Por: Manuel de Sousa
manuelsous@sapo.pt

Em poucos minutos o mundo mudou. Passados 10 anos muitos acontecimentos são consequência desses minutos, de uma manhã, de 11 de Setembro, de 2001.
Morreram 2753 pessoas de todo o mundo, na sua maioria americanos, que trabalhavam no World Trade Center, as míticas Torres Gémeas, símbolo do poder americano. Muitas vítimas continuam por identificar, guardados numa tenda perto do Ground Zero, alguns impossíveis de identificar porque estão completamente queimados.
Durante horas o mundo ficou em suspenso com os sucessivos acontecimentos, que rapidamente chegaram aos quatro cantos do mundo. Em directo podemos acompanhar o desenrolar de grande parte dos acontecimentos. Primeiro, o embate na Torre Norte, depois um novo embate na torre sul, de seguida um avião que se despenhou contra o Pentágono, entretanto a torre sul cai e um outro avião cai na Pensilvânia, por fim o colapso da Torre Norte. Uma sequência de acontecimentos que horrorizaram o mundo e sobre os quais não existia qualquer ideia de pararem e não dava para perceber o que estava realmente a acontecer. No suspenso do horror de um acontecimento macabro e inigualável no mundo globalizado, uma parte do mundo islâmico e radical regozijava-se com o sucesso de uma operação preparada com o mínimo detalhe.
A América ficou ferida. O coração financeiro (WTC), militar (Pentágono) foram atingidos, apenas o coração político não foi porque o avião terá caído antes de chegar ao destino. Uma ferida exposta que tentou envergonhar o orgulho e a superioridade americana face ao mundo, sobretudo face ao mundo islâmico radical, que sempre se sentiu ferido e vitimizado com a política militar americana e as suas ofensivas pelo mundo. Mas, o mundo também ficou ferido com o 11 de Setembro. Não apenas porque morreram pessoas de cerca de 90 países, mas porque se consciencializaram que estamos muito vulneráveis a diversas ameaças vindas de onde menos se esperam. Bali, Madrid ou Londres são os melhores exemplos.
Em poucos minutos o mundo mudou e em poucos minutos a liberdade cultural e religiosa passou a ser vista de forma desconfiada, com reservas e mesmo rejeitada por muita gente. É certo que muitos americanos pagaram com a vida um ódio que não tinham e por isso não mereciam o que lhes aconteceu. Também é verdade que o mundo muçulmano passou a ser observado como fanático, radical, quando a maioria não se regozija com o que aconteceu e não pactua com a escalda de violência. De boas intenções está o inferno cheio e a violência é um acto que procura limpar e vingar as vítimas de ambos os lados da barricada. Por isso, o orgulho americano não se baixou e as intervenções militares no Afeganistão e no Iraque são a prova de que nenhuma das partes está disposta a resignar-se em nome da paz.
De nada valem as teoria da conspiração inventadas pelos anti-americanos, que reconhecem os americanos como os responsáveis e criadores dos atentados ou que nenhum avião caiu sobre o Pentágono porque nenhum país, muito menos os EUA, está disposto a ferir o seu próprio orgulho. Os EUA poderão ser responsáveis pelos atentados do ponto de vista das suas atitudes, posições e intervenções militares ao longo da História que terão alimentado ódios, que explodiram de uma forma inteligente.
Depois do 11 de Setembro o mundo tornou-se diferente, as pessoas passaram a ter atitudes e comportamentos diferentes para evitar um perigo eminente, que não se sabe onde está, mas que realmente existe em qualquer parte do mundo.
Os simples hábitos diários passaram a ser controlados de forma mais rigorosa em nome da segurança nacional e a privacidade deixou de ser um bem próprio, mas um bem público, para a detecção de qualquer suspeita. Porém, enquanto uns fazem o controlo apertado nos aeroportos, nas telecomunicações, na Internet, etc, outros procuram as falhas do sistema de segurança para lançar novas ameaças e espalharem novamente o terror.
A guerra contra o terrorismo parece ser um guerra bem pior que os conflitos convencionais e que marcaram a História da Humanidade, em que se sabe quando começou e se sabe quando terminou ou quando o fim poderá ocorrer. Esta é uma guerra que não se conhece o fim. Não é uma guerra de Estados, mas de culturas e essas são sempre as piores e que se travam no dia-a-dia, de cada vez que se cruzam. Enquanto todos os diferentes Homens não foram capazes de darem as mãos, haverá sempre alguém, um que seja, a incitar à violência, à guerra que não é santa, mas infernal. Quando isso acontece a Humanidade entra no ponto de regressão da sua evolução para uma sociedade perfeita e para um mundo perfeito. Os inocentes são sempre os que mais sofrem como em qualquer guerra.

