O governo da província de Niassa, norte de Moçambique, vai envolver mais a população, polícia e militares no controlo da sua reserva natural, para travar o saque de marfim por caçadores furtivos, disse à Lusa o governador local.
David Marizane, governador de Niassa, sem negar ou admitir a cumplicidade da população na pilhagem dos recursos florestais e fauna bravia por estrangeiros, na sua maioria da Tanzânia e dos Grandes Lagos, disse que a população tem o papel importante de preservar a riqueza do país.
"A população deve-se sentir dona dos recursos existentes e deve estar atenta para confiscar e travar a onda do saque. Daí a necessidade de a envolver na protecção da reserva. A polícia e os militares também (devem ser envolvidos), para defesa da economia do país", disse à Lusa, David Malizane, durante uma reunião do Ministério da Administração Estatal, que decorreu em Chimoio, centro do pais.
Dados do governo de Niassa, indicam que só este ano 52 elefantes foram abatidos e retirados os troféus por caçadores furtivos, contra 72 abates registados em 2010.
"Eles (os estrangeiros) devem ter descoberto um novo mercado para os troféus, pois quando abatem os elefantes não levam a carne. A população tem vindo a descobrir ossadas de elefantes já abatidos, por isso devem fiscalizar mais a madeira, a caça furtiva e o garimpo", frisou David Malizane.
Ainda segundo a fonte, além do saque dos troféus, a caça furtiva tem vindo a aumentar casos de conflito homem-animal, pois os paquidermes fogem das suas áreas habituais para invadirem regiões habitadas, destruindo machambas (hortas) e celeiros.
"O tom do discurso da população mudou, agora percebem que o seu recurso está a saque, pois apanham elefantes abatidos a decompor-se, enquanto bem podia usar-se a carne para alimentação", disse Malizane, que quer a fronteira com a Tanzânia, a porta de entrada dos furtivos, mais controlada.
A província de Niassa, possui um dos maiores lagos de África, com mais de mil espécies de peixe de ornamentação, o que tem atraído turistas para a região, que tem vindo a conhecer um crescimento da indústria hoteleira e turística.