma coisa que essas pessoas sentem: por um lado, uma revolta muito grande por isto ser possível; e por outro lado, uma grande estupefacção pela circunstância da supervisão ter falhado. E certamente tentaria recuperar, junto do Estado ou fosse de quem fosse, o dinheiro que era meu.&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;&lt;/span&gt; 
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;João Rendeiro deve ir preso como Oliveira e Costa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ainda há muito para explicar, mas acredito na Justiça deste país. O Ministério Público deve investigar a fundo e com profissionalismo o que aconteceu no BPN e no BPP. Quem tiver que levar a julgamento, e quem tiver que ser punido, que o seja. &lt;span style="COLOR:black;"&gt;É inadmissível que pessoas que trabalharam uma vida inteira, que confiaram num banco para guardar o fruto desse tabalho, se vejam de repente sem nada, só porque alguns se atreveram a subtrair aquilo que era delas. E porque uma supervisão, que é o garante da economia de mercado, não foi capaz de agir, apesar de todos os indícios. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É uma medida de Direita fazer tudo para tentar derrubar o governador do Banco de Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. É uma medida de Direita fazer tudo para conseguir que uma supervisão tão importante como a do Banco de Portugal funcione como deve ser. &lt;span style="COLOR:black;"&gt;A grande diferença entre a economia de mercado e o capitalismo selvagem está na essência das supervisões que se fazem. E o que nós percebemos agora é que essas supervisões falharam. Por exemplo, no sector dos combustíveis, no sector das energias também. Portanto, é uma medida de Direita, no sentido em que a Direita acredita numa economia de mercado. E a economia de mercado implica uma supervisão capaz de funcionar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Agora, que ganhou um novo impulso, perfila-se para suceder a Paulo Portas ou no seio de um partido democrata cristão é pecado pensar na sucessão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se alguma vez tivesse tido a veleidade de querer ser presidente do partido não teria sido candidato ao parlamento europeu. &lt;span style="COLOR:black;"&gt;Eu sempre disse que o presidente do partido deve estar no parlamento nacional a fazer debates com o primeiro-ministro ou estar no governo, se as circunstâncias eleitorais permitirem a vitória. Se eu vou para o parlamento europeu, a milhares de quilómetros de distância, isso torna bem evidente a minha ausência de vontade de ser presidente do partido que, além do mais, está muito bem entregue ao dr. Paulo Portas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O regresso de Ribeiro e Castro é uma atitude cristã?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É uma atitude sensata.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Admite acordo pós-eleitorais com o PSD?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;Admito que o CDS quer valer por si muito mais do que pelo que pode fazer com os outros. E que vai a votos sozinho para justificar os resultados, seja no poder ou na oposição. E o CDS soube sempre em todos os momentos da sua história ser factor de estabilidade, seja em governos seja na oposição. Não será certamente diferente depois das próximas eleições legislativas.&lt;/span&gt; 
&lt;p&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;&lt;strong&gt;Manuela Ferreira leite é conservadora ou social-democrata?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;É social-democrata.&lt;/span&gt; 
&lt;p&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;&lt;strong&gt;E Sócrates é o quê?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;Um socialista pouco convicto. &lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;&lt;/span&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O avanço da esquerda verificado no último acto eleitoral é, para si, uma espécie de regresso do PREC?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É o regresso do simbolismo do PREC no momento em que o país menos precisa do que ele significou. As soluções à extrema esquerda nunca trouxeram nada que não fosse pobreza e&amp;nbsp; opressão. O sinal dado é preocupante: é querer-se para o país aquilo que menos podia ajudar Portugal. &lt;span style="COLOR:black;"&gt;Quando a economia vive os tempos de crise que se conhecem, pensar em soluções à extrema esquerda, em doutrinas que já tiveram experimentação até à queda do muro de Berlim, e que nunca trouxeram outra coisa aos povos que não fossem a pobreza e a opressão, é querer-se para o país aquilo que menos podia ajudar Portugal. Não é no momento em que a economia está como está, que essas soluções de economias resolveriam o que quer que fosse. De resto, o Estado não tem dado nos últimos anos propriamente exemplos de boa gestão. O que essa extrema esquerda preconiza é exactamente a economia planificada ou a estatização dessa economia. Por isso é que esse sinal dado pelo resultado das últimas eleições é, deses ponto de vista, muito preocupante. Daí a necessidade de a Direita que o CDS representa compensar o intensificar da viragem à extrema esquerda.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;&lt;strong&gt;Faz sentido falar de um bloco de direita que vá além do CDS?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;Faz, claro. Faz sentido limitar a direita ao CDS, porque o CDS é, em boa verdade, o único partido de direita, doutrinariamente falando. Engloba, em si, conservadores, liberais e democratas cristãos. Agora, faz sentido pensar num bloco de Direita em termos de bloco alternante ou oposto a uma Esquerda que começa no PS e vai até à extrema Esquerda.&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR:black;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;Helena Teixeira da Silva&lt;/strong&gt; 
&lt;h1 align="justify"&gt;&amp;nbsp;&lt;/h1&gt;&lt;img src="http://www.jn.pt/aggbug.aspx?PostID=255090" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/tags/NUNO+MELO+_2F00_/default.aspx">NUNO MELO /</category></item><item><title>Rui Madeira: Somos um país de donas brancas"</title><link>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/06/14/rui-madeira-somos-um-pa-237-s-de-donas-brancas-quot.aspx</link><pubDate>Sun, 14 Jun 2009 12:20:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">fb4e9426-7c22-44e5-bf7d-a1c82e742f8a:248354</guid><dc:creator>jnonlineadmin</dc:creator><slash:comments>0</slash:comments><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.jn.pt/blogs/jnverao/rsscomments.aspx?PostID=248354</wfw:commentRss><comments>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/06/14/rui-madeira-somos-um-pa-237-s-de-donas-brancas-quot.aspx#comments</comments><description>&lt;p&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Se a realidade supera a ficção, ele, actor e encenador, di-lo com frontalidade: Somos um país de donas brancas. Púdicas, ainda por cima. Rui Madeira, director artístico da Companhia de Teatro de Braga e administrador delegado do Theatro Circo,&amp;nbsp;vive ali há 25 anos, ali, garante,&amp;nbsp;a um passo da Europa.&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Votou nas eleições Europeias?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Obviamente.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;No candidato da roubalheira?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;[Risos] No Vital Moreira, sim. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Perdeu. Ficou desapontado?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Perdi, mas não fiquei desapontado. O engenheiro Sócrates começou a perder no dia em que pediu desculpa por ter sido apanhado a fumar. A partir daí, entrou num esquema que era só pedir desculpas. Desculpa por ter um bom ministro da saúde e demitiu-o. E tramou-se. Desculpa a Manuel Alegre por ele ter tido um milhão de votos, quando esse milhão serve para tudo menos para o Benfica ganhar o campeonato. E perdeu também aí. Trama-se sempre que pede desculpa. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Acha que o PS ainda pode ganhar as legislativas?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Espero que ganhe. O PS perdeu as europeias, mas o PSD não as ganhou. Quem ganhou foi Alegre. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Mas porquê? Vê mesmo Manuel Alegre como um traidor do PS?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não tenho esses pensamentos [Risos]. Acho é que ele conduz um enorme autobus que faz ali o percurso entre as esquerdas todas e isso não contribui para a clarificação da situação política.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Paulo Rangel, além de vencedor, foi mesmo o político revelação desta campanha eleitoral?&lt;/strong&gt; &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Acho que sim. Tenho simpatia pela sua figura intelectual. Os cidadãos deviam perceber que há cada vez menos gente interessada em sofrer a crucificação na praça pública só porque está disponível para servir a causa pública de peito aberto.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;A que distância está Braga, onde vive e trabalha, da Europa?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;Muito próxima. Há pessoas que estão no centro da Europa e continuam provincianas e pessoas do Gerês que têm um olhar muito concreto sobre o que valem e o que vale a Europa para eles.&lt;/font&gt; &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Mário Soares manifestou-se contra a reeleição de Durão Barroso na presidência da União Europeia. Que sentido faz isso agora?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Tenho profundo apreço por Mário Soares, como tinha por Álvaro Cunhal ou Lucas Pires, como tenho por Adriano Moreira. Fazem falta pessoas com liberdade para dizer o que pensam. Se o PS tivesse ganho as eleições teria direito a exigir outro presidente; assim, não...Mas acho graça à atitude doSócrates ter dito:Porreiro, pá! [Risos]&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Não nomeou Cavaco Silva no rol de pessoas que preza, apesar de ter estado com ele em Santarém no 10 de Junho. Não ficou solidário quando ouviu o Presidente da República dizer que está o perder dinheiro das poupanças?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;Essa intervenção dele foi desastrosa. Só tem paralelo com a altura em que era primeiro-ministro e veio dizer que na sua residência oficial não tinha construído um tanque. Representa a mentalidade típica dos portugueses: o medo de assumir coisas. Foi a pior prestação que poderia ter feito a Manuela Ferreira Leite. Numa altura em que se discutia a relação do caso BPN com o PSD, foi um tiro nos dois pés dela. Em compensação, gostei que tivesse vetado esta semana aquela proposta para aumentar o financoamento dos partidos. Se passasse, seria um escândalo.&lt;/font&gt; &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Ferreira Leite recuperou desse tiro depois da vitória nas europeias?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;font size="2"&gt;Não a considero uma vencedora. A abstenção foi muito alta e os votos que o PSD teve são quase iguais à derrota de Santana Lopes nas outras eleições. Pode até ser que isto crie dinâmicas e expectativas, mas da leitura crua dos números não sai uma vencedora.&lt;/font&gt; &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Encenaria o&amp;nbsp;caso do Banco Privado Português (BPP)&amp;nbsp;no teatro?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Era capaz. Os clientes portugueses deviam ter direito, de graça, ao livro do seu ex-presidente, João Rendeiro. Como o próprio nome indica, Rendeiro rende. O problema é que isto é um país de donas brancas e ainda não as conhecemos todas. Donas brancas pudicas, ainda por cima.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Acha bem que o governo tenha anunciado esta semana que lava as mãos do caso BPP?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Acho bem que o governo lave as mãos porque já ali demasiada gente com as mãos sujas. Já o devia ter feito há mais tempo. Aquilo é um problema de tribunal, não é coisa para os contribuintes pagarem. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Está no Theatro Circo (TC) de Braga há quase tantos anos como Mesquita Machado está na Câmara. É um protegido do PS?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Estou há menos tempo que ele e não sou protegido de ninguém. Sou um trabalhador de cultura: às vezes a favor do PS; outras vezes contra.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Mas não acha que é um privilegiado? Ganha 50 mil euros/ano...&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Eu? Deve estar a confundir...&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Disse numa entrevista que tinha ganho 49.798 euros em 2007...