Vamos à praia! Mas, o Verão tem sido um fiasco neste início de mês de Agosto, com a chuva a fazer constantes visitas e o sol tímido ressentido da crise como se não pudesse ir à praia porque também está sem dinheiro para a viagem e para a estadia, que lá pelos lados do Algarve não é muito barata nesta altura e, por isso, seja obrigado a encurtar as férias, ou seja, menos sol que o habitual. Os portugueses também parecem estar a contar com a crise e estão solidários com a timidez deste sol. Porém, português cumpre a sua ida à praia como em outros tempos, para descansar de uns meses depressivos em que está obrigado a pensar no pior que está para vir. Como de costume, as filas rumo ao Algarve cumprem a velha tradição e não fogem às notícias do dia.
Não sou critico quanto a isso, nem tão pouco um velho do Restelo que ao ver os outros partir lamenta que tenham perdido a sanidade e estejam a condenar o futuro do país. Antes pelo contrário, prefiro incentivar as férias porque quem trabalha o ano inteiro é merecedor de um tempo de descanso, de preferência lá fora cá dentro. O nosso país vive do turismo, este é um motor que tem de ser explorado para o mercado interno e também para o mercado externo, dado que este pode ser um forte motor de dinamização da economia nacional, desde que explorado convenientemente porque dele dependem muitos postos de trabalho, de pessoas que vivem e sobrevivem do que o turismo lhes dá.
Compreendo que assim seja porque também eu cresci e trabalhei numa terra onde o turismo é um "ganha-pão" para se sobreviver no Inverno, numa terra que não tem outra forma de subsistir. Nestes tempos de crise também essas gentes sentem na pele as dificuldades e sentem muito a falta de quem quer passar umas boas férias num local calmo e agradável como é o Gerês.
Fazer o turismo como motor da economia deve ajudar ao despertar do sol em mês de Agosto, tempo que este deve estar no seu melhor.

Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt

Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta.
(ALBERT EINSTEIN)

Esta frase choca qualquer um que se depare com ela pela primeira vez, como a mim me chocou. Chocou-me pela grande verdade em que se torna quando deparado sobre o mundo que me rodeia e a pequenez em que nos tornamos na imensidão infinita da estupidez. Poderão achar que, tal como Einstein, estarei a exagerar e a traçar um cenário catastrofista e incómodo. Mas, na realidade não estou a pensar de forma catastrofista, apenas a constatar um facto, que o próprio autor o constatou com mais certeza que a dimensão infinita do Universo.
Não existem Homens livres dessa estupidez, da mesma forma que não serei eu quem julgará a dimensão da mesma. No fundo, muito ou pouco todos contribuímos para ela. Isso percebe-se nas reacções, atitudes, pensamentos e actos que no quotidiano complicam e tornam o mundo num caos e que mais não é que um mundo de luta pela sobrevivência, em busca de um espaço e de um tempo em beneficio próprio, que mais não é a causa das tristezas que provocamos e criamos.
A ideia de ser grande à luz da natureza e das restantes cadeias do mundo animal é por si só uma atitude de estupidez pura, mas sobre a qual não existe lucidez para pensar.
Os males do mundo, como a guerra, a pobreza, a fome, entre outros, é nada mais nada menos que o fruto da estupidez da acção humana sobre os outros. Por essa razão, é que é tão difícil de calcular algo que atingiu a infinidade tão ou mais rapidamente que o Universo.

