Cinema

Ainda há mais de 30 filmes para ver no Porto Post Doc

Ainda há mais de 30 filmes para ver no Porto Post Doc

Festival vai a meio, mas até ao próximo domingo ainda exibe mais de trinta filmes. "Gimme Danger", regresso de Jim Jarmusch ao documentário e a Iggy Pop, é exibido esta quarta-feira.

Mais do que um filme sobre os Stooges, "Gimme Danger" (Rivoli, 22 horas) retrata um omnipresente e vibrante Iggy Pop, a partir do seu livro "I want more", a que se junta o humor fino do cineasta norte-americano. Depois de "Coffee and Cigarettes", em que juntou à mesa Iggy Pop e Tom Waits, Jarmusch regressa ao músico que inicia a sua carreira no final dos 60's ao leme dos Stooges, banda que lançaria as bases do punk e rock alternativo. A noite desta quarta-feira termina com o dj Kitten, no Passos Manuel.

Este ano o certame cresceu, com cem filmes no programa, divididos por nove secções e pelas salas do Teatro Rivoli, Passos Manuel e Maus Hábitos, na Baixa do Porto. A secção competitiva, habitualmente a mais eletrizante, inicia a segunda ronda de exibição, esta quarta-feira.

Entre os objetos favoritos do festival deste ano está já um filme português e portuense: "Tarrafal", documentário bastardo de Pedro Neves que convoca os fantasmas do bairro social S. João de Deus, no Porto e recorre a antigos habitantes que lá vão tentar apaziguar a memória, para lhe traçar uma elegia cinematográfica que, a espaços, dá belíssimos resultados, apesar de algum desequilíbrio na montagem e na condução narrativa. O bairro foi um supermercado de droga a céu aberto durante décadas, sofreu uma demolição parcial em 2003 (promessa cumprida por Rui Rio, eleito em 2001, mas que não arrasou o negócio da venda ilegal; a droga apenas mudou de sítio e disseminou-se por outros bairros) e hoje é um híbrido de ruínas e cáries sociais com casas sobreviventes. Por que se chama Tarrafal? O nome adveio de uma colagem à prisão/campo de concentração que o nosso Estado Novo montou em Cabo Verde antes da Revolução de Abril e sobrepôs-se mesmo ao seu nome cristão original do bairro. "Tarrafal" é de novo exibido esta sexta-feira, às 18.30 horas, no Rivoli.

Cinema sem pressas

A construção criativa de narrativas apoiada no recurso a fotografias tem-se destacado na secção competitiva. "Ascent", de Fiona Tan, é um poético ensaio à volta do Monte Fuji, a personagem principal do filme. Neste, fotos amadoras e de arquivo dão diferentes representações, ao longo da história do Japão, da montanha vulcão que "permanece alta e silenciosa" e é um "atlas do tempo" (repete sexta-feira, às 14:30 horas, no Rivoli). Um filme para quem vai ao cinema sem pressas.

"The Host", de Miranda Pennell, também recorre à fotografia, correspondência e desenhos para falar do passado colonial e imperialista do Reino Unido, a partir da sua história de família e da relação desta com a petrolífera britânica no Médio Oriente. Desde um arquivo de fotografias, aparentemente inócuas, constrói uma trama que assenta sobretudo na sonorização para introduzir movimento ao filme ou, nas palavras da própria cineasta, para "criar tempo, mas também espaço, sugerindo o que há para lá da imagem" (quinta-feira, às 18.30 horas, no Rivoli).

As tradições nipónicas também estão em destaque em "Ama-San", da portuguesa Cláudia Varejão, que, segundo contou na apresentação do filme, descobriu num poema a cultura milenar das mulheres japonesas que mergulham em apneia, no Pacífico, à busca de moluscos para subsistência. É na espontaneidade destas mulheres capturada pela objetiva, seja no mar, na rotina de casa ou em momentos de diversão (como noites de karaoke), que reside a grandeza do filme. "São uma cultura diferente. Elas vivem a solidão com alegria", refere a documentarista. O filme, que já foi distinguido como o melhor português no DocLisboa, atesta-o (volta a ser exibido na sexta-feira, às 21:30 horas, no Rivoli).

Outros destaques

A obra do brasileiro Eryk Rocha e o cinema multissensorial do Sensory Ethnography Lab (SEL), da Universidade de Harvard, estão em retrospetiva no festival. Destaque para "Pachamama" de Rocha, "uma espécie de diário de bordo de uma viagem de autodescoberta" na fronteira entre o Brasil, Bolívia e Peru e dos ritmos que a ocupam (sexta-feira, às 19 horas, Passos Manuel). O multipremiado "Leviathan", de Lucien Castaing-Taylor e Véréna Paravel, é uma obra-prima imperdível do SEL sobre a pesca no Atlântico Norte, a partir da perspetiva dos peixes (sábado, às 19 horas, no Rivoli).

Sobre o criador da Elite Model, há "Casablancas l"homme qui aimait les femmes" (sexta-feira, às 22 horas, no Rivoli). "Bowie, l"homme cent visages ou le fantôme d'Hérouville", sobre o músico falecido este ano, passa na cerimónia de entrega de prémios (sábado, às 22 horas, no Rivoli).

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