quinta-feira, 12 de Junho de 2008 6:43
torredaguia
OUÇO, VEJO, SINTO E QUEDO-ME EMBASBACADO...
Enquanto a maioria do nobre povo da nação valente se extasiava com os magníficos rodopios da bola portuguesa, sem sequer se aperceber que os frigoríficos esvaziam agora muito depressa, as obras públicas paravam, os postos de combustível esgotavam os tanques e os bens essenciais começaram a desaparecer dos expositores comerciais. Neste momento, após o Governo aceitar as reivindicações dos trabalhadores em greve (uma das formas de considerar a intervenção governativa), diz-se que o retorno à normalidade ainda vai demorar vários dias.
Como em Espanha, com a polícia de choque a malhar forte e feio sobre os piquetes grevistas, o ministro Mário Lino disse que o arrumo da piqueteria portuguesa (o termo é meu), mesmo contando com uma vítima mortal, poderia ter sido pior. Na televisão, pelo que vi e ouvi por parte dos piqueteiros, que se declaram amargurados e traídos em seu ideal, fiquei com a sensação de que estes estavam mesmo a gostar do impositivo servicinho que «disponibilizavam» aos camaradas que queriam continuar a trabalhar.
Estou a lembrar-me da anedota do papagaio, cujo dono, por que o interessantíssimo palrador se tornou insuportável, decidiu metê-lo no galinheiro junto com as outras aves. Durante a noite ocorreu um inopinado temporal que destruiu por completo o habitat dos galináceos. Pela manhã, diante do desolador estendal que se lhe deparava, o dono viu o loirinho encolhido num canto, ferido e quase todo depenado.
- Ó meu melro, então pá, o que é que aconteceu?...
- Ó patrão (erguendo-se a custo, abriu as asas e salientou o peito), eu quando tiro o casaco sou assim!...