sexta-feira, 13 de Junho de 2008 5:46 torredaguia

GOLPE IRLANDÊS NA «PARTIDOCRÁTICA TRATADICE»...


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Em sexta-feira-13 = Que azar político !... Que sorte social !...

O povo irlandês, segundo os ditâmes da sua constituíção política (o povo português tem sido um contínuo sub-decisor), legítima e inequivocamente representado na opção tomada pela maioria dos eleitores votantes, acaba de dizer «não» ao designado Tratado de Lisboa (13.12.2007), um impositivo desígnio de poderosos e privilegiados partidocratas, todo ele cozinhado e manobrado à margem do efectivo parecer directo dos cerca de 500 milhões de cidadãos que fazem parte da Comunidade Europeia. Em consequência, como o desiderato exige por unanimidade o «sim» dos países já integrados para ser aprovado, os indivíduos que deveras se sentem sem óbice democratas antes-de e depois-de, sentir-se-ão naturalmente regosijados e gratos aos irlandeses que a 13 de Junho de 2008 (dia de Santo António em Portugal) assim decidiram, quanto a mim contribuindo para desanuviar os propósitos e os equívocos contornantes.

Entre nós, José Sócrates, que em princípio se mostrou inclinado a submeter a referendo a aprovação do Tratado, tal como de resto tem procedido desde que foi eleito primeiro-ministro, revirou e, pela certa, entregou o decisivo parecer à AR. Também, Luís Filipe Menezes, embora exigindo voto directo para liderar o PSD, imediatamente adiante, posto no poleiro de baixo, fechou olhos e ouvidos à opinião dos portugueses. Só o presidente da República foi atempadamente coerente neste delicado domínio, declarando e reafirmando a sua posição antes de eleito.

Em imediata reacção ao «não» irlandês, os partidocratas lesados na sublime teta-e -treta começaram já a bater com os calcanhares nos fundilhos... Que preclaríssimas são as democráticas conveniências dos tratantes: passar por cima da decisão irlandesa com um pau de dois bicos. Se por um lado afirmam que a respeitam, logo por outro declaram que é preciso ultrapassá-la e impor o tratado... - Quem tem medo da democracia?... Oh... Que óbvio de tão óbvio: os ditadores eleitos!...

Democracia Portuguesa

Vá, meus senhores, pra valer,
há que dar forte empurrão
nas palavras que hão-de ser
tal e qual os gestos são...