&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;É verdade, mas isso é no TC, na Companhia de Teatro de Braga e noutras coisas que faço. Faz de mim alguém responsável, que trabalha e luta. O país é pequeno, vive da dor de corno e cotovelo. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Adolfo Luxúria Canibal teceu algumas críticas à gestão que faz no Theatro Circo. Já fizeram as pazes?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não tenho que fazer pazes com pessoas de quem não gosto. Ouvi dizer que ele gostava de ter um lugar no TC, e se trabalhar para isso, poderá tê-lo porque eu não sou vitalício. Mas o ego dele é muito grande, não cabe em Braga.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;strong&gt;Helena Teixeira da Silva&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://www.jn.pt/aggbug.aspx?PostID=248354" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/tags/RUI+MADEIRA+_2F00_/default.aspx">RUI MADEIRA /</category></item><item><title>Paula Bobone: "Tenho 65 quilos, não sou vazia"</title><link>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/05/24/paula-bobone-quot-tenho-65-quilos-n-227-o-sou-vazia-quot.aspx</link><pubDate>Sat, 23 May 2009 23:24:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">fb4e9426-7c22-44e5-bf7d-a1c82e742f8a:226230</guid><dc:creator>jnadmin</dc:creator><slash:comments>28</slash:comments><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.jn.pt/blogs/jnverao/rsscomments.aspx?PostID=226230</wfw:commentRss><comments>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/05/24/paula-bobone-quot-tenho-65-quilos-n-227-o-sou-vazia-quot.aspx#comments</comments><description>&lt;p&gt;&lt;img height="196" alt="" hspace="0" src="http://fotos.sapo.pt/osOTWHm0KT5Hzk9fOFdj/" width="389" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raras mulheres em Portugal, conhecendo as regras provocatórias desta entrevista, aceitam dá-la. Paula Bobone, apaixonada pelo Porto, cidade que visita cada vez mais vezes, respondeu a tudo com fairplay. Com humor e inteligência - a sua arma escondida que, diz, não mostra para não aterrorizar as pessoas. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Publicou recentemente o livro Manual de Instruções para homens de sucesso. Porque é que os homens hão-de dar-lhe ouvidos?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Porque parto do princípio que ainda há uma pequena camada de portugueses que tem a noção de que ainda tem que aprender algumas coisas para ser gente civilizada. E para mudar de classe social, para ascender socialmente. As pessoas às vezes têm dinheiro, têm posição e comportam-se que nem uns javardos. Com aquele manual, se me derem ouvidos, não se arrependem. Eu prego bem [Risos]. Sou uma excelente superior lá da paróquia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;É um livro para José Sócrates ler?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Porque não? Só lhe fazia bem! Mas ele se calhar não precisa, deve ter imensos consultores de imagem que sabem o mesmo que eu. Mesmo assim é sempre um livrinho bom para ler nas horas vagas. Não sei é se ele tem horas vagas, tem vagas horas, não sei se tem horas vagas [Risos]. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Tornou-se mais conhecida através da sua vida social, mas tem uma extensa carreira nos bastidores da política, sobretudo o Ministério da Cultura e na Assembleia da República. Com quantos ministros da Cultura trabalhou?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nunca fiz política partidária, era funcionária pública. Fui dirigente do Ministério da Cultura durante 36 anos. Trabalhei com todos os ministros da Cultura. O primeiro não era ministro, era secretário de Estado, era o Eduardo Prado Coelho, que já morreu. Depois, foi o Vasco Pulido Valente, de quem tenho óptimas memórias. É talvez o homem que mais admiro em Portugal, pela sua inteligência, cultura, frontalidade e pela sua capacidade de expressão. E depois trabalhei com outros, David Mourão Ferreira duas vezes, Hélder Macedo, Manuel Maria Carrilho, Teresa Patrício Gouveia, Coimbra Martins, Lucas Pires, tantos, tantos. Uns muito interessantes, outros menos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Consegue eleger o que terá feito mais pela Cultura em Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pela Cultura nenhum. Mas pelo Ministério da Cultura foi o Vasco Pulido Valente. Foi ele que fez, no tempo do Sá Carneiro, a lei orgânica de um ministério que andava à deriva. Tinha sido formado recentemente, e o Vasco, no pouco tempo que lá esteve, fez qualquer coisa de marcante: determinou o destino do que é o ministério hoje em dia .&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O que é mais postiço: os bastidores da vida social ou política?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que é postiço é falsificar as aparências. E isso acontece nos dois lados. A essência e a aparência são coisas que não tem nada a ver uma com a outra. Nunca somos aquilo que parecemos nem nunca parecemos aquilo que somos. É evidente que o facto de ter trabalhado nos bastidores directamente com dirigentes políticos, deputados, intelectuais, de os ter conhecido por dentro diz-me que a fachada que eles mostram é diferente. Mas isso acontece com toda a gente. Eu própria tenho a minha vida privada e a minha vida pública, e não tem nada a ver uma com a outra. Todos temos um lado escondido. Grave, às vezes, é que a imagem pública seja abaixo das expectativas dos cargos. Há pessoas com muita responsabilidade social, com referências, e que infelizmente desiludem pela falta de valores, de civismo. Em todo o caso, também pelo seu papel. Os políticos ganham mal em Portugal e às tantas também não querem trabalhar muito, embora eu ache que eles trabalhem bastante. Admiro as pessoas, só que depois elas, coitadas, não têm culpa de as circunstâncias não lhes permitirem fazer certos trabalhos que queriam fazer. A vida não está fácil, há muitos obstáculos para saltar. É preciso ser-se muito sério. Mas, para mim, o maior problema dessa gente é levar-se demasiadamente a sério. Não têm sentido de humor, maleabilidadede, tomam-se por muito importantes e ao fim e ao cabo enfim&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Essa sua experiência fê-a acreditar mais ou menos os políticos? Vota?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não, não voto, Não vale a pena. Não votar é uma forma de votar, compreende? De facto, as pessoas votam para quê? Os votos não são todos iguais, embora a contagem o seja. Há pessoas cujo voto contém um valor que não é equivalente. Repare, é muito importante alfabetizar as pessoas, fazer com que não sejam manipuladas por partidos, que saibam bem o que querem, que tenham confiança nas pessoas em quem votam Ora, nós votamos em pessoas que não conhecemos! Então, votar é o que? Eu sou um bocadinho anarquista, mas depois sou muito cumpridora e muito leal, muito patriótica e gosto muito do meu país. Portanto, tenho muito respeito pelas pessoas que estão no poder. Quem vota decide, e eu aceito. A democracia é mais ou menos isto: é a ditadura da maioria. Há uma maioriazinha de 51% que manda. Eu não pertenço a nenhum grupo: nem aos 51% nem aos 49%. Faço parte do grupo dos que não vota, mas que respeita toda a gente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Manuela Ferreira Leite tem sido criticada mais ou menos por tudo e por nada. Se ela a contratasse como consultora de imagem, o que é que lhe diria?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu tenho a certeza de que ela nunca me contrataria, não vou perder tempo com isso. As pessoas que me contratam para assessoria de imagem sabem que lhes dou uma tal volta! Manuela Ferreira Leite ficaria irreconhecível e o PSD era capaz de a expulsar [Risos].&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Diz sempre o que pensa ou também sabe calar?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não. Eu sou muito repentista. Digo coisas, às vezes inteligentíssimas, e depois penso: com é que eu disse aquilo? Um dia perguntei a um psiquiatra e ele disse que tenho outra pessoa dentro de mim. Portanto, devo ter uma pessoa dentro de mim que não conheço. São os mistérios insondáveis do ser humano.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Tem sete livros publicados, o mais conhecido ainda é o Socialmente correcto. Num país como Portugal, esse êxito de vendas significa o quê?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É o náugrafo que precisa de uma tábua de salvação. As pessoas andam perdidas, não sabem como comportar-se, não têm referências públicas, não têm cultura, têm um imenso vazio interior. Estou a falar da maioria, mas não da totalidade da população. Por isso eu tive a ousadia de pôr por escrito as regras não escritas da sociedade. Porque, repare, há regras escritas na sociedade: a Constituição, o Código da Estrada e os outros, e as pessoas que não cumprem pagam multa ou vão presas. Quem não cumpre as regras do comportamento social fica simplesmente ridículo e mal visto. Agora, eu fiz isso com boa intenção. Mas não fui a única, não fui original. O livro teve sucesso por coisas que cá sei, mas que agora não vou dizer porque não vou ensinar o meu segredo [Risos].&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A etiqueta é sempre sinal de de boa educação?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não, é possidoneira. Repare, a etiqueta é um conjunto de regras que a sociedade convencionou como boas para serem adoptadas por determinados grupos sociais. Os excluídos sociais, por exemplo, não têm nada que saber as regras das classe A nem pô-las em prática, está a perceber? Cada classe tem as suas convenções. Quando as pessoas querem subir de classe imitam as regras da classe acima da sua, são os chamados snobs, alpinistas sociais. Aliás, alguém, um simpático cronista social, escreveu sobre isso, mas eu não li . Só leio as coisas com que aprendo. Não ia aprender nada com ele. Mas a ideia de alpinistas ou trepadores sociais é uma coisa já muito antiga, muito conhecida, que vem do Brasil. E as pessoas que querem subir socialmente julgam que o conseguem fazer aprendendo as regras. Mas não é por aí. Porque depois é preciso patine, naturalidade, é preciso que pareça inato aquilo que afinal foi adquirido. Temos que nascer num berço com coisas lá dentro que nos possam dar valor, percebe? E isso é o que não está a acontecer. Por isso é que as pessoas estão vazias angustiadas, solitárias infelizes. Porque a vida às vezes também está difícil, o país está nesta crise financeira, ainda mais do que os outros lá for a. E as pessoas às tantas têm um sonho, o sonho de serem felizes, mas a felicidade não se aprende por livro. A sociedade é uma coisa posicional: eu tenho tudo o que quero, mas a partir do momento em que vejo outra pessoa que tem mais do que eu já me sinto infeliz, porque quero ter não aquilo que eu tenho e quero mas aquilo que a outra pessoa tem. De maneira que isto é tudo muito relativo. Mas eu ensino às pessoas regras de comportamento. Ou melhor, não ensino, transmito os ensinamentos que a herança civilizacional trouxe até hoje e que são adoptados pelas classes dominantes. Eu observo, estudo, leio, não só em Portugal mas também no estrangeiro e chego a conclusões. Quem quer seguir segue, quem não quiser não segue. O problema é deles.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Prefere o povo na sua humildade, na sua simplicidade ou o rigoroso cumprimento dessa etiqueta mesmo quando é hipócrita?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ah, eu prefiro todos. Eu gosto de pessoas. Tenho uma pancada enorme, gosto imenso de conhecer gente, seja de que classe for. A autenticidade é que me fascina. Agora, a hipocrisia da hipocrisia é uma coisa desgraçada. As pessoas que se imitam a elas próprias, como a Lili Caneças ou o José Castelo Branco, que são a caricatura da caricatura. Eles até têm graça, têm uma função, mas são uns maus ícones que a sociedade portuguesa cultiva e que não enobrecem nada os padrões que devíamos ter. Conheço pessoas muito mais interessantes noutros países e que são muito mais icónicas e que não se comportam daquela forma. Nota-se sobretudo quando a cultura anda por ali...&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Quando era funcionária dos CTT já sonhava com o dia em que seria a rainha da festa?