M. Brunner

A ordenação de mulheres continua a ser um assunto delicado para a Igreja Católica, sobretudo para os elementos mais conservadores do clero. As afirmações do Cardeal Patriarca de Lisboa, José Policarpo, não caíram bem no seio do Vaticano, a ponto de ser chamado a uma audiência com o Cardeal Tarcisio Bertone, o Secretário de Estado do Vaticano, segundo notícia do Público Online de hoje.
Ainda me chocam estas posições da Igreja Católica, presa a tradições de nomeação apenas de homens para o sacerdócio, como se as mulheres não tivessem qualquer capacidade para desempenhar a sua vocação e como se esse impedimento pusesse em causa algum dogma de fé ou desencadeasse um problema teológico.
Não pode a Igreja fechar-se de um debate aberto entre os seus membros sobre esta questão, quando entre si não existe um consenso de posições, que geram sucessivos mal entendidos e que traduzem para o exterior uma imagem de tradicionalismo e conservadorismo infundado, que muitos crentes não entendem.
Os passos para a abertura a novas realidades são necessários e os princípios de igualdade entre pessoas deve também ser aberto às mulheres, que durante séculos foram um pilar na construção e evolução do Cristianismo e que sempre estiveram presentes na Igreja sob outras formas e outros cargos demonstrando cumprimento de deveres instituídos por uma instituição de liderança masculina.
Os tempos são outros e é necessário mais abertura e diálogo entre todos os que têm um papel activo na construção e evolução da Igreja e dos seus princípios.

Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt

Que estamos em crise económica, já é algo que todos sabem e sabem-no há muito tempo, que já lhe perdeu a conta. Muda o Governo mudam-se as políticas e as prioridades, mas a crise é a mesma que tem de ser combatida, para que Portugal não esteja condenado ao fracasso como a Grécia.
Pedro Passos Coelho, o nosso primeiro-ministro, de onde se esperam medidas e de onde se depositam grandes expectativas quanto às suas ideias, tem cada vez menos tempo para apresentar as suas medidas de combate ao défice e da necessária redução da despesa pública. Este impasse de saber o que irá acontecer nos próximos tempos e de saber o que tem este Governo para nos apresentar, tem sido uma fonte de pressão para o executivo, embaraçado com o que se considera de colossal o que há para fazer. Apenas temos, para já, medidas bonitas e bem intencionadas como a redução das frotas e as viagens em classe económica. Só que apesar disso ser um bom começo não é a solução e não serve para emagrecer o Estado tanto quanto este necessita.
O nosso governo tem pouco tempo para agir e os portugueses ainda vivem no suspenso, à espera do que ainda está para vir. Até quando?

Manuel de Sousa
manuelsous@sapo.pt

Anders Breivik é um louco? Não propriamente. A ideia de o querer passar por louco é a ideia de o tornar coitadinho, fruto da evolução e das contrariedades da sociedade actual. Breivik é um homem inteligente, apesar da sua inteligência ser utilizada para algo impensável ou intolerável, mesmo que os motivos que o moviam fossem aceitáveis, mas que não eram aceitáveis.
Somos acordados para uma forma de terrorismo preocupante a que as autoridades pouco podem fazer para o controlar. É mais fácil investigar e cercar organizações como a Al-Qaeda, entre outras, que estão organizadas, constituídas por estruturas e que se espalham com facilidade entre vários países, mas que permitem seguir o seu rasto, descobrir os seus planos e evitar massacres. Difícil será controlar e identificar indivíduos isolados que arquitectam livremente os seus planos para os colocar em prática com a maior das facilidades e das naturalidades. Por muito que na Internet se possa encontrar documentos, chamadas de ordem, apelos à luta e tratados como os de Breivik, será muito difícil saber até que ponto são verídicos e se alguma vez alguém será capaz e avançar com os mesmos, confundidos que são com meros desabafos de loucos, mas que não são loucos.
Os atentados em Oslo, na Noruega, podem ser, na pior das hipóteses, para muitos uma fonte de inspiração e um motivo para também avançarem na cruzada que defendem necessária para a limpeza da Humanidade.
Mais uma vez, a Europa é sacudida por monstros do passado que ainda estão presentes na actualidade e que ainda servem de inspiração. A Europa ainda não se reconciliou com o passado de Hitler, Mussolini, Franco e até mesmo Salazar, para não falar de outros nomes. Essa falta de reconciliação com o avivar destes medos, demonstram que a Europa vive mais que uma crise económica, uma crise de valores bastante forte, que tenta contrariar com a abertura ao multiculturalismo, mas que alguém, num simples e acto bárbaro, consegue fazer tremer esses pilares ainda frescos. Talvez esses pilares de multiculturalismo não estejam bem assentes porque se acredita em muito na teoria do relativismo, em que os valores de uns passam a estar sob o domínio de outros, que se acham puros e sedentos de justiça, mas que apenas espalham a injustiça porque não são capazes de viver num mundo livre.
Pena que em nome de Deus, que se acredita ser o criador da variedade e do multiculturalismo das espécies, se mate e se espalhe o terror, como se esse Deus alguma vez desejasse que tal fosse feito.

Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt

Somos um livro de histórias com uma duração invariável, que depende dos anos da nossa vida e das peripécias que a constituem.
No livro da vida há acção, romance, mistério, investigação, drama, tudo em formato de poesia e de prosa.
Somos o reflexo dos livros que lemos e que gostamos e as nossas acções assemelham-se aos livros, por mais impossíveis e imprevisíveis que possam ser.
A vida é recheada de páginas e de cores, dependentes das nossas tendências e frustrações e de histórias ou contos que não são contados até ao fim.
Somos vítimas de um enredo, em que, de leitores, passamos a personagens principais ou figurantes. A nossa vida pode tornar-se num livro descritivo ou simplesmente sintético em que pouco há para contar.
Os livros não mentem sobre aquilo que somos. Da próxima vez que leres um livro e disseres que gostaste muito, lembra-te que ele é o espelho do teu ser.

M. Brunner

Um bom texto de M. Brunner para partilhar:

Valerá apena chorar pela partida de alguém que nos é querido, quando do outro lado sentimos indiferença?
Do outro lado nunca saberemos ao certo o sentimento. Às vezes a indiferença pode ser uma capa protectora para o controlo das emoções, embora, para quem sente a dor da partida seja mais doloroso, ao pensar que de uma amizade não sobrou nada que valesse um abraço, em lugar de um simples e vulgar cumprimento.
A vida e as ralações pessoais estão cheias de incógnitas às quais as maiores filosofias têm dificuldade em descrever, explicar ou resolver. Há muitas parábolas que se enviam em formato power point para os nossos e-mails pessoais, mas, na realidade, por mais bonitas que sejam as palavras, os sentidos das frases e o conteúdo da história, fica sempre um vazio em quem lê, um vazio que não é preenchido com essas ternuras de palavras e imagens. O vazio, esse apenas é preenchido pelo afecto real e pelo sentimento que se partilha com alguém que nos é próximo.
Por muito que nos digam que a vida se encarrega de muitas coisas, seja trazer à tona uma verdade, seja sarar todas as feridas expostas, haverá sempre a desconfiança em relação a isso. Na hora, no momento quente em que se vivem as situações, todas e quaisquer palavras de conforto fazem falta, mas não têm qualquer utilidade porque o sentimento domina e as emoções controlam qualquer racionalidade, por mais racional que seja o Homem dos tempos modernos.
Nesses momentos crus da vida, toda e qualquer divindade é posta em causa e todas as crenças se batem por terra porque achamos que mudaram o curso do caminho que desejávamos seguir.
O sentimento é algo que não se domina em qualquer altura da vida. Podemos ter a ideia que o controlamos, mas trata-se de uma simples ilusão. Tudo surge novamente com mais e mais força. Não domines o sentimento do momento para que não te sintas traído por ele mais tarde.
Lidas estas palavras, apenas te digo que não valem de nada na hora do aperto do peito, na hora de uma despedida, por qualquer que seja a razão. Não valem de nada, apenas servem como desabafo.
Findo tudo isto, valerá apena sentir pena ou sofrer por quem está ao teu lado ou quem esteja no pensamento com frequência? Talvez. Mas, deixa que o tempo dê a sua resposta. Por vezes, do outro lado, existe um sentimento sincero que deseja não ser manifestado. Se existir, tudo bem, tudo o que sentiste vale o seu esforço e a sua lágrima.

M. Brunner

Um texto de M. Brunner, que vi na Internet e que partilho convosco, para que todos pensem sobre algo que deveria perturbar consciências.

