Setembro 2011 - Posts

Por: Manuel de Sousa
manuelsous@sapo.pt

Em poucos minutos o mundo mudou. Passados 10 anos muitos acontecimentos são consequência desses minutos, de uma manhã, de 11 de Setembro, de 2001.
Morreram 2753 pessoas de todo o mundo, na sua maioria americanos, que trabalhavam no World Trade Center, as míticas Torres Gémeas, símbolo do poder americano. Muitas vítimas continuam por identificar, guardados numa tenda perto do Ground Zero, alguns impossíveis de identificar porque estão completamente queimados.
Durante horas o mundo ficou em suspenso com os sucessivos acontecimentos, que rapidamente chegaram aos quatro cantos do mundo. Em directo podemos acompanhar o desenrolar de grande parte dos acontecimentos. Primeiro, o embate na Torre Norte, depois um novo embate na torre sul, de seguida um avião que se despenhou contra o Pentágono, entretanto a torre sul cai e um outro avião cai na Pensilvânia, por fim o colapso da Torre Norte. Uma sequência de acontecimentos que horrorizaram o mundo e sobre os quais não existia qualquer ideia de pararem e não dava para perceber o que estava realmente a acontecer. No suspenso do horror de um acontecimento macabro e inigualável no mundo globalizado, uma parte do mundo islâmico e radical regozijava-se com o sucesso de uma operação preparada com o mínimo detalhe.
A América ficou ferida. O coração financeiro (WTC), militar (Pentágono) foram atingidos, apenas o coração político não foi porque o avião terá caído antes de chegar ao destino. Uma ferida exposta que tentou envergonhar o orgulho e a superioridade americana face ao mundo, sobretudo face ao mundo islâmico radical, que sempre se sentiu ferido e vitimizado com a política militar americana e as suas ofensivas pelo mundo. Mas, o mundo também ficou ferido com o 11 de Setembro. Não apenas porque morreram pessoas de cerca de 90 países, mas porque se consciencializaram que estamos muito vulneráveis a diversas ameaças vindas de onde menos se esperam. Bali, Madrid ou Londres são os melhores exemplos.
Em poucos minutos o mundo mudou e em poucos minutos a liberdade cultural e religiosa passou a ser vista de forma desconfiada, com reservas e mesmo rejeitada por muita gente. É certo que muitos americanos pagaram com a vida um ódio que não tinham e por isso não mereciam o que lhes aconteceu. Também é verdade que o mundo muçulmano passou a ser observado como fanático, radical, quando a maioria não se regozija com o que aconteceu e não pactua com a escalda de violência. De boas intenções está o inferno cheio e a violência é um acto que procura limpar e vingar as vítimas de ambos os lados da barricada. Por isso, o orgulho americano não se baixou e as intervenções militares no Afeganistão e no Iraque são a prova de que nenhuma das partes está disposta a resignar-se em nome da paz.
De nada valem as teoria da conspiração inventadas pelos anti-americanos, que reconhecem os americanos como os responsáveis e criadores dos atentados ou que nenhum avião caiu sobre o Pentágono porque nenhum país, muito menos os EUA, está disposto a ferir o seu próprio orgulho. Os EUA poderão ser responsáveis pelos atentados do ponto de vista das suas atitudes, posições e intervenções militares ao longo da História que terão alimentado ódios, que explodiram de uma forma inteligente.
Depois do 11 de Setembro o mundo tornou-se diferente, as pessoas passaram a ter atitudes e comportamentos diferentes para evitar um perigo eminente, que não se sabe onde está, mas que realmente existe em qualquer parte do mundo.
Os simples hábitos diários passaram a ser controlados de forma mais rigorosa em nome da segurança nacional e a privacidade deixou de ser um bem próprio, mas um bem público, para a detecção de qualquer suspeita. Porém, enquanto uns fazem o controlo apertado nos aeroportos, nas telecomunicações, na Internet, etc, outros procuram as falhas do sistema de segurança para lançar novas ameaças e espalharem novamente o terror.
A guerra contra o terrorismo parece ser um guerra bem pior que os conflitos convencionais e que marcaram a História da Humanidade, em que se sabe quando começou e se sabe quando terminou ou quando o fim poderá ocorrer. Esta é uma guerra que não se conhece o fim. Não é uma guerra de Estados, mas de culturas e essas são sempre as piores e que se travam no dia-a-dia, de cada vez que se cruzam. Enquanto todos os diferentes Homens não foram capazes de darem as mãos, haverá sempre alguém, um que seja, a incitar à violência, à guerra que não é santa, mas infernal. Quando isso acontece a Humanidade entra no ponto de regressão da sua evolução para uma sociedade perfeita e para um mundo perfeito. Os inocentes são sempre os que mais sofrem como em qualquer guerra.

