É no Inverno que eu sou melhor na cama

quinta-feira, 10 de Maio de 2012 às 18:06

A humanidade divide-se em gente mais achacada ao frio e gente mais achacada ao calor. O facto de, há mais de meio século, me dar melhor com o tempo frio do que as altas temperaturas, faz de mim uma pessoa que é melhor companhia na cama nos meses gelados do que no Verão.

Quando usamos a cama no modo dormir, mais vale só do que acompanhado. Num mundo perfeito, cada pessoa teria o seu quarto e casa de banho privados (uma suite, como se diz agora) e dormiria sozinho.

A prática do truca truca desenrolar-se-ia em qualquer um dos aposentos. À escolha. A questão “no teu quarto ou no meu?” seria uma curiosa variação do clássico “em tua casa ou na minha?”. No final das hostilidades, após uma despedida terna, marcada por mimos variados, o/a visitante regressaria aos seus aposentos, para uma reparadora noite de sono.

Para dormir bem o melhor é fazê-lo sozinho, evitando ter aturar o/a  parceiro a ressonar, falar sozinho, dar voltas e pontapés, ou até a aemaçar-nos o nossos espaço vital empurrando-nos para fora da cama – não nos podemos esquecer que no século XX o Velho Continente a Europa foi dilacerada por duas guerras sangrentas e mortíferas porque nações europeias ou se sentiam ameaçadas de espaço vital ou estavam carentes de mais desse espaço.

A porra toda é que habitamos apartamentos um tudo nada menos espaçosos que o palácio dos Crawley, da série de época inglesa Downton Abbey, o preço do metro quadrado escalda (apesar da queda dos preços motivada por uma crise imobiliária caraterizada por um excesso de oferta), e por isso raros são os felizardos que se podem dar ao luxo de disporem de aposentos privados.

Nestes tempos de cama única temos de aguentar estoicamente as idiossincrasias da pessoa com que partilhamos o designado leito conjugal - e ser inteligente para tentar extrair todas as vantagens da situação.

Eu, por exemplo, tenho a enorme desvantagem de ser capaz de produzir um ressonar infernal, mas, em contrapartida, como tenho sempre uma temperatura corporal muito elevada, sou muito útil para aquecer a cama nas noites frias - o que não deixa de ser bastante atraente do ponto de vista financeiro e ambiental, pois permite poupar no aquecimento.

Jackie Onassis, Dexter Dalwood, 2000, óleo sobre tela, 2m13 x 2m44, col. Saatchi

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