As recentes revoltas religiosas no Egipto, onde diversas Igreja Católicas estão sob elevadas medidas de segurança, devido às pilhagens e manifestações do últimos dias, revelam a crescente intolerância religiosa que se vive neste país, em tempo de liberdade. As divergências religiosas já existiam, mas não nesta dimensão e com este número elevado de vítimas. As imagens que nos chegam são dramáticas e que mostram um país em fúria e revolta perante o saque dos templos e a morte de inúmeros fiéis. Estes acontecimentos colocam em questão a liberdade religiosa no mundo e a intolerância ainda existente, quando se deveria caminhar para a liberdade religiosa entre todos os povos, ainda mais quando estes lutam pela liberdade contra regimes ditatoriais.
Como Católico que sou, custa-me saber que por Deus e em nome de Deus se mata, como se isso fosse a solução dos problemas e contribuísse para a libertação dos povos. A História da Humanidade, mesmo nas escrituras Bíblicas, as guerras, massacres foram métodos utilizados em nome de Deus, quando se pretendia que a doutrina que se pregasse era uma outra, totalmente diferente, a doutrina do amor e da paz entre os Homens e as civilizações. Se em séculos passados o Homem teria ainda um pensamento pouco evoluído sobre a Teologia e os desígnios de Deus, actualmente poderia ser mais evoluído, com um pensamento mais racional sobre a necessidade de paz e concórdia e consciente de que estas lutas de nada resolvem os problemas e que apenas alimenta mais ódio e rancor.
Comportamento gera comportamento, nem Católicos, nem Muçulmanos podem ser considerados inocentes desta luta que atravessa séculos. Em nome de Deus se mata e em nome de Deus se cria mais sofrimento. Estranha forma espiritual a destes povos, que não têm a capacidade de comungar na mesma liberdade como noutros países do mundo em que se procuram laços de entendimento.
A fé é algo que, apesar da dose de irracionalidade por se acreditar em entidades sobrenaturais não evidentes aos olhos do Homem, tem o seu lado racional por se reger sob princípios claros e definidos pelas doutrinas das várias confissões religiosas. Porém, esses princípios são esquecidos e a irracionalidade ganha uma agravante perigosa quando esta se transforma num mal para o mundo, fazendo aumentar aqueles que se afastam por se pregar um Deus e se praticar um outro manchado de ódio e intolerante. Como pode esta gente querer ganhar o Céu? M. Brunner

Por: Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt

Lula da Silva foi um grande presidente e isso é uma grande lição para outros países, que tentam o crescimento económico e o desenvolvimento sem que exista preocupação com um modelo social. O crescimento só é sustentável se existir preocupação com as sociedades.
Miguel Sousa Tavares escreve que a política no Brasil é difícil, é um facto, dada a dimensão do país e o sistema político bastante complexo quando comparado com Portugal. É certo que Lula teve de negociar com Deus e com o Diabo, mas, parece que foi uma excelente receita, com resultados que saltam à vista, apesar de não se conseguir, mesmo assim, agradar a gregos e a troianos. Porém, terá sido o único remédio para que existisse um rumo viável para o país, que vivia sob fortes dificuldades e atrasos elementares. Em Portugal, poderá ser necessário negociar à esquerda e à direita, sem excepção, se estiverem todos com a intenção de criar uma solução que tire o país foço imundo em que nos encontramos mergulhados.

É verdade que o Brasil tem tudo o que necessita para ser um país rico, aliás, já o é. Quando Deus distribuiu a semente, uma leve brisa levou-as para o lado de lá do Atlântico. Por cá ficou pouca coisa, mas, não significa que sejamos uns tristes condenados à pobreza. Se calhar, o Brasil não deveria ser independente, mas, manter-se como colónia Portuguesa para também podermos beneficiar dessa riqueza imensa que por lá existe. Porém, a nossa política de colonização não terá sido a melhor, em termos humanos, um passado que não trouxe grandes frutos e que não nos ilibam de responsabilidades. Por isso, nada de lamentar que a independência lhes tenha sido dada, em 1822.
Tendo o Brasil como comparação, podemos olhar para o nosso próprio umbigo de forma a descobrir os defeitos e procurar as soluções. Portugal é um país pobre? Não ou não deveria ser, ainda que não tenha algumas riquezas do velho irmão. Não podemos lamentar o que os outros têm e nós não temos. Temos é de fazer valer tudo o que temos para que se faça cumprir Portugal.

