Cultura

Barcelona homenageou Saramago

Barcelona homenageou Saramago

A homenagem a José Saramago que terminou, esta sexta-feira, em Barcelona revelou que, oito meses após a sua morte, a memória do Nobel da Literatura está mais viva do que nunca entre os leitores.

Dois actos públicos realizados na segunda maior cidade espanhola estiveram completamente lotados de pessoas que quiseram demonstrar o afecto e desfrutaram da atmosfera "Saramaguiana".

O auditório da Biblioteca Jaume Fuster esgotou os lugares na quinta-feira à noite e meia-hora antes do início do acto "Barcelona homenageia Saramago", a fila à porta alongava-se e algumas pessoas não conseguiram entrar.

A festa terminou com o cantor Paco Ibañez a dedicar vários temas ao escritor português e à sua mulher, a jornalista espanhola Pilar del Rio, e a fechar a festa a interpretar a "Grândola Vila Morena", hino da revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal.

A plateia acompanhou euforicamente, a cantar em catalão a letra da música.

"Sentimo-nos órfãos por não contar hoje com a sua voz", disse o vereador de Cultura de Barcelona, Jordi Martí, que abriu a cerimónia onde foram lidos excertos de obras do escritor falecido em Junho passado.

Pilar del Rio, Miguel Gonçalves Mendes, realizador do filme "José e Pilar", e amigos de Saramago foram alguns dos leitores.

O filme foi projectado, esta sexta-feira, na Universidade Autónoma de Barcelona (UAB), num acto organizado pela Cátedra José Saramago do Instituto Camões de Barcelona, onde a comunidade académica encheu a sala e teve a oportunidade de conversar com o realizador e com a protagonista sobre o documentário.

Miguel Gonçalves Mendes confessou que "ninguém" esperava o sucesso que o documentário teve no Brasil e em Portugal. No Brasil passou em 19 salas de 11 cidades onde foi visto por 40 mil espectadores. Em Portugal totalizou 20 mil.

É um orgulho para o realizador do filme recentemente candidato a melhor documentário de 2010 pela Academia Brasileira de Cinema que seja o "filme português mais visto no Brasil".

Pilar del Rio chamou a atenção para a "falha dos distribuidores e exibidores espanhóis", pois o filme na Catalunha, por exemplo, só teve direito a uma semana de estreia no cinema Verdi, em Barcelona, e não está em muitas salas de cinema.

Na sessão de exibição foram lidos, por alunos da faculdade, textos de Saramago em nove línguas: português, castelhano, alemão, francês, árabe, inglês, italiano, russo e japonês.

Pilar del Rio disse que no dia 18 de Março, quando se completarem nove meses sobre a morte do Nobel, será aberta a Casa Museu de Lanzarote, antiga residência do casal no arquipélago espanhol das Canárias.

Deste modo pretende pôr em prática a passagem do texto do livro "O Ano da Morte de Ricardo Reis", onde o escritor coloca na boca de Fernando Pessoa que se demora nove meses a sair do ventre materno e nove meses para se ser esquecido.

Também adiantou que no dia 18 de Junho, quando passar um ano sobre a morte do escritor, as suas cinzas serão colocadas em frente à Casa dos Bicos, em Lisboa, que funcionará como uma "casa de cultura".

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