
Apresento-vos os Ecco City Walker que são os meus sapatos de serviço. Comprei-os há quatro anos, no CascaisShopping, para substituir os anteriores, que cederam pela sola de borracha que abriu, após um boa meia dúzia de anos de uso intensivo.
O modelo pode variar, ter mais ou menos guarnições com furinhos, mas tenho sempre uns ao serviço. Dão tudo aquilo que um homem pode pedir aos seus sapatos: são confortáveis, duráveis, sóbrios e não exigem grandes cuidados - eu sou capaz de passar dois ou três meses sem os engraxar que a pele não se queixa...
Os que tenha agora a uso, de acordo com as minhas estimativas, já levam 800 dias, ou seja cerca de 9600 horas de atividade, e nunca me deixaram ficar mal. Estou convencido que estão aí para as curvas, pelo menos mais uns bons dois anos. Se tudo correr bem, a troika vai-se embora antes deles. A fiabilidade é um valor que aprecio muito em tudo na vida, seja nas pessoas seja no calçado.
Tenho cá para mim que, para um homem, os sapatos titulares devem ser pretos, de atacadores e formato clássico. Se olho para os pés de um tipo e o surpreendo a ceder à moda passageira da biqueira quadrada ou ponteaguda (capaz de assassinar uma barata numa esquina) interpreto logo isso como um sinal revelador de fraqueza de caráter.
Admito a pala nos sapatos de fim de semana ou de férias. Mas no dia a dia de trabalho acho que os atacadores são essenciais. Peço que me perdoem, mas tenho de dar razão ao Nixon quando ele, numa das sessões da célebre entrevista, criticou o David Frost por usar sapatos italianos, perguntando-lhe mesmo se ele não os achava efeminados.
Para terminar, tenho de vos confessar que acho abomináveis os sapatos de pala com berloques. Quem os usa devia ser previamente avisado que está a conspirar contra a sua própria reputação.