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[Risos] Ó minha amiga, prove-me o que está a dizer! Vá aos CTT e pergunte se eu alguma vez fui lá funcionária. Isso é uma invenção de alguém muito divertido e com um grande poder de expansão da calúnia, ainda que eu não me sinta caluniada. Comecei a trabalhar pela primeira vez na vida na TAP como dirigente de um serviço de charters em 1968. Depois fui para Angola com o meu marido. Regressei e comecei a trabalhar no Ministério da Cultura. A única coisa que fiz nos CTT foi mandar cartas, comprar selos, lamber os selos, colá-los na carta e mandá-los para vários sítios. Nunca trabalhei nos CTT. A pessoa que inventou isso tem a maior graça, mas essa história é uma bola de neve. Nunca fui e nunca irei ser, suponho, funcionária dos CTT, que não me devem querer lá agora. Mas foi uma bela invenção. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Fica o desmentido, desfeito o equívoco&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estou-me nas tintas. Eu sei que isso está na net. Não se preocupe, não é grave. Faz parte de um pacote de coisas que circulam a meu respeito, porque a internet, com essa coisa de as pessoas não se identificarem, permite espalhar calúnias escandalosas que prejudicam os outros. Eu farto-me de rir com o que leio na net sobre mim e que não corresponde à realidade. Tenho verdadeiros ataques de riso. Porque vejo que não estão a falar de mim, estão a falar de outra pessoa. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Já disse que não se importa minimamente que falem mal de si. Mesmo quando dizem que é uma pessoa vazia com a pretensão de parecer cheia?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isso é mais uma estupidez. Eu devo ser das pessoas menos vazias deste país. E você bem vê pela entrevista que lhe estou a dar que eu tenho um cabedal cultural, tirei um curso de letras, com uma nota baixa, fiz germânicas com 12 valores. Mas na vida uso este princípio: diz-me que biblioteca tens, dir-te-ei quem és. Vejam os livros que eu li, os que eu aproveitei, os que eu já escrevi e depois digam-se se sou vazia. Eu sou é uma pessoa muito bem disposta e sou muito lúdica. E tenho uma aparência social que não corresponde à minha parte intelectual. Não mostro nem exibo essa parte de mim porque a minha vida não é o big brother, mas eu sou basicamente, de facto, uma mulher de cultura. E tenho projectos muito sérios. Amo o meu país e quero fazer coisas por nós. Mas, infelizmente, a única oportunidade que eu tenho de ser mediática é através de uma via um bocadinho histriónica, mas que não me rala nada, porque os que não me gramam têm que me aguentar e é também isso que me faz crescer. Se as calúnias tivessem a ver com a minha honra seria diferente, agora dizerem que sou vazia, ah, quero lá saber! Tenho 65 quilos, não posso ser vazia [Risos]. As coisas que eu mais odeio são pessoas vazias, imagine você! Não estou a dizer que sou a maior, está a compreender? Agora, se me perguntar quem são as pessoas que mais admiro, os meus ídolos são sempre professores universitários, investigadores, historiadores e nunca políticos ou vedetas de televisão. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;É por isso que diz que esconde a sua inteligência, para não assustar ninguém?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;[Risos]. Sim, sim. Para não aterrorizar as pessoas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Qual é a sua defesa, o seu escudo?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tenho um background organizado, as contas em dia, uma família organizada, a casa arrumada e pouco tempo para ler. Os livros que ainda não li determinam a minha esperança de vida, ela mede-se pelos livros que eu tenho para ler lá em casa. Só posso morrer depois de os ler. E a defesa é também o ataque: na cultura, na leitura, as viagens maravilhosas, nos meios sociais internacionais com pessoas interessantíssimas que gostam mesmo de mim. Cá em Portugal também tenho um grupo de amigos sólido. O que é que eu quero mais? Saúde. A saúde é o mais importante.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Andou a fotografar as ruínas do Porto e de Lisboa. Fotografar é um hobbie?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É um vício do qual não me livro. Os portugueses têm muito pouco respeito pelo passado, não só em relação aos monumentos, que estão todos a cair, como também pelo seu passado urbanístico e arquitectónico. Eu não quero dizer nada com isso, só deixar registado, porque essa ruínas têm mais estética do que os prédios modernaços que fazem agora nas periferias. Os portugueses tem pouco respeito pelo património, não se vê isto em nenhum sítio senão cá. Há uma total falta de sentido das prioridades. Lisboa e Porto estão a cair aos bocados, a zona história está a cair peça-a-peça. Uma casa que cai é o primeiro passo para outra que se constrói. E eles, os tipos das Câmaras, querem sempre construir coisas novas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Gosta mais de fotografar ou de ser fotografada?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Boa pergunta. Eu sou narcisista, já deve ter percebido. E gosto de dar entrevistas. As entrevistas para mim são duas coisas: narcisismo e terapia. Em vez de ir ao psicólogo estou aqui agora a fazer a minha terapiazinha consigo. E depois é narcisismo, estou a falar bem de mim, estou a defender-me, é diferente. Dou uma entrevista por dia, qualquer dia começo a cobrar [Risos]. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ainda gosta de enfeitar-se como uma árvore de Natal?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de me decorar, sou muito barroca, tenho horror do vazio, sou consumista, faço o que posso para me caracterizar como um certo personagem. Hoje vou a um jantar, daqui a nada vou para casa, vou-me enfeitar, não como uma árvore de Natal, mas vou-me divertir. Ouça, divirto-me. Se fosse cantora de ópera teria a sorte de ter roupas magníficas; assim vou ao meu guarda-roupa, escolho lá umas coisas e faço umas composições e faço o possível para variar. É a parte lúdica, quase infantil. Sou um bocado infantil. Gosto de me divertir com pequenas coisas e isto é uma coisa pequena que me diverte para compensar a minha luta pela vida que não é fácil, às vezes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Tem três livros no prelo. Que diferença há entre os livros que lê e os livros que escreve?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tenho sorte, porque os livros que leio são sempre melhores do que os livros que escrevo. Não leio porcarias, não leio livros maus. Vou a muitos lançamentos de livros, de pessoas que estimo e admito, mas que não leio porque só leio para aprender. Não leio por evasão, mas por valorização e aumento dos meus conhecimentos. Só me interessa aquilo que me engrandece. Quando morrer não me poderei queixar. Não passei pela vida com indiferença. Percebi que há uma coisa chamada cultura que me fascina. Nem é a estética, embora também seja importante; são os valores, é percebermos que o homem anda na terra para se tornar melhor e houve grandes homens que deixaram grandes heranças. Modestamente, faço o que está ao meu alcance, enquanto tiver poder económico para comprar livros e viajar. Gosto muito de museus também, tenho muitos livros sobre arte, mas não compro arte. Decoro a minha casa com outras coisas mais modestas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Helena Teixeira da Silva&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://www.jn.pt/aggbug.aspx?PostID=226230" width="1" height="1"&gt;</description></item><item><title>Ana Anes: "Pinto da Costa poderia ter escrito dez livros iguais ao meu"</title><link>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/05/17/ana-anes-quot-pinto-da-costa-poderia-ter-escrito-dez-livros-iguais-ao-meu-quot.aspx</link><pubDate>Sun, 17 May 2009 02:56:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">fb4e9426-7c22-44e5-bf7d-a1c82e742f8a:217075</guid><dc:creator>jnonlineadmin</dc:creator><slash:comments>0</slash:comments><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.jn.pt/blogs/jnverao/rsscomments.aspx?PostID=217075</wfw:commentRss><comments>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/05/17/ana-anes-quot-pinto-da-costa-poderia-ter-escrito-dez-livros-iguais-ao-meu-quot.aspx#comments</comments><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Não há resposta sem gargalhada larga. Ana Anes, 34 anos, é uma lufada de ar fresco num país onde ninguém arrisca desviar-se do politicamente correcto. Atrás do que esbanja no que escreve, quase sempre sobre sexo, quem pode saber quem ela realmente é?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;É a única colunista portuguesa cujo texto apareceu acompanhado por uma fotografia sua nua. Foi por ser para a Playboy?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, foi por ser vontade minha. Por mim já me tinha despido há mais tempo [Risos]. &lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cláudia Jacques disse que todas as mulheres desejaram um dia, ainda que secretamente, ser capa daquela publicação. É o seu desejo também?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Claro que sim! [Risos]&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há mulheres que já começaram a preparar o corpo para a eventualidade de um convite. É o seu caso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É. Acabei de fazer uma cirurgia plástica. Uma mamoplastia [Risos]. &lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Colecciona uma invejável lista de colaborações na imprensa portuguesa. O sexo vende sempre?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sim, é quase garantido que vende. A forma; o conteúdo menos.&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No Independente escreveu uma controversa crónica que intitulou: Os homens e os minetes. E recebeu, supostamente, uma resposta feroz de Miguel Sousa Tavares. Era realmente dele?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não sei, porque não é uma pessoa que eu aprecie. Se me interessasse, com certeza que gostaria de saber. Assim, só li metade da carta e depois desisti. Era tão estúpida.&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E de Paulo Portas, que reacção recebeu quando escreveu O rabiosque do Dr. Portas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ah, ele não ficou nada zangado, pelo que soube. Acho que se riu imenso. Aliás, não esperava outra coisa dele. &lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há mais algum rabiosque na política que lhe mereça atenção?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Devem ser todos muito peludos, feios e descaídos. Mas talvez o do Pedro Passos Coelho, talvez esse gostasse de ver [Risos].&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;
&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Foi assessora na Câmara Municipal de Sintra, a autarquia que Manuel Luís Goucha jura um dia querer liderar. É ele o homem que te faria voltar ali?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Depende de quanto me pagasse e depende do cargo. Mas sim, ele era homem para me fazer voltar.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;strong&gt;O seu pai cortou relações consigo quando deixou as licenciaturas, duas, a meio, por não levar a faculdade a sério...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;Não, não, não. Deixe-me interromper. Ele começou por deixar de me falar quando&amp;nbsp;troquei, no último ano,&amp;nbsp;Engenharia de Materiais por Relações Públicas. Na altura, esta licenciatura não era nada conhecida. Ele disse que eu iria acabar a&amp;nbsp;arrumar prateleiras num supermercado. Então, ficou três semanas sem me falar. Ou seja, eu levo a faculdade muito a sério, mas terminar alguma coisa deveria ter sido na área de ciências. Mas depois isso obrigava-me a sair de Portugal, e eu não queria sair porque não queria muito deixar o meu pai. Sobretudo o meu pai, porque a minha mão não vive cá. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ainda assim, o&amp;nbsp;seu pai, que cortou relações consigo quando trocou de licenciatura, que reacção teve quando publicou o livro Sete anos de mau sexo?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Adorou, adorou, adorou. Quando mostro as maminhas ele fica completamente em choque, mas depois adora as crónicas. No meio disto tudo, temos uma cumplicidade enorme. &lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nem os amigos dele da maçonaria tentam convencê-la a ser mais contida?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ninguém me convence de nada, muito menos a maçonaria [Risos]. Nem sequer se atrevem. Sabem que só sou alvo da minha própria vontade. &lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mesmo sendo o seu pai, José Manuel Anes, grão mestre da maçonaria regular?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Isso é uma opção dele, que respeito. Mas não tenho nada a ver com a maçonaria em geral.&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem a conhece, garante que é uma menina romântica, quase tímida. Não é nada do que parece nas crónicas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É isso mesmo: nada!