A freira da Madeira, o impacto das linhas eléctricas e da iluminação pública nas aves marinhas ou o turismo ornitológico na Macaronésia são alguns dos temas do VII Congresso de Ornitologia que começa sábado em Machico.
Organizado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), este congresso, que decorre até segunda-feira, engloba as Primeiras Jornadas Macaronésicas de Ornitologia, reunindo cerca de uma centena de especialistas nacionais e do estrangeiro.
No seu âmbito, será apresentado o "Guia sobre as Aves de Portugal", da autoria de Hélder Costa, e decorrerá uma tertúlia sobre os 40 anos da Reserva Natural das Ilhas Selvagens.
O impacto dos incêndios florestais de Agosto de 2010 na Madeira na avifauna nidificante e a recuperação das colónias de nidificação da freira da Madeira (pterodroma madeira) é um dos temas que estará em debate neste congresso.
Segundo o director do Parque Natural da Madeira, Paulo Oliveira, no maciço central montanhoso da Madeira "foi efectuada uma intervenção de urgência com os objectivos de consolidar as condições de sobrevivência dos juvenis, recuperar localmente os ninhos no sentido de promover o regresso das aves na época de reprodução de 2011 e fazer a retenção dos solos através da colocação de manta anti-erosão".
Paulo Oliveira salientou que "foram recuperados e ou construídos cerca de 100 ninhos artificiais, todos os ninhos existentes foram recuperados/construídos no exacto local onde estavam georefenciados e foi recolocado o cordão de exclusão de predadores gatos, ratos e murganhos".
O director do PNM considerou, por isso, que "os resultados da época de reprodução de 2011 abrem boas perspectivas para a recuperação da espécie no curto e médio prazo, tendo estado cerca de 50 ninhos activos e sendo o saldo final de 16 juvenis que sobreviveram desta ave endémica da Madeira".
O impacto da iluminação pública nas aves marinhas é outro tema do congresso que será desenvolvido pela bióloga Cátia Gouveia, da SPEA - Madeira.
Segundo esta investigadora, em virtude do encadeamento (poluição luminosa), as aves marinhas, sobretudo os juvenis, perdem-se e chocam contra as escarpas havendo o registo, desde 2003, de mais de 300 aves mortas.
Para Cátia Gouveia, há necessidade de sensibilizar as pessoas e os poderes públicos para os efeitos da poluição luminosa de modo a contrariar esta tendência de mortalidade: "basta reposicionar os projectores para o chão ou introduzir temporizadores, entre outras coisas".
Paulo Castro e Sofia Alves abordarão a "Carta Europeia de Turismo Sustentável em Áreas Protegidas, um instrumento de planeamento que pode potenciar o turismo ornitológico da Macaronésia como um produto único".
O congresso discutirá ainda as aves da Macaronésia, a ecologia, a conservação de aves florestais e endémicas, a monitorização das aves comuns e a sua utilização como indicadores do estado dos ecossistemas e as perspectivas sócio-económicas e conservação da natureza.