Os piores traques são os assassinos silenciosos

sexta-feira, 27 de Julho de 2012 às 6:06

Das três categorias de traques que catalogámos aqui ontem, a primeira - os silenciosos, mas muito mal cheirosos - é sem sombra de dúvidas a mais problemática, logo a começar porque possibilita que o seu autor se mantenha refugiado no anonimato.

O terrorismo manifesta-se de várias formas. Emitir um traque silencioso mas fétido numa sala habitada por outras pessoas e fazer de conta que não é nada connosco - ou até mesmo criar manobras de diversão, como, por exemplo, olhar com desconfiança para a sola dos sapatos ou perguntar ao parceiro do lado se por acaso tem conhecimento de alguma avaria na canalização do prédio - é não só um atitude cobarde que não dignifica quem a toma como ainda por cima deve ser considerado um ato de terrorismo moderno e de alcatifa.

Não é por acaso que eu, já há muitos anos, batizei de assassinos silenciosos os traques expelidos pela calada mas absolutamente podres, que se emitidos numa divisão densamente povoada lançam injustamente a suspeita sobre pessoas cujos intestinos estão completamente inocentes.

Ninguém está livre de emitir em público um assassino silencioso. Melhor seria fazer das tripas coração e aguentar frima até chegarmos ao aconchego da privacidade de uma casa de banho ou (a melhor opção) de um ambiente aberto e,de preferência, desabitado num perimetro de 25 a 30 metros.

Mas se não for possivel... o que lá vai lá vai. Deve, no entanto, assumir a responsabilidade pelo ato irrefletido e inconveniente do seu intestino, pedindo, em nome dele, desculpa a todos os narizes ofendidos, e, de seguida, abandonar rapidamente a sala (até para não ficar para ali exposto ao cheiro nauseanbundo que saiu das suas próprias entranhas), pronunciando uma frase descontraída, dita com um sorriso nos lábios,como por exemplo:

a) bem, parece que o melhor mesmo é eu ir à casa de banho...;

b) esta minha mania de comer feijão preto e couve mineira a acompanhar a picanha acaba sempre por colocar-me em situações embaraçosas;

c) às vezes não há nada como uma distração destas para acabar com uma reunião que já não adiantava nem atrasava.

 (continua) 

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6 comentário(s)
  • SergioLuso // sexta-feira, 27 de Julho de 2012 6:06

    Ao referir a palavra terrorismo recordo sem saudade um recente voo interno nos USA onde fui premiado pela pesença de uma amavel senhora de origem muculmana em que o seu peso era de tres digitos.

    Até aqui tudo bem pois a companhia (AA ) deu-lhe dois lugares e ate um adaptador especial para o cinto de segurança , escusava era de ter premiado a dita senhora com a presença ao lado do provavelmente único não Americano no avião , mas deve ter sido truque da AA pois se ela fosse uma bomba humana seria o europeu a ficar dividio em maior numero de particulas.

    Não sei se por questao nervosa ou mesmo gastrica  assim que o trem foi recolhido vieram os primeiros sinais de que algo não estava bem naquele corpo de tres digitos , cheguei a pensar que com tanto control nos aeroportos a nova tatica era comer algo bem quimico e ir expelindo gazes de forma a dizimar tudo ao volta, seguramente que entre o 19A e o 24A o ataque terrorista foi sentido não so pela sua intensidade mas pela repetição do mesmo, quando parecia que estava aliviar vinha logo nova carga daquele B52 .

    Era algo como nunca tinha sentido e que me levou a solicitar a uma hospedeira a mudança de lugar caso fosse possivel , eu devia estar com a voz embargada ou a falar como se tivesse ingerido hélio pois o meu pedido foi logo atendido e depois de 5 minutos para a senhora conseguir se levantar do lugar para eu passar voei para o 14D .

    Estava já á espera da mala e a senhora chega transportada por um daqueles carrinhos de golf e com um pequeno sorriso diz :  Sorry is a really health problem .

    Terrorista mas educada !

  • jorge_fiel // sexta-feira, 27 de Julho de 2012 6:06

    Preclaro SergioLuso

    Ora aí está uma ideia que devia ser aproveitada por Hollywood. Um ataque quimico-biológico desencadeado em plleno voo por uma terrorista que ltinha conseguido iludir a vigilância do aeroporto transportando a arma letal nas suas entranhas, para a largar posteriormente através da extremidade dos intestinos. Muito bom!

    Peço-lhe desculpa por me ter rido a bom rir da sua desgraça e embaraço, mas como o meu precllaro amigo deve estar careca de saber a humanidade é mesmo assim - gostamos de nos rir do mal dos outros.

    De resto a sua história lembrou-me a enorme  importância das meninas do check in. Um vez, num voo Lufthansa Banguecoque-Frankfurt, os passageiros estavam divididos a rigor no interior da cabina do avião, os alemães (e, meu Deus havia tantas alemãs loiirnhas com um ar tão saudável) de um lado e os tailandese do outro - comigo no meio deles. E como deve saber, para os tailandeses não há inibição social em soltarem-se em publico...

    Sempre a considerá-lo

  • jorge_fiel // sexta-feira, 27 de Julho de 2012 6:06

    Preclaro Arturalcosta

    Em primeiiro lugar as minhas desculpas pelo atraso nas resposta, embrulhadas no agradecimento pelos elogios e a atenção que me dispensa - e nos cumprimentos pela refinada cultura de BD que evidenciou ao identificar com rigor a proveniência de todos os quadradinhos que pirateei e modifiquei.

    Só não identificou um - e por uma razão poderosa. Era impossível. Trata-se de um autor anónimo do século XX, de uma história inititulada os Diabos vermelhos não morrem, publicada da coleção Guerra (era o nº 28 do ano 3), uma edição do Mundo de Aventuras, distribuida pela Agência Portuguesa de Revistas, que saía a 25 de cada mês, nos anos 70  - a ficha técnica da revista não refere data de publicação, apenas o preço (2$00 no Continente e 2$50 no Ultramar).

    Sempre a considerá-lo  

  • arturalcosta // sexta-feira, 27 de Julho de 2012 6:06

    Preclaro é uma palavra bonita.

    Obrigado pela informação. É tão detalhada que hei de descobrir o autor desses famigerados diabos vermelhos!

  • jorge_fiel // sexta-feira, 27 de Julho de 2012 6:06

    Preclaro Arturalcosta

    Estou completamente de acordo com o meu preclaro amigo - preclaro é uma palavra bem jeitosa.

    Quanto ao assunto propriamente dito, partilho também da sua opinião:  a persistência é um valor que devemos cultivar.

    Sempre a considerá-lo

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