O nosso território é de facto pequeno, mas também somos menos milhões e isso torna mais fácil de administrar. Temos uma vasta costa para explorar as praias e uma grande zona económica que não se encontra a ser explorada devidamente. Foram distribuídos subsídios para abater embarcações e para o abandono da pesca. Temos serras, que representam um património natural riquíssimo para exploração turística, dentro de padrões sustentáveis para a preservação ambiental e das serras também se podem tirar grandes dividendos económicos. No entanto, está ao abandono e só nos lembramos no Verão, na época de fogos que as florestas existem porque se têm de atacar os incêndios florestais, o que é uma penosa factura ambiental e económica que anualmente se tem de pagar. Temos muitos terrenos para cultivo de alimentos, sobretudo os que mais necessitamos, de forma a deixarmos de importar o que podemos cultivar e passar a exportar o que outros países não podem ou não conseguem cultivar. Pena que muitos terrenos tenham ficado ao abandono por falta de gente no interior e porque em tempos se pagaram subsídios para que se deixasse de cultivar os campos. Não temos grandes rios para grandes barragens, petróleo ou metais preciosos em quantidade. Temos uma mão-de-obra para a industria, mas que não formamos de forma conveniente e agora se encontra desempregada porque os governos ajudaram empresas a instalarem-se e depois deixou que se deslocalizassem para outros países onde a mão-de-obra é mais barata, mas sem dúvida menos eficiente e com menos qualidade. Temos dificuldades em manter um tecido empresarial com capacidade de se lançar em novos negócios, de forma a absorver grande parte do desemprego e produzir para o consumo interno e para exportação porque a produção nacional é de qualidade. Temos tudo o que é necessário para melhorar e aumentar o sector do turismo. Somos um país muito centrado nos serviços, mas estes não são a solução de todos os males. Temos artistas, escritores e cantores; História, património histórico e uma vasta cultura, que, infelizmente, é desvalorizada e onde se investe o mínimo, quando a cultura pode ser um grande contributo para criação de riqueza material e imaterial, desde que bem rentabilizada. Existem países que se valem da cultura para crescer e desenvolver. Porque não podemos utilizar esse bom exemplo?
Lula chegou ao poder de um país com milhões de pobres e sem classe média. Para Miguel Sousa Tavares é mais fácil no Brasil se conseguir um crescimento porque lá não existia nada do que em Portugal onde que já existem infra-estruturas criadas. Partir do nada é mais fácil? Não sei até que ponto. Se muito do trabalho já se encontra efectuado, muito mais fácil seria crescer com a aplicação dos fundos, que em tempos recebemos, no desenvolvimento e a favor do tecido produtivo. É necessário fixar em Portugal os génios que saem das universidades para o exterior e contribuir que estes sejam um rosto de mudança do nosso país. Porém, os que cá ficam são os políticos que apenas apertam o cinto às classes mais desfavorecidas para que os lóbis e os «jobs for de boys» se mantenham à custa de um Estado obeso e em coma diabético.
Este país tem o que necessita para crescer. Para isso, tem de existir trabalho e é necessário recompensar justamente quem trabalha e combate os parasitas que servem para esmaga-nos com um Estado obeso.

Sou defensor de um Estado Social forte, tecido empresarial empreendedor e valorização por quem faz alguma coisa, pouco ou muito, mas que se preocupa com o rumo de Portugal.

O que fez de Lula um exemplo de governação, num país de virtudes e defeitos, foi a capacidade de pensar no Brasil de amanhã, do próximo ano e das próximas gerações. Nós, os lusos, na generalidade, pensamos no agora e o amanhã se verá depois. Para dirigir um país não é necessário uma licenciatura, é necessária uma visão do futuro e essa visão Lula da Silva tinha e era um operário.


Fonte: SIC Online

Por: Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt

Se as sondagens forem reais, ainda que a sua amostra seja reduzida comparada com o universo de eleitores, estamos numa situação dramática em relação ao que parece ser a intenção de voto dos portugueses e na confiança que estes têm nos dois principais candidatos, dos partidos maioritários. A confiança em José Sócrates é baixa, mas a confiança em Pedro Passos Coelho não é a melhor, nem mais elevada, ainda que este não tenha beneficiado de um Estado de graça por nunca ter experiência ou responsabilidade governamental, penalizado pelas opiniões e contradições de que tem sido alvo ultimamente, e que em muito se assemelham às contradições de José Sócrates. As eleições demonstram que a bipolarização da política está gasta e que os portugueses pretendem dar outro rumo à governação.

Os partidos, que até aqui eram considerados minoritários, estão no rumo certo ao poderem ter resultados bastantes satisfatórios e ao serem chamados a intervirem mais nas decisões de governação. A acreditar que estes partidos sejam capazes de apresentar alternativas viáveis ao futuro do país, poderão ter a ascensão de que necessitam para fazer parte do elenco governativo.

A campanha ainda não começou, mas será algo renhido e acredito que esta proximidade dos partidos, sobretudo os do centro, possa geral alguma falta de civismo político em que toda e qualquer arma servirá para conquistar mais um voto. Era bom que isto não acontecesse.

