
Roma é conhecida como a Cidade Eterna, mas eu não quero ficar conhecido como o tipo que se eterniza a escrever sobre uma viagem a Roma que já se concluiu há mais de 72 horas. Para ver se consigo abreviar o assunto, vou fazer um esforço em tudo idêntico ao do pessoal que fabrica aquelas mantas patchwork e inaugurar a moda (presunção e água benta...) dos posts tipo salada russa, ou macedonia, como dizem os espanhóis.
Ou seja, as preclaras e os preclaros devem acautelar-se para serem atacados com um ou dois posts remendados, tratando assuntos completamente desirmanados sem nenhum outro denominador comum para além de Roma e da minha pessoa.
Para começar, permitam-me que regresse ao passeio despreocupado pela Via di Ripetta, onde não só achei o Museo dell' Aris Pacis como também me cruzei inadvertidamente com o grande Fausto delle Chiaie e a sua obra, e - AINDA (pareço o Carlos Cruz nos bons e velhos tempos do 1,2,3 ) - tropecei numa loja Vintage de artigos relacionados com futebol.
A Old Soccer, uma loja de esquina nos números 30/31 da Via di Ripetta, atraiu a minha atenção por ter exposto na montra o equipamento completo, na versão camisola azul e calção branco, da falecida selecção nacional da RDA (DDR em alemão).
Entrei, deixei-me maravilhar pela quantidade de camisolas antigas, do tempo em que ainda eram território interdito à publicidade e não eram personalizadas, e eis senão quando deparei com um emblema do Benfica, em cima de um armário, a fazer companhia aos emblemas dos Rangers, Feyenoord e outras glórias do passado.
Foi uma espécie de epifania. Fazia todo o sentido. O Benfica estava no lugar certo (uma loja de artigos nostálgicos) e talvez devido à soberba (ou tão só falta de lembrança,não tenho a certeza) dos seus dirigentes está a negligenciar um segmento importante no seu merchandising.
Já imaginaram o sucesso que seria terem à venda camisolas do tempo do Zé Águas e um pack com os jogos das as duas finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus ganhas pelo Benfica com as imagens coloridas pelo mesmo método usado, por exemplo, no Casablanca. Fica aqui a ideia.
Bem, apesar da conversa já ir longa, não queria deixar de aproveitar a ocasião para manifestar o meu mais profundo e respeitoso agradecimento aos mosquitos romanos pelo seu comportamento cívico e responsável, já que nos deixaram em paz, apesar de termos dormido todas as noites com as janelas abertas - e de não raro estarmos simultaneamente de luz acesa e a porta da varanda completamente escancarada. O meu muito obrigado a todos.