quinta-feira, 28 de Outubro de 2010 15:54
ricardoplemos
Vozes de Dheisheh, Cisjordânia

Quando eu era
mais pequeno brincava sempre com a minha vizinha da frente. Percorríamos as
ruas do campo, juntávamo-nos a outros grupos de crianças. Passávamos o dia fora
de casa.
Um dia o Ariel
Sharon subiu ao Monte do Templo e a nossa vida mudou.
A Segunda
Intifada que tirou a vida a cerca de 5500 Palestinianos e 1100 Israelitas,
ficou marcada por uma maior presença do exército Israelita nos campos de
refugiados, com imposições de recolher obrigatório e castigos colectivos:
demolições de casas de familiares de militantes e incursões violentas.
A Intifada já
durava há dois anos quando durante um dos períodos de recolher obrigatório os
Israelitas entraram no campo, prontos para tudo.
Estávamos
todos dentro de casa mas a certa altura ouvi um grito da casa em frente e um
som de gás a espalhar-se. O som das
botas dos soldados aproximou-se. Uma mulher começou a chorar, e um homem
começou a berrar, mas com a confusão nem se conseguia perceber o que dizia. Um
tiro silenciou a noite.
Na manhã seguinte a minha vizinha não saiu de casa. O gás que
tinha sido usado rebentou mesmo em cima dela, e a exposição prolongada deixou-a
incapacitada para o resto da vida.



O personagem Handhala foi criado pelo cartonista Palestiniano Naji al-Ali e acompanhou-o praticamente a vida toda. Handhala é uma criança dos campos que presencia as atrocidades cometidas. Handhala esta sempre de costas a olhar para a sua terra, e mantém os braços cruzados atrás das costas rejeitando uma solução vinda do exterior.
Naji al-Ali foi assassinado em Londres em 87 por um suposto membro da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) que no entanto se provou posteriormente ser um agente-duplo da Mossad.
Mas Handhala sobrevive como um símbolo da resistência Palestiniana.