Cultura

Acrobata francês morreu numa queda

Acrobata francês morreu numa queda

O acrobata e funâmbulo Tancrède Melet, uma referência mundial da arte circense levada ao extremo, sofreu uma queda fatal na terça-feira enquanto preparava mais um número com balões de ar quente.

Tancrède Melet consagrou a vida à sublimidade de um gesto: caminhar no ar e saborear o atordoamento vertical. O francês não se deixava dominar pelas convenções sociais obcecadas na segurança e castradoras da liberdade do risco. Funâmbulo, homem pássaro, inquilino das nuvens, artista circense, acrobata radical, fazia trinta por uma linha.

Há dois anos o JN falou com ele ao telefone. Tancrède Melet estava nos Pirenéus a tentar caminhar por cima de uma estreita fita esticada entre dois balões de ar quente suspensos no ar a cerca de 800 metros de altura. Foi apenas mais uma das suas muitas aventuras de arte circense elevada ao extremo.

Na internet abundam vídeos que testemunham as suas proezas. Uma das suas inspirações foi Philippe Petit, o célebre funâmbulo que em agosto de 1974 atravessou as duas torres gémeas do World Trade Center, em Nova Iorque, a caminhar por um estreito arame.

Tancrède Melet era um dos estrategas do coletivo Skyliners, um conjunto de gente adepta das emoções extremas e com percurso marcado por ousadias várias, sobretudo em cumes de montanhas, desfiladeiros ou precipícios nos Alpes franceses.

A sua vida era isso desde que há uns anos desistiu da carreira de engenheiro. A atividade da sua trupe era financiada com as vendas dos filmes que retratam as proezas e o universo circense vagamente sonhador.

Nos anos mais recentes Tancrède Melet afirmou-se como um dos mais respeitados acrobatas do extremo, sendo uma referência mundial no universo do highline, wingsuit ou basejump.

Na terça-feira a verticalidade foi-lhe fatal: morreu numa queda. Tinha 32 anos. Quando o JN falou com ele em 2014, disse-nos que fazia tudo isto "por uma busca de liberdade".

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