quarta-feira, 9 de Julho de 2008 12:31
torredaguia
Ai que saudades = Um mãozinhas de saco...
No decurso de um recente e interessante serão dedicado a ensaios sobre Fado, um dos convivas, folgazão bem disposto e embrenhadíssimo em tradicionais tocatas e cantigas, apareceu, entre outros curiosos versejos, a interpretar o Fado Calão, cuja letra original e tal-qual é, por mais que há algum tempo eu tivesse buscado e rebuscado, não encontrei na Internet. Como considero estar perante a uma expressiva «maravilha» de engenho popular e de autor obviamente desconhecido, transcrevo os versos que o citado me forneceu na expectativa de que porventura acorra alguém a corrigir-lhes os desvios.
Assim, deduz-se e haverá mais de um século, estava possivelmente um «mãozinhas-leves» preso e a aguardar julgamento, quando sentiu necessidade de escrever uma carta à mulher. Para que a carta não fosse entendida por quem eventualmente à mesma tivesse acesso, decidiu escrevê-la num calão que só a companheira compreenderia. Aprecie-se:
FADO CALÃO
Palácio do «Conde Andeiro»,
dia 6 do mês corrente,
num velho «surdo» sentado,
espero e quero primeiro
que estejas «bacanamente»,
já que eu estou «encanado»...
Com a «fresca» no «bastelo»
escrevo-te esta «falha»
pra que te ponhas a «fangues»;
já deu de «cabra o camelo»
a quem eu «guindei a tralha»
e «manjou» que «eu era mangues»...
Se a «bófia» te apoquentar
e não puderes visitar-me
salta pela «clarante»
e se o «pira» te falhar
desde já passo a avisar-te:
tens no «piano» a «fugante»...
Traz-me a «mimosa noviça»
e prá bófia não «dichavar»
pela mão traz a «chavala»;
mete um «pintor embutido»
nos «calcantes» entre a sola
que é pra eu «pagar a sala»...
Firma-te bem nas «canetas»
e quando vieres pra cá
passa pelo «invejoso»;
vou terminar estas letras,
recebe pois querida «H»
um «chocho» do teu «manhoso».