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um blogue de Daniela Espírito Santo

Rosental Alves: "As redes sociais mudaram o Mundo"
Publicado em 30.Junho.2011

Rosental Alves, considerado um dos maiores especialistas em jornalismo online, esteve recentemente em Portugal a promover um workshop de jornalismo e empreendedorismo. O director do Knight Center para o Jornalismo nas Américas e professor de ciberjornalismo na Universidade de Austin, no Texas, aproveitou a sua estadia no Porto para falar ao JN sobre a importância das redes sociais no jornalismo. Hoje, no dia em que as redes sociais são celebradas em todo o planeta, confira a entrevista: 

 

Há dois anos atrás, perguntaram-lhe se o jornalismo ia ser feito em 140 caracteres, por causa do sucesso do Twitter. Concorda com isso?

O jornalismo de hoje não é feito em 140 caracteres, mas muito jornalismo é feito em 140 caracteres e o jornalismo que é feito em mais caracteres ficou potencializado pela grande disseminação do Twitter. É praticamente inconcebível algum projecto jornalístico que ignore o Twitter, pois o Twitter virou parte do jornalismo. O tipo de narrativa rápida, em poucas palavras tornou-se uma ferramenta interessante para o jornalismo, mais do que era entendido há dois anos atrás.

 

O contexto do Twitter e do Facebook mudou nos dois últimos anos em termos jornalisticos, então...

Sim, o jornalismo que há dois anos ainda desconfiava do Twitter e fazia piadas hoje, de uma maneira geral, adoptou o serviço. Todas as empresas jornalísticas que eu conheço têm uma estratégia específica para o Twitter e para o Facebook, uma estratégia de social media que se tornou imprescindível.

 

De que forma as redes sociais mudaram o jornalismo?

Não mudaram o jornalismo. As redes sociais mudaram o Mundo. Mudaram o Mundo dentro do qual o jornalismo vive. O jornalismo não pode ignorar isso. As redes sociais são instrumentos muito importantes para a difusão do trabalho jornalístico, assim como para a apuração de informações. É muito difícil a vida de um repórter que ignore completamente as redes sociais hoje em dia. Em muitos lugares e ambientes, as notícias acontecem primeiro, cada vez mais, nas redes sociais do que nas redes jornalísticas.

 

Como encara o desafio de fazer jornalismo numa altura em que a pessoa ali da esquina relata nas redes o fogo na casa ao lado primeiro que o jornalista?

A pessoa da esquina sempre soube primeiro do fogo que o jornalista. O que não havia era uma ligação entre a pessoa da esquina e o jornalista. As redes sociais criaram essa nova dimensão, que foi vista muito primeiro no tsunami [no Japão] e depois nas bombas em Londres. Desde essa altura que toda a gente fala "user generated content", mas é mais que isso, é uma ligação. É o que eu chamo de homus networkis. Há muitos anos que tenho esta expressão e que dizia que ia acontecer e que hoje é uma realidade. As pessoas estão interligadas, em redes activas e o jornalista que não estiver a ouvir essas redes está por fora e vai ser o último a saber.
 

Qual o papel que o jornalista pode representar nas redes sociais?

Muitos. O jornalista tem que ver as redes sociais como lugares de conversação, como lugares para encontrar pessoas, como lugares para divulgar o trabalho que faz, divulgar o trabalho que outros fazem. Há uma multiplicidade enorme de actividades que o jornalista deve ter na rede.

 

Já não acha que as redes sociais são uma moda passageira?

Até admito que, talvez, estejamos a passar pelo pico da "onda" das redes sociais. Pode ser até que, em algum momento, haja um ponto de inflexão e elas diminuam ou parem de crescer, mas nunca vão desaparecer, vão ser sempre importantes. Elas não representam algo passageiro, mas uma mudança paradigmática importante na maneira como as pessoas, no dia-a-dia, comunicam entre elas. Essa é que é a grande verdade, pois ela é uma extensão da comunicação interpessoal.

 

Que futuro para as redes sociais?

Temos alguns dilemas hoje. Por exemplo, o do Twitter ser uma empresa única, com esse domínio que tem. E o Facebook também... e a capacidade dominante e dominadora desses gigantes. Mas aí entra um pouco a teoria de rede: quanto maior é a rede, mais potente vai ficando e mais crescimento exponencial vai tendo. Realmente não sei qual é o futuro das redes. Há muitas outras redes que estão a crescer, algumas sectoriais, algumas especializacões, algumas que nem sabemos. Talvez o que haja no futuro são umas redes grandes e outras mais especializadas, como um long tail. Assim, temos as redes grandes, responsáveis por quase tudo e onde está quase toda a gente e outras menores, mais pontuais.

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Daniela Espírito Santo
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Entusiasta das redes sociais e do jornalismo móvel. Presente no top 25 de jornalistas portugueses no Twitter, em 2009. Nos tempos livres, é voluntária em associações de solidariedade social e frequentadora assídua de festivais e concertos. Obrigado por visitar.
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