Setembro 2010 - Posts

Palmyra - A noiva do Deserto

Depois de centenas de quilometros de Deserto, chegamos a um Oasis de onde se ergue Palmyra. Esta noiva com milhares de anos ja foi ocupada por Gregos, Persas e Romanos. Hoje em dia, no entanto, apenas os Beduinos fazem dela a sua casa.










 

 

Damasco

Damasco é a maior cidade da Síria e, para quem chega de carro,atravessar os subúrbios pode ser um pesadelo. Mas quando chegamos ao centro voltamos atrás no tempo. A cidade velha, aladinesca, é um labirinto de arcos e ruelas, becos e entradas.

Aqui vivem juntos Xiitas, Sunitas e Cristãos. A população judaica de Damasco, outrora significativa, foi diminuindo desde a criação do estado de Israel. Hoje em dia, se existem, estão escondidos.

A Síria, historicamente religiosamente tolerante, com uma grande percentagem de cristãos, mantém-se um estado secular com liberdade religiosa (excepto para judeus, devido ao grande ódio entre a Síria e Israel que se mantêm em litígio em relação as Colinas de Golã, anexadas por Israel em 67 durante a guerra dos seis dias). No entanto, na realidade é um governo bastante repressivo que não admite oposição e que esmaga qualquer indícios de pensamento politico livre.














 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alepo

 

Alepo, no norte da Siria, é a segunda maior cidade do pais. Rica em historia e em cultura, Alepo é uma cidade simpatica e acolhedora, famosa pela comida e pela afabilidade do povo.


 

 

Krak des Chevaliers 

O Krak, considerado um dos castelos mais bonitos do mundo é uma memoria de pedra da época das Cruzadas. Um monumento de pedra e de luz que se mantém praticamente indiferente a passagem do tempo. O estado de conservação permite-nos viajar para outras épocas sem grande esforço para a imaginação.

 

 

 

 

 

 

O sol marca o meio do dia e estende a sua luz em todas as direcções, iluminando e aquecendo uma imensidão branca; o deserto. A estrada segue até ao limite do horizonte sem nada a vista para além de umas pequenas ruínas.

Esta terra que já viu Alexandre e já viu Roma, Fenícios, Persas e Egípcios, que já foi controlada por Cristãos e Muçulmanos, mostra a sua história na pele.

As Cidades Mortas, cidades abandonadas que datam desde o século 5 A.C. a poucos quilómetros de Alepo, mantém-se vivas com a ajuda das pequenas aldeias que se formaram em seu redor, com alguns habitantes a ocuparem secções inteiras das ruínas.

Os Cruzados deixaram a sua marca com o Krak des Chevaliers, um castelo que T.E Lawrence descreveu como o castelo mais bonito do mundo.

E há a Noiva do Deserto, Palmira, uma cidade romana em ruínas que cresce de um oásis.

O Deserto. Ele ocupa a maioria do território mas apenas os beduínos fazem dele sua casa. Casas isoladas espalham-se ao longo da estrada, separadas por vários quilómetros.

Com um keffieh na cabeça, um beduíno fuma um cigarro enquanto vigia o seu rebanho. O sol queima-o mas não se vêem árvores em redor. A cinza cai e eu perco-o de vista, um ponto na imensidão.

 


 

 

 

 

 


 

 

 



 

 

Um canto percorre as ruas estreitas da cidade velha de Diyarbakir. A medida que o som da oração da manhã se apaga na Mesquita o canto vai dobrando esquinas, escondendo-se por momentos para logo em seguida reaparecer mais forte e mais vibrante.

O canto sai do pulmão de um homem de idade avançada, já perto dos 70, que se junta com outros no pátio de um Centro Cultural Curdo. Não é um recital mas sim um combate de vozes que ganham forma em melodia, competindo entre si, uma após outra.

São lendas, historias de amor, de guerra, de família. Cânticos de revolta e cânticos religiosos. De colete e boina, levam o Curdistão na voz, na mente, no corpo.

Muzaffer, encostado a um canto até aí, levanta-se em esforço e aproxima-se do circulo. Uma bala alojada na coxa, uma lembrança de quando era mais novo e lutava nas montanhas atrás do sonho de um Curdistão livre, obriga-o a mancar enquanto se dirige para o centro lentamente. Quando chega a sua vez, a voz dele explode num som doloroso e triste, um canto poderoso mas melancólico que parece reverberar dos seus ossos em ruinas para as paredes da cidade, penetrando, como a bala que transporta, nos corações de homens e edifícios, dando voz ao Curdistão.

 




 

 

 

 


 

O conflito entre Turcos e Curdos existe desde a declaração de Independência da Turquia. Durante anos discriminados, (o governo Turco não reconhece a existência dos Curdos preferindo rotula-los de Turcos da Montanha e proibia o uso da sua língua), o conflito escalou durante os anos 80.


O PKK esta classificado como organização terrorista e os Curdos (cerca de 20% da população)continuam a não ser reconhecidos como uma das etnias da Turquia.

A situação melhorou em 2004 quando a Turquia começou o processo de entrada na União Europeia. Uma das condições foi a existência de maior liberdade e um melhor histórico de direitos humanos, especialmente no tratamento dos Curdos.


Finalmente o Curdo começou a ser ensinado nas escolas e foi permitida a abertura de centros culturais curdos onde se mantém vivas as tradicoes.


No entanto o Curdistão continua a ser uma das zonas mais pobres e com menos investimento publico da Turquia e este ano viram a sua representação parlamentar ser diminuída drasticamente com a expulsão de vários parlamentares curdos suspeitos de manterem relações com o PKK.


Os Curdos são Curdos, e todos eles concordam com isso embora a maioria não concorde com os atentados terroristas organizados pelo PKK. Também o PKK retomou a luta durante o ultimo ano pondo o fim a uma trégua prolongada.


A guerra tem-se intensificado, com verias aldeias junto a fronteira iraniana e iraquiana a serem bombardeadas pelo exercito e com muitos confrontos entre as milícias do PKK e o exercito junto a fronteira do Iraque.



Os Curdos reclamam um retrocesso nas politicas governamentais com um aumento na repressão e uma perda de direitos durante o ultimo ano que vai em contra as politicas dos últimos anos.


Diyarbakir é a capital Curda e o centro dos vários partidos curdos assim como do PKK. Existe uma cultura de resistência com uma historia de manifestações e de confrontos violentos. Ao contrário do resto da Turquia não se vêem bandeiras turcas em lado nenhum.

 

Também é uma das cidades mais pobres na Turquia, com um centro degradado e onde a grande maioria vive num estado de pobreza.

 

As crianças espreitam a cada esquina. Os idosos passam o calor da tarde debaixo de uma sombra ou em conversas na mesquita. Todos de sorriso fácil e extremamente acolhedores, e todos orgulhosas da sua herança curda e do seu querido Curdistão.


Mas as soluções continuam longe.