Fonte: SIC Online

Por: Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt

O Candidato pelo PSD, Pedro Passos Coelho, aparece em público com a sua esposa, para uma mensagem de Páscoa, mensagem dirigida aos portugueses e que está a ser difundida na sua página do Facebook.

Muitos, como eu, acharão que se trata de algo curioso, ainda que no seu livre direito de expressão e dentro do que é permitido a um candidato. Porém, esta mensagem da Páscoa que, habitualmente, está destinada ao Cardeal Patriarca ou às figuras de Estado, como o Presidente da Republica ou o Primeiro-Ministro, passou a estar reservada a um candidato ao Governo. Faz-me parecer que esta seja mais que uma atitude de campanha legislativa, e seja uma atitude de quem se ache de responsabilidades governativas e como se esta fosse a mensagem que os portugueses tanto necessitassem. A pose de Estado em diversas intervenções, faz-me parecer que Pedro Passos Coelho já se quer impor como Primeiro-Ministro e aos poucos quer-se achar como uma figura indispensável ao país ainda antes das eleições legislativas.

Ao que parece, pelas sondagens divulgadas recentemente, não é por aqui que Pedro Passos Coelho tem de intervir e não serão estas declarações que farão marcar a diferença em relação aos restantes partidos, se pretende subir nas sondagens. Haverá, muitos outros pontos onde o PSD tem de marcar a diferença. A ideia de uma comunicação tradicional ao país, demonstrando o seu conservadorismo familiar poderá não ser aceite de bom agrado por muitos eleitores.

Por: Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt

Poderá a Espanha viver alheia à crise portuguesa, que, neste últimos dias, está a estudada com detalhe pelos senhores do FMI, que corresponderam ao pedido de ajudar efectuado pelo governo português?

Em Portugal acredita-se que a situação em Espanha está mais calma, pelo menos não se fala com tanta frequência, comparativamente a países como a Grécia ou a Irlanda, numa situação bem pior que a realidade portuguesa. Porém, temos conhecimento que a crise também existe no país de Nuestros hermanos, mas que não se assemelha ao estado da economia e finanças do lado lusitano.

O pacote de medidas aos Espanhóis já se encontra em prática e prevê-se que, por agora, possa resolver o problema actual das finanças públicas ao contrário dos sucessivos pacotes de medidas de austeridade que têm sido impostos a Portugal. Não há receita que chegue e penalizações suficientes para travar a dívida pública e o défice estrutural. A economia espanhola poderá crescer a um ritmo de 2% ao ano, mesmo em tempo de crise e medidas apertadas, embora esse crescimento não suba muito mais até 2017, a acreditar nos dados do FMI, que em relação a Espanha nunca foram muito fiáveis.

A situação mais preocupante será em relação à taxa de desemprego que assume valores mais preocupantes e que teima em não baixar. Sai caro ao país pelo consumo dos recursos do Estado Social. Quanto ao défice, o decréscimo da percentagem tem sido considerável, mas, duvida-se que em 2013 seja possível mantê-lo abaixo dos 3%. Nesta situação, ou o desemprego baixa e a economia sobe para contrariar o défice ou terão de ser impostas novas medidas de contenção orçamental. Este é, para já, o pior cenário possível, que comparado com a situação de falência de Portugal é de sentir inveja do vizinho que tem o trabalho de casa feito. Falta saber com que medidas exactas e se aceitáveis para o povo espanhol.

Por mais positivo que sejam as análises económicas e que tenham afastado a Espanha de uma possível ajuda externa, esse risco não pode ser desconsiderado, com a subida da taxa de juro da dívida pública que também se faz sentir, motivada pela intervenção das agências de rating.
Portugal está muito próximo geograficamente, mas também está próximo em termos económicos ou não seriam os dois países grandes parceiros em diversos sectores e a Espanha depende muito da nossa economia.

Oxalá não esteja a Espanha no mesmo caminho de Portugal, seria um mau pronuncio para a Europa e para o Euro.

Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt


Quando José Sócrates ganhou as eleições legislativas e iniciava o seu segundo mandato como primeiro-ministro, com maioria relativa, ouviram-se vozes e comentadores que vaticinaram o destino do Governo com eleições antecipadas no horizonte, ainda que não se soubesse exactamente qual o momento e em que circunstâncias, se por impossibilidade de aprovação de um Orçamento de Estado, se devido a algum PEC. O tempo passou e o cenário de eleições manteve-se de pé. O director do Expresso, Ricardo Costa, continuamente anunciava que estávamos cada vez mais próximos da queda do Governo e que as eleições seriam lá para Junho de 2011. Assim aconteceu. O chumbo do PEC 4 foi a «gota de água» para a demissão do Primeiro- Ministro. A dissolução da Assembleia da Republica foi sempre discutida desde o rescaldo do das últimas Presidenciais.

O inevitável aconteceu, não sei se na devida altura, dado que vivemos numa crise económica e social bastante grave e em que Portugal vive numa trincheira, em que muitos vão sucumbindo aos ataques externos cada vez mais agressivos vindo da Europa, comandada pela senhora Merkel. Não sei até que ponto esta euforia para eleições antecipadas será positivo para o nosso país, numa altura em que as alternativas para constituição de governo são tão brandas e são tão incógnitas que Sócrates poderá ganhar novamente, já que, apesar de tanto desagrado e tantas manifestações, este continua num lugar considerado confortável nas sondagens. Caso assim aconteça, todas as medidas que este tomar por mais terríveis que possam ser, serão tomadas com toda a legitimidade e sem que a rua tenha direito de contestação. Será Pedro Passos Coelho uma alternativa credível, mediante as contradições e confusões a que os eleitores têm sido confrontados diariamente nas medidas e contra-medidas que devem ser apresentadas? A única possibilidade que vejo, neste momento, é o crescimento do BE, PCP ou CDS, que assistem e muito bem à chacina de Sócrates e à queima solitária de Passos Coelho.

Sou obrigado a concordar com Miguel Sousa Tavares, no seu artigo, de 2/4/2011, quando diz e cito «não se muda de comando debaixo de fogo, chamando um general que de guerra apenas conhece as manobras».

Por: Manuel de Sousa
manuelsous@vodafone.pt



Fonte: SIC

Fernando Nobre desencadeou uma polémica na política que veio acrescentar às já suficientes polémicas que se estão a desencadear, dia após dia, e que apenas têm provocado crises e inseguranças a este país ingovernável. Fernando Nobre tornou-se numa desilusão para muitas pessoas que viam nele um homem de exemplo, um exemplo de coerência no pensamento político e que estaria à margem dos políticos desacreditados, por si próprios, pelas suas acções e pelas suas palavras que apenas enganam o povo. Independência e rigor, sabedoria e trabalho, fizeram deste candidato presidencial um homem que poderia constituir uma imagem à margem dos partidos esgotados e uma lufada no ar carregado da política. Os resultados das presidenciais de 2011 são prova disso, quando 14,1% dos eleitores, cerca de 593,886 indivíduos, reviam-se nas ideias e consideravam-no como a pessoa ideal para a Presidência da República.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e as ideias também mudam ao sabor destes tempos, ideias que, para Fernando Nobre, também mudaram ao alistar-se ao PSD, contrariando as suas afirmações na comunicação social, de que nunca apoiaria qualquer partido político para obter cargos políticos «Partido político nem pensar, nunca. Eu nunca aceitarei nenhum cargo partidário nem governativo» disse-o à SIC, numa entrevista a Mário Crespo. O que pensar destas palavras no dia de hoje? Que pensamento vai na cabeça daqueles que estão frustrados e que se sentem enganados?

Evito aqui apontar o dedo no sentido de tecer qualquer julgamento público à idoneidade de Fernando Nobre, respeito a sua decisão, tomada no seu direito e liberdade democrática. Porém, não deixo de mostrar o meu desagrado com a atitude e com a sua posição e indefinição política, assim como, o engano que se fez às pessoas que o elegeram e o apoiaram.

Este homem de cidadania tornou-se num político profissional, na procura do poder, seduzido pela proposta de um partido que se encontra na eminência de ganhar as próximas eleições. Da parte do PSD reconheço a inteligência da estratégia adoptada no sentido de captar um elevado número de eleitores que apoiaram Fernando Nobre. Já o próprio recém candidato por Lisboa, terá cometido uma má decisão, depois das intervenções públicas que fez para convencer o eleitorado da sua honestidade e liberdade partidária. Sabe o quanto constrangedoras são as críticas a si dirigidas na sua página do Faceboock a ponto de encerrar a página.
Esta é a política que temos e as alternativas que criamos, mas que depois são seduzidas por um poder muito maior que o poder do voto.

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