Confissões de um antigo viciado em SG Filtro

quarta-feira, 3 de Outubro de 2012 às 18:06

Chamo-me Jorge Fiel, sou jornalista e fumador. Há 20 anos e 223 dias que não fumo.

Se isto fosse um relato de uma reunião dos Fumadores Anónimos, o final desta frase seria sublinhada por um entusiástico aplauso dos outros ex-viciados em nicotina participantes no encontro.

É quase tudo verdade na frase que abre este post - sendo que o quase tem a ver com os dias exatos, que foram contabilizados a olhómetro mas não resisti a detalhar para acrescentar credibilidade e solenidade à frase.

Após 14 anos a prejudicar pulmões e vias respiratórias, deixei de fumar algures em Fevereiro de 1992, o ano do mercado único europeu, porque o coração queixou-se de mim e passei uma semana no Hospital de Santo António, onde era proibido os doentes fumarem - o que me ajudou muito a deixar o vício do tabaco.

Primeiro fumava marca semedão. Depois, quando o vício começou a exigir mais nicotina do que a dispensada pela quantidade de cigarros que conseguia cravar aos colegas, passei a comprar SG Filtro, a marca que me acompanhou durante os meus tempos de fumador, apenas com ligeiros desvios temporários pelo Marlboro (acreditava que me emprestava um imagem mais internacional e dinâmica), o Camel ou Lucky Strike -  por razões estéticas (achava as embalagens muito atraentes).

Experimentei o tabaco negro. À partida apresentava algumas vantagens nada dispiciendas. Sacar de um maço de Gauloises e Gitanes dava logo uma imagem muito Rive Gauche e Maio de 68.  E o Ducados era barato. Mas nunca me consegui habituar à dureza do tabaco negro. É pena, mas é verdade.

Também tentei o Português Suave, que tinha a vantagem de trazer dentro da embalagem bonita um atestado comprovativo das preocupações inteletuais do portador, mas nunca atinei com os irritantes bocados de tabaco que inevitavelmente se acumulam nos dentes dos fumadores de cigarros sem filtro.

Chamo-me Jorge Fiel, sou jornalista e fumador. Há 20 anos e 223 dias que não fumo. E tenho medo. Tenho tanto medo de uma recaída que sempre recusei ceder à tentação do charuto oferecido insistentemente por um amigo no final de uma alegre e copiosa jantarada. Até porque se voltasse a fumar, não sei se conseguir comprar um maço de tabaco que me avisa que fumar mata e, pior que isso, causa a impotência. 

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