quinta-feira, 23 de Outubro de 2008 12:18
elmanomadail
As abóboras originais são sempre melhores
Sempre que há eleições, os norte-americanos mais ciosos da liberdade de expressão costumam espetar, nos relvados fronteiros à casa onde vivem, cartazes indicativos das suas preferências políticas. O que facilita as sondagens, sem pretensões científicas, da vizinhança: basta percorrer os quarteirões do sonho americano, contabilizar os cartazes e aferir das tendências, que por estes dias oscilam, obrigatoriamente, entre a parelha republicana McCain-Pailin e a dupla democrata Obama-Biden.
Levam os reclames tão a sério que os republicanos estão a oferecer 5000 dólares a quem identificar uma mulher que surge num vídeo, sobejamente difundido pelo canal oficioso dos conservadores, a Fox News, a roubar os cartazes do candidato deles. Há quem seja indiferente, porém, à exposição do voto no logradouro. E nem é por medo de represálias, mas antes por cansaço e certo nojo. É o caso de Anita Gardner. A bojuda negra que vive num dos bairros mais miseráveis da zona Leste de Cleveland, no Ohio, que contabiliza dois divórcios, que teve dois filhos, passou dois anos em coma e quase perdeu a casa na ganância das financeiras entretanto falidas, prefere plantar os espantalhos e as abóboras do Halloween à porta do perigoso lugar onde vive.
Porque na sua perspectiva - tão desencantada que hesita no voto por temer a fraude que resulte na perdição de Obama -, a diferença mais substantiva entre uns e outros está no silêncio dos vegetais.