&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Criou uma personagem?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Criei uma defesa. &lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porquê? É preciso uma certa dose de irresponsabilidade para brincar com o sexo em Portugal?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Irresponsabilidade não é algo que norteie a minha vida. Sou muito racional, calculista até. Mas as pessoas gostam de subestimar-nos, vêem-nos sempre como estouvadas ou louras ou coisa assim. Criei uma defesa por ser filha do meu pai, por ter que provar a dobrar que não tenho cunhas de ninguém. Sigo apenas o meu caminho.&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nunca teve medo de não ser levada a sério na escrita?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A principal pessoa que não se leva a sério na escrita sou eu. Há muito boa gente que se leva demasiado a sério na escrita e na verdade devia ver-se melhor ao espelho. &lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há quem diga que&amp;nbsp; a Ana e a Margarida Rebelo Pinto são as únicas cronistas a escrever para os homens. Tenho dificuldade em encontrar semelhanças, mas existem ou são coincidência?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não temos rigorosamente nenhuma semelhança, e graças a Deus.&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;José de Pina escreveu que se o seu livro tivesse saído mais cedo, Pinto da Costa não teria cometido tantos disparates e o Calor da Noite não teria perdido uma das suas melhores alternadeiras. O que é que Pinto da Costa poderia ter aprendido com o seu livro?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nada. Mesmo. Pinto da Costa poderia ter escrito dez livros destes. E de uma penada só [Risos].&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onde gostava mais de ver o livro: a ser lido a socapa no Parlamento ou à venda numa sex shop?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Gostava muito de o ver nos dois sítios. Imagino perfeitamente o Francisco Louça a ler o livro por baixo da bancada do Parlamento.&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem se esconde atrás da personagem? Se não é o que parece, quem é?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sou uma pessoa como as outras, mas com sentido de humor e com espírito crítico. No meu mundo só entra quem eu deixo.&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Helena Teixeira da Silva&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://www.jn.pt/aggbug.aspx?PostID=217075" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/tags/ANA+ANES_2F00_/default.aspx">ANA ANES/</category></item><item><title>José Silva Peneda: "Se eu fosse Dias Loureiro sairia do Conselho de Estado"</title><link>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/05/09/jos-233-silva-peneda-quot-se-eu-fosse-dias-loureiro-sairia-do-conselho-de-estado-quot.aspx</link><pubDate>Sat, 09 May 2009 19:11:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">fb4e9426-7c22-44e5-bf7d-a1c82e742f8a:207953</guid><dc:creator>jnonlineadmin</dc:creator><slash:comments>0</slash:comments><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.jn.pt/blogs/jnverao/rsscomments.aspx?PostID=207953</wfw:commentRss><comments>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/05/09/jos-233-silva-peneda-quot-se-eu-fosse-dias-loureiro-sairia-do-conselho-de-estado-quot.aspx#comments</comments><description>&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;No Parlamento Europeu fala-se do acervo Silva Peneda. Da Direita à Esquerda, os deputados (incluindo Ana Gomes e Miguel Portas) lamentaram publicamente que o PSD não tenha permitido que Silva Peneda, 59 anos, dê continuidade ao seu trabalho, sobretudo na área social. Ele, homem do Norte,&amp;nbsp;emociona-se, confessa que até fica vaidoso com as manifestações, mas não comenta a decisão de Manuela Ferreira Leite. &amp;quot;Acato-a e respeito-a&amp;quot;.&lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Paulo Rangel é um bom cabeça de lista às europeias ou precisa mesmo de mais papas Maizena?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;[Risos] É um bom cabeça de lista. Não o conheço em detalhe, mas é um homem acima da média. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;font size="2"&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Não há política sem a política da agressão verbal, como ele disse?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A minha experiência tem sido sobretudo no Parlamento Europeu onde não há a agressividade e emotividade que dominam o parlamento nacional.Mas a agressão verbal é sempre má, até porque Portugal tem coisas mais importantes para discutir...&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Está agora a discutir a lei do financiamento aos partidos. Concorda com João Cravinho quando ele diz que está aberto o leilão à corrupção?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Completamente. Os políticos deviam dedicar-se exclusivamente à política. Seria uma manobra higiénica se no próximo mandato os deputados renunciassem&amp;nbsp; a qualquer tipo de negócio.&amp;nbsp; &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Cavaco Silva deixa passar a proposta ou soma mais um veto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;[Risos] Não faço a mínima ideia. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Mas continua a ser cavaquista?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Continuo. É o tipo de político que gostaria de ver generalizado: homem honrado, sério, competente, com convicções, sem rodriguinhos. É o exemplo máximo. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;A propósito de corrupção e Cavaco Silva, posso pedir-lhe uma posição sobre a permanência de Dias Loureiro no Conselho de Estado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se estivesse na posição dele propor-me-ia a sair até o assunto ficar resolvido. Era mais transparente. Mas só ele pode decidir. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;O PSD celebrou agora 35 anos. O partido de Francisco Sá Carneiro ainda é o mesmo?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não, não é. O país também não é o mesmo. O PSD nasceu com uma componente de ruralidade, era o partido dos homens bons da terra que estavam ali para servir, eram respeitados pelas suas posições, eram homens de bem.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Quem são os homens que hoje fazem o PSD?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A componente rural perdeu-se.&amp;nbsp; O PSD nasceu no Porto, não nasceu em Lisboa. Ao contrário do PS, era o partido das lutas e das reformas. Mas hoje é tudo diferente...&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Se não se não sair das legislativas nenhuma solução evidente de governabilidade, Cavaco Silva deve apelar aos dois maiores partidos para formarem um bloco central com capacidade para gerar consensos para combater a crise?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não sei o que vai acontecer, mas o país está numa situação muito difícil e ainda vai piorar. Portugal tem que começar a falar muito seriamente sobre as questões que têm a ver com a política europeia, decidir como quer posicionar-se. Há questões fundamentais que não vejo serem discutidas e que são as que nos podem ajudar a sair da situação em que estamos.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Mas o bloco central pode ou não ser uma solução possível?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Todas as soluções são possíveis. Depende muito dos resultados eleitorais para depois se poder considerar esse tipo de cenário. Mas o país não pode ficar numa situação de impasse e de instabilidade. Depois das eleições, as pessoas que estão à frente dos partidos têm que assumir a sua responsabilidade e tirar consequências dos seus resultados eleitorais. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Em 35 anos votou sempre PSD?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sempre. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Mas o PSD deixou-o agora de lado nas europeias quando era sabido que tinha vontade de continuar...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fiz um mandato, gostei muito, mas não faço comentários em causa própria. Só posso dizer que fiquei emocionado com as manifestações dos colegas, da esquerda à direita, que ficaram surpreendidos pela minha saída.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;A lista é a única decisão de Ferreira Leite com a qual discorda?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu não disse que discordava da doutora Manuela Ferreira Leite. Acato e respeito a decisão dela. Se fiquei desiludido num primeiro momento? Fiquei. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;É o fim da possibilidade de ser coordenador da área social na próxima legislatura pelo PPE?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É, claro. Para isso tinha que ser deputado. Tinha expectativa de ser coordenador, estava tudo preparado, e estava muito empenhado.&amp;nbsp; Agora, será o colega húngaro.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;Helena Teixeira da Silva&lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://www.jn.pt/aggbug.aspx?PostID=207953" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/tags/JOS_26002300_201_3B00_+SILVA+PENEDA+_2F00_/default.aspx">JOS&amp;#201; SILVA PENEDA /</category></item><item><title>Ana Galvão: "Nuno Markl é o meu Chanel Nº 5"</title><link>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/05/03/ana-galv-227-o-quot-nuno-markl-233-o-meu-chanel-n-186-5-quot.aspx</link><pubDate>Sun, 03 May 2009 01:00:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">fb4e9426-7c22-44e5-bf7d-a1c82e742f8a:199034</guid><dc:creator>jnonlineadmin</dc:creator><slash:comments>1</slash:comments><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.jn.pt/blogs/jnverao/rsscomments.aspx?PostID=199034</wfw:commentRss><comments>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/05/03/ana-galv-227-o-quot-nuno-markl-233-o-meu-chanel-n-186-5-quot.aspx#comments</comments><description>&lt;p align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;&lt;img alt="" hspace="0" src="http://fotos.sapo.pt/2mgb7DI9lTzD38ubpOCS/" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alegria dela tem asas. A voz é inconfundível. Ana Galvão, 34 anos, sangue espanhol nas veias, no ventre filho português, contagia diariamente o país com a sua energia. Que outro dia senão este, que é simultaneamente da Mãe e do Riso, poderia ser melhor para a entrevistar?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;É mito ou Leonor, a personagem que se despe em As bodas de Deus de João César Monteiro, é mesmo a Ana?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sou sim senhor. Mas gosto que se mantenha mito.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Então, por que razão assinou Ana Velasquez?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando escolhi o nome não tinha sequer ideia que iria fazer de Leonor, já que o César Monteiro iria dar-me outro papel, que acabou por não existir no filme. Leonor apareceu depois. Ana Velasquez porque era um desvio à minha profissão e porque é o meu pintor ibérico preferido.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Isso foi em 1998. Perdeu-se uma actriz?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Perdeu-se foi um papel que poderia ter sido desempenhado por alguém profissional. Na altura achei que poderia fazer, hoje vejo que é medíocre.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;No contexto do cinema que se faz em Portugal, César Monteiro era um louco, um pervertido ou um génio?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Um louco com rasgos de génio e&amp;nbsp; com muitas tendências pervertidas. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Depois dessa experiência, aceitaria posar nua para a Playboy?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Só se fosse agora, a gravidez deu-me um peito digno de Playboy. O problema é a barriga não ser a mais adequada.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Nasceu em Madrid e veio para cá em 1988. Nesse ano, Dora ganhava o Festival da Canção com Voltarei, Rosa Mota emocionava o país com a medalha de ouro em Seul, Lisboa chorava o incêncio dos armazéns do Chiado, a Olá lançava o gelado Calipo, os Ban cantavam Dá-me um ideal social.... Tudo somado, era cartão de visita para ficar ou para fugir?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tendo em conta que fugi de uma Espanha onde nos serões reinava o Um dois três e no top estava, sem dar tréguas, Julio Iglesias, penso que a opção era ficar.&amp;nbsp; Quanto ao Calipo, continua a ser um dos meus preferidos. