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Contributos para um ensaio sobre etiqueta de unhas

quinta-feira, 12 de Abril de 2012 às 18:06

Tento andar sempre com as unhas das mãos cortadas rentes. Se há coisa que me horroriza é olhar para as minhas mãos e ver uma ou outra unha a dar sinal de luto, com sujidade a tingir o branco da ponta crescida.

Até acredito que isso seja bom sinal, mas a verdade é que as minhas unhas crescem imenso. Se passo uma semana sem as cortar, com o prestimoso auxílio do corta unhas (pequeno instrumento, mas grande invento), corro o risco de andar para aí com umas mãos tipo coveiro – o que (penso que já vos confessei isso) me chateia imenso.

Não tenho a certeza absoluta, mas estou convencido que o risco de andar com as unhas de luta aumenta muito pelo facto de eu ganhar a vida a fazer um trabalho sujo, em que estou sempre a manusear jornais, que nem sempre recorrem às melhores tintas e mais finos papéis na sua confeção.

Fui sempre bastante rigoroso no particular da etiqueta neste domínio. Para um homem, o ato de cortar as unhas, sejam das mãos ou dos pés, deve ser intimo e desenrolar-se em privado. Na minha opinião, o timing aconselhável é depois do banho que as amolece facilitando-nos assim a tarefa.

Acho absolutamente lamentável ver um gajo sentado num autocarro, no seu posto de trabalho ou até mesmo num banco de jardim a entregar-se laboriosamente a essa tarefa, espalhando à sua volta pedaços de unha.

Com as mulheres é diferente. Elas são capazes de transformar o fazer as unhas num ato coquete. E não se importam nada se ser vistas em público de mão estendida para uma menina especializada em manicura que diligentemente trata de embelezar (aparar, limpar, polir e envernizar) estas suas extremidades num corner aberto situado no meio do encontro entre dois corredores de um centro comercial.

No particular das unhas, a etiqueta masculina e feminina só converge na proibição absoluta do ato de as roer. Não consigo achar graça a um mão que termina com as cabeças dos dedos abatatadas, deformadas por esse tenebroso hábito.

No que toca a vernizes também tenho ideias muito claras e bem assentes. Acho abichanado um homem usar unhas envernizadas. E considero altamente inestético uma mulher andar com as unhas pintadas de qualquer tonalidade de azul, verde ou amarelo. Vou até um pouco mais longe e declaro que considero muito difícil manter classe e elegância quando elas fogem às diferentes variantes do vermelho.

Tenho dito!

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