quinta-feira, 12 de Junho de 2008 14:51
torredaguia
PERMANEÇA SANTO ANTÓNIO !...
Santo António de Lisboa, olissiponense nado, foi-se para o céu em Pádua. Por isso o designam santo dum e doutro lado.
Fingia pregar aos peixes, após lançar-lhes umas migalhitas sem que ninguém visse, na expectante esperança de atrair seus concidadãos para o discurso que produzia a fim de que porventura nele se reflectissem. Nem todos os seus esforços se goraram, já que da sua estóica militância humanizante se extraem algumas espirituais maravilhas que nos colocam a alma a brincar com as nuvens.
A noite antecedente em Lisboa costuma ser de empolgante e concorrida festa. Só quem lá vai e cheira o manjerico real é que sabe como o folguedo desperta harmoniosamente os sentidos e impele os indivíduos para a festividade sádia e fraternal. Até os bêbados de cair se portam bem, pois não têm pela beira os habituais hipócritas a esmagar-lhes o esvoaço dos sentidos.
Miudinho de cinco anitos, minha mãe tinha o hábito de levar-me frequentemente à Igreja dos Congregados para que eu visse o Santo António em seu altar. Talvez por isso e desde sempre, apesar de não crer em miopias racionais, Santo António toca-me no nome e no ego. Sinto-o como quero sentir, livre, pleno de raciocínio sem dogmas, excelso e divino a meu modo. Melhor ainda: com ele sinto-me eu. Sei que não é santo de alinhar com os que sistematicamente fazem o mal e na mesma medida vão continuando a pedir infinitamente perdão.
Gosto e admiro o paradoxo da sua imagem tal e qual a evidência a apresenta sobre os altares nas igrejas ou entre garrafas nas prateleiras das tascas.
Que belo é o menino,
Santo António, ao teu colo,
sentado semi-nuzinho
em permanente consolo!...
Permaneça Santo António!...