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Qual foi a primeira imagem do país que ficou na memória dessa menina de 13 anos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tinha 14, vim cá parar no Verão. A imagem mais forte que tenho é a do incêndio do Chiado e de ver o fumo ao longe, nunca mais esqueci que foi em 88. Também me marcou muito o disco &amp;#39;88&amp;#39; dos Xutos &amp;amp; Pontapés que cheguei a enviar gravado em cassete a amigas minhas espanholas. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que havia em Espanha nessa altura que ainda não tinha chegado cá e da qual sentiu falta?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O maravilhoso tomate frito pronto a servir que ainda hoje trago de Espanha. Senti muita falta de ver televisão traduzida, fez-me confusão acostumar-me a ver e a ler ao mesmo tempo, achei que em Portugal as pessoas eram muito inteligentes por conseguirem fazâ-lo. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Hoje faz todos os dias as Manhãs da Antena 3 [10h-13h]. É uma responsabilidade ser sempre o alegre despertador dos portugueses?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Sim, é uma responsabilidade oferecer&amp;nbsp; na rádio o que de melhor temos e sermos honestos com os ouvintes e&amp;nbsp; sei que a minha energia e a alegria são das melhores coisas que posso oferecer. Não me custa nada, custar-me-ia sim, e muito, ser diferente. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Quem é o seu Chanel nº 5 da rádio?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sei que é óbvio, mas é avassaladoramente verdade: o Nuno Markl. Sempre foi, admiro o seu dom de criatividade&amp;nbsp; e de palavra. Numa gama Christian Dior, escolho o Sena Santos na informação e o Ricardo Portulez na animação. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;E quem lhe desperta um espírito de serial killer?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Serei amputada por isto? Vamos dizê-lo sem medo: irritam-me todos os locutores que colocam muito a voz e dizem sem parar&amp;nbsp; frases que incluem as fórmulas : Venha daí Comigo; Boa disposição; Para uma tarde muito divertida, e&amp;nbsp; Há quanto tempo não sorri a ninguém? Vá lá, sorria!.&amp;nbsp; &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Incomoda-a o número de abordagens sobre a união Markl-Galvão, como se Markl-Galvão fosse uma marca?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já me incomodou mais, mas&amp;nbsp; como sei que não é uma marca das fortes , uma Sinca no mundo dos carros, e não me incomodam muito, acabo por não me angustiar com isso. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Depois de ter reencontrado o amor via Galvão, Markl disse sentir-se como Jack Lemmon no filme Apartamento [1960] de Billy Wilder. Se a vossa casa falasse, o que diria?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;E estas duas pessoas tão infantis que fazem desenhos um ao outro e os espalham pela casa preparam-se para&amp;nbsp; ter um filho? Deixa-me cá esconder as tomadas.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Está a correr uma petição na internet para forçar o Markl a deixar crescer a barba, que ele cortou por amor. Se achas que a barba dava um ar cool ao senhor Markl assina esta petição. Não deixes que o Markl se pareça finalmente com o geek que sempre imaginou ser é a alegação. Está na disposição de o deixar ceder?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Façam justiça. Eu tinha dito que gostaria de o ver sem barba mas&amp;nbsp; a ideia de a tirar foi dele. Há quem me acuse de pretender transformar o velho Markl em alguém diferente. Quem tem de ceder&amp;nbsp; à petição é o senhor, embora aqui para nós, ele pica bem menos!&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Markl tem dois sonhos: escrever o primeiro filme pornográfico português com genuínas inquitações existenciais, e escrever fábulas adultos com pouca vontade de crescer. Enquanto musa inspiradora, para qual poderia dar um contributo maior?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida para o segundo, eu própria sou uma adulta que às vezes tem pouca&amp;nbsp; vontade de crescer. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Desde que engravidou, diz que ganhou lágrima fácil. De que situações se envergonha de ter chorado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Com filmes tontos como o Kung-Fu Panda (quando morre uma tartaruga), e por me ter caído há pouco tempo uma colcha macia na cabeça. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;No seio de uma família assumidamente simpsónica, o ser markliano que aguarda poderá transformar-se num Bart Simpson?&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;Ao contrário das aparências, o Markl tem muito pouco de Homer, pois já nem barriga possui. Por isso é pouco provável que venha um Bart.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Têm-lhe pedido coisas improváveis como dirigir o Metro por um dia. Há alguma coisa que gostasse particularmente de experimentar e para a qual ainda não tenha sido desafiada?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Adorava que me convidassem para cantar. Embora tenha&amp;nbsp; uma péssima voz poderia apenas sussurrar como faz o Pedro Abrunhosa. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Hoje&amp;nbsp;celebra-se o&amp;nbsp;Dia da Mãe, o Dia Mundial do Riso e o dia do regresso de Os Contemporâneos. A Ana está a menos de um mês de ser mãe pela primeira vez, é conhecida pela sua voz contagiantemente alegre e suponho que não vá faltar à estreia da terceira temporada da série escrita por Nuno Markl. Se as pessoas fossem um dia, este seria realmente o seu?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Essa conjunção de factos farão com que seja um dia importante,&amp;nbsp; mas&amp;nbsp; o meu dia será quando tiver o Pedro.&amp;nbsp; Serei mãe pela primeira vez e será o primeiro dia para uma nova vida. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;strong&gt;Helena Teixeira da Silva&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://www.jn.pt/aggbug.aspx?PostID=199034" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/tags/ANA+GALV_26002300_195_3B00_O+_2F00_/default.aspx">ANA GALV&amp;#195;O /</category></item><item><title>António Reis: "Deus nos livre de Rui Rio ser primeiro-ministro"</title><link>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/04/26/ant-243-nio-reis-quot-deus-nos-livre-de-rui-rio-ser-primeiro-ministro-quot.aspx</link><pubDate>Sun, 26 Apr 2009 13:58:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">fb4e9426-7c22-44e5-bf7d-a1c82e742f8a:190401</guid><dc:creator>jnonlineadmin</dc:creator><slash:comments>1</slash:comments><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.jn.pt/blogs/jnverao/rsscomments.aspx?PostID=190401</wfw:commentRss><comments>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/04/26/ant-243-nio-reis-quot-deus-nos-livre-de-rui-rio-ser-primeiro-ministro-quot.aspx#comments</comments><description>&lt;p align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Está sempre na linha da frente para dar a cara, a voz e o corpo pela cidade onde nasceu há 64 anos. Mas António Reis sabe que nem em todas as batalhas há vitórias: este ano talvez tenha que assistir à morte do Boavista.&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;font face="GlasgowRR Medium" size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" color="#000000"&gt;&lt;strong&gt;Conhece pessoalmente o ministro da Cultura, António Pinto Ribeiro?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="GlasgowRR Medium" size="2"&gt; 
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Conheci-o há pouco tempo... &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Desde que ele, advogado, assumiu a pasta da cultura, persiste o boato de que foi nomeado por engano em vez de Pinto Ribeiro, ex-director da Culturgest. Também lhe parece ter sido um equívoco?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Conheço a história. Dizem que foi o primeiro-ministro que os confundiu por terem nomes iguais. Não sei se é boato ou equívoco. Mas Pinto Ribeiro, agora ministro, já o deveria ter esclarecido.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Consta que uma companhia de teatro do Porto ficou sem subsídio depois de ter denunciado o tal suposto engano. E esta história, sabe a boato ou a equívoco?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Essa história já não conheço. Se isso aconteceu já depois de o subsídio ter sido aprovado, e se aconteceu com base num comentário qualquer, coloca-nos num cenário anterior ao 25 de Abril. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;A sua liberdade artística está como a economia, em recessão, ou tem balões de oxigénio como a banca?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;A minha liberdade não émuito cerceada, mas também  reconheço  há poucos momentos em que pode ser exprimida plenamente. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;É por isso que está na Galiza?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não. O trabalho que estou a fazer lá [apresentação da peça Kvetch, de Steven Berkoff] corresponde ao que faço cá. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;O Porto deixou de discutir estado da cultura. Os agentes desistiram, morreram ou emigraram, sabe?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Individualmente, muitos emigraram, sim. Mas as estruturas estão cá todas. É verdade que nos entregámos todos  e eu incluo-me  a um deixa andar, que é grave.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;É impossível não haver crise na cultura numa crise económica?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;A cultura está em crise porque tem sido muito mal tratada por este governo.&#x10;Há anos que se fala de uma execução orçamental de 1% e o que se conseguiu foi a maior redução de sempre, a verba não chega a 0,3%. Tenho medo de um país assim. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;O Rivoli, entregue a La Féria, custa por ano à Câmara 600 mil euros. Quanto custa a sua Seiva Trupe?&lt;/strong&gt; &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Ao Estado português, e não à Câmara, custa 375 mil euros. Recebemos o mesmo valor há cinco anos. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Rui Rio apresentou esta semana a candidatura à Câmara do Porto. Significa que, se ganhar, a cidade ficará 12 anos sob a alçada dele. Já consegue reconhecer-lhe valor?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Tenho dificuldade em reconhecer-lhe algo que não seja o clima de conflitualidade que criou com várias instituições da cidade. E mesmo com o Governo. Quando o PSD estava no poder, Rui Rio chamava parolos e provincianos aos que reivindicavam poder em relação à capital. Hoje é ele quem o faz de forma feroz e intensa. Mas sem que haja resultados palpáveis dessa mudança de atitude.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Não salva nada destes oito anos?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não lhe atribuo uma única obra de referência. A cidade está de luto pesado. Há uma desmotivação clara e generalizada. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Há sempre a possibilidade de Rui Rio poder liderar o PSD e, quem sabe, tornar-se primeiro-ministro. Fazia bem ao país um homem com o perfil do presidente da Câmara?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Deus nos livre de Rui Rio ser primeiro-ministro deste país! Privatizaria logo o Teatro Nacional D. Maria II e o S. Carlos. E isto é apenas um exemplo. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Pode depreender-se que irá votar em Elisa Ferreira?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Convictamente. Só tenho pena que ela não tenha sido candidata há quatro anos. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;Vota nela mesmo sabendo que não será vereadora se não vencer?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Sabendo isso e mesmo não concordando com o facto de ser simultaneamente candidata ao Parlamento Europeu. Não tenho alternativa. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;E para evitar a morte do seu clube, o Boavista, tem alternativa?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;O actual presidente Álvaro Braga Jr. diz que a culpa não pode morrer solteira, mas temo que vá morrer. Todos sabemos que a gestão de João Loureiro, se não foi danosa, foi pelo menos muito má.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;strong&gt;A culpa morre solteira mas consegue salvar-se o clube?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="PoynterOSTextTwoL-Roman"&gt;&lt;font style="FONT-SIZE:9pt;" size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;A culpa morre solteira e eu desejo ardentemente que o Boavista se salve, mas será quase impossível.