
A foto não é grande coisa, mas documenta a história que vos vou contar, a melhor que presenciei durante as 18 horas de passeio que fiz em Florença e Roma no último fim-de-semana.
Sábado ao fim da tarde, após termos desembarcado do comboio em Termini e arranjado um quarto nas imediações (Villa delle Rosa, na Via Vicenza), apanhamos o autocarro 64 e saímos na paragem do Corso Vittorio Emannuele II.
Começamos o passeio pelo centro na Piazza Navona e depois fizemos uma escala na Piazza Venezia para contemplar o monumento da Vittorio Emannuelle II e a varanda do Palazzo Venezia - de onde Mussolini discursava inflamando os ânimos das massas fascistas -, enquanto liamos o que o The Rough Guide tinha a dizer sobre estes assuntos.
Uma escala na Fontana di Trevi foi a única interrupção no passeio pela Via de Corsi até desaguarmos, já noite, numa Piazza del Popolo animada por um tipo a cantar intermitentemente áreas de ópera.
Mal nos sentamos no cimo das escadas, junto ao obelisco Flamino (do tempo do faraó Ramsés II), bem em frente às igrejas gémeas (Santa Maria in Montesanto e Santa Maria dei Miracoli), logo reparamos na excitação de duas adolescentes, estacionadas dois lances de escada abaixo de nós, a falarem à italiana, ou seja muito rápido e com o corpo todo, boca e mãos obviamente incluidas.
De súbito, uma delas (a primeira completa a contar da direita, já que a amiga ficou meia cortada no ângulo superior direito da fotografia), a quem passaremos a tratar por Sofia (em homenagem à grande Loren), de costas bastante descapotáveis (ao ponto de dar para perceber que trazia um soutien melhorado, preto, rendado e transparente), tirou do saco um pano, com uns bons dois metros de comprimento por um de altura, que assentou no chão, em frente dela.
Não andarei longe da verdade se vos disser que a Sofia estava à espera do principe encantado e lhe declarava, e em público e por escrito,o seu amor e lhe disponibilizava a virgindade.
Pano exibido - alea jacta est, como diria o seu antepassado Júlio César - , a moça sentou-se, nervosa, à espera, a um metro de distância da amiga.
Durante os 20 minutos que esperamos com a Sofia, a coisa mais relevante que sucedeu foi protagonizada por um tipo bem disposto que parou em frente ao pano, leu a jura de amor e perguntou à rapariga - com um ar simultaneamente inocente e prestável -, se era dele que estava à espera. A lata do rapaz rendeu-lhe um abraço.
Já passava das dez da noite quando desistimos. Ao levantar âncora, pedi à Sofia para fotografar o pano. Já estava a ficar tarde para nós. No dia seguinte, a alvorada estava marcada para as 5h20 (4h20 hora do Porto) e ainda queriamos dar uma volta a ver as montras das lojas de luxo na Via dei Condotti e espreitar o pessoal na escadaria da Piazza Spagna antes de apanhar o metro para Termini.
Cá para mim, o palerma do gajo acabou por aparecer. Deu uma banhada à moça - e não sabe o que perdeu.