domingo, 26 de Outubro de 2008 17:47 elmanomadail

Melanina eleitoral

A competição para a Casa Branca afirma-se histórica pela pior das razões: pela primeira vez, há um candidato que o léxico politicamente correcto denomina de afro-americano, palavrão que pretende designar um cidadão cuja epiderme acusa um excesso de melanina em relação aos padrões caucasianos. Um negro, portanto. E esse é o candidato democrata, Barack Obama.

A historicidade decretada pelos media, que adoram estabelecer padrões de raciocínios e tornar passado o instante que acompanham, encerra um preconceito racial que poderá ter reflexos desastrosos nos resultados eleitorais de Obama (pelo famosíssimo efeito Bradley). Todavia, à excepção dos imbecis que proclamam a supremacia branca – e jamais perceberei qual é a tonalidade rigorosa que legitima a superioridade ariana –, é raro encontrar alguém que declare abertamente a sua oposição a outrem em função da cor da pele. Mas eles existem, e são mais do que muitos. Só um já seria, aliás, demasiado…

Embora longe de ser um exclusivo, os renitentes à aceitação racial encontram-se no campo republicano mais conservador, que costuma admitir a possibilidade de ter por presidente um negro… desde que não seja Obama. É já um clássico, a tirada. Só que, não havendo outro para lá dele, a resposta é claríssima no subtexto que comporta. E torna-se mais evidente numa observação simples: no comício de John McCain em Westerville, abonado subúrbio de Columbus, capital do Ohio, os únicos negros presentes no pavilhão do colégio local eram polícias ou agentes de segurança; já por outro lado, no comício de Michelle Obama, em Akron, tanto a assistência como os oradores primavam pela variação múltipla na intensidade da melanina.

 

Admite-se que seja apenas coincidência. Espera-se que seja apenas coincidência. Mas suspeita-se de que não o tenha sido.

Comentários

sem comentários

Comente este artigo