&lt;/font&gt; &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;Helena Teixeira da Silva&lt;/p&gt;&lt;/font&gt;&lt;img src="http://www.jn.pt/aggbug.aspx?PostID=190401" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/tags/ANT_26002300_211_3B00_NIO+REIS+_2F00_/default.aspx">ANT&amp;#211;NIO REIS /</category></item><item><title>Francisco Amaral: "A minha mordaça foi neoliberal"</title><link>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/04/19/francisco-amaral-quot-a-minha-morda-231-a-foi-neoliberal-quot.aspx</link><pubDate>Sun, 19 Apr 2009 01:37:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">fb4e9426-7c22-44e5-bf7d-a1c82e742f8a:182078</guid><dc:creator>jnonlineadmin</dc:creator><slash:comments>0</slash:comments><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.jn.pt/blogs/jnverao/rsscomments.aspx?PostID=182078</wfw:commentRss><comments>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/04/19/francisco-amaral-quot-a-minha-morda-231-a-foi-neoliberal-quot.aspx#comments</comments><description>&lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Não é possível falar de rádio em Portugal sem falar de Francisco Amaral. Nos Estados Unidos&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;seria considerado um guru; aqui é um resistente. Mas é também um caso sério: a Íntima Fracção começou na RDP, passou pela TSF, pela RUC, pela RUM, e mais. E celebra este mês 25 anos de existência.&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Os ouvintes aceitam que vá mudando de port&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;o; o que não aceitam é deixar de o ouvir.&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Alguma vez&amp;nbsp;conheceu uma história assim?&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Ouve música para não ouvir o resto do mundo?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não. Ouço música para compreender o resto do mundo.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;A música ainda pode ser uma arma de arremesso?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Pode. E está a ser agora com a tão falada música dos Xutos &amp;amp; Pontapés.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Também ouve a canção Sem eira nem beira como um manifesto anti-Sócrates?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não. As coisas estão ditas pelos nomes, mas como música não tem grande força.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;35 anos depois do 25 de Abril, recorrer à música para criticar significa que a liberdade de expressão adquirida é uma ilusão de óptica?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Existe liberdade de expressão. O que cada vez existe menos é espaço para exercer essa liberdade. Ou até pode existir espaço, mas não existe a ideia de que o que se diz vá mudar alguma coisa. Temos a liberdade de dizer o que queremos, mas parece nunca haver resultados disso.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Pode traçar-se o perfil de um político se se souber o que ele ouve? Sócrates, por exemplo, chega atrasado, mas aparentemente gosta de ópera...&lt;/font&gt;&lt;/b&gt; 
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Acho que sim. Ao falarmos dos outros falamos de nós, ao ouvirmos a música dos outros é de nós que estamos a falar também.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;b&gt;Consegue imaginar o slogan da sua Íntima Fracção [IF]&amp;nbsp;- &lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Pouco para dizer, muito para escutar, tudo para sentir  &lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="FONT-STYLE:normal;"&gt;&lt;b&gt;num outdoor de campanha política?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;i&gt;A&lt;/i&gt;&lt;span style="FONT-STYLE:normal;"&gt; intenção do slogan era completamente diferente, anunciava um espaço íntimo da programação da rádio. Julgo que os políticos não o quereriam usar.&lt;/span&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;FONT-STYLE:normal;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Porquê? Seria surpreendente um político a manifestar desejo de escutar?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE:normal;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Seria extraordinário. Os políticos sabem escutar muito pouco.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Lembra-se do nome do director da TSF em 2003? &lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;O Carlos Andrade até Julho. Depois, foi o José Fragoso.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Paulo Rangel, cabeça de lista do PSD às europeias,&amp;nbsp;reactivou esta semana a palavra &amp;quot;mordaça&amp;quot; para dizer que não se inibiria de trazer assuntos nacionais para a campanha. Vital Moreira protestou: Eu é que sei o que é suportar mordaça, disse. A mordaça que a TSF lhe impôs nessa altura, em 2003, foi democrata, como a de Rangel ou à Estado Novo, como a de Vital?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;[Risos] Foi uma mordaça neoliberal. Uma mordaça pura e simplesmente de ordem económica e de estratégia, e que não me foi só aplicada a mim. Tarde ou cedo sabiamos que essas mordaças teriam consequências. Traduziram-se na venda na TSF.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Nessa altura, escreveu no seu blogue: Por favor, digam-me que eu existo. Tinha dúvidas?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Tinha. Pouco depois, numa entrevista a O Independente, o José Fragoso disse que o programa de rádio que eu fazia não se sustentava com mil ouvintes. Mais tarde, com a distribuição da IF na internet, constatei que havia mais de mil pessoas. Das duas uma: ou a net tinha ultrapassado largamente a TSF ou eu, de facto, não existia. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Tanto existia que houve quem sugerisse uma concentração de protesto à porta da TSF quando saiu da rádio. Para que serve a opinião dos ouvintes, sabe?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Conta para muito pouco ou nada. Essa opinião está previamente definida pelos programadores das estações de rádio. Definem o que interessa às pessoas - pela banalidade e pela equalização, que é um termo muito radiofónico.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Qual é a diferença entre a rádio que se faz hoje e uma Jukebox?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não é justo dizê-lo sobre todas as rádos, mas há pouca diferença. Você pode programar uma jukebox dentro do que ela dispõe. A juke&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;radio é controlada por uma pessoa que impôe aquele circuito: os discos repetem-se durante semanas.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Foi por não ser querer ser controlado por uma pessoa que decidiu montar um estúdio em sua casa?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não. O estúdio foi montado em 1995, com o apoio da própria TSF. Foi um opção logística. Os estúdios de Coimbra foram vendidos e para não ter que me deslocar a Lisboa, passei a usar o meu próprio estúdio. Sempre aspirei a ter um estúdio íntimo.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Na América, o Francisco seria considerado uma espécie de guru. Aqui, parece ser apenas um resistente. Incomoda-o ou orgulha-o?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;É motivo de orgulho perante mim próprio. E perante o número de ouvintes que, a partir da última emissão da IF na TSF, tive consciência que tinha. Foram 20 anos. Isso deixa um lastro imenso de pessoas, mesmo que seja um programa chamado de culto. A IF sempre foi muito mais conhecida do que eu. &lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;A obra tornou-se maior que o autor?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Muito mais. E eu também nunca procurei popularidade. Sinto orgulho pela resistência dela, é louvavel. Por outro lado, sinto alguma mágoa porque, na prática, não sei se temos retorno dessa resistência.&amp;nbsp;E há outras pessoas dentro da rádio cuja resistência pode não ser ao nível de um programa, mas é delas próprias enquanto profissionais, como forma de sobrevivência. Há gente excelente na rádio a ser estrangulada por estes processos novos. Há um radialista importantíssimo da Rádio Portuguesa - passou pela Comercial, pela XFM, e agora está na TSF - que é o Aníbal Cabrita, e que hoje é apenas um mero disparador de discos e publicidade. É absolutamente lamentável.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Perante esse cenário, o que diz aos seus alunos em Coimbra?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;O jornalista não vai desaparecer. Ensino sobretudo aquilo a que hoje se chama a convergência. Tento que eles percebam que as diferenças entre Rádio, Televisão e Imprensa não estão tão esbatidas como antes. Custa constatar que os cursos dificilmente estão a adaptar-se a essa realidade. Tento que eles tenham consciência dela. Não estamos a iniciar um novo paradigma; já estamos dentro dele. A palavra chave é: convergência. É preciso saber lidar com ela, saber trabalhar com ela. Sem isso, nunca poderá fazer-se nada de correcto e suficientemte interessante dentro dessas novas formas de comunicação.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Pode dizer-se que, depois do fim da IF na TSF, foi salvo pela Internet?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Sem dúvida. Absolutamente. Se não fosse a Internet tinha que me ter sujeitado a fazer aquilo que o mercado poderia proporcionar para eu fazer, outras coisas que não a IF. Mas foi a internet, de facto, que me salvou. A Net e algumas pessoas que, através do meio, conseguiram puxar a própria IF. Desencadeou-se, nessa altura, um movimento de pessoas que ainda hoje não conheço pessoalmente. E já passaram seis anos.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Está no Expresso há precisamente um ano. É preciso coragem ou sapiência para colocar um programa de rádio num jornal?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;As duas. Para avançar num meio tradicionalmente estanque com conteúdos provenientes de outro meio é preciso coragem. Mas também sabedoria. Dentro do grupo Impresa há uma consciência muito forte da tal convergência. Existe uma formação obrigatória  obrigatória, não opcional -, que tem a ver com a convergência, e que é feita a partir da Universidade da Carolina do Sul. Saber farejar do futuro dos media demonstra sabedoria. &lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;O PS voltou a aprovar sozinho a lei do Pluralismo. Tem pernas para andar?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;A poucos meses das eleições parece-me que é uma disposição que corresponde mais a uma intenção do que ao que vai acabar por se efectivar, devido a pressões não só políticas, mas também económicas. A partir do próximo Verão será diferente.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Ainda há margem para piorar?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;[Risos] Não me admiro.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Os Divine Comedy têm uma canção chamada If, que acaba a dizer: Se fosses um cão serias o meu amigo mais leal e ficaríamos juntos até ao fim. A IF, a sua, para si, é isto?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Tive um cão, só tive um, o Lak, que esteve comigo até ao fim dele próprio. Aprendi com ele que os animais são realmente mais fiéis do que as pessoas. Nesse sentido, trasformei-me, também eu, num cão. Os 25 anos da IF são bons, mas também são terríveis. No outro dia, o Nuno Santos [director de programas da Sic] enviou-me uma mensagem a dizer: A IF és tu. Começo a ter receio. Se acabar com a IF acabo comigo? Há quem me peça mais 25 anos e eu não sei se posso ficar com a IF até ao fim da minha própria vida. &lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;O que&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&amp;nbsp;o assusta nisso?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Seria óptimo se, nessa altura, estivesse lúcido, capaz de acompanhar o que vai aparecendo sem esquecer o que passou. Mas existe a possibilidade de ficar com falta de memória e com pouca abertura para o que aparecer de novo. Se não estiver lúcido é mais complicado. Para desfazer a IF completamente é melhor não fazer.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Numa altura em que tudo dura tão pouco, a IF  indissociável de quem a criou , ao fim de 25 anos parece ainda demasiado longe do fim que descreve dessa forma...