Outubro 2010 - Posts

 

Quando eu era mais pequeno brincava sempre com a minha vizinha da frente. Percorríamos as ruas do campo, juntávamo-nos a outros grupos de crianças. Passávamos o dia fora de casa.

Um dia o Ariel Sharon subiu ao Monte do Templo e a nossa vida mudou.

A Segunda Intifada que tirou a vida a cerca de 5500 Palestinianos e 1100 Israelitas, ficou marcada por uma maior presença do exército Israelita nos campos de refugiados, com imposições de recolher obrigatório e castigos colectivos: demolições de casas de familiares de militantes e incursões violentas.

A Intifada já durava há dois anos quando durante um dos períodos de recolher obrigatório os Israelitas entraram no campo, prontos para tudo.

Estávamos todos dentro de casa mas a certa altura ouvi um grito da casa em frente e um som de gás a espalhar-se.  O som das botas dos soldados aproximou-se. Uma mulher começou a chorar, e um homem começou a berrar, mas com a confusão nem se conseguia perceber o que dizia. Um tiro silenciou a noite.

Na manhã seguinte a minha vizinha não saiu de casa. O gás que tinha sido usado rebentou mesmo em cima dela, e a exposição prolongada deixou-a incapacitada para o resto da vida.

 






O personagem Handhala foi criado pelo cartonista Palestiniano Naji al-Ali e acompanhou-o praticamente a vida toda. Handhala é uma criança dos campos que presencia as atrocidades cometidas. Handhala esta sempre de costas a olhar para a sua terra, e mantém os braços cruzados atrás das costas rejeitando uma solução vinda do exterior.

Naji al-Ali foi assassinado em Londres em 87 por um suposto membro da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) que no entanto se provou posteriormente ser um agente-duplo da Mossad.

Mas Handhala sobrevive como um símbolo da resistência Palestiniana.

 

 

Somos todos refugiados de aldeias perto de Jerusalém. O campo foi aberto em 1949 e tem vindo a crescer desde essa altura. Actualmente somos 13000 pessoas a viver numa área de 1 quilometro quadrado.. Vivemos uns em cima dos outros, é o que se vê.

Salem vive em Dheisheh, um campo de refugiados Palestinianos em Belém, na Cisjordânia.

Depois da criação do estado de Israel milhares de Palestinianos foram forçados a abandonar as suas aldeias e muitos acabaram num dos campos de refugiados administrados pelas Nações Unidas.

Muita gente quer sair do campo, mas com o desemprego em 70%, e com uma grande percentagem da população com menos de 15 anos, a vida é muito difícil. Para alem disso vivemos no medo constante de represálias Israelitas. Eles continuam a aparecer no campo. Vêm de noite para não darem nas vistas. Batem à porta de algumas casas, revistam, e às vezes levam pessoas.

Durante a primeira e a segunda intifada, a presença Israelita era constante; o campo estava rodeado de arame farpado e apenas existia uma entrada, que era controlada pelo exército. Israel impôs recolheres obrigatórios severos, com o mais longo a prolongar-se por 84 dias.

Não podíamos sair, não podíamos ir à casa de banho. Era uma espera lenta, angustiante, à espera do próximo tiro.

A antiga entrada para o campo. So se encontrava aberta algumas horas por dia. O resto das entradas estavam fechadas com arame farpado e postos militares.

 

 

 

 

 

 

 

 


 

No sul da Jordânia, a 60 km de Aqaba no Mar Vermelho, Wadi Rum, o Vale da Lua, e Wadi Musa, ou Vale de Moisés, onde se encontra Petra, a antiga capital dos Nabateus, são a casa de milhares de Beduínos da tribo Al-Howaitat.

Tradicionalmente nómadas, os Beduínos de hoje em dia são na sua maioria sedentários, mas raramente viram as costas ao Deserto.

É uma vida simples. A noite não se houve nem se vê nada a toda a volta e as estrelas que brilham como um manto negro de brilhantes são a única companhia. Durante o dia é o sol que acompanha e castiga. O ritmo é lento no Deserto.

