Cultura

Acontecimento Deafheaven chega ao Porto

Acontecimento Deafheaven chega ao Porto

A banda americana que abriu o espetro do "death metal" ao público "indie" traz este sábado o seu novíssimo disco ao Hard Club. Noite abrasiva de rock ainda à hora do jogo Sporting-Benfica

Há aqui dois acontecimentos a registar. O primeiro é o regresso ao Porto dos Deafheaven (este sábado, 5 de março, Hard Club, 21.30 horas, com Myrkur na 1.ª parte), a banda de São Francisco que há três anos estilhaçou o corpete apertado do "black metal" e o abriu à grande comunidade do "indie rock", fundindo aquele estilo com o "shoegaze", desobstruindo a expansão 'post-rock'.

O outro é que o quinteto americano liderado pelo vocalista George Clarke e pelo guitarrista Kerry McCoy (nenhum deles se adequa ao estereótipo do metaleiro viloso; Clarke é apolíneo e McCoy usa óculos) traz um novo disco, "New bermuda", editado há quatro meses, que eleva ainda mais a fasquia da qualidade levantada na estreia, "Sunbather", em 2013 (9 pontos em 10 na "bíblia" Pitchfork para ambos os discos). Desnecessário será apontar a importância que tem vermos uma banda ao vivo quando ela está realmente viva e na plena posse dos seus poderes - agradecimentos à atenta produtora Amplificasom, que os estreou no Amplifest em 2013 e agora os torna a trazer.

Olhados de lado pela enclausurada comunidade do metal como "fraudulentos", "afetados" ou só uns "hipster rich kids" que estão a contaminar um género musical puro, os Deafheaven, na realidade, estão a operar um pequeno milagre "mainstream": são uma incineradora de som, carbonizam guitarras e calcinam as vozes, mas são sensíveis aos My Bloody Valentine, aos Low, aos Wilco, aos Red House Painters e a toda a trupe lenta do 'sadcore' e os seus afluentes vão até ao expressionismo Joy Division. Ou seja: amplificam fãs para os dois lados e derrubam barricadas musicais.

Após o concerto desta sexta-feira em Lisboa, com o RCA abrasivo e a abarrotar, o Hard Club recebe-os este sábado à beira de esgotar. A banda deve iniciar a sua atuação às 22.30 horas.

Na primeira parte do espetáculo, numa hora que ainda cai em cima da segunda metade de outro acontecimento escaldante, o 'derby' Sporting-Benfica, atua Amalie Bruun, a mulher-banda por trás do projeto Myrkur (que é o nome de uma canção dos Sigur Rós). Assombramentos alados, canto seráfico, guitarras a tremer e tambores a roncar é que podemos esperar da dinamarquesa Amalie, 31 anos, loira e bonita e que também enfeitiçou os andamentos extremos do 'black metal'.

O bilhete para o concerto custa 20 euros.

Recomendadas

Outros conteúdos GM

Conteúdo Patrocinado