&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;As coisas duram pouco porque são feitas para durar pocuo. Aquela ideia que tínhamos de que uma boa marca dura para sempre foi substituída pela ideia de que as coisas são bonitas e atractivas para serem consumidas de forma rápida. É a lei da economia. No que diz respeito aos afectos pode não ser assim. E a IF é algo que está no domínio dos afectos. O segredo da IF é seguramente a relação que se estabeleceu com os ouvintes. No último programa da RDP usei uma canção de um crooner francês chamada Au revoir, em que ele diz que basta haver um contacto íntimo do coração com a audiência para valer a pena. Com a IF houve isso. Nunca disse Boa noite, nunca disse a temperatura, mas por trás do textos, dos sons, dos extractos de filmes, dos sectores mais variados, há afecto. É no domínio dos afectos que as coisas podem efectivamente durar. Por muito que digam que os afectos não duram. O que não dura são as relações; os afectos duram. O afecto que tenho pela rádio, pela IF, pelos ouvintes, e os ouvintes pela IF, não acaba. Agora, na internet, há pessoas que me dizem que me ouvem desde 1984. &lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="FONT-WEIGHT:normal;MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Antes da Internet, andava às escuras em relação à audiência?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não. No máximo, andei seis, sete meses. Foi tudo muito rápido. A primeira pessoa que falou da IF foi o Miguel Esteves Cardoso no Expresso. E isso potenciou imediatamente o interesse pelo programa. Sem internet, logo no início de 1985, comecei a receber cartas. Não sabia caracterizar o público  julgo que ainda hoje não sei -, nem quantificá-lo, mas que existia um outro lado, disso tinha absoluta consciência.&lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif"&gt;&lt;b&gt;Quando sonhamos chegar às estrelas somos crentes ou ingénuos? A pergunta é sua, devolvo-a. &lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT:normal;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;[Risos] Pois é. Os crentes são sempre ingénuos, sinceramente. Se não fossem ingénuos não seriam crentes. Crer tem a ver com o conceito de esperança. É quase do domínio da fé, embora não religiosa. Quem crê, espera. Quem não é ingénuo concretiza imediatamente. As pessoas que são seguras de si não precisam de ter esperança. Os esperançosos vão para além do imediatismo, são aqueles que estão de boa fé, é quase o conceito católico dos bem aventurados. &lt;/font&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&amp;nbsp;&lt;strong&gt;Helena Teixeira da Silva&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://www.jn.pt/aggbug.aspx?PostID=182078" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/tags/FRANCISCO+AMARAL+_2F00_/default.aspx">FRANCISCO AMARAL /</category></item><item><title>Tiago Azevedo Fernandes: "Rui Rio quer ir para o Parlamento Europeu"</title><link>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/04/12/tiago-azevedo-fernandes-quot-rui-rio-quer-ir-para-o-parlamento-europeu-quot.aspx</link><pubDate>Sun, 12 Apr 2009 12:34:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">fb4e9426-7c22-44e5-bf7d-a1c82e742f8a:174690</guid><dc:creator>jnonlineadmin</dc:creator><slash:comments>3</slash:comments><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.jn.pt/blogs/jnverao/rsscomments.aspx?PostID=174690</wfw:commentRss><comments>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/04/12/tiago-azevedo-fernandes-quot-rui-rio-quer-ir-para-o-parlamento-europeu-quot.aspx#comments</comments><description>&lt;p align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;strong&gt;Há cinco anos, na véspera do 25 de Abril, cansado de esperar por algo melhor, Tiago Azevedo Fernandes, 42 anos, lançou um desafio aos portuenses na internet: discutir a cidade. A Baixa do Porto, que fundou e modera, é hoje um dos espaços mais dinâmicos e inclusivos da blogosfera. Ali dá-se o exemplo: faz-se Política.&lt;/strong&gt; &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Quem diz: A Internet é o futuro já está anacrónico?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Há pelo menos 10 anos que a Internet já é essencial para mesmo muita gente; para mim há mais de 20. Mas a Internet do passado não é igual à Internet do futuro: as várias formas de comunicação tendem a fundir-se e complementar-se, sendo todas necessárias.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;A internet é agora e quase ninguém se imagina sem ela. Acha que um dia poder-se-á perceber que afinal ela tirou mais do que deu: por exemplo, a memória?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Se se perder memória a culpa não terá sido da Internet, mas da deficiente educação.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;O Twitter é o novo ícone da Era do Vazio, profético título do livro de Lipovetsky,&amp;nbsp;publicado em&amp;nbsp;1988?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;O Twitter é apenas uma ferramenta. Como qualquer outra, pode ser usada de forma produtiva ou apenas para perder tempo. Eu criei a minha conta http://twitter.com/taf em 2007. Esteve ano e meio parada mas a partir de certa altura tornou-se útil. O facto de 95% do tráfego total do Twitter ser pouco mais do que lixo não tira valor aos restantes 5%. Como se pode seleccionar o que se recebe e decidir o que se publica, recomendo que experimentem.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Assistir a tantos jornalistas e directores de jornais a twittar o dia inteiro como se estivessem num chat é bom sinal ou sinal dos tempos?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;É preocupante que dediquem tanto tempo a twittar. O trabalho de qualidade exige períodos de concentração que não são compatíveis com tanta &amp;quot;twittagem&amp;quot;. Mas não é diferente se em vez disso estiverem constantemente ao telemóvel ou em reuniões inúteis.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Vai ter saudades de ler jornais em papel?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não, porque não vão acabar. Vão talvez ser diferentes.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Os novos cronistas saltam dos blogues para os jornais. O caminho não devia ser o inverso?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Os blogues vierem dar visibilidade a quem não era divulgado pelos jornais. A imprensa era um pequeno mundo que foi abalroado pela blogosfera (um &amp;quot;grande mundo&amp;quot;, comparativamente), e com isso acabou por ganhar bastante. Há bons exemplos de colaboração mútua, e frequentemente apenas tácita e informal, entre blogues e jornais.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Ser citado no Abrupto de Pacheco Pereira, rei da blogosfera, mesmo que seja como responsável por uma cabala contra Manuela Ferreira Leite, é motivo de orgulho para um blogger?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;É principalmente motivo de divertimento perante tal disparate! Pacheco Pereira teve (e tem) mérito na utilização e divulgação da blogosfera, mas os seus tempos de &amp;quot;rei&amp;quot; já terminaram há muito. É aliás sinal de que a blogosfera evoluiu também com o contributo dele.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Para quem fundou o mais mediático e inclusivo blogue do Porto, A Baixa do Porto, mantém o seu blogue individual, TAF, e não resiste a participar numa discussão, sobretudo se for suficientemente polémica, ser blogger é uma espécie de profissão, um vício, puro exercício de cidadania?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;É principalmente um exercício de cidadania já semi-profissionalizado, se bem que sem as compensações financeiras que seriam normais numa profissão...&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Alguma vez sofreu pressões políticas nA Baixa do Porto?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não sei bem o que são &amp;quot;pressões políticas&amp;quot;. Já tive fortes manifestações a favor e contra opções editoriais ou opiniões minhas. Ouço-as a todas e medito sobre elas. Ao fim, chego a uma conclusão pessoal e actuo de acordo com ela. As pressões a mim não fazem mal nenhum. :-)&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;E ao contrário, sente que usa os seus blogues para fazer política?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Sim, seguramente. A razão para eu gerir e participar em blogues é tentar melhorar um bocadinho o mundo. Isso é certamente Política. Foi por isso também que aceitei o recente convite para &amp;quot;blogar&amp;quot; em &lt;em&gt;http://blogs.publico.pt/eleicoes2009/.&lt;/em&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;J. M. Coetzee escreveu em Diário de um ano mau que a política é como a poluição, está toda à nossa volta. O melhor é ignorá-la ou simplesmente habituarmo-nos a ela, adaptarmo-nos. Como claramente não a ignora, rendeu-se ou gosta mesmo de política?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&amp;quot;Política&amp;quot;, em Democracia e entre cidadãos minimamente decentes, é a forma que as pessoas têm de expressar a sua opinião e tentar orientar o progresso do mundo no sentido que lhes parece mais benéfico. Como se pode ignorá-la?&lt;/font&gt;&lt;font size="2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Elisa Ferreira diz que dá tudo pelo Porto, mas não prescinde da candidatura a Bruxelas. Isso é um erro político ou de carácter?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;É uma opção legítima de que os eleitores estão conscientes. Eu no caso dela possivelmente não a tomaria, mas também não encontro razões fortes para que um candidato tenha de arriscar, com sacrifício pessoal (porque é mesmo pessoal), a possibilidade de ficar sem ocupação profissional sem qualquer pré-aviso, pois o desenlace só se conhece no dia da eleição. Ver o cargo como um prémio (e não um serviço) é que justificaria o &amp;quot;risco&amp;quot;; não é essa a postura recomendável. Pior: caso perca a eleição autárquica, perder-se-ia também, eventualmente, um bom deputado europeu.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;E é para Rui Rio usar ou ignorar?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Dada a minha opinião expressa acima, deveria ignorar pois não é relevante. Discutam-se antes os projectos para a cidade.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Porque é que sentiu necessidade de se tornar militante do PSD? &lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Porque não é nada saudável que, num país com cerca de 9 milhões de eleitores, o Primeiro-Ministro e o líder da Oposição sejam escolhidos (cada um deles) por um universo de menos de 40 mil pessoas: os militantes que votam internamente para escolher os dirigentes do seu partido. No total é menos de 1% da população! Os restantes 99% limitam-se a escolher entre esses dois, num jogo viciado à partida. Assim ao menos é mais um voto nessa escolha, cumpro o meu dever.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Essa militância significa apoiar Rui Rio no presente e votar nele daqui a uns meses?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Eu não apoio pessoas. Voto em função dos programas e da capacidade que os candidatos têm para os implantar. Não se conhecem ainda os programas dos candidatos para o Porto. Rui Rio tem grandes qualidades que são muito prejudicadas pelos grandes defeitos que também tem. O Porto precisa de alguém capaz de unir os munícipes e de criar sinergias com os municípios vizinhos. Nenhum dos candidatos ou potenciais candidatos conhecidos me parece em boas condições para o fazer. De qualquer modo estou convencido de que Rui Rio quer ir para o Parlamento Europeu, e por isso daqui a uns dias já se vai ver se este meu palpite se confirma ou não. ;-)&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Comparar o moral política de Sócrates com a defesa de monogamia de Cicciolina parece-lhe uma comparação insultuosa ou, dada a ameaça de processo, um exagero de intolerância do primeiro ministro?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Como já tem sido dito, será provavelmente insultuoso para Cicciolina.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;O que é mais grave, a poucos dias de se celebrar os 35 anos do 25 de Abril: não saber usar a liberdade de expressão ou não a saber respeitar?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não a saber respeitar.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Pirateou o site de José Sócrates, socrates2009.com. Fê-lo porque o&amp;nbsp;primeiro ministro&amp;nbsp;tem demasiados episódios apetecíveis para fazer humor ou porque não gosta mesmo dele?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Eu não pirateei o site. O que fiz foi registar o endereço sócrates2009.com (com acento) por Sócrates ter prescindido dele em favor do oficial escrito em &amp;quot;português técnico&amp;quot;, sem acento. A pessoa de José Sócrates não me interessa, mas aquilo que o Primeiro Ministro faz já é relevante. A cidadania também se pode exercer com humor, e foi o que eu tentei fazer: intervenção política com uma vertente lúdica.