Os cães sentem o sofrimento dos seres humanos?

27/02

2011

às 18:39

 

Os cães sentem o sofrimento dos seres humanos, principalmente aqueles que reconhecem como sendo os seus donos? Karine Silva e Liliana de Sousa, duas investigadoras do Departamento de Ciências do Comportamento do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, no Porto, consideram que sim, embora sublinhem que faltam estudos experimentais e uma discussão científica sobre o assunto. As duas cientistas publicaram uma reflexão sobre o assunto na edição deste mês da revista da Royal Society.  “A empatia é um mecanismo complexo, que começa pelo simples contágio emocional e vai até alguma reflexão sobre o estado emocional do outro e a uma ligação emocional ao outro”, explicou, ao JN, Karine Silva. De acordo com alguns estudos, o estádio de empatia depende do tamanho do cérebro do indivíduo. No ser humano, por exemplo, a partir dos nove meses, a criança tende já a confortar o outro de uma forma espontânea, ou seja, sem qualquer reflexão sobre o que o outro está a sentir. “A preocupação simpática só começa a partir dos quatro anos”, explica Karine Silva. Experiências feitas com ratos mostraram que estes reagem à dor sentida por indivíduos da mesma espécie que estejam fechados numa gaiola, mas não à sentida por seres humanos. Testes realizados com chimpanzés que cresceram em contacto com o Homem revelaram que estes consolam e ajudam os seus pares em sofrimento, mas também os seres humanos. A questão que agora se coloca prende-se com outras espécies animais que convivem de perto com o Homem, como é o caso do cão. As duas investigadoras consideram que “há fortes probabilidades de o cão utilizar as duas faculdades cognitivas para confortar o ser humano”. As razões são várias: o facto de os cães domésticos descenderem do lobo, animais altamente sociáveis; alterações biológicas sofridas durante o processo de domesticação, que começou há cerca de 10 mil anos; e a diversidade de raças existentes. Há estudos que indicam que, mesmo os cães não treinados, são sensíveis às emergências humanas e poderão reagir a estas de forma a ajudar quem está em sofrimento. Contudo, não entendem a natureza dessa emergência, nem o que deve ser feito para conseguir ajudar. Uma das hipóteses de explicação prende-se com o facto de o cão cheirar as feronomas produzidas por uma pessoa em sofrimento.

 

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