quinta-feira, 30 de Outubro de 2008 15:05 elmanomadail

Trapinhos presidenciais

A campanha presidencial deste ano tem suscitado a paixão do debate, mesmo àqueles que nunca morreram de amores pela política. E ontem, numa fila para as caixas do supermercado Giant Eagle, em Toledo, no Ohio, o comício foi popular e paradigmático.

Duas matronas dadas ao açambarcamento discutiam, com paixão assinalável, o famigerado guarda-roupa de Sarah Palin. As duas dedicaram-se à análise dos trapinhos da senhora, que terão custado 150 mil dólares aos cofres republicanos, na perspectiva da relação qualidade-preço, esgrimindo etiquetas e ruas famosas aprendidas nas revistas cor-de-rosa.

O debate entre as duas mulheres subiu o tom e descambou numa discussão cuja violência se tornou incomodativa. De tal modo que uma velha, saturada de estar na fila cada vez maior, se viu obrigada a explicar às duas a triste realidade das suas vidas: tal como para elas seria impossível sonhar sequer em pisar a escadaria da Casa Branca, também nunca estaria ao seu alcance os stileto Manolo Blahnik nem o bolero Valentino Garavani.

É que se não fosse pelo dinheiro que custam, seria pelo tamanho que apresentam, porque não há costureiro de nome feito que invista no XXL que costuma vestir a doméstica do subúrbio norte-americano.

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