Vamos à praia! Mas, o Verão tem sido um fiasco neste início de mês de Agosto, com a chuva a fazer constantes visitas e o sol tímido ressentido da crise como se não pudesse ir à praia porque também está sem dinheiro para a viagem e para a estadia, que lá pelos lados do Algarve não é muito barata nesta altura e, por isso, seja obrigado a encurtar as férias, ou seja, menos sol que o habitual. Os portugueses também parecem estar a contar com a crise e estão solidários com a timidez deste sol. Porém, português cumpre a sua ida à praia como em outros tempos, para descansar de uns meses depressivos em que está obrigado a pensar no pior que está para vir. Como de costume, as filas rumo ao Algarve cumprem a velha tradição e não fogem às notícias do dia.
Não sou critico quanto a isso, nem tão pouco um velho do Restelo que ao ver os outros partir lamenta que tenham perdido a sanidade e estejam a condenar o futuro do país. Antes pelo contrário, prefiro incentivar as férias porque quem trabalha o ano inteiro é merecedor de um tempo de descanso, de preferência lá fora cá dentro. O nosso país vive do turismo, este é um motor que tem de ser explorado para o mercado interno e também para o mercado externo, dado que este pode ser um forte motor de dinamização da economia nacional, desde que explorado convenientemente porque dele dependem muitos postos de trabalho, de pessoas que vivem e sobrevivem do que o turismo lhes dá.
Compreendo que assim seja porque também eu cresci e trabalhei numa terra onde o turismo é um "ganha-pão" para se sobreviver no Inverno, numa terra que não tem outra forma de subsistir. Nestes tempos de crise também essas gentes sentem na pele as dificuldades e sentem muito a falta de quem quer passar umas boas férias num local calmo e agradável como é o Gerês.
Fazer o turismo como motor da economia deve ajudar ao despertar do sol em mês de Agosto, tempo que este deve estar no seu melhor.

Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt

Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta.
(ALBERT EINSTEIN)

Esta frase choca qualquer um que se depare com ela pela primeira vez, como a mim me chocou. Chocou-me pela grande verdade em que se torna quando deparado sobre o mundo que me rodeia e a pequenez em que nos tornamos na imensidão infinita da estupidez. Poderão achar que, tal como Einstein, estarei a exagerar e a traçar um cenário catastrofista e incómodo. Mas, na realidade não estou a pensar de forma catastrofista, apenas a constatar um facto, que o próprio autor o constatou com mais certeza que a dimensão infinita do Universo.
Não existem Homens livres dessa estupidez, da mesma forma que não serei eu quem julgará a dimensão da mesma. No fundo, muito ou pouco todos contribuímos para ela. Isso percebe-se nas reacções, atitudes, pensamentos e actos que no quotidiano complicam e tornam o mundo num caos e que mais não é que um mundo de luta pela sobrevivência, em busca de um espaço e de um tempo em beneficio próprio, que mais não é a causa das tristezas que provocamos e criamos.
A ideia de ser grande à luz da natureza e das restantes cadeias do mundo animal é por si só uma atitude de estupidez pura, mas sobre a qual não existe lucidez para pensar.
Os males do mundo, como a guerra, a pobreza, a fome, entre outros, é nada mais nada menos que o fruto da estupidez da acção humana sobre os outros. Por essa razão, é que é tão difícil de calcular algo que atingiu a infinidade tão ou mais rapidamente que o Universo.

