O Parlamento catalão votou hoje a favor da proibição de corridas de touro a partir de 1 de Janeiro de 2012, tornando-se na segunda região espanhola a fazê-lo (a primeira foi as Canárias, em 1991). A legislação foi aprovada com 68 votos a favor, 55 contra e 9 abstenções, na sequência de uma iniciativa legislativa popular subscrita por 180 mil cidadãos preocupados com o bem-estar animal e o sofrimento infligido ao touro naquela que é uma das mais seculares tradições espanholas. No final da votação, o presidente do Governo regional, José Montilla, revelou aos jornalistas que votou contra a proibição e desejou que este tema não se transforme em mais uma área de conflito entre a Catalunha e o resto de Espanha. “Espero moderação e sentido de responsabilidade de todos”, afirmou.
A votação colocou ponto final a um processo que se arrastou durante um ano e meio no Parlamento catalão, mas poderá não terminar aqui. Os activistas pró-touradas prometem levar o assunto ao Tribunal Constitucional e o Partido Popular já revelou a intenção de avançar com propostas legislativas nacionais que proibam este tipo de proibições. “Proibir as corridas de touro numa altura de crise é loucura”, sublinhou Rafael Luna, membro parlamentar do PP, durante o debate.
Quanto aos empresários do sector, ponderam avançar com pedidos de indeminização junto do Governo regional, na ordem dos 300 milhões de euros.”Este é um ataque há nossa liberdade, a uma actividade económica privada. As pessoas são livres de assistirem ou não às touradas”, referiu Fernando Masedo, presidente da Federação Internacional de Escolas de Toureio.
A primeira tourada realizada Em espanha remota ao ano 711, por altura da coroação do rei Alfonso VIII. Inicialmente, as corridas de touros eram considerado um desporto praticado apenas pelos aristocratas, sempre montados a cavalo. Filipe V, contudo, proibiu a aristocracia de participar nestes espectáculos por considerá-los um mau exemplo para o público. Por volta de 1724, os homens do povo assumiram as touradas como um desporto das classes mais baixas, e como não podiam comprar e manter os cavalos, começaram a praticá-lo a pé e desarmados.
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