Fotos: AFP
Presos em Marrocos, quatro elefantes e o seu tratador esperam com inquietude e uma impaciência crescente o fim do braço de ferro que mantém com a União Europeia, que lhes impede a entrada em França. Segundo a France Press, os animais e respectivos tratadores vivem há quatro meses num acampamento improvisado em Casablanca. Os quatro elefantes – Belinda, Dana, Sabina e Pira – têm cerca de 40 anos e pesam mais de 3,5 toneladas casa um.
Embora obedeçam aos comandos ditados pelo mestre, o artista de circo Josef (Joy) Gartner, “eles sabem que as coisas não estão normais”. “A rotina deles está diferente e eles sentem-se abandonados”, queixa-se Gartner. Pertencente a uma família de tratadores de animais, Gartner quer voltar para França, onde tem esperança de assinar um contrato com o Circo Pinder, mas há meses que sente que está a conversar com uma parede. “Estou praticamente sozinho contra a União Europeia”, disse, à AFP.
Joy Gartner saiu de Montauban, no sul de França, com os seus elefantes em 2005 para trabalhar em vários países, incluindo Tunísia e Marrocos. Agora, pretende regressar, mas a União Europeia não os autoriza. Um porta-voz da Comissão Europeia apresentou uma proposta, na semana passada, em Bruxelas. Lembrando que as regras de entrada de animais no espaço europeu são muito rigorosas, especialmente quando vêm de países afectados pela febra aftosa, como é o caso de Marrocos, esse responsável aconselhou Gartner a viajar até à Croácia, país que tem acordo com a UE, onde os animais poderiam ficar em quarentena antes de entrar no espaço da União.
Gartner espera que essa seja uma solução, embora com alguma relutância. Diz que ninguém da Comissão Europeia colocou a questão à Croácia e lembra que, segundo a Organização Mundial de Saúde Animal, nenhum caso de febre aftosa foi referenciado em Marrocos desde 1999. “Por que é que tive autorização de sair da Europa e agora não tenho para regressar?”, questiona.Os custos de manutenção dos animais são consideráveis. Cada elefante come, diariamente, cerca de 200 quilos de feno.
Por seu turno, Gilbert Edelstein, director do Circo Pinder, está furioso. “Esta é uma situação inademissível”, disse, a partir dos seus escritórios em Paris. Ele pretende exigir que os deputados franceses “tomem medidas” para que os elefantes retidos em Marrocos regressem a França. Embora neste país não haja posto de inspecção fronteiriço, Gilbert Edelstein considera que “é suficiente colocar um provisoriamente”. “Estes animais não são selvagens. Podem estar de quarentena em Marselha e depois integrar o Circo Pinder”, afirma.