
Estar sentado na esplanada do Rivoire, em Florença, com uma birra Moretti a la spina (0,40 l) a arredondar o calor (31º C) do fim de tarde e a pastar a formidável fachada do Palazzo Vecchio, é quase tão bom como fazer sexo, com a vantagem de não ser uma experiência incompatível e alternativa.
O Rivoire não é barato, muito antes pelo contrário (a cerveja e uma garrafa de S. Pellegrini, acompanhadas por uns saborosos antipasti, importaram em 15 euros), mas é um dos melhores cafés florentinos e é uma fantástica plateia para o espetáculo que é a Piazza della Signoria, ampla galeria de escultura ao ar livre, onde avultam duas obras primas de Giambologna - o Rapto das Sabinas e uma estátua equestre de Cosimo I - , a extraordinária Fonte de Neptuno (Ammanati), bem como uma cópia do David, de Miguel Ângelo. É de ficar de boca aberta.
Nunca tinha visto o David ao vivo (é enorme!) e ser uma cópia não atrapalha nada. Impressionou-me tanto como se fosse o original e era capaz de jurar que 999,5 em cada mil icenciados em História de Arte (o que não é o meu caso) não seriam capazes de distinguir a cópia do original.
Prontos! Já deu para perceber que estou em Florença, onde cheguei hoje, o que implica interromper a dissertação em fascículos sobre a cama que estava em curso nesta Lavandaria.
Como estou habituado a viver numa montanha russa, teria preferido que a viagem tivess sido monótona. Mas não foi. Paciência.
A greve dos controladores aéreos (palhações!) fez com que o voo Ryanair 6933 para Pisa, com partida marcada paa as 9h15, só levantasse voo depois das 1h00.
Como só chegamos às 14h50 (hora local) tivemos de esperar 50 minutos pelo próximo autocarro para Florença (bilhete de cinco euros por cabeça comprado no Sá Carneiro).
No check in do hotel, marcado pela Net, explicaram-me que estavam cheios pelo que me tinham transferido para outro hotel, que era melhor (quatro estrelas, disse o recepcionista), eu pagava o mesmo e ficava ali mesmo ao virar da esquina (estou em Santa Maria Novella, junto à estação ferrroviária).
Cheirou-me a paleio de vígaro. Como hei-de saber se o hotel é melhor se não pude ver o quarto do hotel que marquei, para poder comparar?
A parte boa é que o hotel ficava mesmo ao dobrar da esquina. Achei estranho, mas não levei a mal, que o quarto 350 fique no 4º piso. Quando desfiz a mala, reparei que me esqueci de trazer os cabos para ligar à corrente o meu Samsung, , pelo que entrei num contra-relógio em que estou dependente da generosidade da sua bateria. Mas que se lixe. O que interessa é que estou em Florença, fez calor e estou de férias.