Numa loja do Centro Comercial da cidade de Kenwood, próspero subúrbio da décima cidade mais pobre dos EUA, Cincinatti, Ohio, vendem-se, por 20 dólares, bonecos dançarinos dos candidatos à Casa Branca, o republicano John McCain e o democrata Barack Obama. Ou melhor, vendiam-se: no mostruário para dez peças, restam meia dúzia de bonecos de McCain. De Obama, não resta um exemplar.
Ao lado, um McCain em papelão à escala natural tem pregado um cartaz informando que “Obama está temporariamente esgotado”. Mas não McCain, apesar do desconto de 25 por cento oferecido pela loja.
O que o povo quer é mesmo Obama, como o puto que inferniza a mãe, exigindo-lhe o que já não há. Esperneia o fedelho o seu descontentamento, indiferente à lógica paciente da mãe que, farta dessa paixão que filho e amigos têm pelo candidato à Presidência dos EUA, ensinou ao rebento a verdade mais universal que há sobre os políticos: “Filho, se Obama ganhar, daqui a quatro anos já nem podes ouvir falar dele, acredita”, disse-lhe a senhora. Que, por estranha ironia, trazia o dístico “Yes, we can!” cravado no peito largo.