Cão Serra de Aires e podengo grande correm risco de extinção

29/04

2011

às 17:30

O cão da Serra de Aires e o podengo grande são duas das doze raças portuguesas de cães que correm risco de extinção, alertou hoje o Clube Português de Canicultura. "O podengo grande e o cão da Serra de Aires são as raças que estão a ter o menor número de registos e o podengo grande está quase à beira da extinção", disse à agência Lusa Luís Gorjão Henriques, vice-presidente da organização.

 

Nos últimos 10 anos, o número de registos de podengos grandes tem vindo a decair, sendo 53 em 2005, 39 em 2008 e apenas 17 em 2010, diminuindo cerca de 58 por cento de 2009 para 2010, de acordo com o relatório de contas de 2010 do Clube Português de Canicultura. "O menor número de registos deve-se talvez ao facto de o podengo grande ser um cão grande e de caça, logo é mais difícil tê-lo em casa e, além disso, têm sido colocadas limitações legais à posse destes cães", justificou Luís Gorjão Henriques.

 

A tendência decrescente também se tem vindo a verificar no cão da Serra de Aires, cujos exemplares registados em 2004 eram 148, 98 em 2007 e 47 em 2010, tendo descido 32 por cento face a 2009. "Não há uma grande explicação para o Serra de Aire", explicou o vice-presidente do Clube Português de Canicultura, afirmando que "não há grande procura da raça e os criadores têm feito poucas ninhadas".

 

O Serra da Estrela continua a ser a raça portuguesa mais registada, contudo o número de registos os últimos dez anos até 2009 vinha a cair em mais de 50 por cento, apesar de em 2010 se ter verificado um aumento de 13 por cento. Para Luís Gorjão Henriques, tal como em outras raças, "a tendência de diminuição se deve ao facto de ser um cão grande, pouco portátil e cuja alimentação é mais dispendiosa", um factor a ter em conta no actual contexto de crise económica quando se trata de optar entre um cão de porte grande ou de porte pequeno.

 

Se acordo com o Clube Português de Canicultura, o total de registos de cães tem vindo a diminuir nos últimos anos, o que poderá ser reflexo da crise. "Nota-se bastante que as pessoas estão a controlar mais os seus gastos e, como a compra de um cão é acessória, há uma menor procura e quando existe é por cães pequenos, o que tem levado os criadores a fazer menos ninhadas também, logo o número de efetivos também é menor", justificou.

 

Apesar do decréscimo, em 2010 os exemplares de raças portuguesas registados subiram mais de oito por cento e começam a ter uma forte procura por estrangeiros, sobretudo de Inglaterra, Estados Unidos e de países nórdicos, sendo o podengo pequeno o mais procurado.

 

Oito associações estrangeiras dedicadas ao Cão da  Serra vão estar presentes no 1.º Congresso Internacional do Cão da Serra da Estrela, que se realiza no sábado e domingo, nas Penhas da Saúde. Os oito clubes são oriundos de França, Reino Unido, Suécia, Finlândia, Holanda e Estados Unidos da América.

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