sexta-feira, 24 de Outubro de 2008 17:49
elmanomadail
Esperança em risco nos EUA
As mesas de voto têm sido locais de festa e de esperança no Ohio – um dos estados decisivos para as presidenciais norte-americanas, com 22 delegados para o colégio eleitoral – principalmente nas regiões mais deprimidas, como na zona Leste da cidade de Cleveland. Ali, nos bairros operários que acusam o desemprego crescente, a orçar 7%, nas ruas cheias de lixo e casas decrépitas, nessa atmosfera saturada de hip-pop e conversas gritadas, a campanha democrata soma e segue no voto antecipado, que este ano foi autorizado em 34 estados.
O voto antecipado é mais popular entre a juventude que circula por ali, no ócio forçado. Desencantada, mas que acredita, ainda assim, que esta é uma oportunidade única para influenciar o curso da História e o seu destino pessoal. Votam massivamente em Barack Obama, porque "Barack don’t stop" e "Obama rocks". Mas a sua devoção ao primeiro negro que poderá conquistar a Casa Branca está muito para lá da política. Para eles, que votam pela primeira vez, Obama não é só a estrela do momento, mas antes o messias que lhes há-de resgatar a dignidade e garantir um futuro melhor.
É por isso que as acusações de fraude no recenseamento e no voto antecipado, que podem levar à anulação de milhares de votos – já foram depositados 3,4 milhões e estima-se que a participação cívica, antes de 4 de Novembro, envolva um terço do eleitorado –, na maioria favoráveis a Obama, comporta um risco maior do que a escolha do próximo presidente dos EUA: pode significar também a alienação definitiva de uma geração que deixou de acreditar nas virtudes da Democracia. Daquela que se diz ser a maior do Mundo.


A loira Jessica Dover, coordenadora do Rock The Vote, orienta eleitores debutantes à porta da Comissão Eleitoral do Condado de Cuyahoga


Eleitores jovens à porta da Comissão Eleitoral do Condado de Cuyahoga, em Cleveland, Ohio, esperam pela vez de cumprir o voto antecipado