O regresso da garraiada à festa académica de Vila Real originou ontem um protesto pacífico em defesa dos direitos dos animais e opôs os aficionados e os críticos desta corrida, que teve como vedeta uma vaca. A garraiada, uma corrida com vacas ou touros novos, foi abolida há dois anos por um grupo de alunos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), mas regressou este ano à semana académica daquela instituição, noticiou a agência Lusa.
Durante a tarde, muitos foram os alunos que se juntaram no campus da universidade para ver ou enfrentar as cinco vacas que entraram na arena, enquanto outros estudantes, acompanhados por outras pessoas da cidade de Vila Real, protestaram de forma pacífica contra a iniciativa.
Um dos contestatários do regresso da garraiada foi Mário Pinto que se mostrou contra a "discriminação entre espécies". "Esta acção é focalizada na garraiada, mas é alargada ao conceito de que os animais não podem ser motivo de divertimento para nós, quando isso implica o seu sofrimento ou humilhação", salientou.
Mário Pinto sublinhou que a manifestação quis "marcar um ponto" e "não criar qualquer atrito". "O ser humano é o único ser capaz de interpretar ética e bem-estar animal e é por isso que nós lutamos", referiu.
António Brandão salientou que a defesa dos animais transcende o "meio académico" e sublinhou a necessidade de sensibilizar quer os alunos, quer a comunidade em geral. "Achamos mais constructivo que haja evolução e a postura das pessoas seja diferente", frisou.
Maria João Manso foi uma das responsáveis pelo regresso da garraiada à Semana Académica. "É natural que seja um tema que dê muita polémica, que vai dar sempre, mas estamos aqui não para humilhar qualquer tipo de animal. Quisemos fazer regressar uma tradição à nossa universidade. Já vamos perdendo tantas, porque perder mais esta", salientou.
Maria João acrescentou que se trata de uma tradição com mais de 20 anos da UTAD e com mais de 50 em outras universidades como de Coimbra, Évora ou Lisboa. Para esta estudante, o que é preciso é "respeitar as diversas opiniões sobre o tema".
Quem não se importou com a polémica à volta do assunto foi Manuel Mendes, que com outros colegas saltou para a arena para fazer uma pega à vaca. Enquanto este aluno agarrava o animal pelos cornos cortados, outros puxavam pelo *** ou pelo corpo da vaca. E, entre tombos e empurrões, Manuel confessou ter "muito gosto" pelas garraiadas, ou não confessasse ser ribatejano de nascença. "A vaca tem muita força e mais me maltratou ela a mim do que eu a ela. É uma brincadeira", salientou.
Pelo meio, os manifestantes apresentaram uma queixa ao Serviço de Protecção (SEPNA) na Natureza e Ambiente da GNR, que se deslocou ao local para averiguar a documentação dos animais e as condições em que decorreu o espectáculo.