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;O que imagina que contém o ipod que Obama ofereceu a Isabel II?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Boa pergunta... Ou está vazio, ou tem uma saudação formal qb. de Obama. Admito que não tenha o último álbum dos U2. :-)&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Berlusconi, que pediu aos 20 mil desalojados de Aquila para fazerem de conta que estão num fim-de-semana de campismo, é o último romântico dos políticos ou um idiota ao nível de Bush?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Acho que pegam com ele por tudo e mais alguma coisa (mesmo que muitas vezes com razão). Eu não atribuo significado especial a essa afirmação. Não a tendo ouvido, admito que possa revelar boa intenção expressa ao estilo dele. Dar atenção a este episódio menor serve objectivamente apenas para desviar o foco de outros aspectos (esses sim bem graves) da sua actuação.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Evo Morales, presidente da Bolívia, entrou ontem em greve de fome. Em democracia, isto significa o quê?&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Em Democracia, o poder que se tem é dado (ou melhor: emprestado) pelo povo. Se o povo for sensível à greve de fome e não às propostas que estão em discussão, o povo terá o que merece.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;Helena Teixeira da Silva&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://www.jn.pt/aggbug.aspx?PostID=174690" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/tags/TIAGO+AZEVEDO+FERNANDES+_2F00_/default.aspx">TIAGO AZEVEDO FERNANDES /</category></item><item><title>M. A. Pina: "Políticos são sócios dos patrões"</title><link>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/04/05/m-a-pina-quot-pol-237-ticos-s-227-o-s-243-cios-dos-patr-245-es-quot.aspx</link><pubDate>Sun, 05 Apr 2009 14:41:00 GMT</pubDate><guid isPermaLink="false">fb4e9426-7c22-44e5-bf7d-a1c82e742f8a:167812</guid><dc:creator>jnonlineadmin</dc:creator><slash:comments>0</slash:comments><wfw:commentRss xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/">http://www.jn.pt/blogs/jnverao/rsscomments.aspx?PostID=167812</wfw:commentRss><comments>http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/2009/04/05/m-a-pina-quot-pol-237-ticos-s-227-o-s-243-cios-dos-patr-245-es-quot.aspx#comments</comments><description>&lt;p align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Se ser gato é, como diz, a liberdade-livre  e ele sabe porque vive com oito , o que é Manuel Pina senão um felino também? O homem que todos os dias habita esta página é poeta. Chamem-lhe amigo. &lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;&amp;quot;Ainda não é o fim nem o princípio do mundo. Calma, é apenas um pouco tarde&amp;quot;. Diria que o seu título de 1974 nunca definiu tão bem o estado mundial das coisas?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Diria, mas não digo. Hoje sou mais céptico do que em 1974. &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" color="#000000" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;As suas crónicas são cartoons sem desenhos ou a realidade, neste momento, supera a sátira?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Acho que qualquer português minimamente lúcido não consegue distinguir hoje entre realidade e tragicomédia (comédia por conta da realidade política e tragédia por conta da social). &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" color="#000000" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Se, como escreveu, &amp;quot;a RTP é a lavandaria do regime&amp;quot;, a TVI que Sócrates ameaçou processar é o quê? Uma espécie de jornalista iraquiano que atirou os sapatos a George W. Bush?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;TVI e RTP completam-se, uma expõe as nódoas, outra limpa-as. Como também escrevi há pouco, o jornalismo é uma actividade do sector do tratamento do lixo. Se o jornalismo fosse despejado nos nossos rios há muito que os rios teriam morrido de poluição e de vergonha.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Na Quadratura do Círculo, Pacheco Pereira chamou-lhe &amp;quot;ruído&amp;quot;; Lobo Xavier disse &amp;quot;conspiração&amp;quot;. Que termo usa para definir o caso Freeport e o desempenho da justiça nesta matéria?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;O caso Freeport é um sintoma. Há algures, não sei onde, um cancro em estado muito avançado na sociedade portuguesa.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" color="#000000" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Sendo licenciado em Direito, a justiça é coisa que o envergonha ou, apesar de tudo, o jornalismo embaraça-o mais?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Os problemas na justiça e no jornalismo são a erupção que fica à vista de males anteriores e muito maiores. Os tribunais não fazem as leis, aplicam-nas. E os jornalistas só dançam (os que têm pé para a dança) conforme música do tempo.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" color="#000000" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Mário Soares afirmou esta semana, no Porto, que &amp;quot;os patrões do jornalistas&amp;quot; são os responsáveis pela &amp;quot;falta de escrúpulos&amp;quot; daquilo que tem sido publicado em relação ao Freeport. Tendo dito uma vez que &amp;quot;nunca como hoje houve tanta canalhice e tanta impunidade nos jornais&amp;quot;, significa que concorda globalmente com o ex-presidente da República?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;O que Mário Soares omite é que os patrões dos jornalistas e os patrões dos políticos são os mesmos. Com uma diferença: enquanto os jornalistas são seus empregados (alguns, deve ser dito, empregados recalcitrantes), os políticos são seus sócios.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Está ao lado dos professores na luta contra o Ministério da Educação. Agora a tutela desafiou-o a dizer quando e qual o secretário de Estado que chamou &amp;quot;professorzecos&amp;quot; aos docentes. Vai ceder ou fazer ouvidos moucos?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;A notícia veio nos jornais e o ME não a desmentiu. Deu-me a duvidosa honra (atendendo aos protagonistas) de me desmentir a mim. Não sei, pois não estive na AR, qual dos dois secretariozecos terá chamado professorzecos aos docentes porque a notícia (repito: não desmentida) não o esclarece. Mas, de qualquer modo, apesar de tudo, dou mais crédito aos jornais, a alguns jornais, do que ao actual Ministério da Educação e seus desmentidos.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" color="#000000" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Ainda no rescaldo do primeiro dia de Abril, que mentira sobre Maria de Lurdes Rodrigues, se publicada, passaria tranquilamente por verdade?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;A de que ela teria reconhecido a sua impotência  não a sua incompetência, que nisso ninguém acreditaria já que faz parte dessa incompetência não reconhecer que é incompetente  e se teria demitido&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" color="#000000" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Quem o tem feito sofrer mais: o treinador do Sporting, Paulo Bento, ou o seleccionador nacional, Carlos Queiroz?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;A selecção nacional diz-me pouco. A pátria do adepto é o seu clube e, por isso, Paulo Bento dói-me mais (ou antes, dói-me o Sporting, pois tenho alguma simpatia pelo trabalho que ele tem feito no clube) que o tal Queiroz&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" color="#000000" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Cristiano Ronaldo, depois do Portugal-Suécia (0-0), explicou: &amp;quot;A bola não quis entrar. Futebol é assim: por vezes a bola não entra.&amp;quot; Isto pode ser considerado poesia?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Ronaldo é um excelente futebolista, não tão excelente quanto Messi, mas mesmo assim excelente. E um notável filósofo fenomenologista, não tão notável como o célebre João Pinto dos prognósticos, mas mesmo assim notável. Por vezes a bola não entra é bom, embora às vezes a bola entra também não fosse mau e, se calhar, para os adeptos, fosse preferível.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" color="#000000" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Pode revelar qual o segredo que torna os gatos tão especiais e definitivos na vida dos poetas? Há o seu caso, o de Cesariny, o de Eugénio de Andrade...&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Um amigo meu, já morto, dizia que gostava mais de gatos do que de cães porque não há gatos-polícia. Eu gosto de cães (e, com excepção de alguns de duas patas, de todos os outros animais), mas julgo que os gatos seduzem os poetas porque os gatos  como a poesia, que é liberdade-livre  são seres livres. A sua domesticidade é aparente, a suficiente para poderem assegurar-se a liberdade. Pode ensinar-se tudo a um gato, menos a não ser gato. Já viu algum gato deixar-se humilhar a fazer exercícios de circo?&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Um poeta tem medo de quê?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;De tudo, principalmente da poesia. Por isso é que, como diz Holderlin (acho que é Holderlin), incapaz de suportar sozinho a vida, canta.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;A poesia cura-o de todas as dores ou inflama-as?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;A poesia é, tanto quanto das palavras, uma arte da memória. A dor, na poesia, é memória da dor. Nesse sentido, é construção, fingimento. Fingimento que, como diz Pessoa, chega a fingir que é dor / a dor que deveras sente. Uma vez ouvi, numa feira, um vendedor de banha de cobra dizer uma coisa espantosa: O dente não dói, o que dói é a cavidade dentária. Eu diria o mesmo da poesia, o que dói é a cavidade poética, aquilo que, nela, é vazio.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Se, como diz, o homem é uma criança eterna que só se torna adulto na morte, parte da sua literatura infantil devia ser lida por adultos também?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;A literatura não é para crianças nem para adultos. É ou não é (e, nos melhores casos, é e não é ao mesmo tempo). &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" color="#000000" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;Ontem, na homenagem que lhe foi prestada em casa, no Sabugal, o Teatro Pé de Vento apresentou a peça O sábio fechado na sua biblioteca. Revê-se nesta imagem?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Não, nem sou sábio (a não ser que saber isso seja uma forma de sabedoria) nem estou fechado numa biblioteca, embora não saiba (lá está: não sou sábio) onde é que estou fechado. Os livros que amo são os que libertam, não os que fecham. Talvez por isso, a maior parte deles é de poesia.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" color="#000000" size="2"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;O tempo das homenagens fá-lo sentir que o tempo está mais perto do fim ou que só agora começa a fazer sentido?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Entendo as homenagens (acho que se quer referir à do Sabugal) como gestos de estima que, mesmo que excessivos, seria arrogante e descortês enjeitar. Foi com esse espírito que aceitei um dia uma condecoração e tenho aceitado alguns prémios. As homenagens ou os prémios não nos fazem melhores nem piores.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;b&gt;&amp;quot;Quero ser lembrado menos como poeta que como amigo&amp;quot;, disse Jorge Luís Borges. A intenção dele serve a sua também?&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;font color="#000000"&gt;&lt;font face="arial,helvetica,sans-serif" size="2"&gt;Sim, a única salvação (estranha palavra) é pelo amor. A melhor literatura é sempre, de algum modo, um acto de deslumbramento e amor (ou de amizade, que é a mais alta forma do amor), mesmo quando é  e, às vezes, justamente porque o é  assassina ou suicidária. E, se quer que lhe diga uma coisa surpreendente, acho que o melhor jornalismo também.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="MARGIN-BOTTOM:0cm;" align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Helena Teixeira da Silva&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://www.jn.pt/aggbug.aspx?PostID=167812" width="1" height="1"&gt;</description><category domain="http://www.jn.pt/blogs/jnverao/archive/tags/MANUEL+ANT_26002300_211_3B00_NIO+PINA+_2F00_/default.aspx">MANUEL ANT&amp;#211;NIO PINA /</category></item></channel></rss>