M. Brunner

A ordenação de mulheres continua a ser um assunto delicado para a Igreja Católica, sobretudo para os elementos mais conservadores do clero. As afirmações do Cardeal Patriarca de Lisboa, José Policarpo, não caíram bem no seio do Vaticano, a ponto de ser chamado a uma audiência com o Cardeal Tarcisio Bertone, o Secretário de Estado do Vaticano, segundo notícia do Público Online de hoje.
Ainda me chocam estas posições da Igreja Católica, presa a tradições de nomeação apenas de homens para o sacerdócio, como se as mulheres não tivessem qualquer capacidade para desempenhar a sua vocação e como se esse impedimento pusesse em causa algum dogma de fé ou desencadeasse um problema teológico.
Não pode a Igreja fechar-se de um debate aberto entre os seus membros sobre esta questão, quando entre si não existe um consenso de posições, que geram sucessivos mal entendidos e que traduzem para o exterior uma imagem de tradicionalismo e conservadorismo infundado, que muitos crentes não entendem.
Os passos para a abertura a novas realidades são necessários e os princípios de igualdade entre pessoas deve também ser aberto às mulheres, que durante séculos foram um pilar na construção e evolução do Cristianismo e que sempre estiveram presentes na Igreja sob outras formas e outros cargos demonstrando cumprimento de deveres instituídos por uma instituição de liderança masculina.
Os tempos são outros e é necessário mais abertura e diálogo entre todos os que têm um papel activo na construção e evolução da Igreja e dos seus princípios.

Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt

Que estamos em crise económica, já é algo que todos sabem e sabem-no há muito tempo, que já lhe perdeu a conta. Muda o Governo mudam-se as políticas e as prioridades, mas a crise é a mesma que tem de ser combatida, para que Portugal não esteja condenado ao fracasso como a Grécia.
Pedro Passos Coelho, o nosso primeiro-ministro, de onde se esperam medidas e de onde se depositam grandes expectativas quanto às suas ideias, tem cada vez menos tempo para apresentar as suas medidas de combate ao défice e da necessária redução da despesa pública. Este impasse de saber o que irá acontecer nos próximos tempos e de saber o que tem este Governo para nos apresentar, tem sido uma fonte de pressão para o executivo, embaraçado com o que se considera de colossal o que há para fazer. Apenas temos, para já, medidas bonitas e bem intencionadas como a redução das frotas e as viagens em classe económica. Só que apesar disso ser um bom começo não é a solução e não serve para emagrecer o Estado tanto quanto este necessita.
O nosso governo tem pouco tempo para agir e os portugueses ainda vivem no suspenso, à espera do que ainda está para vir. Até quando?

Manuel de Sousa
manuelsous@sapo.pt

Anders Breivik é um louco? Não propriamente. A ideia de o querer passar por louco é a ideia de o tornar coitadinho, fruto da evolução e das contrariedades da sociedade actual. Breivik é um homem inteligente, apesar da sua inteligência ser utilizada para algo impensável ou intolerável, mesmo que os motivos que o moviam fossem aceitáveis, mas que não eram aceitáveis.
Somos acordados para uma forma de terrorismo preocupante a que as autoridades pouco podem fazer para o controlar. É mais fácil investigar e cercar organizações como a Al-Qaeda, entre outras, que estão organizadas, constituídas por estruturas e que se espalham com facilidade entre vários países, mas que permitem seguir o seu rasto, descobrir os seus planos e evitar massacres. Difícil será controlar e identificar indivíduos isolados que arquitectam livremente os seus planos para os colocar em prática com a maior das facilidades e das naturalidades. Por muito que na Internet se possa encontrar documentos, chamadas de ordem, apelos à luta e tratados como os de Breivik, será muito difícil saber até que ponto são verídicos e se alguma vez alguém será capaz e avançar com os mesmos, confundidos que são com meros desabafos de loucos, mas que não são loucos.
Os atentados em Oslo, na Noruega, podem ser, na pior das hipóteses, para muitos uma fonte de inspiração e um motivo para também avançarem na cruzada que defendem necessária para a limpeza da Humanidade.
Mais uma vez, a Europa é sacudida por monstros do passado que ainda estão presentes na actualidade e que ainda servem de inspiração. A Europa ainda não se reconciliou com o passado de Hitler, Mussolini, Franco e até mesmo Salazar, para não falar de outros nomes. Essa falta de reconciliação com o avivar destes medos, demonstram que a Europa vive mais que uma crise económica, uma crise de valores bastante forte, que tenta contrariar com a abertura ao multiculturalismo, mas que alguém, num simples e acto bárbaro, consegue fazer tremer esses pilares ainda frescos. Talvez esses pilares de multiculturalismo não estejam bem assentes porque se acredita em muito na teoria do relativismo, em que os valores de uns passam a estar sob o domínio de outros, que se acham puros e sedentos de justiça, mas que apenas espalham a injustiça porque não são capazes de viver num mundo livre.
Pena que em nome de Deus, que se acredita ser o criador da variedade e do multiculturalismo das espécies, se mate e se espalhe o terror, como se esse Deus alguma vez desejasse que tal fosse feito.

Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt

Somos um livro de histórias com uma duração invariável, que depende dos anos da nossa vida e das peripécias que a constituem.
No livro da vida há acção, romance, mistério, investigação, drama, tudo em formato de poesia e de prosa.
Somos o reflexo dos livros que lemos e que gostamos e as nossas acções assemelham-se aos livros, por mais impossíveis e imprevisíveis que possam ser.
A vida é recheada de páginas e de cores, dependentes das nossas tendências e frustrações e de histórias ou contos que não são contados até ao fim.
Somos vítimas de um enredo, em que, de leitores, passamos a personagens principais ou figurantes. A nossa vida pode tornar-se num livro descritivo ou simplesmente sintético em que pouco há para contar.
Os livros não mentem sobre aquilo que somos. Da próxima vez que leres um livro e disseres que gostaste muito, lembra-te que ele é o espelho do teu ser.

M. Brunner

Um bom texto de M. Brunner para partilhar:

Valerá apena chorar pela partida de alguém que nos é querido, quando do outro lado sentimos indiferença?
Do outro lado nunca saberemos ao certo o sentimento. Às vezes a indiferença pode ser uma capa protectora para o controlo das emoções, embora, para quem sente a dor da partida seja mais doloroso, ao pensar que de uma amizade não sobrou nada que valesse um abraço, em lugar de um simples e vulgar cumprimento.
A vida e as ralações pessoais estão cheias de incógnitas às quais as maiores filosofias têm dificuldade em descrever, explicar ou resolver. Há muitas parábolas que se enviam em formato power point para os nossos e-mails pessoais, mas, na realidade, por mais bonitas que sejam as palavras, os sentidos das frases e o conteúdo da história, fica sempre um vazio em quem lê, um vazio que não é preenchido com essas ternuras de palavras e imagens. O vazio, esse apenas é preenchido pelo afecto real e pelo sentimento que se partilha com alguém que nos é próximo.
Por muito que nos digam que a vida se encarrega de muitas coisas, seja trazer à tona uma verdade, seja sarar todas as feridas expostas, haverá sempre a desconfiança em relação a isso. Na hora, no momento quente em que se vivem as situações, todas e quaisquer palavras de conforto fazem falta, mas não têm qualquer utilidade porque o sentimento domina e as emoções controlam qualquer racionalidade, por mais racional que seja o Homem dos tempos modernos.
Nesses momentos crus da vida, toda e qualquer divindade é posta em causa e todas as crenças se batem por terra porque achamos que mudaram o curso do caminho que desejávamos seguir.
O sentimento é algo que não se domina em qualquer altura da vida. Podemos ter a ideia que o controlamos, mas trata-se de uma simples ilusão. Tudo surge novamente com mais e mais força. Não domines o sentimento do momento para que não te sintas traído por ele mais tarde.
Lidas estas palavras, apenas te digo que não valem de nada na hora do aperto do peito, na hora de uma despedida, por qualquer que seja a razão. Não valem de nada, apenas servem como desabafo.
Findo tudo isto, valerá apena sentir pena ou sofrer por quem está ao teu lado ou quem esteja no pensamento com frequência? Talvez. Mas, deixa que o tempo dê a sua resposta. Por vezes, do outro lado, existe um sentimento sincero que deseja não ser manifestado. Se existir, tudo bem, tudo o que sentiste vale o seu esforço e a sua lágrima.

M. Brunner