Os beduínos não vivem em aldeias mas sim em famílias. É normal passar por um conjunto de tendas a cada 10 ou 15 quilómetros, e em cada um destes grupos apenas vive uma família. É uma vida introspectiva sem grande contacto social. O Deserto é o companheiro constante.

Num mundo cada vez mais rápido e cada vez menos simbiótico o estilo de vida dos Beduínos ainda é marcado por um grande respeito e por uma coexistência com a Natureza.

E é o próprio Deserto, com a sua desolação e aridez, que afasta o fantasma do desenvolvimento preservando um estilo de vida que remonta à antiguidade.

 

 

 

 

 

 

 O Hezbollah, ou o Partido de Deus, tem um grande poder politico no Líbano, embora isso não seja tão visível em Beirute.

Em Balbek, um complexo de templos Romanos estava aberto um museu do Hezbollah, com posteres contra Israel e uma mensagem bem clara a porta.

Se vierem cá outra vez, nos vamos ate vocês.

Desde a Guerra do Líbano de 2006 o Hezbollah garantiu um enorme peso politico visto que as grandes perdas sofridas pelos israelitas foram todas infligidas por militantes xiitas do Hezbollah.Vistos como um movimento de resistência no mundo árabe e como terroristas no ocidente, a única realidade certa e a dimensão do Partido no Líbano.

O Hezbollah administra varias zonas no Líbano, especialmente as que tem uma maior população xiita; gerem escolas e serviços sociais para alem de se envolverem em varias medidas de apoio a povo.

A saída do museu, uma recriação de um dos bunkers do sul do Líbano que ficaram famosos com a Guerra de 2006.

A saída um militante entrega panfletos informativos em arábico e inglês.

 

O Hezbollah e visto como o braço direito do governo Iraniano e a sua mão armada contra Israel, mas para muitos o Hezbollah salvou o Líbano de uma nova ocupação Israelita e são heróis que conseguiram expulsar um inimigo comum.

 

Poster com alvos apontados a cidades e pontos estrategicos Israelitas.

 

 

Recriacao da Flotilla de apoio humanitario a Gaza que foi parada pelo exercito de Israel.

 

 

Imagens de danos causados pelo avanco de Israel e uma mao de sangue com a estrela de David.

 

 

 

 

 

Dia 14 de Setembro de 1982, o então Presidente do Líbano Bashir Gemayel foi assassinado. A guerra civil que tinha começado em 75 e dividido o país entre Muçulmanos e Cristãos, Sunitas e Xiitas, Palestinos e Libaneses, continuava.

Ao meio dia do dia seguinte, forças Israelitas, que ocupavam então Beirute, rodearam os campos Palestinianos de Sabra e Shatila fechando todas as saídas.

Mas o pior estava para vir. As 6 da tarde do dia 16 de Setembro, 150 membros das milícias Falangistas, transportados e protegidos pelas forças militares de Israel entraram no campo. O som de tiros, então já habitual numa Beirute destruída pela guerra, intensificou-se. De dentro do campo ouviam-se ordens e berros de intimidação e de terror.

A medida que a noite descia, o exército Israelita começou a disparar artifícios de iluminação. O céu brilhou com fogo e com sangue.

Durante as 48 horas seguintes as milícias Falangistas perpetraram um massacre sobre a população Palestiniana sob o pretexto encontrar e prender terroristas, com o conhecimento do exército de Israel e do então Ministro da Defesa Israelita Ariel Sharon.

Estimam-se que cerca de 2000 a 3500 Palestinianos tenham morrido em Sabra e Shatila.

 

 

 

Sabra e Shatila continuam a ser duas zonas extremamente pobres, contrastando com a baixa parisiense e amante da dolce vita de Beirute.
Shatila ainda e um dos maiores campos de refugiados do Líbano e um dos mais deteriorados. O apoio ao Hamas tem aumentado alimentado pela degradamento da situação dos Palestinianos a viver no Líbano. O sonho de uma terra própria mantém-se vivo.